Ciclos da Medicina

Síndrome de Burnout na pandemia | Colunistas

Síndrome de Burnout na pandemia | Colunistas

Compartilhar

Fernanda Silveira Vieira

8 minhá 12 dias

Síndrome de Burnout, um esgotamento emocional na pandemia. Como funciona, causas, sintomas, prevenção e um pouco mais.

“Foto- Jonathan Borba.”

Ei, você mesmo aí. Já ouviu falar sobre a síndrome de Burnout?

Sabia que ela causa um esgotamento físico e mental nos profissionais, quando expostos a uma alta carga horária de trabalho? Isso mesmo, é o que muitos dos nossos profissionais de saúde brasileiros estão passando neste momento tão difícil da COVID-19.

A primeira vez que esse termo foi usado, ocorreu em 1599, quando Shakespeare escreveu a obra “The Passionate Pilgrim”, e vieram muitos outros famosos na literatura que usufruíram desse vocábulo, no qual o sentido é o mesmo, desgaste profissional.

Mas, como ocorre?

Vamos imaginar que somos forçados a vermos coisas que não queremos ver ou fazer, e ficamos sob constante pressão. Automaticamente, isso vai nos gerar uma ansiedade e um nervosismo insistente. Conforme o tempo vai passando, esse ciclo vai piorando até que a bomba explode e você precisa se afastar do que te faz mal e se recuperar.

Onde o cérebro é afetado?

O estresse afeta principalmente o hipocampo do cérebro, onde há o processo de geração de novos neurônios, e, posteriormente, afeta a memória e a atenção.

A preocupação libera adrenalina(epinefrina) e cortisol, que interferem no funcionamento do cérebro e coração, como também diminui a imunidade.

A adrenalina é de extrema importância para nós, pois é uma substância produzida na glândula adrenal. Ela é liberada através de estímulos no sistema simpático por fibras impulsionadas pela noradrenalina.

Então, a adrenalina é captada pelo EMT (Transportador extra neural de monoaminas e metabolizada pelas enzimas monoamino-oxidase (MAO) e a catecol-O-metiltransferase (COMT) e, assim, liberadas pela urina.

O cortisol é produzido pelas glândulas suprarrenais, e se localizam acima dos rins, tem por objetivo e função reduzir inflamações, ajudar no controle do sistema imunológico e diminuir inflamações. Além disso, tem forte influência no domínio do estresse, açúcar no sangue e PA.

Quando ocorre uma queda de cortisol no sangue, o nosso corpo produz hormônios adrenocorticotróficos, que estimula a liberação de cortisol através das glândulas suprarrenais e adrenais.

E os sintomas? Como são?

Como disse, é um ciclo, então sempre são os mesmos sintomas, mas o grau de piora aumenta conforme o paciente não trata a doença.

Veja abaixo alguns dos sintomas:[1] 

Por: “Fernanda Silveira Vieira.”

E o tratamento? Como pode ocorrer?

Pode ser feito com medicamentos antidepressivos, através de um acompanhamento adequado com um profissional da saúde, terapias semanais. E, muitas das vezes, um afastamento do exercício do trabalho.

Através de terapeutas:para que o paciente pense em medidas para reduzir a pressão, se conhecer e se afastar quando necessário.

Fármacos: com antidepressivos e ansiolíticos em casos mais graves e com acompanhamento de profissionais especializados.

Intervenções psicossociais: necessidades de afastamento, com condutas orientadas e direitos do cidadão.

Existe alguma escala de prioridade de casos?

Sim, existe. Há três dimensões, entre elas estão:

  • Exaustão emocional.
  • Despersonalização.
  • Realização profissional reduzida.

E o que são cada uma delas?

Que tal uma tabela piramidal explicando cada uma?[2] 

Por: “Fernanda Silveira Vieira.”

Qual o quadro clínico?

