Resumos: descrição e fisiologia dos enxertos cutâneos | Ligas

Resumos: descrição e fisiologia dos enxertos cutâneos | Ligas

Compartilhar
  1. Introdução

Enxerto é a transferência de um tecido ou segmento corporal de uma região doadora para outra receptora no mesmo organismo ou em organismos distintos, mediante perda total de continuidade. A irrigação sanguínea do segmento transplantado ocorrerá com a neovascularização e o tempo varia de acordo com o tipo de tecido. Para o sucesso do enxerto, é importante que seja realizado em área receptora viável, sem infecção e bem vascularizada. A classificação para os enxertos pode ser: baseada na constituição histológica, relação entre doador e hospedeiro e espessura. Quanto aos enxertos cutâneos, esses são classificados de acordo com a forma de processamento.

2.Indicações

O uso de enxertos nas reconstruções é realizado com a função de cobertura de feridas agudas (queimaduras e traumas), ou crônicas (úlceras diabéticas e varicosas), situações em que reconstruções complexas são inviáveis (por risco de complicações) e quando há escassez de tecidos adjacentes para cobertura de uma lesão.

3.Classificações e usos

3.1- Quanto à constituição histológica

Quando apresentam um único tipo de tecido são ditos simples e quando apresentam mais de um tipo são compostos.

3.2- Quanto à relação entre o doador e receptor

Autógenos quando o doador e receptor são o mesmo indivíduo. Alógenos ou homólogos quando o doador e receptor são indivíduos diferentes, porém da mesma espécie. Isoenxerto quando o doador e receptor são indivíduos diferentes, porém idênticos geneticamente (como ocorre em gêmeos univitelinos). Xenoenxertos ou heterólogos quando o doador e receptor são de espécies distintas.

3.3- Quanto à espessura

São de espessura parcial quando contêm a epiderme e apenas parte da derme. São subdivididos em finos, médios e grossos conforme espessura da derme. Quanto mais fino, menor é a contração primária e maior a secundária, resultando em piores resultados estéticos. No entanto, sua vantagem é a maior facilidade de integração ao leito receptor, pois tolera menor vascularização.  A cicatrização da área doadora é por segunda intenção (contração e epitelização). Mais usado em ferimentos extensos e queimaduras.

Os de espessura total contêm a epiderme, derme e anexos. Resulta em maior contração primária e menor secundária, obtendo melhores resultados estéticos. Como desvantagem, apresenta maior dificuldade de integração ao leito receptor. A cicatrização da área doadora é por primeira intenção (sutura), sendo comumente utilizado em ferimentos de extensão limitada (áreas pequenas, como na face) e superfícies flexoras, pois minimiza o comprometimento à mobilidade resultante de contração secundária.

3.4- Quanto à forma de processamento (enxertos cutâneos)

São processados de modo a expandi-los, podendo ser por cultura celular em laboratório ou com uso de expansor, formando uma malha ou rede.

  • Enxertos cutâneos

4.1- Formas

Existem diferentes técnicas para enxertia. Os enxertos em estampilhas são utilizados para feridas muito grandes em que não há pele suficiente para cobri-las. Faz-se enxertos de pequenos pedaços de pele (“estampas”) não cobrindo totalmente a ferida; o fechamento ocorre por segunda intenção. Nos enxertos em malhas faz-se uma malha multiperfurada com um pequeno pedaço de pele, permitindo a expansão do enxerto e cobertura da área do ferimento, dessa forma, parte da ferida é cicatrizada por segunda intenção, apresentando efeito menos estético.  Para enxertos laminares, retira-se uma lâmina de tecido e cobre toda a ferida, sem cortes ou orifícios, não havendo cicatrização por segunda intenção, e consequentemente apresentando melhor resultado estético quando comparado aos demais.

4.2- Cuidados com a área doadora e receptora

A área doadora normalmente é tratada com curativos oclusivos, que proporcionam redução da dor, do risco de infecção e um ambiente úmido, que favorece desenvolvimento de fatores de crescimento celular e facilita migração do epitélio. Quanto à área receptora, é necessário lavagem, debridamento e trocas frequentes de curativo até que um tecido de granulação saudável seja formado, uma vez que o enxerto se torna inviável quando aplicado em feridas infectadas ou com tecido de granulação frágil.

4.3- Fisiologia 

  • Integração

A cicatrização da ferida após enxerto consiste em quatro fases: aderência, embebição plasmática, inosculação e neovascularização. 

  1. Aderência

Mediante aplicação do enxerto, uma rede de fibrina o adere ao leito receptor. Os filamentos de fibrina retraem, tracionando e promovendo maior contato do enxerto com o leito. Essa rede de fibrina é então substituída por tecido fibroso pela invasão de fibroblastos, fagócitos e leucócitos, o que auxilia na resistência e adesão do enxerto.

  • Embebição plasmática

Consiste na absorção por capilaridade do plasma que transude da área receptora, provendo nutrientes para manter o tecido vivo. Ocorre geralmente 48 a 72 horas após a aplicação do enxerto.

  • Inosculação

Os capilares da região receptora passam a anastomosar com os do enxerto (“invasão vascular”). Comumente ocorre três a quatro dias após aplicação.

  • Neovascularização

Concomitantemente à fase de inosculação, surgem novos vasos (neoangiogênese) invadindo a derme e revascularizando o enxerto, por volta do quarto dia.

Clinicamente, observa-se que o enxerto é inicialmente pálido, evoluindo para uma cianose e por fim para uma coloração rosada, evidenciando boa vascularização e consequentemente eficácia da enxertia. 

  • Contração

Após integração, inicia-se a contração do enxerto, sendo de dois tipos:

  1. Primária:  é a contração imediata que ocorre logo após retirada do enxerto por ação de componentes da derme.
  2. Secundária: ocorre entre seis a dezoito meses após integração do enxerto ao leito receptor, é baseada na interação das fibras colágenas com os miofibroblastos.

A presença de infecção e a espessura da derme são fatores que influenciam na contração, podendo acentuá-la. 

4.4- Complicações

As principais complicações relacionadas à morte do enxerto são:

  •  infecção na área receptora
  • retrações
  • hematoma
  • seroma

Demais possíveis complicações: 

  •  não integração do enxerto
  • alteração da pigmentação
  • hipertrofia da área doadora
  • contração excessiva com distorção tecidual
Compartilhe com seus amigos:
Termos de Uso | Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.