Alergologia e imunologia

Rinite Alérgica: Abordagem e Tratamento | Colunistas

Rinite Alérgica: Abordagem e Tratamento | Colunistas

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Imagem de perfil de Luis Guilherme Andrade

A rinite alérgica é a doença crônica mais comum do mundo, com prevalência de 10 a 30%. É definida como inflamação nasal e de estruturas adjacentes, decorrente da exposição de alérgenos. Clinicamente, caracteriza-se por um ou mais dos seguintes sintomas: espirros, rinorreia, prurido (nasal, conjuntival e/ou faríngeo) e congestão nasal. Essas manifestações podem ser intermitentes ou persistentes e apresentam caráter hereditário, sem preferência por sexo ou etnia. Pode se manifestar em qualquer idade, com pico de incidência na infância e adolescência. Muitas vezes acomete pacientes atópicos e associa-se com dermatite atópica, alergia alimentar, urticária e/ou asma. 

Embora comumente seja sazonal por ser provocada por pólens transportados pelo ar, a rinite pode ser perene em ambiente de exposição crônica a ácaros de poeira doméstica, pelo de animais ou produtos de baratas. 

Classificações

A rinite alérgica pode ser classificada de acordo com persistência e gravidade dos sintomas.

  • Intermitente: ocorre < 4 dias/semana ou < 4 semanas. 
  • Persistente: ocorre > 4 dias/semana e > 4 semanas.
  • Leve: paciente apresenta sono normal, atividades diárias, como esporte, lazer, escola e trabalho, normais e sem sintomas importunos.
  • Moderada a Grave: caso tenha sono anormal, prejuízo de atividades diárias ou sintomas importunos. 

Diagnóstico

É clínico, sendo necessário avaliar tempo de evolução, sintomas e outras atopias, história familiar e características dos ambientes de habitação e trabalho. 

Os testes diagnósticos existentes baseiam-se na demonstração de IgE específica para antígenos inalatórios da pele (teste cutâneo) ou no sangue, como RAST ou o IMUNOCAP. Os pacientes que se beneficiam desses testes são aqueles com rinite persistente com sintomas moderados a graves, já que são os mais refratários ao tratamento usual, demandando mais atenção. 

Manifestações Clínicas

Antecedentes Pessoais e Familiares de Atopia e Fatores de Risco

São informações importantes, porque quando um dos pais é alérgico, a possibilidade de os filhos serem aumenta muito, chegando a mais de 80%. A presença de rinite em asmáticos pode ser de 58% ou mais. Ambas as doenças têm os fatores desencadeantes, fisiopatologia de inflamação de mucosa e a hiperreatividade iguais. Existe associação entre eczema, urticária e alergias do TGI. 

Sinais e Sintomas

A idade de início é precoce, dos 5 aos 20 anos. O prurido pode ser no nariz, palato, olhos, faringe, laringe e ouvidos. A rinorreia é normalmente clara, sendo anterior e/ou posterior. A primeira causa espirros e limpeza frequente do nariz; a segunda, roncos, secreção pós-nasal e limpeza constante da garganta. A obstrução nasal pode ser bilateral ou apresentar-se como um aumento exagerado do ciclo fisiológico nasal, com obstrução intermitente, alternando de uma fossa a outra. Quando a congestão é intensa, pode estar associada à anosmia, hiposmia e ageusia. Sintomas oculares incluem prurido, lacrimejamento e hiperemia conjuntival. A disfunção tubária é manifestação ocasional, cujas queixas são estalidos e estouros nos ouvidos. Os sintomas sistêmicos mais associados são mal-estar, cansaço, irritabilidade e agitação para dormir. 

Exame Físico

Podem apresentar fácies de edema palpebral e cianose periorbitária, devido à estase venosa pela obstrução nasal crônica. À rinoscopia apresenta-se com mucosa hiperemiada ou pálida, edematosa e secreção hialina. Paciente pode ser respirador oral. 

Exames Complementares

Incluem o teste cutâneo, IgE específica do sangue e citológico nasal. Entretanto, são indicados para pacientes com rinite persistente moderada a grave. 

