Coronavírus

Remédios sem eficácia contra COVID-19 podem causar resistência bacteriana

Remédios sem eficácia contra COVID-19 podem causar resistência bacteriana

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Sanar

4 minhá 38 dias

Especialistas estão preocupados com o incentivo do uso de remédios sem eficácia comprovada, cientificamente, contra a COVID-19, como hidroxicloroquina, antimaláricos, ivermectina, nitazoxanida e azitromicina.

Reações adversas graves, resistência bacteriana e o consequente surgimento de “superdoenças” podem ocorrem em pacientes que fazem uso desses medicamentos. Apesar disso, o próprio Ministério da Saúde lançou recentemente o TrateCov, aplicativo que incentiva médicos a prescreverem cloroquina e antibiótico.

Embora raros em pacientes que utilizam a medicação para tratar doenças indicadas, os efeitos adversos do uso para funções não previstas em bula ou sem indicação médica passam por tontura, dor de cabeça, aumento da pressão arterial, taquicardia, alterações gastrointestinais.

Recentemente, um infectologista do Complexo Hospitalar Clementino Fraga, referência para tratamento da COVID-19 em João Pessoa, relatou casos de pacientes que tiveram quadro de saúde agravado após uso de medicação para “tratamento precoce” da doença.

Consequências futuras

Em reportagem do Uol, especialistas alertaram também para o risco de consequências futuras. Ana Cristina Gales, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia e coordenadora da pós-graduação em infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que a combinação de hidroxicloroquina e azitromicina foi um tratamento suspenso por causar arritmia, efeito colateral que é um risco para pacientes com doença cardiológica e estava sendo dado justamente para uma população com fator de risco.

“A gente não sabe dos impactos do uso estendido por semanas e até meses, porque os estudos foram feitos para uso por período curto. Da ivermectina, por exemplo, sabemos que ela se acumula no pulmão, mas a gente não sabe o efeito em longo prazo”, alertou a especialista na reportagem.

Diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, Ekaterini Simões Goudouris reforça que os medicamentos só devem ser prescritos a partir da verificação dos riscos e benefícios para o paciente. Assim, a automedicação é arriscada.

“Tem de desconstruir a ideia de que se não fizer bem, mal não faz. Se os benefícios não estão estabelecidos, não justifica submeter a um risco, mas, infelizmente, vários médicos estão fazendo prescrição e há pessoas se automedicando. Tem gente usando esses remédios toda semana para prevenir COVID. Usam durante dois, três meses e não se dão conta da interação medicamentosa”, afirmou para o site.

Uso indiscriminado de remédios sem eficácia

O balanço da plataforma Consulta Remédios mostrou que os medicamentos mais buscados em 2020 foram ivermectina (9,2 milhões de buscas na plataforma), azitromicina (3,5 milhões) e hidroxicloroquina (2,7 milhões). Em relação a 2019, houve alta de 1.201,49% nas buscas por ivermectina, 53,58% por azitromicina e 2.826,82% por hidroxicloroquina.

Os medicamentos começaram a ser testados no início da pandemia da COVID-19, como tentativa dos especialistas para reverter as consequências devastadoras da doença. No entanto, os resultados apontaram que as medicações não funcionam contra o novo coronavírus.

“Esta doença, por ser nova, não tem ainda critérios prognóstico. ‘O que a gente sabe de tratamento para covid? Dexametasona para quem precisa de oxigênio suplementar. O remdesivir tem impacto para pacientes graves, mas é muito caro. Todo o resto não é nada. Em sites americanos e europeus, não há recomedação para usar azitromicina, hidroxicloroquina e ivermectina”, disse, em entrevista ao Uol, Maria Cláudia Stockler, infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

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