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Resistência à vacina covid-19 e fatores psicológicos | Colunistas

Resistência à vacina covid-19 e fatores psicológicos | Colunistas

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Maria Laura Innocente

7 min há 50 dias

A pandemia de COVID 19 entrou para história como uma das maiorias crises sanitárias de todos os tempos. Nesse período, a ciência tem avançado a passos largos em busca de métodos cada vez mais efetivos tanto para tratamento, como profilaxia contra a doença. Em oposição ao avanço, a chamada “hesitação vacinal” e os movimentos antivacina, se constituem com como importante barreira a ser transposta.

Hesitação vacinal

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a hesitação vacinal é definida como o ato de recusar ou atrasar, apesar de sua disponibilidade, a administração de vacinas preconizadas. A recusa, por sua vez, é fruto de dúvidas ou convicções próprias quanto a segurança e eficácia da vacina.

Dessa forma, quanto mais rápido o processo de estudo – elaboração do novo imunizante -, maior seria a sensação de descrença da população. Somado a isso, a aceleração da avaliação e autorização da produção em larga escala, contribuem para gerar falta de confiança, uma vez que é criada a falsa ideia de que as vacinas foram submetidas a quantidade de testes insuficientes, em um contexto de pandemia mundial.

As informações precárias sobre a patogênese do vírus e da doença, proveniente tanto dos órgãos públicos quanto dos profissionais de saúde, também contribuem de maneira decisiva para agravar a hesitação vacinal.

Toda essa atmosfera prejudica o planejamento da saúde pública e o controle da pandemia nos países, pois diminui de maneira substancial a aderência da população a campanhas de prevenção. Sem uma vacinação em massa, torna-se impossível atingir a denominada imunidade em rebanho, condição sine qua non para o retorno a vida pré pandemia.

Movimento antivacina

O movimento antivacina ganhou notoriedade na década de 90 através de um estudo divulgado que traçava uma relação direta entre o autismo e a vacina tríplice viral. Apesar de ter sido amplamente refutado pela comunidade cientifica, referida tese ainda é usada como um dos argumentos pelos grupos contra a vacinação.

Esse movimento ganhou defensores em todo mundo, tornando-o mais forte com o passar dos anos. Hoje, uma das principais ferramentas utilizadas por eles é a disseminação de informações falsas sem respaldo da ciência, para questionar a eficácia e a segurança do processo de vacinação.

No entanto, foi durante a pandemia de COVID-19 que o movimento antivacina ganhou ainda mais importância, causando preocupação nas autoridades de saúde em todo o mundo. O movimento que antigamente estava mais restrito a grupos marginalizados, hoje encontra-se democraticamente em todos os estratos sociais. Segundo um estudo recente da BBC, o movimento pode ser encontrado de forma ativa 7 países, sendo eles: Brasil, México, Índia, Ucrânia, França, Tanzânia, Quênia.

Resistência à vacinação no Brasil

No Brasil, também encontra-se obstáculos a ampla vacinação. Segundo levantamento realizado até o mês de abril de 2021, houve resistência a vacinação com o imunizante desenvolvido pelo laboratório AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Amazonas e Espírito Santo e no Distrito Federal. A principais causas para isso seria o medo dos efeitos adversos e o maior tempo entre as doses.

                Por lei, o Estado não pode obrigar os seus cidadãos a se submeterem a nenhum tratamento invasivo contra seu desejo, isso inclui a vacinação. Em 20 de fevereiro de 2020, foi sancionada a Lei nº 13.979/2020. Em um dos seus artigos menciona que o governo brasileiro poderá determinar que a vacinação seja compulsória, bem como outras medidas profiláticas. Em dezembro de 2020, o Supremo Tribunal Federal publicou um detalhamento da vacinação compulsória, em que prevê a imposição de medidas restritivas previstas por lei aos cidadãos que se recusaram a receber a imunização.

Estratégias de incentivo à vacinação

                A proliferação de informações que muitas vezes não são sempre confiáveis e o conflito com as políticas públicas adotadas, não contribuem para gerar um clima de confiança. Dessa forma, é importante o planejamento de estratégias que visam a incentivar a imunização da população.

                Uma ferramenta importante é a disseminação de informações verdadeiras, que caminhem em consonância com a ciência e com os principais órgãos reguladores da saúde do mundo, sobre o vírus e a sua patogênese.

                A vacinação obrigatória, embora não compulsória, também é uma estratégia que deve ser adotada. A exigência do cartão vacinal atualizado já é uma prática comum durante o ato de matrícula das crianças na escola. Tal prática deve-se estender para outros ambientes e englobar mais cidadãos.

                Além disso, a vacinação de grupos prioritários, como profissionais de saúdes, professores, também pode contribuir, através de um exemplo qualificado, os indecisos a serem vacinados.

                É preocupante o paradoxo criado entre a aceleração do processo de criação e produção de novas vacinas e a descrença da população com a sua segurança e efetividade em um momento em que todos se encontram expostos a um vírus com potencial tão nocivo. A proliferação de informações que muitas vezes não são sempre confiáveis e o conflito com as políticas públicas adotadas não contribuem para gerar um clima de confiança, obstaculizando o processo de vacinação. Quanto mais lento for o processo de imunização, mais lento também será o retorno as atividades normais do cotidiano. Nesse sentido, é imprescindível que todos contribuam divulgando apenas informações confiáveis e verdadeiras, com embasamento científicos e o Estado passe a fiscalizar com mais rigor a disseminação de informações falsas. Só assim, com a verdade e a ciência, a hesitação vacinal irá diminuir, e a vacinação avançar.

Autor: Maria Laura Innocente

Instagram: @mlaurainnocente

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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