Coronavírus

Sintomas persistentes e sequelas da COVID-19

Sintomas persistentes e sequelas da COVID-19

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Sanar Medicina

5 min há 192 dias

Neste post buscaremos discutir alguns aspectos sobre os sintomas persistentes e as sequelas da COVID-19. Desde dezembro de 2019, quando o vírus SARS-CoV-2 foi inicialmente identificado, presenciamos um crescimento exponencial no conhecimento científico a respeito do novo coronavírus, bem como a doença por ele causada, a COVID-19. 

Uma das mais intrigantes perguntas é se a COVID-19 é uma doença que deixa sequelas naqueles que a adquirem e se recuperam. Tanto dados da literatura, como a discussão científica ao redor do mundo, têm mostrado que sintomas persistentes são reportados por aqueles que sobreviveram à doença, mesmo entre aqueles que contraíram doença aguda leve. 

Sintomas persistentes: um desafio

Alguém poderia erroneamente pensar que o único desafio enfrentado na pandemia é encontrar uma medicação curativa, ou uma vacina eficaz contra o vírus. Mas, vamos ampliar um pouco o nosso olhar. 

Este é um vírus novo na humanidade, e apesar do imenso conhecimento já adquirido, não houve tempo suficiente ainda para conhecermos toda a história natural da doença. 

Os sintomas persistentes da COVID-19 são um desafio, tanto para pacientes que os enfrentam, como também para os profissionais e para o sistema de saúde. 

A prevalência, o tipo, a duração, frequência e gravidade dos sintomas persistentes que seguem a infecção pelo SARS-CoV-2, bem como os fatores de risco associados à presença da persistência, estão ainda sob investigação científica.

O que está por trás das sequelas

Enquanto os idosos são mais propensos à manifestação grave da COVID-19, os sobreviventes jovens, ainda que previamente saudáveis, têm reportado persistência dos sintomas meses após a infecção. 

As pesquisas ainda buscam elucidar o seguinte: são sintomas persistentes resultantes de infecção ainda em curso, ou sequelas da resolução da infecção aguda pelo SARS-CoV-2?

Além disso, os pesquisadores ainda buscam diferenciar o período a partir do qual pode-se definir a fase pós-aguda ou crônica da COVID-19. 

Para completar, faz-se necessário também a distinção entre efeitos da infecção pelo vírus e as consequências de procedimentos e tratamentos realizados para curar aqueles com doença grave. 

Fatores que explicam a persistência dos sintomas na COVID-19

Enquanto o detalhamento da etiologia e fisiopatologia por detrás dos sintomas persistentes está sendo pesquisado, podemos citar alguns fatores já estabelecidos e relacionados à persistência dos sintomas. 

Estes fatores incluem dano à órgãos secundário à fase aguda da infecção, manifestações de um estado hiperinflamatório persistente, atividade viral ativa associada a hospedeiro que permanece como reservatório do vírus e resposta inadequada dos anticorpos. 

Alguns fatores podem ainda agravar o quadro como sedentarismo, tanto de base como após um longo período da doença, comorbidades prévias e mudanças no estilo de vida relacionadas ao tempo de pandemia. 

Sintomas e sequelas mais reportados

Apesar de haver ainda pouca informação sobre as sequelas da COVID-19, dentre os dados já publicados, podemos citar como os sintomas persistentes mais reportados a fadiga, tosse, dispneia, artralgia, dor torácica.

Outros sintomas também reportados incluem: prejuízo cognitivo, depressão, mialgia, cefaleia, febre e palpitações. 

Complicações mais graves também foram reportadas, apesar de serem mais raras. Foram elas:

  • Cardiovascular: inflamação miocárdica, disfunção ventricular;
  • Respiratória: anormalidades da função pulmonar;
  • Renal: Injúria renal aguda;
  • Dermatológica: rash cutâneo, alopecia;
  • Neurológica: disfunção olfatória e gustativa, desregulação do sono, cognição alterada, prejuízo na memória. 

Conclusão

Os estudos de longo prazo, incluindo anos de follow-up, serão necessários para elucidarmos por completo as sequelas da COVID-19.

Enquanto não temos as respostas definitivas, os guidelines já têm incluído recomendações para lidar com sintomas persistentes. 

Além disso, há 2 importantes estudos longitudinais em andamento buscando elucidar sequelas e impactos a longo termo da infecção pelo SARS-CoV-2. Para acessá-los, veja o link nas referências abaixo. 

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Referências

CDC – Late Sequelae of COVID-19

National Institutes of Health, National Institute of Allergy and Infectious Diseases. A longitudinal study of COVID-19 sequelae and immunity.

University of California, San Francisco. Long-term impact of infection with novel coronavirus (COVID-19) (LIINC).

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