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R3 Cirurgia Módulo 1: Cirurgia plástica

R3 Cirurgia Módulo 1: Cirurgia plástica

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Sanar Residência Médica

5 min há 325 dias

Confira abaixo as duas primeiras páginas da seção de Cirurgia Plástica do Módulo 1 do nosso curso R3 Cirurgia Intensivo.

ENXERTOS E RETALHOS

O QUE VOCÊ PRECISA SABER?

  • As definições de enxertos e retalhos.
  • A fisiologia da integração dos enxertos e dos retalhos.
  • Classificação dos enxertos e dos retalhos.
  • Indicações do uso de enxertos e retalhos.

ENXERTOS DE PELE

Enxertos são transplantes cutâneos livres retirados de sua área original (área doadora) sem pedículo vascular e transferido para outro local (área receptora), sendo nutrido por difusão em seu novo sítio.

Enxertos são mais comumente compostos por um tipo de tecido apenas (pele, osso, cartilagem, gordura). Existem, no entanto, enxertos contendo mais de um tipo de tecido, os chamados enxertos compostos (ex.: condromucoso, condrocutâneo).

CLASSIFICAÇÃO DOS ENXERTOS DE PELE

Por origem

  • Autoenxertos ou isoenxertos: próprio receptor ou gêmeo univitelino.
  • Homoenxertos ou aloenxertos: indivíduos da mesma espécie, tendo como exemplo as peles de doador cadáver, provenientes de banco de tecidos.
  • Heteroenxerto ou xenoenxerto: oriundo de espécie diferente.

Por formato

  • Lâminas: fragmento de pele, da forma original, é colocado na área receptora. Melhores do ponto de vista estético e funcional do que enxertos em malha.
  • Malhas: o enxerto é processado em um mesher graft (expansor de tecido) e aumenta muito sua superfície (de 1,5:1 a 9:1). Utilizados em grandes queimados com escassez de áreas doadoras. Porém pior resultado estético – aspecto rendilhado e espaços nas fenestras do enxerto epitelizados por cicatrizes.
  • Selos: pequenos fragmentos do enxerto que são espalhados como selos. Raramente utilizados atualmente.

Por espessura

  • Enxerto cutâneo de espessura total (Wolfe-Krause): levam toda a derme da área doadora. Preservam anexos (glândulas sudoríparas, sebáceas e até alguns folículos pilosos). Área doadora necessita de fechamento primário. Indicados para reconstrução de áreas nobres, nas quais se almeja um resultado estético e funcional melhor. Apresentam pouca disponibilidade de áreas doadoras, como, por exemplo, retroauricular, supraclavicular e prega inguinal.
  • Enxertos cutâneos de espessura parcial: finos, médios ou grossos, a depender da espessura da derme. A área doadora nesses enxertos passa por um processo de restauração, semelhante ao de uma queimaduras de segundo grau superficial, para reepitelizar (Figura 1).
  • Finos (Ollier-Thiersch): úteis nos doentes grandes queimados, pois há melhor restauração da área doadora e integração mais fácil.
  • Médios (Blair-Brown): resultados intermediários.
  • Grossos (Padgett): melhor resultado estético dentre os enxertos de pele parcial. Área doadora com maior tempo para restauranção.

A qualidade estética e funcional dos enxertos é diretamente proporcional à quantidade de derme transplantada. Ou seja, quanto mais espesso o enxerto, maior a qualidade da reconstrução realizada. Essa característica é máxima nos enxertos de pele total e mínima no enxerto de pele parcial fino.

Por sua vez, quanto maior a espessura do enxerto, pior a restauração da área doadora, que pode necessitar de procedimentos para fechamento primário (como no enxerto de pele total). Isso limita a disponibilidade de enxerto de pele total, pois suas áreas doadoras invariavelmente necessitam de alguma manobra cirúrgica para fechamento primário.

INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES DO ENXERTO DE PELE

Os enxertos de pele são um dos principais recursos utilizados na reconstrução de lesões na cirurgia plástica. Teoricamente, não havendo contraindicações absolutas para a enxertia, os enxertos podem ser empregados.

As contraindicações absolutas aos enxertos de pele são:

  • Leito receptor avascular (osso sem periósteo, tendão sem paratendão, cartilagem sem pericôndrio, úlceras isquêmicas).
  • Infecção (cultura quantitativa evidenciando 105 unidades formadoras de colônia (UFC).
  • Neoplasias.

A escolha da técnica de reconstrução, no entanto, deve ser feita buscando a melhor reconstrução possível para o caso em questão. Algumas vezes, a primeira escolha para reconstrução é um retalho microcirúrgico, a técnica mais complexa para reconstrução (como, por exemplo, em reconstruções complexas de cabeça e pescoço e defeitos de partes moles do pé e um terço distal da perna). Citando um outro exemplo, a enxertia em áreas de apoio é contraindicada, não pela impossibilidade de integração do enxerto, mas pela qualidade pobre de uma reconstrução com enxerto nessa região, pois apresenta maior risco de surgimento de úlceras.

(continua…)

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