Colunistas

Resumo de doenças da orelha externa | Colunistas

Resumo de doenças da orelha externa | Colunistas

Compartilhar

Jéssica Lunardo Nóbrega

7 min há 136 dias

Introdução

As doenças da orelha externa estão relacionadas com a perda auditiva, pois está diretamente relacionada com a condução do som. Além de processo inflamatório, alterações congênitas e malformações do pavilhão auricular e meato acústico externo podem estar relacionados com o bloqueio da onda sonora para a orelha média.

Pode estar relacionado a fatores desencadeantes, como: ausência de cerume, relacionado a perda da proteção física; traumatismos, capazes de romper a barreira; queimaduras; corpos estranhos; lavagens repetidas; alterações de temperatura e umidade do ambiente

Anatomia

A orelha é um órgão importante para a audição e o equilíbrio. Ela pode ser dividida em externa, média e interna. Daremos foco ao pavilhão auricular externo.

A parte externa está principalmente relacionada à transferência de som. O que separa a orelha externa da média é a membrana timpânica. Dessa maneira, ela é formada pelo pavilhão (semelhante a uma concha), responsável pela captação do som, e o meato acústico externo, responsável por conduzir o som até a membrana timpânica.

Em relação a sua anatomia, a orelha é uma lâmina de cartilagem elástica coberta por pele que possui várias depressões e elevações. A depressão mais profunda é chamada de concha, já a margem mais elevada é chamada de hélice. O lóbulo é uma parte não cartilaginosa formada por tecido fibroso, gordura e vasos sanguíneos. O trago é uma projeção linguiforme superposta ao poro acústico externo.

O meato acústico externo é um canal interno que segue até a membrana timpânica e possui uma distância de 2 a 3 centímetros em adultos. A membrana timpânica tem cerca de 1 centímetros de diâmetro. É uma membrana fina, oval e semitransparente entre o meato acústico externo e a cavidade timpânica da orelha média.

Fonte: K. J. Lee, 2010 – Princípios da otorrinolaringologia, 9ª ed.
Imagem 1: Anatomia do pavilhão auricular externo

Infecções do pavilhão auricular externo

Celulite – São infecções bacterianas do pavilhão auricular que estão relacionadas com comorbidades do paciente e traumatismo, como piercing, queimadura, prática de boxe.

Bacteriana – É comum secundária à otite externa. Em relação aos sinais e sintomas, podem ser citados o endurecimento, calor, eritema, sensibilidade e febre. Essa infecção tem possibilidade de cronificação. A erisipela se manifesta como uma área elevada e circunscrita, quente e avermelhada com bordas que vão aumentando. Os patógenos comuns são S. aureus, P. aeruginosa, estafilococo coagulase-negativo. A realização de cultura é raramente necessária. O tratamento para infecção simples é a base de antibiótico antiestafilocócico ou anti estreptocócicos. Se houver complicações, analisar a possibilidade de antibiótico intravenoso com quinolonas orais e intravenosas mais aminopenicilinas antipseudomonas, dependendo da gravidade.

Viral – O patógeno comum é o Vírus Varicela Zoster (VVZ). Os pacientes com história de VVZ são suscetíveis na fase de imunossupressão. Pode acometer a parte sensorial e/ou motora de alguns nervos cranianos. Podendo acometer a parte sensorial do VII nervo, as divisões motoras e sensoriais do VII nervo craniano, podendo ter sintomas auditivos e vestibulares.  Além disso, pode ocorrer perda auditiva neurossensorial e vertigem, dor em volta da orelha e erupção vesicular na área da concha, na mucosa oral ou no pescoço com paralisia facial. A pesquisa diagnóstica é feita com Esfregaço de Tzanck. No tratamento é administrado valaciclovir por 14 dias ou aciclovir intravenoso.

