Ciclos da Medicina

Reação Hemolítica e suas reações transfusionais | Colunistas

Reação Hemolítica e suas reações transfusionais | Colunistas

Compartilhar

Sabemos que doar sangue salva vidas através do processo de transfusão sanguínea, porém, atualmente existem muitos estudos relacionando o risco/benefício desse procedimento. A hemotransfusão de sangue e de seus componentes possui riscos, assim como qualquer outra intervenção. Infecção, reação hemolítica e sobrecarga volêmica são alguns desses exemplos.

Compatibilidade

Os testes devem ser realizados tanto para doadores quanto para receptores, seguindo testes de anticorpos específicos para em seguida serem realizados a prova cruzada entre ambos. A compatibilidade de hemácias se inicia a partir de sua classificação ABO e fator RH, além de inspeção dos anticorpos IgG contra outros antígenos.

A hemólise intravascular necessita de testes de hemácias ABO compatíveis para que ela não ocorra. Além disso, é de extrema importância que ocorra testes para detectar a presença de anticorpos ABO, RhD e outros para confirmar a compatibilidade entre receptor e doador. Mesmo após todos os testes de compatibilidade, é necessário que ocorra um processo rigoroso para a manutenção, armazenamento e identificação das bolsas que serão transfundidas, para que não ocorram erros durante o processo que possam causar prejuízos à saúde e à vida do paciente.

Classificações da RHT

A reação hemolítica transfusional (RHT) é classificada de acordo com a sua manifestação temporal, sendo ela aguda (ocorre nas primeiras 24 horas após a transfusão) ou tardia (variando de 2 a 21 dias após a transfusão). Além dessa, são classificadas de acordo com a sua gravidade, podendo ser leve, moderada e grave.

 No caso da RHT aguda, o principal mecanismo desencadeador da reação é a incompatibilidade do sistema ABO, sendo a classe de imunoglobulina M (IgM) o anticorpo envolvido no processo, causando hemólise intra ou extravascular. A troca de bolsa ou erro na amostra pré-transfusional são os casos clássicos desencadeadores de RHT aguda. A RHT tardia se manifesta com redução de hematócrito pós- transfusional, hemoglobinúria, disfunção renal leve e icterícia. No caso da classificação tardia, a sua manifestação acontece na maior parte dos casos por incompatibilidade de Rh sendo considerada um diagnóstico diferencial em hemorragias por causas cirúrgicas, em pacientes com hematócrito reduzido no pós-operatório.

Figura 1. Hemólise Fonte:http://www.cremesp.org.br/pdfs/eventos/eve_08122015_164420_Reacoes%20Adversas%20a%20Transfusao%20-%20Lycia%20Martins%20Bellintani.pdf

Sinais laboratoriais e clínicos

Dentre os sinais laboratoriais encontram-se uma baixa Hb, Ht e haptoglobina, uma alta BI, LDH, Coombs direto (+), hemoglobinúria, alterações na função renal e CIVD.Nos sinais clínicos a sensação de morte iminente seguida por hipotensão, ansiedade, inquietação, náuseas, vômitos, tonturas, dor em região torácica ou lombar são alguns sinais característicos de RHT.

Com a suspeita de hemólise ou de hemoglobinúria, o tratamento médico deve ser iniciado imediatamente como forma de evitar danos e até mesmo levar paciente a óbito. A prioridade inicial para o tratamento é definir as causas e complicações, como meio de estabilizar o paciente e também realizando uma prevenção de patologias secundárias causadas a partir da RHT como, por exemplo, a insuficiência renal aguda.

Questões de capacitação a serem observadas

Com o decorrer do tempo, enfermeiros e médicos bem como toda a equipe que presta assistência ao paciente, acabam encarando como rotina situações clínicas graves. Porém, mesmo com o tempo e experiência deve acontecer periodicamente uma capacitação contínua da equipe envolvida em todo o processo da transfusão sanguínea e de seus hemocomponentes.

Equipe de enfermagem da agência transfusional, equipe médica e de enfermagem que realiza a transfusão e acompanhamento do paciente deve além de seguir os protocolos já pré-estabelecidos, realizar um estudo e atualização como forma de minimizar danos e riscos ao paciente. Dessa maneira, além dos cuidados associado à verificação de sinais vitais e clínicos, também é possível trazer a certeza de uma equipe comprometida em melhor atender o seu paciente.

Conclusão

Concluímos afirmando que a capacitação dos profissionais de saúde e a observação do paciente são condutas determinantes para que ocorra o processo de hemotransfusão, trazendo um bom prognóstico associado em casos de RHT. Além disso, condutas médicas relacionados à correta indicação da transfusão para o paciente possuem papel fundamental na evolução clínica e melhora. Transfusão sanguínea salva vidas, bem como o diagnóstico e instituição de um tratamento adequado precoce em reações hemolíticas.

Autora: Sabrina Girardi

Instagram: @sabrinagirardi ou https://www.instagram.com/sabrinagirardi/

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

Gostou do artigo? Quer ter o seu artigo no Sanarmed também? Clique no botão abaixo e participe

Posts relacionados:

Referências

Hemovigilância – Anvisa. Agência nacional de vigilância sanitária. Relatório de hemovigilância. 2007 – 2013

Reação hemolítica transfusional Diagnóstico e manejo anestésico – http://www.rmmg.org/artigo/detalhes/2204#:~:text=A%20RHT%20aguda%20(RHTa)%20%C3%A9,anticorpos%20no%20plasma%20do%20doador

Reações transfusionais –https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/carga20180752/02155242-reacoes-transfusionais-2-monalisa-sosnoski-hospital-de-clinicas.pdf

Reações adversas a transfusão – http://www.cremesp.org.br/pdfs/eventos/eve_08122015_164420_Reacoes%20Adversas%20a%20Transfusao%20-%20Lycia%20Martins%20Bellintani.pdf

Manual de Medicina Transfusional, 2ª ed., Editora Atheneu, 2014

Stowell SR, Winkler AM, Maier CL, Arthur CM, Smith NH, Girard-Pierce KR, et al. Initiation and regulation of complement during hemolytic transfusion reactions. Clinical & Developmental Immunology. 2012; 201: 1-12

Davenport RD. Pathophysiology of hemolytic transfusion reactions. SeminHematol. 2005; 42: 165.

Compartilhe com seus amigos: