Nervo acessório: o esquecido | Colunistas

O nervo acessório, também conhecido como XI par dos nervos cranianos, é uma das partes que gosto de chamar de injustiçadas da neuroanatomia. Ficamos tão preocupados com outras estruturas “mais nobres”, que este pobre nervo acaba passando despercebido. Então hoje resolvi vestir minha capa e defendê-lo, mostrando que deve sim ser lembrado, pois, além de interessante – diria, inclusive, polêmico –, tem relevâncias clínicas. Localização da origem do nervo acessório Imagem disponível em: https://www.tuasaude.com/nervo-vago/ Recordando sua anatomia             Para me auxiliar nesta tarefa, resolvi desempoeirar o grande Machado (não o de Assis, mas sim da neuroanatomia) para me ajudar. Ele nos revela que o nervo acessório é composto por duas raízes: uma craniana (ou bulbar) e uma espinhal.             A raiz espinhal surge da face lateral dos cinco ou seis primeiros segmentos cervicais da medula, que se juntam e penetram o crânio pelo forame magno, para se juntarem à raiz bulbar, que, por sua vez, emerge do sulco lateral posterior do bulbo, formando um único tronco.             Este tronco comum atravessa o forame jugular na companhia dos nervos glossofaríngeo e vago (as “primas blogueiras” do acessório), e se dividirá novamente em dois ramos: o externo, que contém as fibras da raiz espinhal e inerva os músculos trapézio e esternocleidomastóideo, e o interno, que contém fibras da raiz bulbar, que se une ao vago e distribui-se com ele.             O ramo interno possui dois tipos de fibras: as eferentes viscerais especiais, responsáveis pela inervação dos músculos da laringe através do nosso conhecidíssimo nervo laríngeo recorrente, e as eferentes viscerais gerais, que inervam vísceras torácicas com as fibras do nervo vago (e você aí creditando tudo ao vago, não é?!).

Bárbara Galardino

4 minhá 4 dias

Fibrilação Ventricular | Colunistas

A fibrilação ventricular é uma arritmia cardíaca grave, frequentemente fatal. É a principal causa de parada cardiorrespiratória, por isso a importância em reconhecer essa condição e seu manejo. Fisiopatologia da fibrilação ventricular A fibrilação ventricular é caracterizada pela desorganização do ritmo cardíaco, apresentando-se como contrações rápidas e fracas, produzidas por múltiplos impulsos elétricos originados de vários pontos dentro dos ventrículos, e não do nodo sinusal no átrio direito, como deveria ocorrer. Essas grandes variações na despolarização e repolarização, impedem que os ventrículos se contraiam conjuntamente, resultando em contração ineficaz e parada circulatória devido à ausência de débito cardíaco. É possível observar três fases distintas para os eventos de fibrilação ventricular: 1ª fase – taquissistolia, com queda progressiva da pressão arterial;2ª fase – incoordenação muscular grosseira, que ocorre de 30 a 40 segundos após o início da parada cardiorrespiratória;3ª fase – tremor fino após 2 a 3 minutos do início do evento, podendo evoluir para uma parada completa da atividade elétrica. Causas da fibrilação ventricular As causas mais frequentes de fibrilação ventricular são secundárias ao comprometimento grave do miocárdio. A mais comum é a isquemia, pois, durante o infarto agudo do miocárdio, há uma queda extenuante de oxigênio nas células miocárdicas, promovendo alteração das concentrações de íons intracelulares e extracelulares, consequentemente, acarretando retardo na condução elétrica e favorecimento dos fenômenos de reentrada. Novas isquemias em pacientes com isquemias prévias podem facilitar a ocorrência de fibrilação ventricular. Esta arritmia cardíaca pode ocorrer também por quaisquer outras cardiomiopatias graves, mesmo na ausência de isquemia, além de outros fatores desencadeantes, que incluem a ação das catecolaminas por defeito dos receptores de rianodina, síndrome de Brugada, síndrome do QT longo, podendo ser

