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Suporte Básico de Vida: você está atualizado quanto à reanimação cardiopulmonar extra-hospitalar em adultos? | Colunistas

Suporte Básico de Vida: você está atualizado quanto à reanimação cardiopulmonar extra-hospitalar em adultos? | Colunistas

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Imagem de perfil de Thiago S. Rodrigues

Possivelmente, em algum momento da sua vida, você deve ter presenciado uma pessoa desmaiar na rua ou pelo menos imaginou essa cena ocorrendo de maneira súbita com alguém que realizava atividades normalmente.  Nesse sentido, a Sociedade Brasileira de Cardiologia mostrou, conforme sua Diretriz de 2017, um alerta à toda comunidade brasileira, a saber: a Parada Cardiorrespiratória (PCR) tem como causa principal as doenças decorrentes do coração.  Apesar desta franca declaração, o estilo de vida sedentário e estressante, o uso de cigarro e o consumo exagerado de sal e gorduras nas sociedades do Brasil, em geral, mudaram pouco e, fatalmente, ainda contribuem para aumentar os casos de Parada Cardiopulmonar, principalmente em adultos , no ambiente extra-hospitalar. Para tanto, objetivando minimizar os casos de falecimento diários decorrentes de parada súbita do coração e pulmão em diferentes espaços públicos, é urgente a divulgação das atitudes de SUPORTE BÁSICO DE VIDA – BLS (SBV) à vítima de PCR extra-hospitalar para os indivíduos (socorristas) leigos e profissionais de  saúde, a fim de que todos os envolvidos mantenham-se sempre atualizados. A seguir, veja as etapas do elo da Cadeia de Sobrevivência do SBV, em harmonia com a American Heart Association-2020.

fonte:AmericanHeartAssociation

SAMU, PCR e socorrista leigo

Você já ouviu falar do SAMU?  Certamente, sim.  Embora alguns, vez por outra, esqueçam o número 192 no momento de acionar o Serviço Móvel de Urgência (SAMU) ou o número 193 (Bombeiros), a grande maioria dos brasileiros reconhece o papel primordial dos sistemas móveis de atendimento à vítima de acidente ou parada súbita. O som da sirene é um marco audível famoso e, para quem necessita dos cuidados desse tipo de serviço, um forte alívio no contexto de um mal repentino.

Porém, você acha mesmo que só o SAMU pode ajudar a vítima de PCR? Se a sua resposta foi um “sim” categórico, afirmo: qualquer pessoa pode prestar socorro nessa situação, se devidamente treinada com base, em especial, no elo da Cadeia de Sobrevivência da AHA 2020. Por isso, você terá contato, na teoria, com as atitudes básicas frente ao paciente inconsciente, por exemplo, na rua ou no shopping, o que permitirá a você entender, com nitidez, quais as medidas imediatas necessárias para reverter uma PCR e, felizmente, salvar uma pessoa.  Então: está preparado(a) para ser um(a) cidadão(ã) brasileiro(a) consciente de atitudes de suporte à vida?

Ligar 192 (SAMU) e reconhecer PCR em adulto

Em geral, se você presenciar um adulto desmaiado, fora do hospital, a sua primeira atitude deve ser: checar rapidamente se o local onde se encontra a vítima é seguro para você e ela, afinal, você não quer ser mais uma vítima.
Em seguida, os sinais vitais do paciente adulto em parada repentina, no ambiente extra-hospitalar, podem ser verificados por você de maneira bastante simples.  Primeiro, bata com vigor nos ombros da vítima e fale alto “O senhor ou a senhora está bem?”. Segundo, se não obtiver resposta, verifique se ela não respira ou respira em agonia (respiração tipo “gasping” ou parecendo uma boca de peixe).  Feito isso, já tendo se certificado da segurança do local, você, profissional de saúde ou socorrista leigo, deve ligar para o SAMU e pedir para que ele traga um desfibrilador externo automático (DEA).  Terceiro, com os dedos indicador e médio, do seu mesmo lado, pressione com delicadeza, até 10 segundos, a artéria carótida no pescoço da vítima e confirme a ausência ou a presença de pulsação dessa artéria.  Entretanto, atenção, profissional de saúde e socorrista leigo: a palpação do pulso carotídeo não pode retardar o início das compressões torácicas. Logo, se estiver em dúvida na palpação, não espere: comprima o tórax do paciente imediatamente.

Iniciar compressões traumáticas (etapa C)

Para que você esteja de acordo com a Cadeia de Sobrevivência da AHA 2020, a sequência C-A-B-D deve ser respeitada.  Posicione-se ao lado da pessoa abordada por você.  Com o tórax da vítima desnudo, coloque a região inferior de sua mão sobre a metade inferior do esterno da vítima e a outra mão sobre a primeira.  Depois, estique os braços e posicione seus ombros diretamente sobre as mãos, formando um ângulo de 90° (reto). Dado isso, comprima com vigor e rapidez o tórax da pessoa alvo de PCR, em uma velocidade mínima de 100 compressões por minuto e máxima de 120 compressões por minuto, com 5 ciclos de 30 compressões e 2 ventilações, permitindo o retorno da caixa torácica dele (reexpansão).  Você não pode esquecer que as compressões devem ser feitas obedecendo às seguintes especificações de profundidade para indivíduos adultos: mínimo 5 cm (2 polegadas) e máximo 6 cm (2,4 polegadas) durante o rebaixamento do tórax do paciente. Evite interromper as compressões por motivos de distração durante os 5 ciclos de 30:2.

