Anatomia de órgãos e sistemas

Sistema somatossensorial: tudo que você precisa saber! | Colunistas

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Fonte: www.shutterstock.com

Palavra chave: sistema somatossensorial; cérebro; sensibilidade; sentidos

Conceito

Somestesia é uma palavra que vem do latim soma (corpo) e aesthesia (sensibilidade). É a capacidade que os seres humanos e animais têm de receber informações do meio externo e interno. Chamamos de vias aferentes ou sensitivas as fibras que conduzem os estímulos (ambientais ou internos) ao cérebro, e por meio de receptores especializados em transformar esse estímulo sensorial em potencial de ação.

Fonte: SILVERTHORN (2010)

Dessa forma, podemos definir sistema somestésico como uma cadeia sequencial de neurônios, fibras nervosas e sinapses que traduzem, codificam e modificam as informações provenientes do corpo.

Sistema somatossensorial x sentidos especiais: qual a diferença?

O sistema somatossensorial é o responsável pelas experiências sensoriais detectadas nos órgãos sensoriais que não pertencem ao sentido especial. Enquanto os receptores sensoriais dos sentidos especiais (visão, audição, gustação, olfato e equilíbrio) estão restritos à cabeça, os do sentido somático geral estão espalhados pelo corpo todo. A sensibilidade somática é constituída de: tato; temperatura; nocicepção (dor e prurido) e propriocepção.

O sistema somestésico subdivide-se em:

  • Sistema exteroceptivo;
  • Sistema proprioceptivo;
  • Sistema interoceptivo.

OBS: Nem todas as informações se tornam conscientes, produzindo percepção; algumas são utilizadas inconscientemente para coordenação da motricidade e do funcionamento dos órgãos internos. Enquanto as vias conscientes (cerebrais) mostram conexões formadas por três neurônios, nas vias inconscientes (cerebelares) temos dois neurônios.

Consideramos no estudo das vias conscientes:

  1. Neurônio I – geralmente localizado fora do sistema nervoso central, em um gânglio sensitivo do tipo pseudounipolar, onde sua bifurcação em “T” apresenta um prolongamento central que penetra no SNC pela raiz dorsal de um nervo espinal ou através de um nervo craniano e um prolongamento periférico que se une ao receptor;
  2. Neurônio II – localizado na coluna posterior da medula espinal ou em núcleos dos nervos cranianos do tronco encefálico, onde seus prolongamentos cruzam o plano mediano, participando da formação de um feixe ou lemnisco;
  3. Neurônio III – localizado no tálamo (núcleo ventral posterolateral ou núcleo ventral posteromedial), com seus prolongamentos chegando à área somestésica do córtex cerebral.
Fonte: SILVERTHORN (2010)

OBS 2: Em cada via aferente é interessante estudar quatro elementos: receptor, trajeto periférico, trajeto central e área de projeção cortical.

Sugiro a leitura complementar do texto “Resumo sobre a anatomia da medula espinhal” para melhor entendimento das vias medulares e seu trajeto até o córtex cerebral.

Tipos de sensibilidade e seus respectivos receptores

Existem vários tipos de receptores, e eles tendem a ter uma especificidade em cada modalidade sensorial. Os corpos celulares que dão origem a essas fibras especializadas ficam localizadas nos gânglios espinhais e no gânglio trigêmeo (são elas os neurônios primários do sistema somestésico). 

Quanto aos tipos de sensibilidade, temos:

  • Sensibilidade mecânica (receptores especializados: mecanorreceptores)

– Estímulo mecânico leve

– Propriocepção
– Estímulo mecânico profundo

  • Sensação térmica (receptores especializados: termorreceptores)

– Frio

– Calor

      • Nocicepção – estímulo da dor
 – Estímulo mecânico

 – Estímulo térmico

 – Estímulo químico

Seu processamento pode acontecer no SNC, por meio da consciência da dor (Lobo parietal); no sistema límbico e hipotalâmico (Diencéfalo); como também ser processada na medula espinhal, gerando reflexos medulares.

