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Síndrome de Fibromialgia: hipóteses fisiopatológicas, diagnóstico e tratamento | Colunistas

Síndrome de Fibromialgia: hipóteses fisiopatológicas, diagnóstico e tratamento | Colunistas

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Laura Soncim

6 min há 7 dias

Introdução 

Você sabe o que é a Síndrome de Fibromialgia, sua fisiopatologia, como diagnosticar e o tratamento? Caso não saiba irei te contar um pouco sobre essa síndrome tão importante na prática médica.

A Síndrome de Fibromialgia (SFM) se caracteriza por ser uma síndrome de amplificação da dor, e os indivíduos que apresentam essa síndrome são extremamente sensíveis aos estímulos dolorosos e não-dolorosos, como toque, calor e frio e estímulos mecânicos. Ademais, deve-se afirmar que essa hipersensibilidade dos pacientes com fibromialgia não se limita apenas à dor, como também inclui os estímulos luminosos, sonoros e olfatórios. A causa exata dessa hipersensibilidade exagerada dos pacientes com SFM não foi encontrada, entretanto diversos estudos mostraram anormalidades no processamento da dor no SNC. 

A sensibilização central é conhecida como uma das principais causas, indicando redução do limiar nociceptivo no corno dorsal da medula espinhal e no encéfalo. Uma característica importante da sensibilização é que se necessita de baixa estimulação nociceptiva nos tecidos periféricos para a manutenção do estado sensibilizado e da dor crônica. Portanto, pacientes fibromiálgicos apresentam fadiga crônica (acordam cansados) sono não reparador e dor difusa pelo corpo, sintomas os quais são os principais desta síndrome.

Fatores que influenciam a SFM:

-Predisposição genética: Diversos estudos sugeriram que os parentes dos pacientes com SFM têm taxas de incidência dessa doença mais altas, e também apresentam frequência elevada de alguns distúrbios associado como a síndrome do cólon irritável, síndrome da fadiga crônica, enxaqueca, e transtornos de humor.

-Eventos desencadeantes: sinais e sintomas da SFM podem se dar quando indivíduos geneticamente predispostos são expostos a alguns fatores ambientais desencadeantes, que podem provocar as manifestações clínicas. A maioria das exposições ambientais descritas como eventos desencadeantes de SFM pode ser classificada como “estressores”, inclusive traumatismo físico, infecções, sofrimento emocional, distúrbios endócrinos e ativação imunológica que, em alguns casos, provoca distúrbios auto-imunes.

-Sensibilização Central: Envolve alterações funcionais do SNC (neuroplasticidade) que acarreta fatores como: excitabilidade exagerada dos neurônios da medula espinhal depois de uma lesão, ampliação dos campos receptivos desses neurônios, redução do limiar da dor, recrutamento de novos estímulos aferentes. 

Como a SFM afeta o cotidiano do indivíduo

Os pacientes com SFM relatam sensibilidade anormal ou exagerada à dor; de modo que essa hipersensibilidade se espalha para áreas que não possuem estímulo direto e a dor é gerada pelos mecanorreceptores de limiar baixo, que normalmente não processam a dor. Desse modo, a lesão dos tecidos pode levar a uma expansão dos campos receptivos do corno dorsal e sensibilização central. Diante disso, é necessário pouquíssima estimulação nociceptiva adicional para se manter o estado sensibilizado. Assim, atividades cotidianas podem ser afetadas e contribuir para a manutenção dos estados dolorosos crônicos. 

Diagnóstico de fibromialgia

O paciente deve apresentar dor musculoesquelética em todos os quatro quadrantes do corpo e também na região lombar, enfatizando que a dor deve ser crônica (no mínimo há 3 meses) e não necessita ocorrer em todos os quadrantes ao mesmo tempo. Outro sinais apresentados podem ser:

  • Insônia e fadiga
  • Alodinia mecânica (pontos dolorosos)
  • Sensibilização central (dor profunda que aumenta progressivamente)
  • Resposta anormal ao estresse
  • Disautonomia (variabilidade anormal da frequência cardíaca, hipotensão mediada por mecanismos neurais)

Os pontos dolorosos são utilizados para avaliar a alodinia mecânica e podem ser testados pela compressão com o polegar e para um indicativo positivo de SFM espera-se que o limiar da dor seja atingido com a compressão. Portanto, o diagnóstico de fibromialgia é essencialmente clínico e por exclusão de diagnósticos diferenciais.

Figura 1: pontos dolorosos
Roenn, J.H. V.; Paice, J. A.; Preodor. Current diagnóstico e tratamento Dor. 2010, ed. 1

Avaliação laboratorial da SFM

            Normalmente pacientes com SFM não apresentam anormalidades laboratoriais específicas, mas foram descritos níveis altos da substância P e do fator de crescimento neural no líquido cefalorraquidiano em 3 estudos diferentes. Ademais, alguns estudos já demonstraram também níveis reduzidos de serotonina e noradrenalina no líquido cefalorraquidiano. Entretanto, os outros exames laboratoriais se encontram normais com essas exceções.

Figura 2: Escala para avaliação da dor em pacientes com fibromialgia
Roenn, J.H. V.; Paice, J. A.; Preodor. Current diagnóstico e tratamento Dor. 2010, ed. 1

Diagnósticos diferenciais de fibromialgia

Muitas doenças sistêmicas podem causar dor difusa semelhante à SFM, inclusive a síndrome dolorosa miofascial, a polimialgia reumática, a artrite reumatóide, a síndrome de Sjögren, as miopatias inflamatórias, o lúpus eritematoso sistêmico, a esclerose múltipla e a síndrome de hipermobilidade articular. Para o diagnóstico de fibromialgia, precisa-se excluir todas essas doenças mencionadas, como também doenças inflamatória crônicas ou neoplásicas, disfunções tireoidianas, miopatias metabólicas  e inflamatórias, infecções crônicas como tuberculose, HIV ou hepatite B ou C.

Conclusão

A SFM é um Síndrome que é causada por uma hipersensibilidade central, normalmente desencadeada por eventos ambientais estressores em pessoas possivelmente com predisposição genética. O diagnóstico é essencialmente clínico e por exclusão de diagnósticos diferenciais e exames laboratoriais normalmente não representam grande significância no diagnóstico.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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REFERÊNCIAS

Roenn, J.H. V.; Paice, J. A.; Preodor. Current diagnóstico e tratamento Dor. 2010, ed. 1

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