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Saúde da criança: monitorização do crescimento, desenvolvimento e alimentação saudável | Colunistas

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Este resumo tem o viés de orientar condutas frente à saúde da criança conforme a orientação da caderneta de saúde da criança.

Monitoração de crescimento

A Caderneta de Saúde da Criança utiliza como parâmetros para avaliação do crescimento de crianças (menores de 10 anos) os seguintes gráficos: perímetro cefálico (de zero a 2 anos), peso para a idade (de zero a 2 anos, de 2 a 5 anos e de 5 a 10 anos), comprimento/estatura para a idade, índice de massa corporal (IMC) para a idade.

Sobrepeso ou obesidade

• Verifique a existência de erros alimentares, identifique a dieta da família e oriente a mãe ou o cuidador a administrar à criança uma alimentação mais adequada, de acordo com as recomendações para uma alimentação saudável para a criança. 

• Verifique as atividades de lazer das crianças, como o tempo em frente à televisão e ao videogame, estimulando brincadeiras que aumentem a atividade física.  

• Encaminhe a criança para o Nasf, se tal possibilidade estiver disponível. 

• Realize a avaliação clínica da criança.

Magreza ou peso baixo para a idade

Para crianças menores de 2 anos: 

• Investigue possíveis causas, com atenção especial para o desmame.  

• Oriente a mãe sobre a alimentação complementar adequada para a idade. 

• Se a criança não ganhar peso, solicite seu acompanhamento no Nasf, se tal possibilidade estiver disponível.  

• Oriente o retorno da criança no intervalo máximo de 15 dias.

Para crianças maiores de 2 anos: 

• Investigue possíveis causas, com atenção especial para a alimentação, para as intercorrências infecciosas, os cuidados com a criança, o afeto e a higiene.  

• Trate as intercorrências clínicas, se houver.  

• Solicite o acompanhamento da criança no Nasf  

• Encaminhe a criança para o serviço social  

• Oriente a família para que a criança realize nova consulta com intervalo máximo de 15 dias.

Magreza acentuada ou peso muito baixo para a idade

• Investigue possíveis causas, com atenção especial para o desmame, a alimentação, as intercorrências infecciosas, os cuidados com a criança, o afeto e a higiene. 

• Trate as intercorrências clínicas, se houver. 

• Encaminhe a criança para atendimento no Nasf.  

• Encaminhe a criança para o serviço social, se este estiver disponível.  

• Oriente a família para que a criança realize nova consulta com intervalo máximo de 15 dias.

Acompanhamento do desenvolvimento

Desenvolvimento é o aumento da capacidade do indivíduo na realização de funções cada vez mais complexas. A avaliação do desenvolvimento deve fazer parte de todas as consultas pediátricas, pois como na maioria das vezes a busca pela atenção médica é motivada por queixa específica e determinada pelos pais.

Chamamos de desenvolvimento neuropsicomotor o conjunto de todas as reações da criança, todo o seu comportamento que evolui progressivamente ao longo do tempo sob a forma de funções e habilidades cada vez mais específicas. Esses comportamentos, exemplificados pelas reações da criança ao meio, são nas fases iniciais da vida reações reflexas e estereotipadas, e progressivamente, vão se tornando voluntárias e aprendidas. As bases fisiológicas que explicam esta evolução neuropsicomotora assentam-se no próprio crescimento somático e desenvolvimento (mielinização, formação e remodelamento sinápticos) das vias motoras, sensitivas, sensoriais, de linguagem, raciocínio e memória dos sistemas nervoso central e periférico. Estudar o desenvolvimento neuropsicomotor infantil implica avaliar o ganho de funções e habilidades nas cinco grandes áreas ou condutas:

1. Conduta adaptativa: compreendem as reações da criança frente aos estímulos apresentados (ex.: bola, argola, chocalho, cubos), e que dependem da interação da sua capacidade motora, sensorial, de coordenação e cognitiva para adequada exploração e aprendizagem. É considerada a conduta precursora da inteligência, aquela na qual é avaliada a capacidade da criança em “resolver” problemas e aprender a partir de novas experiências.

