Anatomia de órgãos e sistemas

Resumo de cirurgia bariátrica | Ligas

Resumo de cirurgia bariátrica | Ligas

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Definição

A Cirurgia Bariátrica (Gastroplastia) ou Cirurgia de Redução do Estomago, como é popularmente conhecida, tem como objetivo reduzir o peso de indivíduos com IMC elevado e que tenham complicações decorrentes da obesidade, devendo-se basear nas indicações da OMS. Dessa forma, ao diminuir comorbidades físicas e psicológicas, tem-se um aumento do tempo e da qualidade de vida das vítimas dessa epidemia global, que é a obesidade.

As cirurgias bariátricas podem ser realizadas por abordagem aberta, por videolaparoscopia, robótica e até por procedimento endoscópico dependendo das indicações e dos profissionais. Classificadas de acordo com as relações anatômicas como restritivas, mal absortivas e restritivas mal absortivas, sendo a escolha dependente da situação de cada paciente e a meta de peso após o procedimento. Os benefícios vão além da perda de peso, há também evidência de auxiliarem no controle de comorbidades metabólicas, pelo fato de alterarem a fisiologia hormonal do intestino e metabolismo do tecido adiposo.

Epidemiologia

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica Caetano Marchesini, ‘’O Brasil é considerado o segundo país do mundo em número de cirurgias bariátricas realizadas e as mulheres representam 76% dos pacientes”. Tal dado, confirma a complexidade da situação tanto para a população, quanto para os serviços de saúde, que lidam com complicações, riscos e custos advindos da obesidade.

Frente a uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) foram realizadas 105.642 mil cirurgias no ano de 2017 no país, e os números só aumentam. É importante destacar que, diante da situação socioeconômica brasileira, o SUS tem sido sobrecarregado com tais procedimentos, sendo o estado do Paraná, de São Paulo, de Minas Gerais e do Espirito Santo os líderes de realizações (82% das cirurgias bariátricas realizadas pelo SUS no país).

“Ensaios clínicos controlados comparando a cirurgia bariátrica versus a ausência de cirurgia estava associada a odds ratio (OR, razão de chance) reduzida do risco de mortalidade global (OR = 0,55), morte cardiovascular (OR = 0,58) e de todas as causas de mortalidade (0,70)” (LONG, Dan, 2017).

Indicação de cirurgia bariátrica

Com o intuito de implementar um tratamento satisfatório e modificar a crise da obesidade, o diagnóstico precisa ser precoce. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é considerada um dos principais fatores de risco para doenças não transmissíveis (DNTs), como exemplo, insuficiência cardíaca, diabetes, apneia do sono e disfunções pulmonares; necessitando assim, de uma soberana acurácia aos valores de referência que indicam o sobrepeso.

Tanto o excesso de gordura corporal quanto a desnutrição podem ser verificadas através do Índice de Massa Corporal (IMC), que consiste na divisão do Peso (Kg)/Altura2(M), do paciente. Um indivíduo para ser considerado obeso seu índice de massa corporal (IMC) deve ser superior à 30Kg/m2. Para a submissão de uma cirurgia bariátrica, se mesmo após a efetivação das recomendações de um profissional da saúde e o IMC permanecer acima de 35Kg/m2, a intervenção cirúrgica pode ser deliberada como tratamento.

A escolha para a cirurgia bariátrica vai depender do grau de obesidade juntamente com outras comorbidades. De acordo com a OMS, aqueles que têm indicações para cirurgia bariátrica são os que apresentam o IMC acima de 35Kg/m2 mais comorbidades com ausência de evolução positiva no tratamento clínico e protocolos seguidos por no mínimo dois anos; indivíduos com ou sem comorbidades de IMC acima de 40Kg/m2 também com a carência de sucesso aos protocolos e acompanhamentos clínicos por no mínimo dois anos; e aqueles que apresentam IMC acima de 50Kg/m2.

A cirurgia bariátrica

Existem cinco principais técnicas utilizadas: banda gástrica ajustável laparoscópica, gastrectomia em “sleeve” laparoscópica, by-pass gástrico em Y de Roux, desvio biliopancreático e desvio biliopancrático com switch duodenal.

Pertencentes à categoria de cirurgia bariátrica restritiva, temos a cirurgia com banda gástrica ajustável laparoscópica, mecanismo em que, respondendo em contato à solução salina no reservatório, essa banda se ajusta diminuindo ou aumentando o diâmetro da faixa e assim, a abertura gástrica. Sua perda de massa corpórea em cinco anos é estimada em 20 a 25%. Outra é a gastrectomia em “sleeve” laparoscópica, em que é removido cerca de 80% da curvatura maior do estômago por grampeamento e divisão vertical. Sua perda de peso em geral é maior que a do procedimento explicado anteriormente.

Entre as outras opções, que são técnicas restritivas mal absortivas, a mais utilizada e com melhor resultado é o by-pass gástrico em Y de Roux, técnica difundida mundialmente, por laparoscopia. A perda de peso desse procedimento é aproximadamente de 30 a 35%, sendo mais eficiente que técnicas somente restritivas.

As complicações cirúrgicas mais comuns são estenose do estômago, podendo ser tratada com dilatação endoscópica com balão e úlceras marginais, tratadas com terapia de supressão gástrica.

Acompanhamento da cirurgia bariátrica

O critério da adesão de uma equipe multidisciplinar durante o processo pré e pós- operatório é fundamental, incluindo o acompanhamento de psicólogo ou psiquiatra, endocrinologista, cirurgião e nutricionista.

Aliada à intervenção cirúrgica da morbidade, mesmo que já definida, a influência não farmacológica auxilia o decurso. Mudanças do estilo de vida para mais saudável incluem a rotina da realização de atividade física, alimentação balanceada e educação em saúde na comunidade.

Importante parte do acompanhamento do paciente submetido ao procedimento é o monitoramento de deficiências de micronutrientes, principalmente daqueles submetidos às técnicas restritivas mal absortivas e mal absortivas, principalmente das vitaminas B12 e D, ferro, cálcio e folato.

A realização da cirurgia bariátrica, foi comprovada por melhorar diversas comorbidades associadas à obesidade, como dislipidemia, hipertensão, apneia obstrutiva do sono, eventos cardiovasculares de longo prazo e diabetes tipo 2.

Mapa mental

Mapa mental de cirurgia bariátrica - Sanar

Autores, revisores e orientadores:

  • Autoras: Letícia Maia Azevedo e Maíra Guimarães Daher Resende – @lanatofaminasbh
  • Revisora: Luísa Bussinger Silva Torres
  • Orientador: André Maurício Borges de Carvalho

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