Coronavírus

Saiba o que mostra o estudo de prevalência da Covid-19 no Brasil

Saiba o que mostra o estudo de prevalência da Covid-19 no Brasil

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Sanar Saúde

5 minhá 281 dias

Um estudo recém-lançado ajuda a traçar um panorama da pandemia do novo coronavírus no Brasil, para além dos casos notificados pelas autoridades sanitárias. A pesquisa “Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil: Estudo de Base Populacional” foi coordenada pelo Centro de Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com financiamento do Ministério da Saúde.

A ideia é que os resultados sejam utilizados como base para formulação de estratégias de combate à pandemia de Covid-19 e de ações de prevenção. Isso porque se considera que as informações oficiais não refletem a real prevalência da pandemia, vide as limitações impostas pela própria doença.

Primeiramente, mais de 60% dos casos é leve ou assintomática, mas essas pessoas também podem transmitir a doença. Em segundo lugar, apenas pessoas com sintomas mais graves tendem a fazer o teste de Covid-19.

O consenso em epidemiologia é que entender a magnitude do problema de saúde em toda a população, não em subgrupos, é fundamental para que sejam desenvolvidas estratégias de saúde pública. Por outro lado, identificar o impacto da pandemia é necessário para planejar a volta gradativa das atividades socioeconômicas.

Metodologia do estudo

A pesquisa foi desenvolvida a partir de três inquéritos transversais repetidos a cada 15 dias, em 133 municípios de todas as regiões do país. Em cada cidade, setores censitários foram selecionados com probabilidade proporcional ao tamanho.

Já dentro dos setores, os pesquisadores selecionaram domicílios aleatoriamente para, então, também aleatoriamente, escolher um morador a ser entrevistado e testado. A cada novo inquérito a amostragem incluiu os mesmos setores censitários, mas domicílios diferentes daqueles incluídos nos inquéritos anteriores.

Foram usados 150 mil testes rápidos que detectam a presença de anticorpos IgM (infecção mais recente) e IgG (infecção mais antiga) para o coronavírus. Foram entrevistadas e testadas 89.397 pessoas de todas as regiões do país, entre maio e junho de 2020.

Além de testagem para Covid-19, foram coletadas outras informações. Entre elas: sexo, idade, escolaridade do respondente, escolaridade da pessoa com maior grau de instrução no domicílio e cor da pele autorreferida. Os entrevistadores perguntaram ainda sobre sintomas de Covid-19 nos 15 dias anteriores e diagnóstico médico de enfermidades referentes ao prognóstico de pacientes com Covid-19.

Os dados foram coletados pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). A primeira fase de coleta foi entre 14 e 21 de maio, totalizando 25.025 entrevistas e testes; a segunda, entre 04 e 07 de junho, com 31.165 entrevistas e testes; e a terceira, entre 21 e 24 de junho, com 33.207 entrevistas e testes.

Resultados alcançados

De acordo com o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, o estudo não faz um retrato do país. No entanto, mostra áreas em diferentes etapas de enfrentamento à Covid-19.

Um dos principais resultados mostra que as taxas de infecção variam de 0 a 20% entre os 133 municípios analisados. Isso reforça a necessidade de diferentes respostas a cada município.

No geral, a diferença entre o número de pessoas infectadas é seis vezes maior do que o número de casos notificados. Esse resultado já era esperado, considerando que a maior parte dos casos é leve ou assintomática. No entanto, o Ministério da Saúde considera necessário confrontar os resultados com outros estudos disponíveis, já que as estimativas apontam número ainda maior.

O estudo mostra ainda que a taxa de mortalidade do estudo está próxima de 1%. Esse resultado é 75% menor do que o obtido com a notificação oficial, que passa de 4%, mas é maior do que taxas apontadas em outros estudos científicos.

Outro achado é que 91% das pessoas infectadas sentiram algum tipo de sintoma, com maior destaque para alterações de olfato e paladar. Os resultados indicam ainda avanço da Covid-19 entre os mais pobres. Além disso, a prevalência da doença entre os indígenas autodeclarados que vivem em área urbana está acima da média.

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