2. Conduta motora fina: compreendem as habilidades cada vez mais precisas e específicas com o uso da mão e dedos, garantindo-lhe a exploração cada vez mais delicada do objeto. É muitas vezes estudada juntamente com a conduta adaptativa.

3. Conduta motora grosseira: compreendem as habilidades motoras gerais, como sustentar cabeça, tronco, sentar-se, rolar, engatinhar, andar, pular e assim por diante. Também é uma conduta dependente da interação das vias motoras centrais e periféricas, assim como órgãos dos sentidos especiais e vias de equilíbrio.

4. Conduta de linguagem: referem-se à capacidade de compreender e exprimir sensações e pensamentos. Incluem as reações de comunicação não verbal.

5. Conduta pessoal-social: referem-se às reações da criança frente às outras pessoas (mãe, pai, examinador, brincadeiras com outras crianças) e frente às situações de vida diária (alimentação, sono, higiene, vestimenta, controle esfincteriano).

A sequência do desenvolvimento neuropsicomotor ocorre no sentido céfalo-caudal, proximal- distal e da borda ulnar-borda radial.

Alimentação saudável

O aleitamento materno deve ser exclusivo até os seis meses de idade e complementado até os dois anos ou mais. Por volta dos seis meses de vida a criança já tem desenvolvidos os reflexos necessários para a deglutição, como o reflexo lingual, manifesta excitação à visão do alimento, sustenta a cabeça, facilitando a alimentação oferecida por colher e tem-se o início da erupção dos primeiros dentes, o que facilita na mastigação. Além disso, a criança desenvolve ainda mais o paladar e, consequentemente, começa a estabelecer preferências alimentares, processo que a acompanha até a vida adulta.

A introdução dos alimentos complementares deve ser lenta e gradual. A mãe deve ser informada de que a criança tende a rejeitar as primeiras ofertas do(s) alimentos(s), pois tudo é novo: a colher, a consistência e o sabor.  A alimentação deve complementar o leite materno e não o substituir. A partir da introdução dos alimentos complementares é importante oferecer água à criança, frutas, legumes e verduras apresentam na sua composição importantes vitaminas e mineras que contribuem para o crescimento das crianças.

Ao completar 6 meses, dar alimentos complementares três vezes ao dia, se a criança estiver em aleitamento materno. A introdução dos alimentos complementares deve ser feita com colher ou copo, no caso da oferta de líquidos. As carnes são importante fonte de ferro e a partir dos 6 meses, sempre que possível, devem estar presentes nas papas salgadas.  Alimentos fontes de vitamina C devem ser oferecidas junto à refeição principal ou após a refeição para aumentar a absorção do ferro.

Ao completar 6 meses a mãe deve oferecer 3 refeições/dia com alimentos complementares. Essas refeições constituem-se em duas papas de frutas e uma salgada. Já ao completar 7 meses, essas refeições constituem-se em duas papas salgadas e duas de fruta. Ao completar 12 meses recomenda-se que a criança tenha três refeições principais e dois lanches.

A técnica de amamentação: 

• A cabeça do bebê está no mesmo nível da mama da mãe e o queixo está tocando-a. 

• As bochechas estão arredondadas ou achatadas contra a mama. 

• A mama parece arredondada, não repuxada. 

• As sucções são lentas e profundas (sucção, deglutição e respiração). 

• A mãe pode ouvir o bebê deglutindo. 

• Posição de barriga com barriga e um dos braços está ao redor do corpo da mãe. 

• A cabeça e o corpo do bebê estão alinhados. 

• A mãe está sentada de forma confortável e relaxada.

Autora: Letícia Bucinsky Orengo – @let.orengo

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referência:

BRASIL. Ministério da Saúde . Caderneta de saúde da criança – menino. 8 ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 92p.

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