Cardiologia

Síndromes hipertensivas na gestação: Conheça mais! | Colunistas

Síndromes hipertensivas na gestação: Conheça mais! | Colunistas

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Introdução

A gestação é um período crítico na vida da mulher, pois seu corpo está mantendo a homeostase de dois seres vivos, qualquer mínimo desequilíbrio pode pôr a vida da mãe ou do feto em risco. Dentre as síndromes hipertensivas do período gestacional, 3 delas se destacam, a hipertensão gestacional, a pré-eclâmpsia e a pré-eclâmpsia sobreposta. 

A primeira delas se dá pelo surgimento da hipertensão arterial (Pressão arterial – PA – Superior a 140/90 mmHg), sem outros sinais de pré-eclâmpsia (proteinúria, lesão de órgão alvo) em mulheres previamente normotensas e somente após a 20ª semana de gestação, o diagnóstico ocorre somente após o fim do quadro, pois para enquadrar-se como hipertensão gestacional essa alteração na PA precisa voltar a normalidade em até 12 semanas após a resolução do parto. 

A pré-eclâmpsia, por sua vez se dá por hipertensão arterial associada a um ou dois dos seguintes fatores, proteinúria (maior que 300 mg em 24 horas) ou lesão de órgão alvo (insuficiência hepática ou renal, trombocitopenia, edema agudo de pulmão), naquelas mulheres sem antecedentes de hipertensão arterial e após a 20ª semana. 

Por fim, a pré-eclâmpsia sobreposta se dá pela detecção de proteinúria associada a hipertensão arterial antes das 20 semanas de gestação, associada a um quadro de proteinúria ou lesão de órgão alvo após a 20ª semana. A pré-eclâmpsia propriamente dita, por sua vez, ainda pode se subdividir de acordo com a classificação cronológica, em precoce e tardia, precoce quando ocorre antes das 34 semanas de gestação e tardia quando ocorre após 34 semanas.

A proteinúria, termo tão importante na avaliação de quadros hipertensivos das gestantes consiste em pelo menos 300 mg de proteínas na urina de 24 horas, caso não se realize o exame da urina de 24 horas pode-se substituir pela relação proteína/creatinina (da urina), que quando superior a 0,3 mg/dL considera-se alterada e confirma diagnóstico!

Quadro Clínico

A pré-eclâmpsia não possui um quadro clínico bem especificado, suas principais características clínicas decorrem daquelas causadas pela alteração da pressão arterial e da falência de órgãos alvos, rins, fígado e sistema nervoso central.

Dentre os sinais inespecíficos temos: Anasarca (edema generalizado), cefaleia (moderada ou intensa), Distúrbios visuais (diplopia, escotoma), Confusão mental (obnubilação, torpor), Dor em região epigástrica ou em hipocôndrio direito, náuseas e vômitos, acidente vascular cerebral isquêmico (avci) ou acidente vascular cerebral hemorrágico (avch) – casos mais graves, oligúria (redução da urina).

Diagnóstico

O diagnóstico de uma síndrome hipertensiva gestacional consiste na avaliação da pressão arterial e nos resultados de exames laboratoriais.

Para a hipertensão gestacional apenas uma PA acima de 140 x 90 mmHg, após a 20ª semana e que cesse após as 12 semanas pós-parto.

Para a pré-eclâmpsia sobreposta, e a pré-eclâmpsia propriamente dita é necessário que além da alteração na pressão ocorra também proteinúria (acima de 300 mg na urina de 24 horas), ou comprometimento de órgão-alvo (Trombocitopenia – plaquetas menores que 100.000 – Insuficiência renal – creatinina acima de 1,1 – Comprometimento hepático – TGO e TGP – pelo menos 2 vezes o valor normal – Edema pulmonar, Sintomas cerebrais ou visuais)

Ademais, alguns exames laboratoriais são essenciais para a rotina da paciente com crise hipertensiva gestacional: Hemograma completo, desidrogenase láctica (DHL), Bilirrubina total e frações, TGO e TGP, ureia e creatinina, ultrassonografia obstétrica com doppler.

Ademais os sinais de gravidade da pré-eclâmpsia são: 

Pressão arterial maior que 160 mmHg ou maior que 110 mmHg, confirmada em duas medidas; 

Proteinúria maior que 2g em urina de 24 horas; 

Sintomas de iminência de eclâmpsia, alterações do sistema nervoso central (cefaleia, obnubilação, torpor), visual (escotoma, fotofobia, turvação/embaçamento) e gástricas (dor epigástrica ou no hipocôndrio direito, náusea, vômito).

Tratamento

A conduta da paciente com síndromes hipertensivas na gestação consiste em: manter o controle clínico e evitar a mortalidade fetal e/ou materna, isso se dá por meio do tratamento na emergência hipertensiva (uso de hidralazina), prevenção do surgimento da eclâmpsia (crise convulsiva – O sulfato de magnésio para prevenir novos crises convulsivas), uso de medicamentos para controle hipertensivo (opta-se pela metildopa). Caso nenhuma medida traga a resolução da situação e a vida da mãe esteja em risco indica-se a resolução da gestação por via cesariana.

Pacientes com crise hipertensiva gestacional devem ser acompanhados ambulatorialmente com pelo menos uma consulta por semana, até o momento do parto, para avaliar a evolução do quadro, a necessidade de internação e a necessidade da resolução da gestação. Ps: O plano terapêutico da paciente com pré-eclâmpsia é tentar levar a data do parto mais próximo possível da 37 semana de gestação.

Esse acompanhamento também deve ocorrer no período puerperal com a paciente retornando ao atendimento ambulatorial a cada 15 dias para avaliação pressórica, para avaliar a possibilidade de hipertensão arterial crônica.

Autoria: Saulo Borges de Brito

Dúvidas? 

Instagram:@saulo_bb 

Email:saulobb99@gmail.com

Referências

  1. FERNANDES, Cesar E. Febrasgo – Tratado de Obstetrícia. [Barueri – São Paulo]: Grupo GEN, 2018. 9788595154858. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595154858/. Acesso em: 24 mar. 2022.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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