Iniciar abertura da via aérea (etapa A)

É neste momento que alguns socorristas leigos, e até profissionais de saúde, encaram o auxílio à vítima de PCR como uma conduta relativamente difícil. No entanto, não é!  Entenda: quando se trata de desobstruir a via aérea do paciente, duas manobras estão consagradas pela literatura médica, Inclinação da Cabeça com Elevação do Mento (“Chin-Lift”) e Anteriorização da Mandíbula (“Jaw-Thrust”).  Cabe, assim, ao socorrista leigo e profissional de saúde entender em qual situação usar esta ou aquela.

Se você encontrar uma pessoa adulta em Parada Cardiorrespiratória, a manobra de inclinação gentil da cabeça mais elevação do mento (queixo), “Chin-Lift”, deve ser escolhida: coloque suas mão sobre a testa da vítima e empurre com cuidado a cabeça dela;  após isso, com os seus dedos da outra mão no queixo do paciente, eleve-o, sem fechar completamente a boca da vítima.

Já a Anteriorização da Mandíbula (“Jaw-Thrust”), a qual exige mais habilidade do socorrista leigo ou profissional de saúde, está indicada para os pacientes com suspeita de trauma cervical ou craniano: atrás do paciente, posicione suas duas mãos sobre a parte óssea da mandíbula dele;  em seguida, realize uma subluxação ou anteriorização da mandíbula.

Iniciar ventilação em adultos (etapa B)

Uma das principais dúvidas relacionadas à ventilação de uma vítima adulta em PCR fora do hospital é: “Será que eu posso fazer respiração boca a boca quando encontrar uma pessoa em parada súbita?” Na verdade, não há uma contraindicação absoluta e um consenso literário sobre essa postura por parte dos livros-texto. Para tanto, a adoção dessa conduta vai depender, apenas, da habilidade e da disposição do socorrista leigo ou do profissional de saúde em realizá-la com qualidade.  Contudo, a utilização correta dos dispositivos de barreira, como a Máscara Facial e a Bolsa-Válvula-Máscara (Insuflador Manual ou AMBU), continua sendo a melhor e a mais indicada atitude para iniciar ventilações em vítimas de PCR.

Se você tinha algum receio quanto ao uso correto e eficiente da Máscara Facial, garanto que ele será sanado facilmente.  Ao encontrar uma pessoa em parada súbita, após seguir todos os passos já mencionados, você deve utilizar a Máscara Facial, caso esteja disponível, da seguinte forma: posicione-se ao lado e à altura da cabeça da vítima adulta;  coloque a máscara sobre o rosto dela, ajustando a ponta nasal como guia para obter a colocação correta;  após colocar seu dedo indicador e polegar ao longo da borda externa da máscara, vede-a, pressionando sua mão sobre ela;  incline, em seguida, cuidadosamente, a cabeça do paciente e erga, ao mesmo tempo, o queixo ou mento dele (manobra de “Chin-Lift”);  sopre 2 vezes, com intervalo de 1 segundo para cada sopro (ventilação), a fim de produzir elevação do tórax do paciente.

Você deve estar se perguntando: “E a Bolsa-Valva-Máscara?” Este dispositivo é mais indicado para utilização dos profissionais de saúde, pois requer muita prática e instrução.  Aos socorristas leigos, cabe o uso da Máscara Facial.

Iniciar desfibrilação em adultos (etapa D)

É prudente que você, independente do status profissional, seja orientado corretamente, na prática, quanto à utilização do Desfibrilador Externo Automático (DEA).  Ao ter em mãos o desfibrilador, você, muito bem capacitado, deve usá-lo o mais rápido possível, tendo em vista as seguintes especificações: verifique se o ritmo é Chocável (Taquicardia Ventricular ou Fibrilação Ventricular) ou Não Chocável (Atividade Elétrica Sem Pulso ou Assistolia);  se Chocável, peça para que todos se afastem e, após isso, administre o choque;  repita esse procedimento a cada 2 minutos, caso o paciente adulto não retorne à consciência.

Considerações Finais

Em suma, se você seguir todas as recomendações discutidas e treinar sob ótima orientação presencial, com base na Cadeia de Sobrevivência da AHA 2020, certamente será uma excelente extensão do SAMU em qualquer ambiente que você estiver, o que trará alívio e salvação para as vítimas adultas de PCR fora do hospital. Por fim, mantenha-se sempre atualizado em relação ao Suporte Básico de Vida.

Thiago de Sousa Rodrigues
Graduando em Medicina (Universidade Federal do Ceará)
Instagram: @thi10_rodrigues

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

SUPORTE BÁSICO DE VIDA – BLS

AMERICAN HEART ASSOCIATION 2020

UNIDADE 2 – SBV NA REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR – EBSERH

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