Eduarda Tanaka Sperandio

4 minhá 4 dias

Plantão Médico: me formei, e agora? | Colunistas

Lembro daquela sensação de ansiedade pela formatura, por finalmente ter um CRM para chamar de meu, pela procura por plantões de início imediato, da dica mais valiosa dos veteranos, de nunca pegar um plantão em um lugar que você não tem referência de como funciona e, claro, se pagam corretamente. Cumprida todas as etapas, com o melhor jaleco na bolsa e com o carimbo que carregava o peso de tantos anos de dedicação, me precavi ainda mais nos primeiros meses da minha vida profissional, fazendo todos os plantões com uma amiga que se formou comigo. Mesmo quando o plantão tinha vaga apenas para uma pessoa, íamos juntas com a certeza de que ter alguém por perto em quem você confia, ajuda muito. Naquela época, do meu primeiro plantão, os aplicativos de medicina não eram tão disponíveis como hoje, mas para tudo sempre se dava um jeito. Eu tinha uma pasta no celular, com as fotos dos principais resumos e esquemas, tudo ali, preparado e de fácil acesso para os momentos de dúvida (ou desespero). Como se preparar Passada a etapa de preparativos iniciais, a primeira coisa que posso te aconselhar é conhecer o local de trabalho antes do primeiro plantão. Entenda exatamente quais serão suas funções (atender apenas as fichas azuis, verdes e amarelas? Ajudar na sala de emergência se necessário? Resolver intercorrências de outros setores? Fazer avaliações dos pacientes de outras especialidades?). Com certeza, ter uma noção do que você pode fazer nas suas 12 horas de plantão vai te tranquilizar. Descubra existirão outros médicos de plantão no mesmo horário que vocês e, assim que chegar, se apresente para o colega e para equipe da enfermagem, que, com certeza vai te ajudar muito. O que aprendi logo no

Lídia Tatekawa

3 minhá 4 dias

Mecanismo do trauma e suas particularidades na gestante | Colunistas

O trauma, por si, é um componente de preocupação durante o atendimento hospitalar. A depender da energia cinética envolvida no evento, diversas lesões ameaçadoras à vida podem estar presentes e requerem intervenção imediata. Quando a vítima está gestante, essa preocupação é duplicada por exigir cuidados de dois pacientes. Além disso, as alterações fisiológicas da gestação, tornam o trauma durante esse período uma entidade clínica única. De acordo com a base de dados americana, o trauma durante a gestação gera 30 mil consultas ao ano e representa 20% das mortes maternas, sendo a principal causa de morte não obstétrica durante a gestação. Essa incidência é ainda subnotificada, uma vez que as gestações no primeiro trimestre não costumam ser facilmente identificáveis. Por isso, toda mulher em idade fértil vítima de trauma deve ser considerada gestante até que se prove o contrário, ou seja, por um ß-HCG negativo ou através da ultrassonografia. Outra máxima importante está na prioridade de atendimento no trauma. Segundo o Advanced Trauma Life Support (ATLS), o melhor tratamento inicial para o feto está na estabilização clínica da mãe. Para tal, devemos estar atentos às variações anatômicas e particularidades fisiológicas encontradas nestas pacientes, bem como os principais mecanismos produtores de lesões traumáticas envolvidos, que serão detalhados abaixo. Anatomia da gestante Com o avançar da gestação, o útero cresce e projeta-se para fora da pelve a partir da 12ª semana. Já na 20ª semana, pode ser palpável ao nível da cicatriz umbilical e, entre 34ª e 36ª, alcança a margem costal. Com isso, ocorre uma leve compressão do diafragma – elevando-se cerca de 4 cm –, o que produz uma redução no volume residual pulmonar. À medida que a cabeça do feto se posiciona na pelve para

