Oncologia

Risco de câncer: Uma garrafa de vinho equivale de 5 à 10 cigarros? | Colunistas

Um estudo do Hospital Universitário de Southampton provocou grande polêmica ao associar os malefícios do vinho e do cigarro. Há muitos cientistas renomados, como Ruth Etzioni, do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson (EUA), que acha essa comparação alarmista, uma vez que os canceres comprovadamente estimulados pelo tabagismo não são os mesmos que os supostamente incitados pelo Álcool.

Metodologia
Thereza Hydes, principal autora da pesquisa afirmou que a estratégia utilizada foi “Um cálculo baseado em grandes estudos anteriores” no qual concluíram entre homens e mulheres não fumantes que ingerem uma garrafa de vinho por semana, os risco de desenvolver uma neoplasia aumenta de 1% e 1,4% respectivamente.
Nos homens há um maior aumento de câncer gastrointestinal e nas mulheres do câncer de mama. Os defensores desse estudo, em busca de dar maior legitimidade à pesquisa, se apagam no fato do Cigarro não ter influência relevante no aumento de câncer de mama.

Resultado
O desfecho do estudo foi polêmico, concluiu que uma garrafa de vinho equivale a 5 cigarros para homens, 10 para mulheres, no quesito de risco à neoplasias.

Críticas
Da mesma forma que existem profissionais renomados, como Etzioni, que acredita que questionar “Quantos cigarros há em uma garrafa de vinho?” é algo sensacionalista; existem profissionais que dizem o contrário, como Mark Petticrew, professor de avaliação de saúde pública da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, na Inglaterra.
Hydes assegura que a relacionar o cigarro ao álcool foi uma forma de chamar atenção e conscientizar a população sobre as temeridades do álcool. Vale ressaltar que 70% dos americanos não associam o alcoolismo ao câncer, segundo uma pesquisa de 2017 da Sociedade de Clínica Oncológica Americana.

Conclusão
Por fim, esse estudo concluiu que o consumo de álcool não traz nenhum benefício à saúde. É verdade que há algumas outras pesquisas que trazem possíveis benfeitorias provocadas pelo álcool, porém Petticrew é bem claro: “Mesmo que tal efeito protetor seja real – o que é contestado -, ele está relacionado apenas a doenças cardíacas, e existem cerca de 200 outras condições pelas quais o álcool aumenta o risco, incluindo o câncer”. Logo, o ideal é não consumir álcool, mesmo em pequenas quantidades.

Curiosidades
É comum nos ambulatórios chegarem pacientes que não se consideram etilistas apesar de consumirem uma grande quantidade de álcool. Esse comportamento de não enxergar o exagero de ingestão de bebida alcoólica é associado à falta de informação dos malefícios que ela causa e dos transtornos graves à saúde destes à médio ou longo prazo.

REFERÊNCIAS

https://hypescience.com/risco-de-cancer-uma-garrafa-de-vinho-equivale-a-5-a-10-cigarros/
https://www.webmd.com/cancer/news/20190403/cancer-risk-bottle-of-wine-equals-5-10-cigarettes#4
https://bmcpublichealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12889-019-6576-9

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