Cardiologia

Resumo sobre Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) | Ligas

Resumo sobre Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) | Ligas

Compartilhar

Algumas Universidades durante o rodízio de Cirurgia não abordam ou pouco enveredam a área de Cirurgia Vascular, e como consequência, muitos alunos acabam tendo pouca vivência nos assuntos da área. Para isso, nós da LIVASC-CG, produzimos esse breve material a fim de aprimorar seu conhecimento sobre a DAOP, além de despertar o interesse pela área de atuação e apresentar seus impactos na vida do paciente, bem como seus desafios para o médico.

A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) tem como principal etiologia a doença aterosclerótica, que leva à obstrução da artéria periférica e pode se apresentar de forma assintomática ou manifestar uma variedade de sintomas e sinais indicativos de isquemia das extremidades, sendo a principal causa de morte no mundo ocidental, devido ao alto risco de morbimortalidade cardiovascular associado. É caracterizada por depósito de gordura, cálcio e outros elementos na parede das artérias, reduzindo seu calibre e trazendo um déficit sanguíneo aos tecidos irrigados por elas.

A presença de uma úlcera nas extremidades é um dos sinais clínicos mais óbvios, mas outras manifestações como claudicação intermitente e dor em repouso devem ser ativamente procuradas e diferenciadas das condições não ateroscleróticas e não vasculares, para garantir quando necessário, o encaminhamento ao especialista vascular. Quando reconhecidas precocemente e gerenciadas adequadamente, as complicações levam à perda de membros podem ser minimizadas.

Figura 1: Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) – SBACV .
Fonte: http://sbacvba.com.br/noticias/doenca-arterial-obstrutiva-periferica/

Fisiopatologia

Diversos processos patológicos levam à obstrução arterial, provocando sintomas de insuficiência arterial devido à redução do fluxo sanguíneo. O acúmulo subintimal de material lipídico e fibroso (ou seja, placa) estreita o lúmen do vaso, que pode cursar com trombose ou rompimento da placa aterosclerótica, causando oclusão dos vasos a jusante. Vários fatores contribuem para a patogênese da aterosclerose, incluindo disfunção endotelial, dislipidemia, fatores inflamatórios e imunológicos e tabagismo associado.

Os sintomas relacionados ao estreitamento aterosclerótico da aorta ou artérias dos membros inferiores dependem da localização e gravidade da doença. Em qualquer segmento arterial (aorto-ilíaco, femoropoplíteo, tibial), a placa tende a ocorrer proximamente ou no segmento médio (por exemplo, bifurcação proximal). A doença aterosclerótica segue padrões anatômicos que também influenciam a história natural e a progressão da doença. Pacientes com diabetes ou com doença renal em estágio terminal geralmente apresentam doença mais distal.

A aterosclerose na aorta pode estar associada ao aneurisma de aorta. A patologia da doença aneurismática é considerada distinta da aterosclerose, no entanto, as manifestações clínicas podem se sobrepor.

Epidemiologia e Fatores de risco

A prevalência mundial de DAOP dos membros inferiores está entre 3 e 12%. Em 2010, 202 milhões de pessoas em todo o mundo estavam vivendo com essa enfermidade. Na Europa e América do Norte, estima-se que 27 milhões de indivíduos sejam afetados, com aproximadamente 413.000 internações atribuídas anualmente à DAOP. A maioria dos indivíduos com DAOP (70%) vive em regiões de baixa / média renda do mundo, incluindo 55 milhões de indivíduos no sudeste da Ásia e 46 milhões na região do Pacífico Ocidental. O número de indivíduos com DAOP aumentou 29% nas regiões de baixa / média renda e 13% nas regiões de alta renda de 2000 a 2010 em comparação com a década anterior.

Os fatores de risco que favorecem o desenvolvimento da DAOP são semelhantes aos que promovem o desenvolvimento de doença arterial coronariana (DAC). Para a DAOP predominaram os marcadores associados à inflamação e ao tabagismo, enquanto o colesterol total e a massa corporal foram menos importantes. Os fatores de risco mais frequentemente avaliados nas publicações foram hipertensão, diabetes, tabagismo, histórico de doença cardiovascular e idade. É válido ressaltar que embora p diabetes mellitus seja um importante fator de risco, não é a causa mais comum de DAOP.

Quadro clinico

Pacientes com DAOP geralmente são assintomáticos. No entanto, se o suprimento sanguíneo falhar em atender aos requisitos metabólicos contínuos, como consequência do estreitamento arterial, ocorrerão sintomas cuja gravidade depende do grau de estreitamento arterial, número de artérias afetadas e nível de atividade dos pacientes. A DAOP pode apresentar dor de um ou mais grupos musculares dos membros inferiores relacionados à atividade (ou seja, claudicação intermitente), dor atípica, dor em repouso ou feridas não cicatrizadas, ulceração ou gangrena.

