Geriatria

Resumo: Doença de Parkinson | Ligas

Resumo: Doença de Parkinson | Ligas

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A Doença de Parkinson (DP) primária ou idiopática é uma patologia neurodegenerativa progressiva, afetando a faixa etária de adultos jovens e idosos. Essa doença neurológica progressiva e crônica do sistema nervoso é caracterizada pela perda dos neurônios dopaminérgicos da parte compacta da substância negra, situada nos núcleos da base. E que, por sua vez, além de apresentar sintomas não motores como sinais não motores e sintomas motores que podem ser incapacitantes como bradicinesia, rigidez, tremor de repouso e instabilidade posturais.

Epidemiologia

A Doença de Parkinson  é a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo, ficando atrás apenas da doença de Alzheimer, tem prevalência  em países industrializados varia entre 0-3% de toda a população e entre pessoas acima de 60 anos é de aproximadamente 1%. A prevalência variou entre 167-5.703 casos por 100.000 em relação a grupos de pessoas acima de 60 anos. Em relação à população em geral a prevalência variou entre 31-970 casos por 100.000, as taxas de incidência notificadas da doença são de 16-19 casos por 100.000 pessoas/ano.

A incidência aumenta após os 60 anos, e estudos feitos somente com essa população relata uma incidência de 410-529 casos por 100.000 pessoas/ano, podendo ter um declínio nas faixas etárias próximas aos 80 anos, o que pode ser explicado pela dificuldade dos indivíduos serem diagnosticados corretamente devido às comorbidades. Calcula-se que o índice de envelhecimento, ou seja, a relação existente entre idosos e a população de jovens do Brasil, passe de 34,05% em 2015 para 206,16% em 2060, assim essas doenças serão mais visíveis.

Fatores de risco

Fatores genéticos, neurotoxinas ambientais, estresse oxidativo, anormalidades mitocondriais e excitotoxicidade.

Fisiopatologia

Os núcleos da base são responsáveis pela contração muscular, a força e controle muscular, os movimentos de múltiplas articulações e as sequências de movimentos, principalmente de caráter automáticos. As informações são de origem principalmente do córtex cerebral. A estimulação dos núcleos da base pelos neurônios motores superiores são direcionados pelas áreas motoras do córtex cerebral e núcleo Pedúnculo potino (localizado no tronco encefálico).

A estimulação do núcleo pedúnculo pontino evoca comportamentos rítmicos, tais como padrões locomotores. Os sinas e sintomas apresentados na DP existem alterações nas transmissões sinápticas do circuito complexo córtico-basal-tálamo-cortical, principalmente na sua via indireta, determinando o caráter hipocinético da desordem patológica. Nos núcelos da base, mais especificamente na substância negra, especificamente a porção compacta do mesencéfalo se encontra neurônios dopaminérgicos inativos precocemente e progressivamente o que acarreta redução da dopamina no cérebro comprometendo as informações sinápticas. Quando a uma diminuição deste neurotransmissor em função da morte destas células os portadores começam a apresentar sinais e sintomas relacionados a restrição da produção deste neurotransmissor.

Concomitantemente os núcleos da base também estão envolvidos, com a automatização de movimentos e habilidades previamente aprendidas como a marcha, o que permite a realização de funções motoras mais eficientes e com menor demanda de atenção a cada nova tentativa. Contudo, pessoas com DP tem uma deficiência na habilidade de controlar os movimentos de modo automático. Como consequência, estas pessoas necessitam de maior atenção para executar movimentos simples do cotidiano, controlados automaticamente em indivíduos saudáveis, o que implica em problemas de execução motora em condições na qual a atenção seja atraída para outros estímulos ambientais. 

Nessas circunstâncias, os pacientes apresentam duas alternativas comportamentais: diminuir a atenção para o movimento, comprometendo o desempenho ou diminuir a atenção para o ambiente, prejudicando sua interação com o meio externo. Não é claro, no entanto, se essa deficiência está ou não, associada aos comprometimentos no controle da atenção, particularmente no gerenciamento/divisão entre duas ou mais tarefas, embora se conheça que as projeções dopaminérgicas estriato frontais sejam importantes para as vias relacionadas ao seu gerenciamento.