Tipos de receptores. Tabela feita pela própria autora

Não importa qual seja o estímulo que excite o receptor, seu efeito imediato será sempre de alterar o potencial elétrico. São eles que fazem a transdução das sensações fisiológicas, transformando a energia física em potencial de ação.

Subdivisões do Sistema Somestésico

Sistema Exteroceptivo

O exteroceptivo tem como submodalidade principal o tato. Apresenta mecanorreceptores especializados situados na pele e mucosas; neurônios primários situados em gânglios periféricos, neurônios de segunda ordem situados no tronco encefálico do mesmo lado; neurônios de terceira ordem situados no tálamo somestésico do lado oposto e neurônios de quarta ordem situados no giro pós-central do córtex cerebral.

OBS: não se esqueça de que existem 2 tipos de tatos:

▶︎Tato “fino” (epicrítico), responsável por estímulos mais suaves, com grande precisão.

▶︎Tato “grosso” (protopático), responsável por estímulos sem precisão.

Sistema proprioceptivo

Tem como função a localização espacial das partes do corpo, principalmente para orientar a ação dos sistemas motores. Suas vias envolvem receptores situados nas articulações e nos músculos. Os neurônios primários ficam também nos gânglios periféricos, mas os de segunda ordem quase sempre ficam na medula, de onde projetam ao tálamo (consciente) e ao cerebelo (inconsciente), servindo para possibilitar ações motoras rápidas e eficazes.

Sistema interoceptivo

Vai reunir as informações dolorosas, térmicas e metabólicas de todos os tecidos e órgãos, que confluem para neurônios de segunda ordem situados na lâmina I da medula, cujos axônios cruzam e ascendem a uma cadeia de regiões em vários níveis da medula e do tronco encefálico, chegando ao tálamo e depois aos córtices insular e cingulado, relacionado com as emoções. 

E o homúnculo de Penfield?

Com certeza é algo que ouvimos falar muito na graduação de medicina, mas como os trabalhos de Penfield contribuíram para a neurociência, neste caso?

O médico neurocirurgião  canadense Wield Penfield (1891-1976) realizou testes em seus pacientes para descobrir a causa da epilepsia, em meados de 1940-1950. Ao aplicar choques elétricos no córtex cerebral em seus pacientes, Penfield descobriu uma região na superfície pré e pós central responsável pelo controle motor e sensorial do corpo humano. 

Representação do Corpo no Córtex Somatossensorial Primário

Dessa forma, o homúnculo (palavra do latim que significa “homem pequeno”) é uma representação humana das áreas somatotópicas tanto do córtex motor primário quanto do córtex somestésico primário, nas regiões pré e pós central, respectivamente. 

Considerações finais

  • Sistema Somatossensorial:

► Conceito: é a capacidade dos animais de RECEBER informações sobre as diferentes partes do corpo; é uma modalidade sensorial constituída por diversas submodalidades (tato, propriocepção, termossensibilidade etc);

►  É caracterizado por sentidos conscientes e inconscientes;

► Se divide em subsistema exteroceptivo, proprioceptivo e interoceptivo, cada um possuindo características e vias ascendentes diferentes;

► Nas extremidades das fibras nervosas sensoriais, há especializações formando receptores (mecanoceptor, fotorreceptor, quimioceptor, termoceptor e nociceptor).

Autora: Júlia Mendonça

Instagram: @juliamendonca752

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

Livro Neuroanatomia Clínica e Funcional, 3ª edição, editora Elsevier (páginas 207-209);

http://pdi.sites.uff.br/wp-content/uploads/sites/358/2018/09/Fisiologia-do-sensorial-1.pdf;

https://www.anestesiologiausp.com.br/wp-content/uploads/Ascendentes-e-descendentes-2.pdf;

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3895240/mod_resource/content/2/DOR_2016.pdf;

https://www.brainlatam.com/blog/homunculo-como-os-trabalhos-de-penfield-contribuiram-para-a-neurociencia-1139;

Livro Atlas de Anatomia Humana, 7ª edição, Netter, editora Elsevier

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