Trombose da veia porta: fisiopatologia e fatores de risco | Colunistas

A associação da trombose da veia porta com uma variedade de distúrbios já é conhecida desde o final do século passado. Esses distúrbios incluem sobretudo a cirrose hepática e hipertensão portal. Entretanto, malignidades, infecção intra-abdominal e sequela de cirurgias abdominais também são relatadas. Neste artigo, você aprenderá como funciona biológica e fisiopatologicamente o mecanismo da trombofilia e os principais fatores de risco de trombose em pacientes com e sem cirrose hepática. Fígado e sua relação com o fluxo sanguíneo O fígado tem um sistema circulatório único, evoluído para proteger o órgão contra eventos isquêmicos. No entanto, quando esse fluxo é impedido de seguir normalmente, consequências clínicas importantes podem aparecer. No nível sinusoidal, a privação de fluxo sanguíneo por microtrombos da veia porta é proposta como causa de fibrose, atrofia de órgãos e hipertensão portal. Por outro lado, quando a interrupção desse fluxo sanguíneo ocorre através das veias mesentéricas esplâncnicas, chama-se de lesão de extinção do parênquima, conceito que foi originalmente definido para enfatizar as consequências da isquemia para o fígado. Já a trombose não tumoral da veia porta associada às tributárias esplâncnicas pode ocorrer a partir de uma variedade de etiologias subjacentes, incluindo hipertensão portal, hipercoagulabilidade e lesão endotelial. No diagnóstico inicial, é importante distinguir entre a trombose venosa portal comum relacionada à cirrose e à não cirrótica. Essa distinção deve ser crítica, pois a avaliação, prognóstico e tratamento são diferentes. Além disso, a avaliação cuidadosa para associação de malignidade hepática primária é essencial. Estabelecer a duração da trombose, se aguda ou crônica, a anatomia e a extensão dentro do sistema venoso mesentérico esplâncnico são também de fundamental importância para ajudar a definir uma melhor abordagem ao paciente. Biologia da hipercoagulabilidade

Josiel Silva

5 min10 days ago

Cuidados paliativos em pacientes oncológicos | Colunistas

O que são cuidados paliativos? Reconhecidas em 2006, as práticas de cuidados paliativos foram reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina como intervenções a pacientes em situações terminais, para casos em que o tratamento curativo de qualquer natureza já não surge mais efeito, e pacientes diagnosticados em estadiamentos mais terminais. Embora grande parte dos pacientes sejam oncológicos, os cuidados paliativos podem ser utilizados em quaisquer situações de terminalidade da vida, como doenças degenerativas neurológicas e crônicas e outras situações ameaçadoras à vida, sem possibilidade de cura. Essas terapias têm como principal objetivo trazer conforto e qualidade de vida ao paciente e à família, já que o processo de adoecimento não implica apenas na degeneração do paciente, mas também de todos os que o cercam. Entende-se que os cuidados paliativos visam o alivio do sofrimento que vai além do físico, mas também do psicossocial e espiritual. Além de terapias que buscam o controle da dor (cerca de 75% dos pacientes oncológicos relatam dor intensa, considerada pela OMS uma emergência médica) e outros sintomas, é de extrema importância a introdução de cuidados psicológicos e espirituais, auxiliando no processo de passagem, conforme as diferentes crenças religiosas de cada paciente e seus familiares. Tratando-se de um atendimento multidisciplinar, médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, todos os profissionais diretamente ligados ao processo biopsicossocial são fundamentais para proporcionar o melhor atendimento, visando conforto e qualidade de vida por meio do controle das condições clinicas do paciente. Como classificar o estadiamento do paciente oncológico?   Para entender quando os cuidados paliativos serão necessários, primeiro é preciso avaliar os estadiamentos do câncer de forma geral, tendo em vista que são fundamentais para o prognóstico da doença. Quanto pior