Tratamento

Controle Ambiental

A higiene ambiental diminui sintomas e crises e consiste em evitar contato com irritantes, como produtos de limpeza, produtos químicos, fumaça do cigarro e poluentes. Além disso, a redução dos alérgenos mais comuns, como ácaros, baratas, animais domésticos, pólens e fungos, pode beneficiar pacientes se a alergia for a esses alérgenos. 

Soluções Salinas

As soluções salinas fisiológicas intranasais, nebulizadores e duchas são usadas para o tratamento das rinossinusites crônicas. Seus efeitos incluem limpeza do muco nasal, secreções purulentas, restos celulares e crostas. A lavagem nasal limpa as VAS e é o tratamento mais conservador, pois não tem efeitos adversos.

Descongestionantes

Aliviam a congestão e reduzem rinorreia, mas não tem efeito sobre prurido e espirros. Descongestionantes orais são agonistas alfa-adrenérgicos, podem ser administrados via tópica ou sistêmica, sendo que ambas apresentam efeitos sistêmicos. Os efeitos adversos incluem insônia, irritabilidade e palpitações. Os de aplicação tópica têm início de ação muito rápido. Não devem ser usados mais de 5 a 7 dias, pelo risco de desenvolvimento de taquifilaxia e efeito rebote do edema da mucosa e consequente rinite medicamentosa, o que leva o paciente a sempre ter de usar o medicamento para ter alívio. Além disso, reduz FS da mucosa e, a longo prazo, pode causar destruição do epitélio e perfuração septal. 

Cromoglicato Dissódico

Estabiliza a membrana dos mastócitos, diminuindo sua degradação, e reduz entrada de cálcio na célula, o que reduz liberação de histamina. Clinicamente, controla espirros, rinorreia e prurido. O efeito pleno surge entre 2 e 4 semanas de uso, sendo principais efeitos colaterais irritação local, espirros e possui gosto amargo. É seguro em crianças. 

Anti-Histamínicos

Os anti-histamínicos são divididos em clássicos e não clássicos. O mecanismo de ação é antagonismo com receptores H1, auxilia redução da hiperreatividade das vias aéreas e aumenta motilidade ciliar do epitélio nasal. Os anti-histamínicos clássicos ou de primeira geração possuem efeitos adversos bastante indesejáveis, como sedação e interações medicamentosas. Não são recomendados atualmente. Os novos anti-histamínicos, chamados não sedativos ou de segunda geração, são o tratamento de primeira escolha para crises de rinite alérgica. Os anti-histamínicos de primeira geração causam efeitos sedativos, colinérgicos e disfunção psicomotora. Os anti-histamínicos de segunda geração têm menos capacidade de passar BHE e, por isso, efeitos colaterais são menores. 

Antileucotrienos

São classe envolvida em bloquear a ação dos leucotrienos envolvidos na asma e rinite alérgica. Possuem efeito anti-inflamatório e broncodilatador. Foram usados primariamente para o tratamento da asma e agora são usados para o tratamento de rinite alérgica, sendo o montelucaste o mais usado. 

Corticoides Tópicos

O uso de corticoides tópicos intranasais é a monoterapia mais efetiva para qualquer forma de rinite, pois é eficaz a todos os sintomas de rinite, incluindo a congestão. Portanto, é o padrão-ouro. O tempo de início de ação é maior que o dos anti-histamínicos, levando 12 horas. Os efeitos colaterais são mais importantes, por isso deve-se ter cuidado na indicação. 

Imunoterapia

É a única forma capaz de alterar a evolução natural da doença, com indicação somente nos casos mais graves, devendo ser feita por tempo prolongado, de no mínimo 3 anos. É indicado pelo especialista. 

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Conclusão

A rinite alérgica é uma doença extremamente comum, porém, na maioria dos pacientes, é leve e facilmente tratável. Entretanto, deve-se sempre classificar o paciente para oferecer o tratamento correto e, assim, oferecer o controle da doença e a melhor qualidade de vida. 

Autor: Luis Guilherme Miranda de Oliveira Andrade

Instagram: @luis.gandrade

Referências

Harrisson Medicina Interna 20 ed. 

Rotinas em Otorrinolaringologia, 2014. 

Melhorsaude.org

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.