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Quase 25% dos médicos da linha de frente já tiveram COVID-19, diz pesquisa

Quase 25% dos médicos da linha de frente já tiveram COVID-19, diz pesquisa

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Sanar

5 minhá 70 dias

Quase 25% dos médicos que estão na linha de frente no combate à COVID-19 já contraíram a doença. O dado emerge da pesquisa nacional Os médicos e a pandemia de COVID-19, promovida pela Associação Médica Brasileira (AMB), com a participação de 3.882 profissionais de todas as regiões do Brasil.

O levantamento online foi realizado entre 18/12/2020 e 18/01/2021 e teve o objetivo de captar o olhar e as angústias dos profissionais de saúde em relação à evolução da pandemia da COVID-19.

Os dados mostram que 92% dos respondentes que atuam na linha de frente sentem um ou mais sintomas decorrentes da sobrecarga física e mental de trabalho, como ansiedade, estresse e exaustão. Para 99% dos respondentes, o Brasil precisará priorizar mudanças em seu sistema de saúde no pós-pandemia.

Confira a seguir os principais destaques da pesquisa:  

Agravamento da pandemia

A exaustão física e mental dos profissionais da saúde que lidam diariamente com a COVID-19, falta de leitos e de materiais básicos, insuficiência de protocolos oficiais e descrença nas autoridades da Saúde estão entre os motivos que fazem com que 8 em cada 10 respondentes enxerguem a segunda onda como tão ou mais grave do que a primeira.

No momento em que o Brasil já registra mais de 220 mil mortes desde o começo da pandemia e quase 10 milhões de casos de COVID-19, 70% dos médicos respondentes apontam para tendência de alta de mortes nos próximos meses.

A percepção de que as UTIs estão mais lotadas é também compartilhada por 8 em cada 10 participantes da pesquisa. Para 17,7%, a lotação compromete a qualidade da assistência. Quando colocamos uma lupa regional neste dado específico, a porcentagem sobe para 21,3% na Região Norte do país e 54,5% no Amazonas.

Críticas à gestão pública

A maioria dos especialistas (81,4%) considerou equivocada a desativação dos hospitais de campanha, que ocorreu em todo o país nos meses finais de 2020. Além disso, 30% dos respondentes consideram que as autoridades de Saúde não estão aplicando adequadamente medidas de combate e prevenção.

76,10% veem inadequações nas orientações de isolamento, 80% em relação à necessidade de ventilação de ambientes, 56% insuficiências em relação a evitar aglomerações e 76% consideram inadequadas as campanhas para busca de serviços de saúde em caso de sintomas.

Para 99% dos médicos da linha de frente, deve haver mudanças no sistema de saúde do Brasil no pós-pandemia. Porém, 73% não creem que gestores e autoridades passarão a tratar as fragilidades históricas do sistema de forma mais profissional e prioritária.

O feito fake news

Além dos problemas citados e do devastador efeito do SARS-CoV-2, a assistência média é ainda impactada por recorrentes fake news e informações sem comprovação científica: 91,6% dos entrevistados citam interferência negativa das notícias falsas.

Descrédito na ciência, dificuldade de os pacientes aceitarem as decisões dos profissionais da saúde, desprezo pelas medidas de isolamento social e pressão para que sejam receitados medicamentos sem comprovação científica de eficácia estão entre as consequências das notícias falsas, citadas pelos médicos.

Os profissionais da saúde também foram questionados sobre como avaliam a resposta às orientações para uso de máscara, distanciamento social e álcool gel. Mais da metade dos respondentes consideram que não há adesão suficiente às medidas de prevenção da COVID-19, outra consequência relacionada às notícias falsas.

Vacina e medicamentos

Quando questionados sobre a campanha de vacinação contra a COVID-19, a quase totalidade dos médicos (97,5%) respondeu que pretendem ser vacinados em breve e que prescreverão a imunização para seus pacientes.

Eles também foram convidados a se posicionar sobre alguns medicamentos, como cloroquina, ivermectina (considerados por alguns grupos como ‘kit anti-COVID’).

A maioria dos médicos considera ineficaz o uso de cloroquina (65,3 % dos respondentes) e ivermectina (58,6%). Já boa parcela considera que anticoagulantes (52,1%) e dexametasona (45,8%) tem alguma eficácia quando a doença já está instalada.A pesquisa completa pode ser acessada aqui.

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