Muitos dos pacientes desenvolvem a doença através do trabalho, em virtude de a profissão ser cansativa e a carga horária pesada     .

Costumam se queixar de desgaste e exaustão emocional.

Sentimentos de negatividade, afastamento social e insensibilidade, como a dificuldade de chorar.

Muitas das vezes, sentem-se incompetentes e sem sucesso.

Grande porcentagem de cansaço físico, mental, emocional.

Fadigas, depressão, ansiedade.

Dificuldades de fazer o que antes era rotineiro.

Insônia, fadiga, desinteresse pelo que antes lhe trazia prazer.

Constante angústia; temores e inquietações.

Falta de empatia, entre outros.

Epidemiologia:

Tal síndrome afeta especialmente aqueles profissionais que possuem contato com o seu público-alvo, como educadores, profissionais da área de saúde, policiais urbanos, assistentes sociais, agentes penitenciários, profissionais da área de direito, administradores, etc.

E os que estão sob maior risco de desencadear a Burnout são os que se encontram sob constante mudanças nas jornadas de trabalho e um alto índice de competitividade entre os demais.

De acordo com dados mais diretos, 92% dos que desenvolvem tal doença, continuam trabalhando após diagnóstico. Sendo que afeta 26% dos educadores e 40% dos médicos.

Prevenção:

Mudanças de rotinas.

Restrições em relação ao trabalho.

Diminuição da intensidade em relação ao expediente.

Organizações semanais.

Menos competitividade em relação aos colegas de trabalho.

Assistência psicológica.

Modificações em casa, em relação às atividades de lazer, como viajar mais.

Atividades físicas.

Evitar álcool, tabaco e/ou outras drogas.

Ter um círculo social que te influencia a ser melhor etc.

Como diminuir o estresse gerado pela pandemia com segurança?

Faça atividades físicas regularmente (em casa).

Mantenha os familiares que moram com você acolhidos.

Tenha um tempo para você.

Faça leituras saudáveis.

Evite ler notícias ruins etc.

Como está sendo a síndrome de Burnout na pandemia?

A pandemia está nos trazendo muitos problemas, entre eles a cobrança por perfeccionismo, estamos trabalhando ou estudando cada vez mais para ter os resultados que queremos. Estamos em constante mudança, seja no local que nos localizamos ou como mantemo-nos diante das dificuldades. Temos excessos de informações todos os dias, e estamos sujeitos a diversas doenças psíquicas. 

Todos os dias morrem pessoas necessitando de oxigênio, clamando para sobreviver. Profissionais da saúde cansados, marcados pela desesperança do amanhã, machucados internamente por presenciarem tantas pessoas morrendo e não podem fazer nada, pois lhes falta ar, e mesmo sabendo que tentaram de tudo para que aquele pai de família sobrevivesse, não foi possível para sanar a dor da perda. A cada dia que passamos, estamos vendo aquela curva aumentar, sentimos o desespero no olhar de cada um.

Esperamos que a pandemia ensine a todos a serem mais humanos, pensar no outro antes de agir e viver a cada momento, pois nunca sabemos quando será a última vez. Mas, enquanto isso não acontece, vamos ficar em casa e nos prevenir.

Gostou do artigo? Quer ter o seu artigo no Sanarmed também? Clique no botão abaixo e participe

Referências:

Desvendando o BURNOUT- Uma análise interdisciplinar da Síndrome do Esgotamento Profissional.

Ministério da Saúde do Brasil. Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde / Ministério da Saúde do Brasil, Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil; organizado por Elizabeth Costa Dias; colaboradores Idelberto Muniz Almeida et al. – Brasília: Ministério da Saúde do Brasil, 2001.

 MENDES, René. Patologia do trabalho. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2013. 2v.

Cobrança por produtividade na pandemia pode levar à síndrome de Burnout – https://jornal.usp.br/.

OMS lista práticas para diminuir estresse gerado pelo Covid-19- Panrotas Corporativo.

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.