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REFLEXO VAGAL | Colunistas

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Julya Pavão

5 min há 172 dias

Reação vagal, reflexo vagal ou síncope vasovagal é uma resposta relacionada à ativação inapropriada do nervo vago. Esse reflexo vagal acaba, muitas vezes, ocasionando episódios de síncope (desmaio). A síncope, portanto, não é uma doença, mas sim, um sintoma. É relativamente comum (ocorre em cerca de 30% da população adulta) e pode indicar diversos problemas, como problemas cardíacos, neurológicos, queda súbita da pressão arterial, hipoglicemia, ou ainda, excesso de ansiedade.

O desmaio pode ser entendido como uma perda abrupta da consciência, associada à perda de tônus postural (o indivíduo perde a capacidade de se manter de pé), seguida de uma rápida e completa recuperação. Se a pessoa tem quadro de tontura, sensação de que está perdendo força e vai cair, porém não perde a consciência em momento algum, chama-se pré-síncope.

O Sistema Nervoso Autônomo é dividido em simpático e parassimpático. Esses dois sistemas são antagonistas e, para que o organismo funcione adequadamente, eles precisam estar em equilíbrio. O nervo vago carrega fibras do sistema nervoso parassimpático. Esse nervo tem origem dentro do cérebro e envia ramos para várias partes do corpo, e inerva órgãos como coração, estômago, intestinos e pulmão. É através desse nervo que o cérebro recebe informações do estado das nossas vísceras. O nervo vago controla também algumas funções desses órgãos como, por exemplo, a pressão arterial, a frequência cardíaca e os movimentos dos intestinos. Muitas causas de desmaios têm origem na ativação inadequada do nervo vago, podendo levar à queda da pressão arterial e à desaceleração dos batimentos cardíacos.

Uma estimulação anormal do nervo vago pode levar a grandes desacelerações do coração e a uma abrupta queda da pressão arterial, como foi dito anteriormente. Isso diminui temporariamente o aporte de sangue e de oxigênio para o cérebro. Esse tipo de desmaio ocorre, geralmente, em pessoas jovens e sem outras doenças. Pode ocorrer repentinamente ou ser precedida por sintomas com duração variável como tontura, calor, palidez, sudorese, palpitação, náusea e turvação visual.

A síncope vasovagal pode ser ocasionada por uma dor intensa, calor forte, por ficar em pé durante muito tempo, por medo ou estados de ansiedade intensa. Um exemplo bem comum são aqueles indivíduos que, por terem pavor de agulha, acabam desmaiando quando precisam colher sangue, alguns jovens em shows de música, ou ainda, cirurgiões ou guardas que ficam muito tempo em pé sem se movimentar. Às vezes, o reflexo vagal não é tão intenso a ponto de causar o desmaio, de fato, porém, pode levar a mal estar, tonturas, náuseas e vômitos. Ao sentar ou deitar, o indivíduo já percebe uma melhora.

Alguns idosos podem também apresentar repetidos episódios de síncope vasovagal, muitas vezes, sem um fator desencadeante estabelecido. Em alguns desses indivíduos, simples ações, como urinar ou tossir, podem desencadear a síncope.

Existem também aquelas pessoas que têm hipersensibilidade do seio carotídeo, uma região do pescoço na qual passam as fibras do nervo vago. Nesses indivíduos, uma simples massagem na região lateral do pescoço pode estimular o nervo vago e levar à síncope. Essas pessoas podem acabar desmaiando apenas por virar a cabeça mais rápido ou então ao realizar pequenos esforços, como evacuar ou assoprar contra uma resistência.  

O diagnóstico de síncope é clínico, com uma avaliação cuidadosa da apresentação e do uso selecionado de testes de diagnóstico.  A história é o dado mais importante para o diagnóstico etiológico, e a maioria dos testes diagnósticos têm baixo rendimento. Deve-se obter um ECG de 12 derivações em todos os pacientes. Mesmo que o ECG leve a um diagnóstico em apenas alguns pacientes, é um teste simples e não invasivo, e é importante para a estratificação de risco.

O ECG deve ser avaliado em relação à evidência de doença cardiopulmonar prévia, isquemia aguda ou novas alterações de ECG, arritmia, bloqueio cardíaco e intervalo QTc prolongado ou curto. Um ECG com ritmo normal e sem alterações morfológicas é associado com risco bem menor de ocorrência de eventos adversos. O ECG é fundamental, mas só consegue fazer diagnóstico em 2% a 9% dos casos, sendo que, em pacientes com menos de 40 anos, esse número é ainda menor.

Alguns sintomas associados à síncope devem suscitar preocupação com um diagnóstico imediato que ameace a vida. Esses sintomas, como dor torácica (IAM, dissecção aórtica, embolia pulmonar, estenose aórtica), palpitações (arritmia), dispneia (embolia pulmonar, IC), anormalidades em ECG (bloqueio do ramo esquerdo, bloqueio fascicular posterior ou anterior, aumento do QRS) são 3,5 vezes mais propensos a estar associados com o morbidade que os ECGs que não têm esses achados. Os ritmos não sinusais são 2,5 vezes mais propensos a estar associados à morbidade do que os sinusais.

Como foi dito anteriormente, uma causa de síncope pode ser determinada pela história inicial, pelo exame físico e por ECG. Diante disso, pacientes com síncope cardíaca ou neurológica devem ser internados; já os pacientes com síncope vasovagal, ortostática e relacionada à medicação não apresentam risco aumentado de morbidade ou mortalidade cardiovascular, e não precisam de admissão, desde que os déficits sejam corrigidos.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AZEVEDO, M. C. S.; BARBISAN, J. N.; SILVA, E. O. A. A predisposição genética na síncope vasovagal. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ramb/v55n1/v55n1a09.pdf  . Acesso em 12/01/2021.

PINHEIRO, P. Desmaio, síncope e reflexo vagal. MD. SAÚDE. Disponível em: https://www.mdsaude.com/cardiologia/desmaio-sincope/  . Acesso em 12/01/2021.

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