Comunidade Sanarmed

3 min10 days ago

Antes do começo: o “pré-pré-natal” e sua enorme importância | Colunistas

Gerando um novo ser – o sonho Sonho de muitas famílias, gerar um novo ser, principalmente para quem deseja muito, é um momento de muita alegria e felicidade para todos. É uma mudança na estrutura familiar, social, psicológica – tanto para quem gera quanto para quem acompanha –, ambiental e, por que não dizer, quão lindos são os projetos de quartos de bebês que vemos por aí. Enfim, uma mudança de prioridades na vida. Sendo assim, é de se esperar que, nas gestações planejadas e desejadas, a mulher e o pai da criança então se organizem bastante, façam toda a avaliação e só depois de checar que está tudo certo comecem a tentar engravidar, certo? Na verdade, algo tão comum em outras fases da vida entre homens, mulheres, crianças e idosos, o famoso “check-up”, realizado algumas vezes, inclusive, sem muita indicação médica ou propósito, acaba ficando de lado nesse momento. Parece até paradoxal, não é mesmo? Percentual de preparo adequado Um estudo da USP que coletou dados de mais de 800 mulheres, das quais mais de 600 tinham planejado a gestação, evidenciou que menos das que planejaram fizeram a avaliação pré-concepcional de maneira adequada (47%). Se formos além, pensando no percentual geral entre todas, caímos para uma taxa incrível de 15% apenas de preparo. É muito pouco para algo tão importante, concorda? Em outros países, a taxa também não é tão maior assim do que no Brasil. Sendo assim, a Organização Mundial de Saúde fez uma grande reunião em 2012 para discutir o tema, com foco na redução de morbidades maternas e neonatais. Quais motivos impedem essa realização?  Pensando em aspectos práticos,

Érico Lucas de Oliveira

5 min10 days ago

Isquemia mesentérica aguda: diagnóstico e manejo inicial | Colunistas

“Deve ser abdome agudo…”             Se você já se deparou com um caso de isquemia mesentérica antes, sabe o quão difícil pode ser o diagnóstico e quão dramática pode ser a situação dos pacientes que sofrem desse mal. Se ainda não, esta pode ser sua oportunidade para não deixar “passar batida” a doença naquele paciente com dor abdominal ainda sem etiologia definida que você vai reavaliar no seu próximo plantão.             A isquemia mesentérica aguda faz parte do diagnóstico sindrômico de abdome agudo de causa vascular, uma vez que ocorre uma interrupção abrupta do suprimento sanguíneo intestinal, levando a dor abdominal pela isquemia local e potenciais complicações fatais. Você pode entender melhor o conceito de abdome agudo e suas outras causas aqui. Compreendendo a isquemia             Vamos relembrar a anatomia do suprimento arterial intestinal, que é feita por três ramos diretos da aorta: tronco celíaco, artéria mesentérica superior (AMS) e artéria mesentérica inferior (AMI). O tronco celíaco supre, além do estômago, baço, fígado e vias biliares, a porção duodenal do intestino e pâncreas através da artéria gastroduodenal e seu ramo pancreatoduodenal superior.A AMS, nosso maior objeto de interesse, irriga a maior parte do trato intestinal: duodeno (anastomose com o tronco celíaco pela pancreatoduodenal inferior), jejuno, íleo, ceco, apêndice, cólon direito e transverso.A AMI perfunde o cólon esquerdo, sigmoide e reto em sua porção superior.             Vale lembrar que há uma rica circulação colateral entre os diversos ramos arteriais, entre os quais podemos destacar as pancreatoduodenais superior e inferior (anastomoses entre tronco celíaco e AMS), arcada de Riolan e artéria marginal de Drummond (anastomoses entre AMS e AMI). No caso do reto, há anastomoses entre as artérias retais superiores

