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Remdesivir: droga atual mais promissora na COVID-19

Remdesivir: droga atual mais promissora na COVID-19

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Em entrevista à imprensa, o ministro da Saúde Nelson Teich citou o antiviral Remdesivir como droga mais promissora atualmente no tratamento da COVID-19.

De fato, Remdesivir tem estado no centro das atenções e surge como droga com maior potencial terapêutico. Neste post vamos então resumir as evidências atuais do Remdesivir no tratamento da COVID-19.

O Remdesivir é um medicamento antiviral que, em princípio, foi desenvolvido para o tratamento do vírus Ebola. De acordo com estudos realizados em pacientes com SARS e MERS, já havia apresentado bons resultados contra estes coronavírus.

Remdesivir na COVID-19

No dia 1º de maio, a FDA (Food and Drog Administration) autorizou o uso do Remdesivir em pacientes graves de COVID-19 nos EUA. A autorização veio como resultado da divulgação de resultados preliminares do estudo realizado pelo NIH (National Institutes of Health).

O estudo consistiu em ensaio clínico controlado e randomizado, envolvendo 1063 pacientes. Os resultados preliminares indicaram que pacientes que receberam Remdesivir tiveram tempo de recuperação 31% mais rápido do que o grupo placebo (p<0.001).

Em termos de dias, o tempo médio de recuperação foi de 11 dias para pacientes tratados com Remdesivir. Em contraste com aqueles que receberam placebo, este tempo foi de 15 dias.

Igualmente, os resultados também sugeriram beneficío na sobrevivência, com taxa de mortalidade de 8% no grupo recebendo Remdesivir versus 11,6% do grupo placebo. Todavia essa diferença não foi estatisticamente significante (p=0.059).

O estudo conduzido pelo NIH é de grande relevância. Isto porque o número amostral (mais de mil pacientes) e os resultados foram significativos.

A controvérsia do estudo chinês

Porém, existe cautela diante dos resultados. Primeiramente, por se tratarem ainda de resultados preliminares.

Além disso, um estudo chinês publicado na Lancet mostrou resultados diferentes. No estudo chinês, um ensaio clínico, duplo-cego e randomizado, 237 pacientes graves de COVID-19 foram analisados.

Os resultados mostraram que não houve diferença no tempo de melhora clínica entre o grupo recebendo tratamento com Remdesivir e o grupo placebo. Assim também a mortalidade em 28 dias mostrou-se semelhante.

O estudo tem algumas limitações, como uso concomitante de outras terapias. Além disso, pacientes no grupo tratado com Remdesivir possuíam mais comorbidades.

O estudo foi ainda interrompido antes do tempo devido ao baixo número de convocados. De acordo com o número pré-determinado para demonstrar algum efeito, era necessário 435 participantes.

Ainda assim, apesar da incerteza que paira, o Remdesivir tem sido o centro das atenções. Os resultados de outros estudos estão sendo aguardados com expectativa.

Um destes estudos aguardados, por exemplo, é o Discovery, que está sendo realizado pelo Instituto de pesquisa Francês Inserm. Teve início no dia 24 de Março e também conta com grande número amostral.

Remdesivir no Brasil

No atual momento, não existe pesquisa clínica Brasileira que utiliza o Remdesivir como droga de teste. Já que o medicamento sequer possui registro no País.

O Remdesivir é produzido pela empresa Gilead. A Anvisa já entrou em contato com o fabricante para, em princípio, acompanhar a evolução das pesquisas.

Além disso, a Anvisa também está em contato com a empresa com o objetivo de facilitar o acesso à medicação no futuro, no caso de uma possível comprovação do benefício do Remdesivir.

Em resumo, as perspectivas para uso aqui no Brasil ainda estão indefinidas. O ministro ressaltou que o Ministério da Saúde apenas poderá recomendar o uso do Remdesivir quando houver comprovação clara do benefício da droga.

Nesse meio tempo, o ministério segue aguardando e acompanhando os resultados das pesquisas com o Remdesivir.

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