Marcella Araújo Pires

5 minhá 4 dias

Noções sobre tromboembolismo pulmonar | Colunistas

Introdução O tromboembolismo pulmonar (TEP) representa uma síndrome clínica caracterizada pela presença de um ou vários trombos venosos que impactam e ocluem as artérias pulmonares. Os trombos frequentemente são provenientes da trombose venosa profunda (TVP) das veias dos membros inferiores. Em alguns casos, a embolia pulmonar não causada por trombos pode ser originada devido a gotículas de gordura na embolia gordurosa, embolia gasosa ou embolia tumoral. O TEP é a uma das principais causas cardiovasculares de morte, junto com o infarto aguda do miocárdio (IAM) e o acidente vascular encefálico (AVE). Essa patologia corresponde à causa reversível mais comum de morte em pacientes hospitalizados, sobretudo em pacientes que apresentam insuficiência cardíaca predominante no lado direito do coração. A IC direita progressiva é a causa mais comum de morte por embolia pulmonar. Alguns estudos indicam que há uma maior incidência de TEP em homens quando comparado às mulheres (56 homens para 48 mulheres por 100.000 habitantes). O TEP apresenta uma alta prevalência e alta mortalidade, porém, devido a sua sintomatologia inespecífica, muitos casos de tromboembolismo pulmonar são subdiagnosticados. O TEP pode ser subdividido em TEP agudo, subagudo e crônico. Pacientes com TEP agudo apresentam início súbito dos sintomas, quase que imediatamente após a embolização do trombo nas artérias pulmonares. Já no TEP subagudo, os sintomas começam a aparecer dias ou poucas semanas após a embolização. Por fim, pacientes com TEP crônico desenvolvem hipertensão pulmonar após meses ou anos da embolização do trombo. Fonte: http://www.hcfmb.unesp.br/tromboembolia-pulmonar/ Fisiopatologia A fisiopatologia do tromboembolismo pulmonar está relacionada aos fatores presentes na tríade de Virchow, que indica os fatores patológicos para o desenvolvimento da trombose venosa profunda (TVP). A grande maioria dos trombos são originados nas veias

Wesley Vinicius

5 minhá 4 dias

Entendendo a classificação de enxertos de pele | Colunistas

Enxerto é um tecido vivo que foi removido do seu local de origem e transplantado para outro, que pode ser no mesmo indivíduo ou não, incluindo até espécies distintas. Essa definição é semelhante à do retalho, mas a diferença é que os retalhos mantêm seu suprimento de nutrientes original (seu suprimento vascular), enquanto o enxerto será nutrido pela área que vai lhe receber (enXerto = “ex” nutrição). Os diferentes tipos e as múltiplas classificações de enxertos de pele são importantes devido às diferentes apresentações possíveis de nossos pacientes. Serão explicadas quatro classificações para os enxertos de pele, com exemplos de aplicações de cada uma e breves comentários, visando à memorização do leitor. Importante notar que as classificações se somam, podendo o enxerto ter duas ou mais classificações. Podemos ter um enxerto simples, autólogo e de pele total, por exemplo. Você provavelmente chegou até esse texto procurando sobre enxertos de pele, os mais frequentes, mas lembre-se de que existem outros tipos de enxerto. Por exemplo, o primeiro enxerto ósseo foi feito por Van Meeken em 1682. Com esse conhecimento introdutório em mente, vamos à primeira classificação. Classificação quanto à fonte de obtenção Os enxertos podem ser definidos conforme a relação entre a área doadora e a área receptora. Se essas áreas estão em um mesmo paciente, são chamados autólogos. Alguém que teve uma queimadura grande em uma perna pode receber um enxerto que foi retirado da outra perna, por exemplo. Mas como faríamos o enxerto em um paciente que teve queimaduras tão extensas que lhe faltam pele sã? Nesse caso a pele pode ser doada por outro indivíduo. Quando as áreas doadora e receptora estão em indivíduos diferentes, existem duas possibilidades. Quando são da

Thiago Henrique Silva

4 minhá 4 dias
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