Sem Categoria

Robótica na medicina: O robô cirurgião e o homem híbrido | Colunistas

Existe uma coisa que você precisa entender antes de opinar sobre robotização na medicina e hibridismo entre homem e máquina. E, para isso ficar mais claro para você, eu vou começar te contando uma história.

1. O homem que virou máquina

            A 50 anos atrás, em qualquer canto do Brasil, tudo que era plantado deveria ser colhido e era colhido manualmente. Milhares de trabalhadores migravam, às vezes de cidade, em busca da colheita do café ou do milho. Eram treinados muitas vezes pela própria necessidade da mão de obra, afinal, o trabalho era escasso, pouca educação e muitas bocas para alimentar. Muitas famílias viviam da colheita manual. Comunidades foram criadas, existiam grupos maiores de 100 a 200 trabalhadores que, organizados, realizavam colheitas com números impressionantes.

            Até mesmo as pequenas propriedades usavam desse tipo de mão de obra. Por muitos anos foi assim. E o que mudou? Sinceramente, muitos lugares ainda funcionam assim, mas por muito tempo esses trabalhadores viram gradualmente máquinas ocuparem seus espaços. Se no começo eram máquinas menores que pouco ajudavam sem o controle do homem por trás dos botões, rapidamente a robotização tomava conta, de forma que cada 1 colheitadeira substituía 100 funcionários. No começo, isso aconteceu nas grandes propriedades e o trabalho apenas se adaptou, até porque existiam muitos produtos a se colher além de café ou milho.

            Com o passar dos anos, a robotização chegou até em pequenas propriedades, mesmo que não por tempo integral, mas estavam lá, marcando presença, tornando-se híbridas. Eu sempre imagino que provavelmente você escutaria isso se rodasse os milharais a 20 anos atrás: “Essas maquinas não param de chegar. Daqui a pouco não vão precisar mais da gente”.

            E isso se repetiu por muitos anos até não se escutar o barulho da bota e das conversas, do cheiro do fumo e das bocas que mastigavam as marmitas sob o sol das lavouras. Hoje, ouve-se o som calmo e esperado das engrenagens.

            Daqui para frente, cabe a você perceber o avanço e não se colocar contra ele. Não nadamos contra a maré, mas a usamos a nosso favor. Você já é um médico robô, com aplicativos e fórmulas dentro da máquina que chamamos de smartphone. Como ele se adapta diariamente construindo meios para resolver sua vida, você deve se adaptar para resolver os problemas do meio. A robotização é um passo dado há muito tempo e não estamos discutindo se deve ou não acontecer. A obviedade é clara, e falar mais sobre isso é redundância.

            Sejam em cirurgias superavançadas ou em pequenos procedimentos o futuro caminha para a robotização da medicina e a transformação de homens híbridos. Não é de se assustar imaginar próteses biorrobóticas nos próximos 30 a 50 anos.

            Antes que você se pergunte se estou certo ou errado, o que você prefere: lutar contra a tecnologia ou voltar 500 anos e viver a época da peste? Eu já sei a minha resposta: vou aonde a tecnologia vai, e prefiro viver num mundo de médicos robôs ou robôs médicos. Seja o que for, se prepare.

Autor: Rômulo Oliveira

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo
Fechar