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Rastreio de COVID-19 em profissionais de saúde assintomáticos

Rastreio de COVID-19 em profissionais de saúde assintomáticos

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Sanar Medicina

5 min33 days ago

É possível ser portador do vírus da COVID-19 e não desenvolver sintomas da doença. Nesse contexto, qual a importância do rastreio de COVID-19 em profissionais de saúde e trabalhadores de centros de atendimento?

Estudos mostram que estes carreadores assintomáticos constituem potencial fonte de transmissão do vírus.

Uma das formas mais importantes de transmissão da COVID-19 é a infecção nosocomial. Baseado nestas premissas, um estudo realizado na China buscou elucidar os fatores clínicos e epidemiológicos dos trabalhadores assintomáticos de determinado hospital.

Os resultados do estudo, bem como as conclusões que podemos retirar dele, você confere aqui neste post.

Metodologia do estudo

O estudo de rastreio de COVID-19 nos profissionais de saúde foi do tipo corte transversal, realizado no hospital da Universidade de Wuhan, na China. O critério de inclusão foi simples: qualquer trabalhador do hospital que não apresentasse sintomas da COVID-19. Já o critério de exclusão foi infecção prévia pelo SARS-CoV-2.

Os participantes do estudo passaram por três tipos de testes:

  • Tomografia computadorizada de Tórax;
  • Dosagem de anticorpos IgM/IgG contra SARS-CoV-2;
  • Teste de RT-PCR para SARS-CoV-2 a partir de amostras de SWAB orofaríngeo.

Os principais desfechos foram positividade nos testes de anticorpos e SWAB, e o desfecho secundário se deu por alterações encontradas na Tomografia de Tórax.

A definição de assintomático se deu por positividade no teste de RT-PCR ou anticorpo IgM. Aqueles considerados assintomáticos foram re-examinados semanalmente durante 3 semanas.

Os trabalhadores foram ainda classificados em 3 grupos diferentes:

  • Profissionais da saúde, incluindo médicos e enfermeiros;
  • Profissionais administrativos;
  • Profissionais da equipe de suporte, incluindo farmacêuticos, assistentes técnicos, motoristas, equipe de limpeza, seguranças, equipe de logística, etc.

Os departamentos nos quais os trabalhadores atuavam foram divididos como sendo de alto risco ou baixo risco para transmissão do vírus.

Durante a epidemia, a maioria dos profissionais de saúde receberam treinamento na prevenção e controle da transmissão da COVID-19.

Achados do estudo de rastreio de COVID-19 nos profissionais de saúde assintomáticos

Um total de 3674 trabalhadores do hospital participaram do estudo. Destes, apenas 126 tiveram achados anormais nos exames: 61 tiveram IgG positivo; 37 tiveram anormalidades na TC (opacidades em vidro fosco); 28 eram carreadores assintomáticos (IgM e RT-PCR positivos).

As figuras A e B mostram anormalidades na TC de dois pacientes assintomáticos. Em A, múltiplas opacidades em vidro fosco. Em B, os achados incluem pequenas opacidades em vidro fosco no segmento basal posterior do lobo inferior direito, e micronodulações no segmento posterior do lobo superior esquerdo.

Não houve diferença significativa nos achados anormais entre homens e mulheres. Todavia, a taxas de anormalidades para trabalhadores de diferentes idades foram significativas (P<0.05). Quanto mais velhos, maior a probabilidade de resultados anormais, independente do gênero.

Os 28 carreadores assintomáticos constituíam 0,76% da população do estudo (28/3674). Eles foram isolados e acompanhados regularmente, porém não receberam administração de medicamentos.

As taxas de positividade nos exames nos profissionais de saúde, administrativos e da equipe de suporte foram, respectivamente, 0,62% (15/2406), 0,79% (4/505) e 1,18% (9/763), sendo a taxa do último grupo significativamente maior que nos demais trabalhadores (P<0.05).

Os participantes evoluíram, após avaliação em 3 semanas, com negativação do teste RT-PCR e absorção das opacidades em vidro fosco na TC.

Não houve diferenças significativas entre os trabalhadores das áreas de alto e baixo risco (P = 0.386). As taxas de anormalidades foram menores entre os profissionais que participaram do treinamento, em comparação com aqueles que não participaram (P <0.01).

O que podemos aprender sobre infecção assintomática entre profissionais na COVID-19

Considerando a alta taxa de transmissibilidade do vírus, o número de carreadores assintomáticos no presente estudo foi considerado alto e preocupante. O achado mostra a importância e necessidade de realizar testes de rastreio de assintomáticos na equipe hospitalar.

Dado o alto custo da Tomografia, bem como a exposição à radiação, os autores do estudo sugerem que o rastreio seja feito pela medida de anticorpos IgM/IgG e por coleta de SWAB orofaríngeo para RT-PCR contra o SARS-CoV-2.

É de suma importância identificar prontamente os assintomáticos que carregam o vírus, realizando o isolamento e acompanhamento necessários.

As menores taxas de resultados anormais entre os profissionais de saúde que receberam treinamento mostram que a consciência individual das medidas protetivas é essencial para autoproteção. Dessa forma, os treinamentos e implementação de medidas de proteção são encorajados como efetivos na diminuição do contágio.

Outro dado importante é que após 3 semanas todos carreadores assintomáticos tiveram os testes negativados, o que corrobora a implementação de medidas de isolamento para essa população.

Para finalizar, vale lembrar uma das limitações do estudo, que foi realizado em único centro, no hospital da Universidade de Wuhan, que pode não refletir a realidade dos demais hospitais e trabalhadores da área da saúde.

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