Coronavírus

Reação cruzada de anticorpos contra o SARS-CoV-2 (Coronavírus)

Reação cruzada de anticorpos contra o SARS-CoV-2 (Coronavírus)

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Sanar Medicina

4 minhá 234 dias

A possibilidade de reação cruzada de anticorpos contra o SARS-CoV-2 foi levantada em estudo realizado por Kelvin Kai-Wang To e colegas. Nele, foi encontrada taxa de soropositividade de 2,3% (53 de 1938 amostras) em imunoensaios contra o SARS-CoV-2, em indivíduos que provavelmente não haviam sido expostos ao vírus. Se comprovada, a reação cruzada pode influenciar resultados de testes sorológicos e levanta possibilidade de imunidade prévia, no contexto da pandemia da COVID-19.

Há sete tipos de coronavírus

Existem sete tipos de coronavírus capazes de infectar humanos. Dentre estes, 3 são capazes de causar doença respiratória aguda grave: SARS-CoV-2, SARS-CoV e MERS-CoV.

Em contrapartida, os outros 4 tipos, cujos genótipos são considerados endêmicos, usualmente causam apenas infecção leve do trato respiratório superior. São denominados 229E, NL63, OC43 e HKU1.

Há apenas um total de 10.000 casos de SARS-CoV e MERS-CoV. Devido às suas similaridades com o SARS-CoV-2, não é surpresa a geração de anticorpos com reatividade cruzada entre eles.

Todavia, como o número de expostos aos dois coronavírus anteriores é muito baixo,  e o surto causado por eles aconteceu muitos anos atrás, é provável que sei efeito na pandemia atual seja mínimo.

Por outro lado, 5% das infecções do trato respiratório superior são atribuídas aos coronavírus considerados de baixa patogenicidade, e estes estão continuamente circulando entre a população.

Dessa forma, é esperado que boa parte da população carregue anticorpos contra estes coronavírus, já que sua incidência mundial por ano é alta, e os anticorpos podem permanecer por longo tempo.

Semelhanças estruturais entre os coronavírus

Embora a semelhança genética maior esteja entre os coronavírus causadores de doença respiratória aguda grave, os coronavírus de baixa patogenicidade apresentam semelhanças genéticas moderadas com o SARS-CoV-2.

Em indivíduos não expostos ao SARS-CoV-2, que possuíam IgG contra os coronavírus OC43 e NL63, foram encontradas respostas imunes reativas contra o SARS-CoV-2. A reação cruzada imune tem como alvos principais a poliproteína 1AB e proteínas S.

As regiões responsáveis por decodificar estas proteínas possuem similaridades entre os dois grupos de coronavírus, e podem explicar a reatividade cruzada dos anticorpos.

O que concluímos da reação cruzada de anticorpos contra o SARS-CoV-2

Primeiramente, se comprovada, a reação cruzada de anticorpos contra o SARS-CoV-2 deve influenciar a interpretação dos testes sorológicos, principalmente aqueles empregados em pesquisas clínicas.

Outro ponto importante a considerar é: a reatividade cruzada promove igualmente reação cruzada neutralizante contra o novo coronavírus? Se sim, isto pode estar afetando de modo substancial a pandemia da COVID-19.

Dessa forma, novos estudos serão necessários para avaliar se reatividade protetiva e neutralizante está presente entre os coronavírus de baixa patogenicidade e o SARS-CoV-2.

Confira o vídeo:

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