Rafael Carvalho

8 min10 days ago

O que é edema agudo de pulmão? | Colunistas

Definição O edema agudo de pulmão (EAP) é uma síndrome clínica que pode ser definida como um acúmulo de líquido extravasado dos capilares para o interstício pulmonar, capaz de causar dificuldade para o acontecimento das trocas gasosas entre o capilar e os alvéolos pulmonares. Pode ser identificado no paciente quando este apresenta um aumento na pressão capilar pulmonar e, consequentemente, aumento de líquido no espaço intersticial e alveolar do pulmão. Esse quadro gera no paciente dispneia súbita e intensa ao repouso, com saturação de O2 menor que 90% à respiração ambiente (hipoxemia), diminuição da complacência pulmonar, trabalho respiratório aumentado e relação ventilação-perfusão anormal. Fisiopatologia de edema agudo de pulmão Comumente, em casos de EAP, ou há um desequilíbrio nas forças das trocas de fluidos intravasculares e intersticiais, ou há uma ruptura de membrana alveolocapilar; independentemente disso, uma vez que um alvéolo é inundado, haverá algum grau de ruptura e a sequência pode ser dividida em três estágios: Elevação do fluxo de líquidos dos capilares para o interstício, sem que se detecte, ainda, aumento do volume intersticial pulmonar devido ao aumento paralelo e compensatório de drenagem linfática;O volume que é filtrado pelos capilares ultrapassa a capacidade de drenagem linfática máxima e inicia-se o acúmulo de líquido no interstício; inicialmente, este ocorre de modo preferencial junto aos bronquíolos terminais, onde a tensão intersticial é menor;Aumentos adicionais do volume, no interstício, terminam por distender os septos interalveolares e consequente inundação dos alvéolos. É importante salientar que existe uma classificação do EAP segundo sua fisiopatologia, que se dá de acordo com o desbalanço das forças de Starling, alteração da permeabilidade alveolocapilar, insuficiência linfática ou de etiologia desconhecida. Classificação

Joana Menezes

3 min11 days ago

Síndrome de Cushing na pediatria | Colunistas

Etiologia e epidemiologia da síndrome de Cushing na pediatria             A síndrome de Cushing é relativamente rara em crianças e adolescentes e é causada pela exposição excessiva e prolongada a glicocorticoides endógenos ou exógenos. A causa mais comum da síndrome na pediatria é o uso de glicocorticoides em doses farmacológicas e por tempo prolongado.             Várias doenças provocam o aumento da produção de cortisol em todas as idades, mas algumas doenças predominam em algumas faixas etárias. Em lactentes e pré-escolares, as doenças suprarrenais são mais comuns. Em escolares e adolescentes, a síndrome de Cushing dependente de ACTH é a causa mais comum, tendo mais prevalência no sexo feminino.             A síndrome de Cushing pode ser independente e dependente de ACTH. O subgrupo independente de ACTH é divido em exógeno, sendo causado pela administração de glicocorticoides exógenos, e endógeno, causado por tumores adrenocorticais. O subgrupo dependente de ACTH pode ser provocado pela doença de Cushing ou pela síndrome do ACTH ectópico. Quadro clínico             O principal sinal clínico é o ganho de peso exagerado que não é acompanhado pelo aumento da velocidade de crescimento. Essa não-relação entre peso e estatura é um ponto muito importante que ajuda a diferenciar a síndrome de Cushing e obesidade primária. Outros achados clínicos são adiposidade acentuada na face, pescoço e tronco, pletora facial, cefaleia, hipertensão arterial, obesidade, estrias violáceas, fadiga e atraso do desenvolvimento puberal. Muitos desses sinais podem não ocorrer em lactentes, o que acaba retardando o diagnóstico.             Nos casos em que o paciente possui excesso de mineralocorticoides, podem apresentar hipotassemia, hipernatremia leve, com retenção hídrica, edema e hipertensão. Quando apresentam excesso de androgênios, há hirsutismo, acne e vários

Ana Flávia Lima

3 min15 days ago
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