Coronavírus

Sistema de saúde só será aliviado quando 25% da população for vacinada, dizem médicos

Sistema de saúde só será aliviado quando 25% da população for vacinada, dizem médicos

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Sanar

3 min há 192 dias

A campanha de vacinação contra a COVID-19, iniciada na última segunda-feira (18), não será suficiente para aliviar a sobrecarga do sistema de saúde no Brasil. O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha, afirmou ao Metrópoles que hospitais e centros de atendimento continuarão lotados até que pelo menos 25% da população seja imunizada.

A porcentagem é referente aos 54 milhões de pessoas dos grupos prioritários definidos no Plano Nacional de Imunizações contra a COVID-19, do Ministério da Saúde. A fase 1 considera imunização de grupos prioritários formados por profissionais da saúde, populações indígenas, idosos a partir de 75 anos e pessoas com 60 anos ou mais que vivem em asilos ou instituições psiquiátricas.

Para atender à demanda, serão necessárias 108,3 milhões de vacinas. O problema é que as doses disponíveis até o momento não contemplam sequer todo o contingente da fase 1. Por enquanto, apenas seis milhões de doses da CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e pelo Instituto Butantan, foram distribuídas pelo governo federal aos estados e municípios brasileiros.

Incerteza

Para que o Instituto Butantan consiga liberar o total de 10,8 milhões de doses da vacina que já estão prontas, será preciso pedir um novo registro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (entenda melhor aqui).

Já as 2 milhões de doses da vacina AstraZeneca, fruto de uma parceria entre a Universidade de Oxford e a Fiocruz, também foram liberadas em caráter emergencial pela Anvisa, mas precisam ser importadas da Índia. O governo federal ainda está em negociação com o país asiático para conseguir o carregamento.

“O problema é que está tudo muito incerto. Ainda não sabemos quando teremos as vacinas Oxford/AstraZeneca e quando os insumos chegarão ao território nacional para a produção começar”, lamentou Gulnar Azevedo e Silva, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). A profissional também foi entrevistada pelo Metrópoles.

Na última terça-feira (19), a Fiocruz anunciou uma revisão no calendário de produção da fórmula da AstraZeneca. Isso porque os insumos necessários estão retidos na China. “Uma péssima notícia, pois precisamos correr contra o tempo para baixar o número de pessoas suscetíveis, que podem se infectar, ficar doentes e ir a óbito”, diz Silva.

A presidente da Abrasco também destacou a importância de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) para que ele dê conta da campanha de imunização contra a COVID-19. “Só aprovar a vacina não garante a vacinação. A campanha precisa chegar em todos os pontos do Brasil para que as pessoas tenham acesso gratuitamente”.

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