Fúngica – A orelha apresenta-se eritematosa, sensível e edematosa. Se a infecção fúngica for disseminada, pode apresentar sintomas sistêmicos. Os patógenos mais comuns são aspergilose, histoplasmose, mucormicose, candidíase, coccidioidomicose, blastomicose, peniciliose, dermatofitose e cromomicose. A pesquisa diagnóstica é realizada com biópsia com coloração para fungos. O tratamento varia de acordo com a etiologia específica.

Pericondrite e condrite – Infecção dos elementos mesenquimatosos do pavilhão auricular. Podem ser causados por piercing, queimadura, cirurgia, traumatismo. O acúmulo de sangue ou soro pode causar uma infecção secundária. A deposição da cartilagem começa em 2 a 4 semanas, podendo resultar em deformidade da orelha de couve-flor. Os patógenos mais comuns são P. aeruginosa S. aureus, Enterobacter, Proteus mirabilis e outros micro-organismos Gram-negativos. O diagnóstico é feito com a cultura e sensibilidade. O tratamento consiste em antibioticoterapia voltada para o micro-organismo, cuidados com a ferida, evacuação do hematoma, antibiótico tópico e sistêmico e cirurgia para eliminar necrose.

Infecções do Canal Auditivo Externo

Bacteriana (aguda) – Comum em climas quentes e úmidos, nadadores, uso de aplicadores algodonados, diabetes melito e outras comorbidades. Dentre os sintomas, podemos falar da otalgia grave, eritema, edema e secreção do canal auditivo externo, além de perda condutiva da audição. Os patógenos mais comuns são P. aeruginosa, Staphylococcus, Proteus e outros bastonetes Gram-negativos. O diagnóstico é feito por cultura se o tratamento empírico não funcionar. O tratamento é feito com o uso de antibióticos tópicos, algumas medidas preventivas, como evitar os aplicadores algodonados, reestabelecer o pH ácido.

Otite Externa Maligna – É uma infecção fatal do canal auditivo externo. A evolução pode ser insidiosa no início. As características são: tecidos de granulação ao longo da sutura tímpano mastoideo, neuropatias cranianas inferiores, dor intensa e profunda, exsudato. Os patógenos comuns são P. aeruginosa, S. aureus e outros raramente, como Aspergillus, Proteus. O diagnóstico pode ser feito com cultura do exsudato, contagem de leucócitos no soro e na taxa de sedimentação. O diagnóstico é feito com um diagnóstico precoce, além de antibioticoterapia intravenosa prolongada, limpeza abrangente do canal auditivo.

Otite Externa Crônica

Bacteriana – A pele se apresenta espessada e o canal pode estar estenosado. É comum liquenificação, escoriação e ceratose. O paciente não costuma queixar-se de dor neste estágio. Pode ocorrer perda condutiva da audição. Essa patologia é comumente causada por Bacilos Gram-negativos. O diagnóstico é feito com cultura e biópsia se houver úlcera ou ausência de resposta do tratamento. O tratamento é feito com desbridamento do canal auditivo externo, restabelecimento do pH, antibiótico tópico e tratamento de problemas clínicos subjacentes.

Fúngica – Em geral, os sintomas da otite externa bacteriana e fúngica são indistinguíveis, porém na evolução da doença o prurido é frequentemente característico de infecções micóticas. É comum ter desconforto, perda auditiva, zumbido e secreção. No exame físico é possível verificar hifas e esporos visíveis nos casos de infecção por Aspergillus. Já na Cândida, é comum aglomerados de micélios brancos ou amarelados com cerume. O diagnóstico raramente é feito com cultura, pois não altera o tratamento. As opções de tratamento são: eliminação dos fatores predisponentes, agentes antifúngicos, limpeza abrangente do canal, soluções acidificantes e desidratantes.

Autor(a) : Jéssica Lunardo Nóbrega – @jessnoobrega

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

Gostou do artigo? Quer ter o seu artigo no Sanarmed também? Clique no botão abaixo e participe

Referências:

J., L. K. Princípios de Otorrinolaringologia. Porto Alegre: Grupo A, 2010. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788563308672/. Acesso em: 06 Jul 2021

Compartilhe com seus amigos: