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Resumo sobre a paralisia do sono | Colunistas

Resumo sobre a paralisia do sono | Colunistas

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Felipe Vanderley Nogueira

6 min há 7 dias

INTRODUÇÃO

A paralisia do sono é uma desordem marcada pela impossibilidade temporária de realizar qualquer movimento (atonia) que ocorre entre a transição do sono e da vigília. O paciente possui seus músculos imobilizados, porém sua consciência começa a voltar e ele fica nesse estado por alguns minutos. Muitos relatam uma experiência aterrorizante, o desenvolvimento de outros transtornos e traumas associados a esta doença. 

Tendo isso em vista, este artigo busca elucidar aspectos gerais acerca desta patologia, com enfoque nos aspectos fisiopatológicos, clínicos e terapêuticos.

FISIOPATOLOGIA E ASPECTOS CLÍNICOS

Durante o sono nós alternamos entre as fases REM e não REM, por meio de ciclos. Durante uma noite completa de sono ocorrem cerca de 4 a 6 ciclos não REM-REM, durando uma média de 70 a 100 minutos no primeiro ciclo e mantendo uma média de 90 a 110 minutos nos ciclos seguintes.

Sono não REM (Rapid eye movements): O sono não REM apresenta ondas dessincronizadas ao eletroencefalograma e divide-se em 3 estágios: N1, N2 e N3. Nessa fase do sono ocorrem movimentos oculares lentos, sonhos pouco elaborados e hipotonia muscular.

Sono REM: O sono REM é caracterizado pela presença de ondas dessincronizadas e de baixa amplitude ao eletroencefalograma. Nele a musculatura está em intensa atonia, excetuando-se os músculos oculares extrínsecos e o diafragma. Nessa fase o paciente apresenta sonhos bem elaborados e frequentes. Apresenta ainda alterações hemodinâmicas e circulatórias, com variabilidade de PA e FC.

O hipnograma abaixo (Imagem 01) vem mostrando como se dá a proporção entre cada fase do sono durante uma noite de sono normal. Observe que durante o 1º e 2º ciclos há a passagem por todas as fases do sono, com pequenas variabilidades em sua duração. Já a partir do 3º ciclo, a fase N3 se torna cada vez mais curta, nem sendo registradas por vezes, o sono REM passa a se tornar cada vez mais prolongado (com maior tempo de duração À medida que o sono se aprofunda) e a fase N2 passa a ocupar o tempo de N1 e N3.

https://www.researchgate.net/profile/John-Araujo-7/publication/340567400/figure/fig6/AS:891557486002178@1589575277619/Figura-3-Hipnograma-de-um-adulto-humano-Fonte-Arquivo-pessoal.png
Imagem 01. Hipnograma de um sono normal – observe as proporções de cada fase do sono não REM (N1, N2 e N3) e REM durante uma noite de sono normal, e como à medida que o sono se aprofunda, a fase REM se torna cada vez mais duradoura.
Fonte: Santos et al., 2020

A paralisia do sono ocorre quando a atonia REM persiste por instantes após o despertar. Isso possibilita com que o indivíduo esteja em vigília, porém sem poder se mover. O estado de paralisia do sono ainda pode estar acompanhado por alucinações hipnagógicas (percepções reais de objetos que não existem) e com frequência as pessoas acabam vendo as alterações durante a paralisia do sono como um sonho.

A experiência de se passar pela paralisia do sono é descrita por muitos pacientes como a de um filme de terror, haja vista a presença de alucinações, sons e sensações táteis que cada pessoa experimenta de forma individual. Isso possibilita que classifiquemos a experiência da paralisia do sono em 3 tipos:

  • Intruso: sensação de medo intensa, com alucinações auditivas e visuais.
  • Incubus: sensação de falta de ar e de pressão no peito.
  • Experiência corporal incomum: o indivíduo tem a sensação de flutuar ou ainda de ver o próprio corpo pela cama, com ilusões de movimento presentes.

Um importante fator de risco citado pela literatura para a ocorrência da paralisia do sono é uma higiene do sono inadequada. Por isso é importante o médico ao abordar um paciente com suspeita desse diagnóstico investigar a presença de fatores como: tempo de tela antes de dormir, uso de substancias estimulantes do SNC, ambiente onde o paciente dorme, realização de atividades físicas, dentre outros.

Outro fator frequentemente citado é a ocorrência de outros transtornos psiquiátricos associados, como transtornos de ansiedade, sendo que a paralisia do sono sempre deve ser avaliada de rotina em certos grupos.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Para fechar o diagnóstico da paralisia do sono é necessário que o paciente satisfaça alguns critérios clínicos que envolvem a frequência de eventos, presença de desconforto relatado pelo paciente, ausência de outros distúrbios do sono que possam explicar a presença destes sintomas e uso de medicações ou substâncias psicoativas. 

Dentre os exames complementares que podem ser solicitados, enfoca-se naqueles para descartar (ou confirmar) os diagnósticos diferenciais. A polissonografia é um método útil para fechar o diagnóstico da paralisia do sono, ela serve para mensurar a atividade muscular, respiratória e cerebral durante, além de poder auxiliar no diagnóstico diferencial de outros transtornos do sono.

O tratamento envolve medidas comportamentais, como evitar a privação do sono e identificar quais os fatores precipitantes do transtorno. Podem ser utilizados ainda medicamentos da classe dos antidepressivos tricíclicos e dos inibidores seletivos de receptação de serotonina. Muitos ainda podem se beneficiar da terapia cognitivo-comportamental.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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REFERÊNCIAS 

  1. INSTITUTO DO SONO. Entenda o que é paralisia do sono e por que acontece. Instituto do sono, 24 de fevereiro de 2021. Disponível em: . Acesso em 28/09/2021.
  2. SANTOS, Cibele Alves dos Santos; RODRIGUES, Rafaella Marion. Paralisia do sono e como ela afeta os jovens no dia de hoje. Anais 10ª MOEXP (Mostra de ensino, extensão e pesquisa) – IFRS Campus Osório, 2021.
  3. SANTOS, Renata Mendes et al. A influência de aditivos alimentares na qualidade do sono: aspectos clínicos e mecanismos de ação. In: FERREIRA, Paulo Michel Pinheiro; FREIRE, Joilane Alves Pereira. Aspectos translacionais da toxicodinâmica de aditivos alimentares. Ponta Grossa: Atena editora, 2020.
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