Anatomia de órgãos e sistemas

Somitos, Celoma Intra e Sistema Cardiovascular | Colunistas

Somitos, Celoma Intra e Sistema Cardiovascular | Colunistas

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Rafael Machado Simão

8 min há 92 dias

Somitos

A partir da terceira semana de desenvolvimento embrionário, células que migram da região do epiblasto para a linha primitiva contribuem para a formação do mesoderma num processo chamado gastrulação. As células mesodérmicas da linha média formam a notocorda. Lateralmente à notocorda, encontra-se o mesoderma paraxial, onde serão formados aglomerados de tecido chamados somitos. Os somitos são geralmente visíveis em pares na superfície do embrião. Dos somitos originam muitos tecidos conjuntivos diferentes como: cartilagens, ossos, músculos e tendões.

Imagem 1 – Corte transversal de embrião evidenciando o formato achatado do disco embrionário trilaminar. Fonte: Embriologia Médica – Langman.

A formação dos somitos

Inicia por volta do 20º dia de desenvolvimento embrionário devido a segmentação do mesoderma paraxial. Os primeiros pares de somitos surgem na região occipital do embrião em direção craniocaudal e a cada dia aparecem 3 novos pares de somitos até o fim da 5ª semana, somando aproximadamente de 42 a 44 pares de somitos no total, divididos em pares occipitais, cervicais, torácicos, lombares, sacrais e coccígeos. Os últimos pares coccígeos tendem a desaparecer, restando aproximadamente 35 pares de somitos e assim constituindo o esqueleto axial do embrião. Esse processo é sequencial e usado para determinar a idade do embrião com base no número de pares de somitos visíveis no exame de ultrassom. Os somitos também são subclassificados em diferentes segmentos:

  • Esclerótomo, formado da parte ventral e medial de um somito, desenvolve a coluna do embrião;
  • Miótomo, forma músculos flexores e extensores;
  • Dermátomo, desenvolve o tecido conjuntivo subjacente à epiderme começando por um espessamento dorsal e se espalhando por todo o corpo.
Imagem 2 – Estágios do desenvolvimento de um somito. Fonte: Embriologia Médica – Langman.

Celoma intraembrionário

Da terceira até a quarta semana, o embrião começa a mudar de forma. Passando de um formato de disco para um formato cilíndrico, principalmente ao se dobrar nos planos sagital e transversal. O celoma intraembrionário se forma dentro do mesoderma da placa lateral no início do desenvolvimento embrionário. Esta parede de espaço único passará por uma transição epitelial mesenquimal com o aumento do comprimento do embrião, as regiões da cabeça e da cauda do embrião se movem para baixo. Ao mesmo tempo, o rápido crescimento do tubo neural e dos somitos fazem com que as laterais do embrião se dobrem para dentro. O celoma intraembrionário divide a placa lateral em mesoderma somático e esplâncnico e será posteriormente dividido nas três cavidades principais do corpo: pericárdio, pleura e peritônio durante a 4ª a 8ª semanas de desenvolvimento. As cavidades pericárdica e pleural acomoda o coração e os pulmões, enquanto a cavidade peritoneal aloja a maioria dos órgãos abdominais.

Imagem 3 – Desenvolvimento dos somitos e do celoma intraembrionário. Fonte: Embriologia Clínica – Moore & Persaud.

Sistema Cardiovascular

Os vasos sanguíneos se formam primeiramente pelo aparecimento de espaços intracelulares. A unificação desses espaços formam os vasos sanguíneos. Todos os vasos sanguíneos se formam ao mesmo tempo em diferentes estruturas do embrião e em sua placenta, porém a formação real do sangue fetal não começa até o segundo mês.

Desenvolvimento do coração

O coração é o primeiro órgão funcional que é formado no embrião. Como todos os vasos, o coração surge da mesoderma. O desenvolvimento do tubo cardíaco primitivo começa com a fusão na 3ª semana dos tubos endoteliais ou endocárdicos emparelhados em sua parte média, logo abaixo das artérias do arco branquial. Criando assim uma estrutura em forma de “X”, o tubo do coração primitivo. Durante a 4ª semana, esse novo tubo se alonga e se expande em outras partes. Sendo o seu crescimento rápido e o seu espaço restrito, é obrigado a dobrar-se sobre si, à direita, formando um “U”. Depois, estende-se e toma a forma de “S”. Dessa forma, o átrio e o seio venoso estão agora atrás do ventrículo e do bulbo arterial.

