Obstetrícia

Sofrimento Fetal Agudo e Vitalidade Fetal | Colunistas

Sofrimento Fetal Agudo e Vitalidade Fetal | Colunistas

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Imagem de perfil de Rainara Lúcia D'Ávila

O sofrimento fetal é marcada pela falta de oxigênio para o feto.

AGUDO: Quando há a dificuldade da passagem de sangue da placenta para o feto, sangramento materno ou alterações no cordão umbilical, o que pode levar à morte do bebê dentro do útero. 

CRÔNICO: Acontece quando o feto é acometido continuamente pela falta de oxigênio e de nutrientes. Essa situação pode acontecer por problemas genéticos, placentários, fetais (síndromes genéticas e infecções congênitas) ou maternos (como hipertensão arterial, diabetes e uso de medicações, cigarro, álcool ou drogas). Para sobreviver, o feto desvia o fluxo de sangue para órgãos nobres, como cérebro, coração e suprarrenais.

Ao flagrar o quadro precocemente, o feto pode se recuperar e evoluir sem sequelas. Porém, se a falta de oxigênio e nutrientes for prolongada, isso pode levar a problemas logo após o nascimento e também na vida futura.

Impactos no recém-nascido

Dentre as várias repercussões, destacam-se as lesões cerebrais, que podem se apresentar de uma forma leve, que não deixa sequelas, até graus mais graves, capazes de causar convulsões, atraso no desenvolvimento e desnutrição.

A vida futura

Independentemente da existência da lesão cerebral e da sua gravidade, existe o risco de acontecerem percalços no desenvolvimento. Eles incluem desde alterações mínimas de comportamento, déficit de atenção/hiperatividade, síndrome do espectro autista e dificuldades na aprendizagem, na leitura e na matemática, até alterações mais sérias, como paralisia cerebral.

Causas e fatores de risco

  • Diminuição do líquido amniótico: Situações aonde a placenta não está funcionando de maneira adequada podem levar a uma redução no volume de líquido amniótico. O líquido amniótico é responsável pela regulação da temperatura, permite o desenvolvimento e movimentação do bebê, evita traumatismos e compressão do cordão umbilical, além de proteger o bebê contra infecções. Assim, com a diminuição da quantidade de líquido amniótico, o bebê se torna mais exposto a diversas situações.
  • Malformações fetal: pode ser por síndrome da transfusão fetal-fetal. Hérnia diafragmática congênita. Malformações cardíacas. 
  • Alterações na frequência cardíaca: feto saudável varia de 110 a 160 batimentos por minutos.
  • Diminuição dos movimentos fetais: observa em um exame de ultrassom, observação da mãe, exame com eletrodos, chamado de cardiotocografia, que registram movimentação fetal e batimentos cardíacos.

Vitalidade fetal

A importância da avaliação da vitalidade fetal é descobrir se há sofrimento fetal e atuar evitando o óbito desse feto. 

Diagnóstico

Os principais testes para isso incluem cardiotocografia (CTG), Doppler, perfil biofísico fetal (PBF) e mobilograma. 

  • Mobilograma

Contagem dos movimentos fetais, que deve ser realizada a partir de 26 a 32 semanas de gestação. Resultado anormal é menos de 6 movimentos a cada 2 horas (SOCG, 2007). 

  • Cardiotocografia 

Exame que mostra traçados de FCF (frequência cardíaca fetal), cujos padrões informam estado acidobásico. As alterações são categorizadas em basais, periódicas (decorrem de contrações uterinas) e episódicas (não associadas à atividade contrátil). A frequência normal varia entre 110 – 160bpm. A duração do exame é de 20 – 30 minutos.

Imagem de uma grávida fazendo o exame Cardiotocografia para diagnosticar o sofrimento fetal agudo.
  • Perfil biofísico fetal

Teste realizado por USG, cujos 5 critérios de avaliação são CTG, movimento respiratório fetal, movimento fetal, tônus fetal e volume de líquido amniótico (vLA). Cada um desses critérios recebe nota 0 ou 2, sendo o máximo 10 e existindo somente notas pares. A pontuação 8 (se vLA receber 2) é normal; 6, equivocada; menor ou igual a 4, anormal. 

  • Doppler

Realiza-se o Doppler das artérias umbilical e cerebral média. 

  • Doppler da artéria umbilical

A circulação umbilical é de baixa resistência, o que permite o fluxo das artérias umbilicais ser drenado pela placenta. Há 4 classes desse teste: normal, diástole diminuída, diástole zero, diástole reversa. Esse teste demonstra o fluxo sanguíneo à placenta das artérias umbilicais. Na sístole fetal, a perfusão é maior e, na diástole, menor. Quando a resistência da circulação umbilical, está aumentada, mais difícil o FS. Por essa razão, o FS na diástole é reduzido progressivamente com o aumento da resistência: chegando dos níveis de diástole reduzida à diástole zero e retrógrada. 

  • Doppler da ACM

O normal é a resistência da ACM ser alta, porque, nessa condição, há perfusão cerebral adequada. Porém, em condições de hipóxia, o teor de oxigênio reduz, daí ocorrem mecanismos de redistribuição (ou centralização), que diminuem a resistência (vasodilatação) na ACM e muda o traçado do FS pelo USG com Doppler. 

  • FCF basal

Linha na qual estão inscritas as variações tacométricas é chamada de FCF basal e seus limites situam-se entre 110 e 160 bpm. Para dizer que está normal, deve predominar nessa faixa por, no mínimo, 10 minutos. A FCF basal anormal é bradicardia (< 110) e taquicardia (> 160).

Autora: Rainara Lúcia D’Ávila

Instagram: @rainaradavila

Referência

https://www.sanarmed.com/avaliacao-da-vitalidade-fetal-colunistas

https://www.spsp.org.br/2019/09/25/o-que-e-sofrimento-fetal-e-quais-suas-repercussoes-ao-longo-da-vida/

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.