Amamentação e a COVID-19 | Colunistas

A amamentação é um processo que envolve maior vínculo entre mãe e filho, com repercussões no estado nutricional da criança e com a habilidade defendê-la de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional. O aleitamento materno é o alimento mais completo para lactentes, trazendo benefícios tanto para a criança quanto para a nutriz. Dessa maneira, a pandemia de COVID-19 — doença infecciosa causada pelo vírus SARS-CoV-2 — trouxe preocupações com relação à amamentação. Epidemiologia O leite materno reduz a mortalidade infantil em crianças menores de 5 anos, podendo evitar até 13% das mortes de causas evitáveis nesta faixa etária em todo o mundo. A proteção do leite materno contra mortes infantis é maior quanto menor é a criança. Assim, a mortalidade por doenças infecciosas é seis vezes maior em crianças menores de 2 meses não amamentadas, diminuindo à medida que a criança cresce, porém ainda é o dobro no segundo ano de vida, pois, quanto maior a idade da criança, menor a estimativa de ela estar em aleitamento materno. A amamentação previne a morbimortalidade entre as crianças de países subdesenvolvidos e aquelas com menor nível socioeconômico. Enquanto, para os lactentes de mães com maior escolaridade, o risco de morrerem no primeiro ano de vida era 3,5 vezes maior em crianças não amamentadas, quando comparadas com as amamentadas; para as crianças de mães com menor escolaridade, esse risco era 7,6 vezes maior. Mas, mesmo nos países mais desenvolvidos, o aleitamento materno previne mortes infantis. Como observado nos Estados Unidos, por exemplo, acredita-se que o aleitamento materno poderia evitar, a cada ano, 720 mortes de crianças menores de um ano. Benefícios do leite materno Melhor nutrição: o

Suzana Vasconcelos

5 minhá 6 dias

Cuidados paliativos em pacientes oncológicos | Colunistas

O que é cuidado paliativo? A OMS entende os cuidados paliativos como “(…) uma abordagem para melhoria da qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam uma doença ameaçadora da vida, através da prevenção e do alívio do sofrimento. Requer a identificação precoce e impecável avaliação e tratamento da dor e outros problemas físicos, psicossociais e espirituais.” Ele engloba a prevenção e alívio dos sintomas, atenção à família do paciente, atenção às necessidades emocionais e espirituais e o cuidado interdisciplinar. Princípios Promover alívio da dor e demais sintomas angustiantes;Afirmar a vida e reconhecer a morte como um processo natural;Não buscar antecipar nem adiar a morte;Integrar os aspectos psicológicos e espirituais como parte dos cuidados ao paciente;Oferecer um sistema de suporte para ajudar o paciente a viver tão ativamente quanto possível até a morte;Oferecer um sistema de suporte à família que permita que ela cuide do paciente até o final.  Símbolo A Fundação do Câncer divulgou que a borboleta é o símbolo de cuidados paliativos por viver pouco tempo. Mas, nesse pouco tempo, poliniza as plantas, embeleza a natureza e deixa as pessoas felizes. Ela é um exemplo de que a vida não se mede só em tempo, mas em intensidade. Foi uma iniciativa para conscientização do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, celebrado em outubro. Quando iniciar? Entrar em cuidado paliativo não quer dizer que não há mais nada a se fazer, na verdade ele deve ser iniciado em conjunto com o tratamento curativo. Conforme a doença avança, mesmo que ainda com intenção curativa, os cuidados paliativos devem ser ampliados, em vista dos danos emocionais e físicos impostos pelo tratamento oncológico.

Gabriella Di Cunto Munhoz

3 minhá 9 dias

Partograma: ferramenta importante para internos e médicos | Colunistas

O partograma é uma ferramenta gráfica importante para internos e médicos que passam pela obstetrícia. Através dele, podemos acompanhar o início e a evolução do trabalho de parto e, com isso, ter um forte auxílio nas decisões que serão tomadas ao longo desse processo, sendo recomendada sua utilização pelo Ministério da Saúde e pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). É um documento médico que será preenchido a partir do momento em que a gestante der início ao trabalho de parto e que deverá compor o prontuário médico dessa paciente. Para isso, é preciso que haja a correta identificação do início do trabalho de parto, que se dá com no mínimo duas contrações efetivas (mínimo de 30 segundos) em 10 minutos e dilatação de 3cm (de forma geral). Para melhor compreensão dessa ferramenta, vamos dividi-la em 5 partes e abordar essas divisões de forma mais detalhada na sequência. 1. Identificação da gestante O cabeçalho do partograma varia conforme o serviço, mas todos possuem espaço para o registro do nome completo da paciente, data de início do trabalho de parto/atendimento, horário de admissão (abertura do partograma e consequentemente do trabalho de parto), idade da paciente, idade gestacional e qual a gestação da paciente pelo acrônimo GPCA, onde: G: número de gestações;P: número de partos vaginais; C: número de cesáreas, e;A: número de abortamentos. 2. Dilatação e altura do feto Aqui registramos a evolução do trabalho de parto, através da mensuração da dilatação e da altura do feto, as quais são obtidas via toque vaginal. É importante que sejam registrados os horários real e de registro em que esses dados são obtidos.