Imagem 4 – Desenvolvimento do coração. Fonte: Kurzlehrbuch Anatomie und Embryologie – Ulrike Bommas-Ebert, Philipp Teubner & Rainer Voß

Algumas partes do embrião se desenvolvem mais rápido do que outras, como a cabeça e o cérebro. Este crescimento assimétrico causa dobras no embrião.  Com isso, o desenvolvimento da cabeça provoca uma flexão que desloca a zona do coração o empurrando para baixo do embrião, deixando-o na futura caixa torácica. Esse deslocamento faz com que ele se invada em uma pequena fenda que agora o envolve, originando o pericárdio.

Desenvolvimento dos ventrículos e grandes vasos

O crescimento irregular do tubo cardíaco faz com que ele dobre sobre si mesmo por volta do 23º dia. O átrio primário e as conexões venosas passam atrás do ventrículo primário e do bulbo arterial. Em seguida um septo se forma no canal atrioventricular dividindo em duas partes, a direita e a esquerda no meio da 4ª semana.  A divisão ventricular ocorre de baixo para cima, à medida que as câmaras ventriculares direita e esquerda recém-formadas se expandem. Esta divisão muscular é da mesma natureza do ventrículo esquerdo, que se torna mais espessa que o seu vizinho, em seguida um orifício persiste na parte superior dos ventrículos até a 7ª semana. Enquanto isso, há uma comunicação interventricular no coração fetal (CIV).

Quando o canal atrioventricular se torna septal, outro se forma no nível do bulbo arterial. Isso funciona de maneira diferente em comparação com o septo atrioventricular, de maneira espiral. Essa separação espiral forma a aorta e a artéria pulmonar. Enquanto isso, a parte do bulbo arterial é incorporada aos ventrículos, fechando o orifício que fica na parte superior do septo muscular. Em seguida, os ventrículos completam sua formação interna. Alguns tornam-se mais finos, outros se transformam em músculos papilares e tendões dos cordões para reter os folhetos das válvulas atrioventriculares, da válvula tricúspide, e da válvula mitral.

Desenvolvimento dos átrios e retorno venoso

Por volta do 23º dia, um septo se forma no canal atrioventricular para formar dois átrios, o direito e o esquerdo, no meio da 4ª semana. Esta partição do átrio ou septo atrial é feita em duas partes. Primeiramente, um primeiro septo denominado primum é feito de uma membrana fina que se projeta para o centro em forma de meia-lua. A abertura deixada por este crescente é chamada ostium primum. Quando esse espaço é fechado, outro é criado no centro da membrana; é o ostium secundum. Então, uma segunda membrana cobre a primeira. Este é o septum secundum. Uma abertura é deixada em sua base em forma de semi-oval, este é o forame oval.

Durante a vida fetal, o forame oval combinado com o ostium secundum forma uma comunicação entre os dois átrios.

Essa comunicação entre os dois átrios persiste até o parto, fechando somente no nascimento, quando a função respiratória começa. O átrio esquerdo então tem maior pressão do que o direito. O septum secundum é empurrado sobre o septum primum selando a passagem entre os dois orifícios. Ao mesmo tempo em que começa a septação do átrio primário, grande parte do crescimento do átrio esquerdo ocorre por absorção da veia pulmonar primária.

O retorno venoso no estágio primário é simétrico, o que significa que o que está à esquerda também está presente à direita. O seio venoso esquerdo se move e se junta ao direito para formar uma única entrada, que recebe a veia cava inferior. A comunicação entre o átrio e o ventrículo direito se move na mesma direção que o seio venoso, esse movimento originará a válvula tricúspide.

Autor: Rafael Machado Simão

Instagram: @rhafiusk

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

Livro: Embriologia Clínica, Moore, Keith L.; Persaud, T.V.N.; Torchia, Mark G.

Livro: Kurzlehrbuch Anatomie und Embryologie – Ulrike Bommas-Ebert, Philipp Teubner & Rainer Voß

Livro: Embriologia Médica – Langman

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