Psiquiatria

Resumo sobre Transtornos de Personalidade: classificação, epidemiologia, diagnóstico e tratamento

Resumo sobre Transtornos de Personalidade: classificação, epidemiologia, diagnóstico e tratamento

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Sanar

8 min há 147 dias

Definição

Antes de entender sobre os Transtornos de Personalidade, é necessário entender um pouco sobre o que é personalidade. A personalidade é definida como padrões duradouros de percepção, relacionamento e pensamento sobre o meio ambiente e sobre si mesmo que são expostos em vários contextos sociais e pessoais. 

Um transtorno de personalidade é diagnosticado quando os traços de personalidade são tão inflexíveis e mal adaptativos em uma ampla gama de situações que causam sofrimento significativo e comprometimento do funcionamento social, ocupacional e do papel.

Segundo o DSM-5, trata-se de um padrão persistente de experiência interna e comportamento que se desvia das expectativas da cultura desse indivíduo. É um padrão difuso e inflexível que se inicia na adolescência ou na fase adulta, se tornando estável ao longo do tempo. 

Para se qualificar como um transtorno de personalidade,  é necessário que o pensamento, as manifestações de emoção, a impulsividade e o comportamento interpessoal sejam intensamente desviadas das expectativas culturais deste indivíduo. 

Classificação dos transtornos de personalidade

O DSM-5 inclui 10 transtornos de personalidade, divididos em três grupos baseados em semelhanças descritivas.

Grupo A – a característica deste grupo é que os indivíduos parecem esquisitos ou excêntricos:

  • Transtorno Paranoite
  • Transtorno Esquizoide
  • Transtorno Esquizotípico

Grupo B – incluem os transtornos cujos indivíduos se mostram dramáticos, emotivos ou erráticos:

  • Transtornos da personalidade antissocial
  • Transtorno de Borderline ou Limítrofe
  • Transtorno histriônico
  • Transtorno narcisista

Grupo C – incluem os transtornos dos indivíduos que carregam a característica de parecerem ansiosos ou medrosos: 

  • Transtornos da personalidade evitativa
  • Transtorno dependente 
  • Transtorno obsessivo-compulsivo. 

Epidemiologia

A prevalência internacional estimada de transtornos de personalidade na comunidade é de 11%. Em geral, os transtornos de personalidade são mais comuns em homens jovens, com baixa escolaridade e/ou desempregados. Entretanto, existem transtornos, como os transtornos de Boderline, histriônico e depentes que são mais frequentes em indivíduos do sexo feminino.

De modo geral, o transtorno da personalidade esquiva e o transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva são os mais comuns na comunidade.

Quadro clínico de transtornos de personalidade 

O quadro clínico dos transtornos de personalidade são variados. Existem 10 tipos de transtornos, sendo que cada um possui suas características. Entretanto, a presença de certos comportamentos e traços que se iniciam do meio ao final da adolescência e permanecem na vida adulta, são sugestivas de um transtorno de personalidade:

  • Ansiedade
  • Agressividade
  • Mudanças de humor frequentes
  • Explosões de raiva
  • Ansiedade social suficiente para causar dificuldade em fazer amigos
  • Necessidade de ser o centro das atenções
  • Sensação de ser traído ou aproveitado
  • Não sentir que há algo de errado com o comportamento (sintomas ego-sintônicos)
  • Externalização e culpa ao mundo por seus comportamentos e sentimentos

Já as manifestações clínicas características dos transtornos de personalidade individuais são:

  • Paranóico – Desconfiança e suspeita dos outros ao ponto de seus motivos serem interpretados como malévolos.
  • Esquizóide – Desapego e distanciamento das relações sociais associado a uma gama restrita de expressão de emoções em ambientes interpessoais.
  • Esquizotípico – déficits sociais e interpessoais marcados por desconforto agudo e capacidade reduzida para relacionamentos próximos, bem como por distorções cognitivas ou perceptivas e comportamento excêntrico.
  • Antisocial – é um padrão de desrespeitar e violar os direitos dos outros, incluem atitudes como mentir, roubar, inadimplir dívidas, negligenciar filhos ou outros dependentes.
  • Boderline ou Limítrofe – confere instabilidade das relações interpessoais, autoimagem, afetos e descontrole dos impulsos. 
  • Histriônico – Emocionalidade excessiva e busca de atenção.
  • Narcisista – apresenta um padrão de grandiosidade (na fantasia ou comportamento), necessidade de admiração e falta de empatia. 
  • Esquiva – consiste numa inibição social, sentimentos de inadequação e hipersensibilidade à avaliação negativa.
  • Dependente – Sentimentos de extrema necessidade de ser cuidado, sentimento de inadequação, incapacidade de tomar as próprias decisões, submissão, evitação do confronto por medo de perder a fonte de apoio.
  • Obsessivo-compulsivo – preocupação com perfeccionismo, controle mental e interpessoal e ordem, em detrimento da flexibilidade, abertura e eficiência