Diante disso, provavelmente pela somatória das deficiências no processo de automatização e de atenção, a capacidade de gerenciamento de tarefas simultâneas torna-se sensivelmente comprometida, afetando especificamente a habilidade de andar e elevando a incidência de paradas ao movimento e quedas. Assim, aumentar a compreensão sobre o que realmente ocorre dentro de pessoas com DP em relação ao gerenciamento/divisão de atenção, levando à possibilidade de ampliação de recursos terapêuticos, torna-se de fundamental importância.

A área subcortical é responsável pela tomada de decisão. Desta forma, a depressão pode estar relacionada aos neurotransmissores: dopaminérgicas projeções mesocorticolímbicas, serotonérgicos dos núcleos da rafe do tronco cerebral e noradrenérgicos no locus ceruleus. Este neurotransmissor tem influência no humor e a sintomatologia depressiva. 

Doença de Parkinson

É uma doença idiopática de causa primária.

Parkinsonismo

Pode ser conhecida também como Síndrome Parkinsoniana, a qual é uma desordem secundária com sinais e sintomas semelhantes à Doença de Parkinson, porém com etiologia conhecida. Apresenta-se com 4 componentes básicos: acinesia, rigidez, tremor e instabilidade postural, porém pode se apresentar de  formas fragmentárias de parkinsonismo podem ser divididas em dois tipos básicos: a forma rígidoacinética, caracterizada pela presença de acinesia e/ ou rigidez, e a forma hipercinética, onde está presente apenas o tremor. Pelo menos dois desses componentes são necessários para a caracterização da síndrome.

A partir de alterações funcionais, decorrentes de disfunções nos gânglios basais, relacionadas ao controle motor, dessa forma pode ser dividido em primário (juvenil/precoce), secundário (causa reconhecida) e plus (paralisia, atrofia, demência). Assim, as características clínicas se sobrepõem às da doença de Parkinson.

Quadro clínico

A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa pode acometer sintomas não motores como a depressão; ansiedade, impulsividade, dor, insônia, alteração de humor, entre outros.

Os sintais e sintomas mais frequentes são: bradcinesia, freezing da marcha (período on e off), com caracterização festinante, caracterizada por redução do passo e passada, pobre balanço escápulo umeral e alterações posturais que alteram seu centro de gravidade para frente. Assim, estas alterações motoras propiciam quedas recorrentes.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, porém há a solicitação dos seguintes exames para excluir outras patologias eletro encefalograma, tomografia computadorizada, ressonância magnética e análise do líquido espinhal. Mas não há marcadores biológicos que permitam fazer o diagnóstico. Desta forma, a presença de três sinais e sintomas com história clínica compatível a suspeita diagnóstica é iniciada. Diante disso, nos casos típicos o diagnóstico não é tão difícil mas, em situações em que há elementos atípicos o leque de diagnósticos diferenciais é amplo.

Tratamento

O tratamento desta desordem neurológica requer uma abordagem multidirecional e multiprofissional, não atrelada apenas aos aspectos clínicos isolados, mas a interação do indivíduo com o meio ambiente, família e o desempenho funcional. Desta forma desde o manejo farmacológico, clínico e de reabilitação se faz necessário a interação de múltiplos fatores e um cenário propício para a participação se possível do paciente com autonomia e independência.

Tratamento farmacológico

Para que o tratamento farmacológico seja realmente efetivo, são utilizados medicamentos colinérgicos, os quais atravessaram a barreira hemato-encefálica; eles contêm levodopa, que, no sistema nervoso, é convertida em dopamina pela enzima dopa-descarboxilase, com a combinação de outro fármaco que impede seu metabolismo fora do cérebro como a fluoxetina e a sertralina. Além do pramipexol como agonista dopaminérgico.

Não farmacológico

A reabilitação locomotora é indispensável para o controle dos sinais e sintomas da Doença de Parkinson, trata-se de uma desordem neuromotora que interfere nas atividades de vida diária dos pacientes, causando dependência funcional ao longo da evolução clínica. Logo uma equipe multidisciplinar é indispensável, fonoaudiologia devido a fonação, fisioterapeuta com foco funcional e motricidade, serviço social e psicologia como apoio e auxílio aos acessos e fortalecer a rede de apoio, o médico com avaliação, reavaliação e análise farmacológica e interação destes fármacos e interferência na qualidade de vida, principalmente com um olhar atento a polifarmácia.

Autores e revisores

Autores: Anna Clara Brandão; Mariana Antunes, Marianna Santana, Sarah Pontes.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

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