Gastroenterologia

Caso Clínico: síndrome do intestino irritável | Ligas

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Definição e Epidemiologia da síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável (SII) é descrita como desconforto ou dor abdominal crônica juntamente a um distúrbio na defecação, sem uma causa orgânica detectável. A sensação de inchaço, peso abdominal e defecação desordenada são as principais queixas. Em relação à sua ocorrência na população, a SII é mais prevalente em mulheres, menos frequente em idosos e as primeiras manifestações ocorrem tipicamente entre os 15 e 65 anos de idade, sendo que esses só procuram ajuda médica entre os 30 e 50 anos.

Fisiopatologia da síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável está relacionada, principalmente, à um distúrbio da musculatura lisa do intestino e trato gastrintestinal superior. Com essa alteração na motilidade, o cólon pode parecer anormalmente reativos a hormônios intestinais, alimentos, medicamentos e até ao estresse. O cólon proximal, então, pode ter suas contrações aumentadas ou diminuídas, relacionando à diarreia e a constipação, respectivamente. Já a dor abdominal bastante comum entre indivíduos com a SII está ligada à resposta exagerada do óleo com altas ondas de pressão pós-prandial.

Além disso, é importante destacar que os sintomas característicos da SII estão intimamente associados ao estado emocional do indivíduo, uma vez que muitos pacientes diagnosticados com a síndrome do intestino irritável também sofrem alguma doença psiquiátrica como a depressão, transtorno de ansiedade generalizada ou distúrbio do pânico. Outro ponto notável é a influência da dieta na manifestação dos sintomas gastrintestinais. A deficiência de lactase, ingestão de ácidos graxos de cadeia curta, sorbitol, frutose e fibras não solúveis podem exacerbar o desconforto abdominal e as queixas de irritação e evacuação.

Quadro clínico

As principais manifestações clínicas do indivíduo com Síndrome do Intestino Irritável são:

  • Dor ou desconforto abdominal crônico ou recorrente
    • Mais frequente na parte inferior do abdome
    • Dor tipo em cólica e episódica
    • Dor aliviada com a defecação
  • Defecação irregular (constipação ou diarreia)
    • Sensação de defecação incompleta
    • Muco nas fezes
    • Urgência da defecação
    • Diarreia por mais de 2 semanadas
  • Timpanismo abdominal
  • Azia
  • Dispepsia
  • Borborigmo
  • Inchaço
  • Náusea e vômito
  • Sensação de bolo na garganta entre as refeições.

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome do intestino irritável é feito primariamente a partir dos Critérios de Roma IV. Neles há a caracterização de dor ou desconforto abdominal recorrentes, por pelo menos um dia por semana, nos últimos três meses, associada com dois ou mais dos seguintes sintomas: melhora com a evacuação e/ou alteração da frequência da defecação e/ou alteração na forma das fezes.

A depender dos sintomas relatados pode-se encaixar o indivíduo em quatro estágios da SII; a SII com constipação, a SII com diarreia, a SII com forma mista e a SII não determinada. Tais Critérios de Roma IV não são utilizados unicamente como forma diagnóstica quando o paciente traz sinais e sintomas de alarme como idade maior que 50 anos, anemia, hemorragia digestiva alta ou baixa, emagrecimento, febre, história familiar de neoplasia, alteração recente do padrão de sintomas e massa abdominal palpável ao exame físico. Nessas situações, deve ser investigado outras alterações orgânicas através de exames laboratoriais e de imagem. Os principais diagnósticos diferenciais da SII são pólipos intestinais, intolerância à lactose, doença diverticular, doença de Crohn, Retocolite Ulcerativa, hipo e hipertireoidismo. Importante destacar que, diferente do que trazia o Roma III, segundo os novos critérios do Roma IV a SII não será apenas um diagnóstico de exclusão, porém é de suma importância excluir outras causas orgânicas mais graves quando o paciente apresentar os sinais de alarme

Tratamento da síndrome do intestino irritável

Já o tratamento farmacológico é escolhido de acordo com a principal queixa que o paciente traz, com sua apresentação clínica. Os antiespasmódicos são bastante utilizados na SII com diarreia, principalmente a hioscina e a escopolamina, diminuindo a dor e a diarreia pós prendiam. Já os antidiarreicos como loperamida e difenoxilato são utilizados em casos de diarreia refratária às medidas dietéticas. Anticonstipantes também são bastante utilizados, evitando aqueles que são a base de sorbitol, já que são responsáveis por produzir flatos e distender ainda mais o intestino. Além desses, os probióticos compostos por bactérias dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium, antibióticos e antidepressivos tricíclicos ou serotoninérgicos também são artifícios utilizados no tratamento da síndrome do intestino irritável.

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