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Resumo de BLS: Suporte Básico de Vida em Pediatria | Colunistas

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Quer saber mais sobre suporte básico de vida em pediatria? Continue a leitura deste post.

Nesse resumo houve foco em trazer dados epidemiológicos pois percebi certa dificuldade em encontrá-los. Esses dados muitas vezes podem ser uma dúvida frequente, servindo de auxílio para pesquisas (trabalhos acadêmicos, artigos etc).

O intuito é facilitar a vida do estudante de medicina e do interessado em informações relevantes sobre saúde. Em relação às condutas a serem tomadas, o objetivo é explicar de modo prático sem confundir a cabeça de nenhum leitor!

Definição de suporte básico de vida

Suporte básico de vida (BLS): Constitui-se nas etapas de socorro em eminente risco a vida, geralmente seu atendimento é feito fora do ambiente hospitalar com poucas ou nenhuma manobra invasiva; contém o alicerce de conhecimentos necessários para salvar vidas após uma PCR e deve ser disseminado entre médicos e leigos.

Suporte avançado de vida: É necessário esclarecer que suporte básico de vida, suporte avançado de vida (ACLS) e cuidados pós-parada são rótulos de conveniência utilizados para descrever um conjunto de habilidades e conhecimentos que são aplicados sequencialmente durante o tratamento de pacientes em parada cardiorrespiratória (PCR).

A separação nominal é apenas uma maneira didática e sistemática de abordar o atendimento à PCR, uma vez que há sobreposição entre eles à medida que cada estágio do cuidado progride para o próximo e envolve:

  1. RCP de alta qualidade.
  2. Desfibrilação.
  3. Dispositivos de via aérea avançada e oxigênio.
  4. Acesso venoso e drogas.
  5. Dispositivos de compressão mecânica.

Epidemiologia de PCR em crianças e adolescentes

A PCR pré‐hospitalar é rara em crianças e adolescentes, ocorre em 2,28 a 8,04/100.000, contrasta com a ocorrência em adultos de 50 a 126,57/100.000 e está associada à elevada mortalidade e grave sequela neurológica. A PCR em pediatria corresponde a apenas 1,5 a 2,2% do total das PCR, de acordo com publicação recente de registro asiático e dos EUA, respectivamente.

A sobrevida em PCR no ambiente pré‐hospitalar e hospitalar é distinta e apresenta variabilidade de acordo com regiões e países. Registro europeu em adultos observou que 66% receberam RCP prévia ao atendimento pré‐hospitalar e 10,3% apresentaram sobrevida à alta hospitalar, foi semelhante ao encontrado em estudo multicêntrico da América do Norte que inclui adultos e crianças.

A maioria das PCR em crianças ocorre em menores de um ano (44‐64%), a incidência nessa faixa etária é próxima à de adultos.

Estudo prospectivo sueco que incluiu adultos e crianças (n = 40.503) observou em ritmos chocáveis, taxas de sobrevida após um mês em menores de 18 anos (24,5%). A sobrevida após um mês foi 2,6% em neonatos, 7,8% em crianças e 24,5% em adolescentes quando o ritmo inicial foi chocável. Já em ritmos não chocáveis, a sobrevida após um mês foi 3,8% em crianças.

Tabela

Descrição gerada automaticamente com confiança média
Tabela 1. Características da PCR pré‐hospitalar de acordo com a faixa etária
Fonte: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2255553619301661

Causa

A principal causa de RCP em crianças em ambiente extra hospitalar é a hipóxia, que pode ocorrer por diversas causas. Em destaque, temos a OVACE (obstrução de vias aéreas por corpo estranho), de ocorrência muito comumente em crianças devido ao engasgo com peças pequenas de brinquedo como LEGO. Já no intra hospitalar o leque se expande para sepse, insuficiência respiratória, toxicidade por drogas, doenças metabólicas e arritmias.

Identificando uma PCR em ambiente extra hospitalar

  • Primeiro e principal: checar segurança do local;
  • Segundo (leigos): Pode-se pôr a mão na região torácica e abdominal da criança para verificar expansibilidade com intuito de avaliar a respiração (a falta de movimentos evidencia o fato);
  • Segundo (profissionais): Ao se deparar com uma criança com suspeita de PCR, analisar o pulso e respiração (por 10 segundos):
    • Pulso em menores de 1 ano: Braquial;
    • Pulso em maiores de 1 ano: poplíteo ou carotídeo.

Prestando o atendimento (cenário extra hospitalar)

A sequência de atendimento que deve ser adotada C-A-B:

C (compressões torácicas de alta qualidade): com compressão adequada do tórax que, em bebês menores de 1 ano, será 3cm; e maiores de um ano 4-5cm, sempre lembrando de permitir o retorno completo do tórax.


Como realizar as compressões (em bebês)?

Ressuscitador sozinho: posicionar o dedo indicador e médio no centro do tórax abaixo da linha mamilar; aplicar ritmo de 30 compressões para 2 ventilações;

Na presença de mais de um ressuscitador: Posicionar os polegares no terço inferior do esterno, e aplicar ritmo de 15 compressões para cada 2 ventilações.

  • Frequência: 100-120 compressões por minuto em ambos os casos
figura: RCP em bebês por 1 socorrista, na primeira imagem, e 2 socorristas, na segunda imagem. Fonte: https://bit.ly/3ltMToD

Como realizar as compressões (em crianças maiores de 1 ano)?

Em crianças maiores de um ano utiliza-se uma mão no tórax e a outra segurando a cabeça (com o intuito de manter imobilizada a coluna cervical); aplicar ritmo de 30 compressões para 2 ventilações (100-120 compressões por minuto).

 Figura: RCP em crianças maiores de 1 ano. Fonte: https://bit.ly/33wvdCo

 A (abertura das vias aéreas): Para ressuscitadores leigos utiliza-se a manobra de inclinação da cabeça (chin-lift), caso seja profissional de saúde ou uma pessoa treinada utilize a manobra de tração da mandíbula (jaw thrust). Lembra que a causa mais importante da PCR era hipóxia em bebês?! A abertura de vias aéreas com a técnica adequada é fundamental portanto.

B (ventilação): Geralmente realizada com o dispositivo bola-máscara-válvula conhecido popularmente como AMBU, será realizado 2 ventilações para cada 30 compressões, a exceção vale para aquele critério onde é realizado o protocolo 15×2.

 Agora explicado o protocolo a ser utilizado, deve-se estar atento às condutas iniciais que podem mudar conforme a situação se apresentar: PCR presenciadas e não presenciadas,

Presenciadas: ativar o serviço de emergência e posteriormente iniciar RCP

Não presenciadas: Iniciar RCP e contactar o serviço de emergência.

Diagrama

Descrição gerada automaticamente
 Fonte: super material sanar, suporte básico e avançado em pediatria

Autor: Luã de Morais de Lima

Instagram: @luadmdlima

Referências:

Epidemiology of pediatric cardiopulmonary resuscitation Epidemiologia da ressuscitação cardiopulmonar pediátrica – Jornal de Pediatria (Versão em Português) Volume 96, Issue 4, July–August 2020, Pages 409-421

Super material sanar flix suporte básico e avançado a vida em pediatria.

Medicina de emergência abordagem prática editora manole edição de 2020.

Sugestão de leitura complementar:

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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