Relação dos sintomas

Assintomático – 20 a 50%
Dor atípica nas pernas – 40 a 50%
Claudicação clássica – 10 a 35%
Membro ameaçado – 1 a 2 por cento


A história natural da doença arterial periférica em pacientes que se apresentam inicialmente como assintomáticos ou com claudicação intermitente leve a moderada é relativamente benigna. Naqueles com claudicação intermitente, 70 a 80% apresentam claudicação estável, 10 a 20% desenvolvem claudicação piorada e apenas aproximadamente 1 a 2% progride para isquemia crítica dos membros. O prognóstico para perda ou sobrevivência de membros é significativamente pior naqueles com aterosclerose de início precoce, pacientes com diabetes ou doença renal terminal e naqueles que continuam fumando.

Classificação de Fontaine e Rutheford

De acordo com os sinais e sintomas, os portadores de DAOP podem ser classificados em diversos estágios ou categorias. Dentre as classificações existentes, duas são as mais utilizadas. A classificação de Fontaine que separa os pacientes em quatro estágios e a classificação de Rutherford, que aloca os pacientes em sete categorias, incluindo os assintomáticos.

Tabela 1: Classificação da doença arterial obstrutiva periférica – Projeto Diretrizes SBACV.
Fonte: https://www.sbacv.org.br/lib/media/pdf/diretrizes/daopmmii.pdf

Diagnóstico

O atual conceito de doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) também inclui pacientes com lesões arteriais que se traduzem apenas por alteração em exames não invasivos, antes mesmo do aparecimento de qualquer sintoma detectável pelo exame clínico. Assim, consensos recentes definem como DAOP alterações vasculares que provocam queda no índice pressórico tornozelo-braço (ITB) medido com Doppler ultrassom. Um indivíduo é considerado portador de DAOP se esse índice, medido em repouso, for menor do que 0,9. Isso ocorre porque hoje se sabe que a DAOP, especialmente a aterosclerose obliterante periférica (AOP), acompanha alterações em outros territórios vasculares e é considerada um marcador de morbidade e mortalidade cardiovascular. Considerando essa definição, cerca de metade dos pacientes com DAOP é assintomática.

O diagnóstico clínico das doenças arteriais periféricas baseia-se na busca e na interpretação de sintomas e sinais que podem aparecer no local de uma alteração arterial ou que surgem em decorrência de isquemia no território irrigado pela artéria lesada. É importante notar que, com boa anamnese, consegue-se chegar a um diagnóstico de doença arterial com mais de 90% de possibilidade de acerto, antes mesmo da realização do exame físico. Com a realização do exame físico, consegue-se aumentar esse índice diagnóstico e confirmar a localização e a intensidade da doença na maioria dos casos.

A angiotomografia computadorizada (TC), angioressonância magnética (RM), arteriografia baseada em cateter é geralmente reservada para pacientes nos quais persistem incertezas após testes não invasivos ou nos quais a intervenção é antecipada.

Tratamento

O tratamento de pacientes com DAOP nos membros inferiores visa aliviar os sintomas e diminuir o risco de progressão e complicações de doenças cardiovasculares. Pacientes com DAOP apresentam uma ampla gama de sintomas e efeitos associados à função diária. O tratamento da DAOP sintomática dos membros inferiores baseia-se em uma avaliação cuidadosa dos fatores de risco, comorbidades médicas, conformidade com tratamentos farmacológicos e cuidados de acompanhamento e nos valores e objetivos subjetivos do paciente. Pacientes com dor ou ulceração isquêmica podem necessitar necessariamente de intervenção precoce para recuperação dos membros.

O manejo médico envolve redução do fator de risco cardiovascular, modificação do estilo de vida e outras terapias farmacológicas, como estatinas e AAS para reduzir o risco de progressão da doença aterosclerótica. Com o manejo médico agressivo, pode ser possível a regressão de lesões ateroscleróticas não calcificadas. Exercícios regulares e redução de peso também são importantes.

Liga Acadêmica Campinense de Angiologia e Cirurgia Vascular (LIVASC-CG)

@livasc.cg

Autor: Mário Gabriel Figueiredo de Souza Barreto

Revisor: Nicolle Mabel de Almeida Vieira

Médica orientadora: Dra. Horácia Carneiro de Melo


Gostou da postagem? Quer ter a sua liga postando no Sanarmed também? Clique no botão abaixo e participe!

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.