Diagnóstico de transtornos de personalidade 

O DSM-5 indica o uso de dois conjuntos de critérios para o diagnóstico de um transtorno de personalidade. O primeiro conjunto descreve critérios condizentes com as características gerais do transtorno de personalidade, enquanto que o segundo visa descrever as características individuais de cada transtorno. Este último conta com vários itens que são individuais e diferentes entre cada um dos 10 possíveis diagnósticos de transtorno de personalidade. 

Critérios para diagnóstico de Transtorno de Personalidade:

  1. Um padrão duradouro de experiência interna e comportamento que se desvia acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo. Este padrão se manifesta em duas (ou mais) das seguintes áreas:
  • Cognição (ou seja, maneiras de perceber e interpretar a si mesmo, outras pessoas e eventos)
  • Afetividade (ou seja, o alcance, intensidade, labilidade e adequação da resposta emocional)
  • Funcionamento interpessoal
  • Controle de impulso
  1. O padrão duradouro é inflexível e difundido em uma ampla gama de situações pessoais e sociais.
  2. O padrão duradouro leva a sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes do funcionamento.
  3. O padrão é estável e de longa duração, e seu início pode ser rastreado pelo menos até a adolescência ou início da idade adulta.
  4. O padrão duradouro não é melhor explicado como uma manifestação ou consequência de outro transtorno mental.
  5. O padrão duradouro não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância (por exemplo, uma droga de abuso, um medicamento) ou outra condição médica (por exemplo, traumatismo craniano).

Tratamento de transtornos de personalidade 

Os objetivos do tratamento dos transtornos de personalidade consistem em 

  • Reduzir o sofrimento subjetivo
  • Permitir que os pacientes entendam que seus problemas têm origem interna
  • Diminuir comportamentos significativamente mal-adaptativos e socialmente indesejáveis ( imprudência, isolamento social, falta de assertividade, explosões temperamentais)
  • Modificar traços de personalidade problemáticos

O tratamento de primeira linha e padrão ouro é a psicoterapia. Tanto psicoterapia individual quanto em grupo são eficazes no tratamento. Entretanto, vale ressaltar que os indivíduos que possuem transtornos de personalidade são, muitas vezes, avessos a mudanças, mas que muitos se tornam progressivamente menos graves.

O plano terapêutico deve ser abrangente, que atenda as necessidades biológicas, patológicas e sociais do paciente. Por isso, em alguns casos, esses pacientes podem ser demasiadamente sintomáticos, o que ocasiona a prescrição de diversos medicamentos.

Os psicofármacos devem ser terapia adjuvante, e nunca a principal. Além disso, podem ser incluídos no plano de tratamento a autoeducação, hospitalização parcial ou breve hospitalização nos períodos de crise. 

De todos os psicofármacos, os que mais apresentaram benefício de uso foram os estabilizadores do humor e os antipsicóticos. Vale informar que a introdução dos estabilizadores de humor deve ser lenta e gradual, com doses iniciais baixas e aumento progressivo de acordo com a aceitação do paciente até atingir a dose terapêutica. Os estabilizadores de humor mais utilizados são:

  • Lítio 300 a 600 mg
  • Lamotrigina 200 mg/dia

Os antipsicóticos podem ser utilizados como medicação de manutenção até que os objetivos terapêuticos sejam atingidos. Dentre as opções de fármacos, temos:

  • Aripiprazol 2,5 mg
  • Risperidona 0,5 a 1 mg
  • Quetiapina 25 a 150 mg

Mapa mental:

Mapa mental de Transtornos de personalidade

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Referências:

Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

NELSON, Katharine. Pharmacotherapy for personality disorders. UpToDate, Inc, 2018.  Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/pharmacotherapy-for-personality-disorders>. Acesso em 21 de abril de 2021.

SKODOL, Andrew. Overview of personality disorders. UpToDate, Inc, 2018. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/overview-of-personality-disorders>. Acesso em 21 de abril de 2021.

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