Leonardo Cardoso

4 minhá 9 dias

Cafeína vista além da xícara de café | Colunistas

A cafeína é a mais conhecida do grupo de drogas das metilxantinas, substâncias alcaloides com grande efeito no sistema nervoso central. Além dela, fazem parte do grupo também a teofilina e a teobromina. Tais substâncias são encontradas em diversas plantas, sendo a maioria utilizada para o preparo de alimentos, bebidas ou medicamentos. Assim, ela é uma droga recreativa legal e o seu consumo o é o mais alto dentre as drogas usadas para automedicação. Cafeína na história e sociedade             A Lenda de Kaldi, no ano de 575, é a primeira referência do café. Nesta, um pastor de cabras na Etiópia observou que seu rebanho ficava sobre efeito estimulante após ingerir folhas e frutos de determinada planta. Em 1820, a cafeína foi descoberta a partir do café por Ferdinand Runge, que teve o interesse por café estimulado pelo amigo e escritor Wolfgang von Goethe. Hoje a cafeína é adicionada em refrigerantes, energéticos, analgésicos e pílulas estimulantes por exemplo. Naturalmente, ela é encontrada em diversas plantas, as quais são utilizadas para o preparo de café, chás e chocolate. O café é a bebida mais amplamente consumida e conhecida dentre as que apresentam naturalmente cafeína. O grão de café é originário da Etiópia e teve seu uso difundido pelo norte da África até que chegou à Europa. O hábito de tomar café socialmente surgiu na cultura árabe e veio ao encontro do islamismo, já que a religião não permite o consumo de bebidas alcoólicas. Estudiosos ingleses acreditavam, na época, que o café seria uma boa alternativa às bebidas alcoólicas e poderia ser a cura para alcoólatras. Já houve um tempo no qual o café superou o consumo de bebidas alcoólicas na Inglaterra devido à popularidade dele e

Larissa Faria

9 minhá 9 dias

Cefaleias primárias | Colunistas

Aproximadamente 90% dos casos de cefaleia primária se enquadram nos três seguintes grupos: enxaqueca, cefaleia tensional e cefaleia autonômica trigeminal (cefaleia em salvas, hemicrania paroxística, hemicrania contínua e neuralgiforme unilateral). O diagnóstico entre elas, principalmente entre cefaleia tensional e enxaqueca de leve intensidade sem aura, nem sempre é fácil, não apenas pela semelhança, mas também pela possibilidade de ocorrerem simultaneamente. A Classificação Internacional de Cefaleias (3° edição – 2014) tem critérios para caracterizá-las e facilitar sua diferenciação. Caso a cefaleia apresentada pelo paciente apresente algum sinal de alarme, ou “red flag”, como início tardio da cefaleia (pacientes com mais de 50 anos), início súbito e agudo, nova cefaleia, novo padrão comparado com episódios anteriores, sinais ou sintomas de acometimento sistêmico, doenças sistêmicas que possam predispor à causa secundária, cefaleia que altera com manobras, que aumente ou diminua a pressão intracraniana, entre outros, deve levantar a suspeita de causa secundária e prosseguir em sua investigação. Aqui, focaremos no principal sobre as cefaleias primárias. Enxaqueca Aproximadamente 12% da população é afetada, sendo mais frequente em mulheres, entre 30-39 anos e com história familiar positiva, com a apresentação sem aura predominante (75%). Pode se apresentar como enxaqueca com aura ou sem aura e pode ser crônica. Tipicamente, ocorre com pródromo (sintoma vegetativo ou afetivo, horas ou dias antes do episódio de cefaleia, como hiper/hipoatividade, depressão, fadiga, rigidez/dor na nuca), aura (sintomas visuais, auditivos, somatosensoriais ou motores que antecedem a cefaleia) e cefaleia (geralmente unilateral, pulsátil, de moderada ou grave intensidade, acompanhada de náusea e/ou foto/fonofobia, piora com exercício físico). O paciente pode apresentar sintomas após o quadro de cefaleia, como exaustão, em fase de resolução. Quando não apresenta aura, dura

Júlia Machinski

3 minhá 9 dias

A pandemia e sua projeção ao longo de 2021 | Colunistas

A epidemia de SARS-CoV-2 começou na cidade de Wuhan em 2019 e logo se tornou uma pandemia mundial que tem se projetado ao longo de 2020, e certamente se manterá ao longo do ano de 2021. Assim que foi detectada na China como uma ameaça, sequenciaram o vírus responsável pela COVID-19 e logo o identificaram como sendo um novo coronavírus, que compartilhava certas sequências com CoVs semelhantes à SARS derivados de morcegos, portanto, uma zoonose. O SARS-CoV-2 é um membro do Coronaviridae, uma família de vírus de RNA de fita simples, de sentido positivo e envelopado que infecta uma ampla gama de vertebrados. E muito mais que isso, suas diferenças o tornam mais infeccioso que os outros Coronaviridae. Projetar a pandemia de COVID-19 para o ano de 2021 é entender cada vez mais o seu comportamento, a sua epidemiologia e fisiopatologia. Dentre as milhares de possibilidades, há a hipótese de que o SARS-CoV-2 tenha adquirido mutações dentro de um animal que facilitaram a sua replicação em humanos. Animais como o morcego, reservatório natural de milhares de vírus, podem transferi-los a humanos. E é algo natural que acontece de maneira constante entre espécies. É importante ressaltar que a história do vírus HIV seguiu o mesmo trajeto de saltos interespecíficos, com a diferença da epidemia local do Congo ter surgido em um mundo muito menos conectado e com a capacidade de desenvolvimento de testes para a detecção menos velozes que no século XXI. Do surgimento do HIV ao desenvolvimento dos primeiros medicamentos que de fato controlavam a doença, foram 10 anos. São vírus totalmente diferentes. Mas é importante salientar o intervalo que levamos para o desenvolvimento de meios a controlar parte dos efeitos deletérios do HIV. Existe uma necessidade urgente da vacina para o SARS-CoV-2.

Marcela S Rocha

2 minhá 9 dias
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