Coronavírus

Susceptibilidade de variantes da COVID-19

Susceptibilidade de variantes da COVID-19

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Com a introdução de variantes da COVID-19, mais e mais pesquisas estão sendo realizadas com o objetivo de entender o comportamento das variantes do SARS-CoV-2. Neste post iremos explorar uma destas pesquisas, onde se buscou avaliar a atividade neutralizante de pacientes convalescentes ou vacinados contra pseudovírus contendo mutações correspondentes às variantes em circulação. 

A realização do experimento

Para realizar o estudo, os pesquisadores produziram pseudovírus do SARS-CoV-2, baseado em vírus de estomatite vesicular recombinante contendo diferentes proteínas spikes: da cepa de referência Wuhan-1, a mutação D614G, e as variantes B.1.1.7 e B.1.351.

Após, os pesquisadores avaliaram a resistência destes pseudovírus à atividade neutralizante. 

Para isso, utilizaram soro convalescente de 34 pacientes, 5 meses após terem sido infectados pela COVID-19.

Utilizaram ainda soro de 50 pacientes, 2 a 3 semanas após terem recebido a segunda dose de vacinas de vírus inativados (CoronaVac e Sinopharm).

Como foram realizados os ensaios de neutralização de variantes da COVID-19

Em primeiro lugar, foram observadas titulações semelhantes de anticorpos neutralizantes contra o pseudovírus original de Wuhan entre os pacientes previamente infectados e vacinados. 

Isto sugeriu pouca resposta após administração da segunda dose da vacina. 

Após, as titulações de anticorpos neutralizantes foram medidas nas variantes D614G, B.1.1.7, e B.1.351, e comparadas com aquelas obtidas no pseudovírus original de Wuhan.

Resultados: susceptibilidade das variantes da covid-19

O soro convalescente se mostrou mais efetivo em neutralizar o pseudovírus com a variante D614G, com mesma eficácia do pseudovírus original para a variante B.1.1.7, e menos efetiva em neutralizar a variante B.1.351.

No soro proveniente de vacinados com a vacina da Sinopharm, 20 amostras reveleram muito pouca ou completa perda de atividade contra a variante B.1.351.

Já na CoronaVac esse decréscimo também foi observado para as variantes B.1.351 e B.1.1.7. 

Conclusão

Desde a chegada das variantes B.1.1.7  no Reino Unido, e B.1.351 na África do Sul, há uma preocupação crescente de que estas variantes consigam escapar da imunidade conferida seja pela infecção prévia do vírus original, seja pela vacinação.

Os achados do estudo acima exposto demonstram que a variante B.1.1.7 mostrou pouca resistência a atividade neutralizante, proveniente tanto de soro convalescente como de soro após vacinação. 

Já a variante B.1.351 evidenciou maior resistência a atividade neutralizante, quando comparada ao pseudovírus original.

Estes resultados apontam para a necessidade de monitorização contínua da eficácia protetiva das vacinas nas áreas onde variantes do SARS-COV-2 estão em circulação. 

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Referências

Susceptibility of Circulating SARS-CoV-2 Variants to Neutralization – NEJM

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