Somitos, Celoma Intra e Sistema Cardiovascular | Colunistas

Somitos A partir da terceira semana de desenvolvimento embrionário, células que migram da região do epiblasto para a linha primitiva contribuem para a formação do mesoderma num processo chamado gastrulação. As células mesodérmicas da linha média formam a notocorda. Lateralmente à notocorda, encontra-se o mesoderma paraxial, onde serão formados aglomerados de tecido chamados somitos. Os somitos são geralmente visíveis em pares na superfície do embrião. Dos somitos originam muitos tecidos conjuntivos diferentes como: cartilagens, ossos, músculos e tendões. Imagem 1 – Corte transversal de embrião evidenciando o formato achatado do disco embrionário trilaminar. Fonte: Embriologia Médica – Langman. A formação dos somitos Inicia por volta do 20º dia de desenvolvimento embrionário devido a segmentação do mesoderma paraxial. Os primeiros pares de somitos surgem na região occipital do embrião em direção craniocaudal e a cada dia aparecem 3 novos pares de somitos até o fim da 5ª semana, somando aproximadamente de 42 a 44 pares de somitos no total, divididos em pares occipitais, cervicais, torácicos, lombares, sacrais e coccígeos. Os últimos pares coccígeos tendem a desaparecer, restando aproximadamente 35 pares de somitos e assim constituindo o esqueleto axial do embrião. Esse processo é sequencial e usado para determinar a idade do embrião com base no número de pares de somitos visíveis no exame de ultrassom. Os somitos também são subclassificados em diferentes segmentos: Esclerótomo, formado da parte ventral e medial de um somito, desenvolve a coluna do embrião;Miótomo, forma músculos flexores e extensores;Dermátomo, desenvolve o tecido conjuntivo subjacente à epiderme começando por um espessamento dorsal e se espalhando por todo o corpo. Imagem 2 – Estágios do desenvolvimento de um somito. Fonte: Embriologia Médica – Langman. Celoma intraembrionário

Rafael Machado Simão

6 min há 45 dias

Diretrizes Brasileiras para o Diagnóstico, Tratamento e Prevenção da Febre Reumática | Ligas

A febre reumática (FR) e a cardiopatia reumática crônica (CRC) são complicações da faringoamigdalite causada por estreptococo beta-hemolítico do grupo A e ocorrem devido à resposta imune tardia a esta infecção. Apesar da redução da incidência dessas doenças nos últimos anos nos países desenvolvidos, a FR permanece como problema de saúde pública importante, principalmente nos países em desenvolvimento. A FR afeta especialmente adultos jovens e crianças. A cardite é a mais temível manifestação, que responde pelas sequelas crônicas em fases precoces da vida, muitas vezes incapacitantes, gerando elevado custo socioeconômico. Os gastos gerados pela assistência aos pacientes com FR e CRC no Brasil são significativamente elevados. A inexistência de um programa de prevenção no âmbito nacional contribuiu para que a FR mantivesse taxas de prevalência elevadas. Estas Diretrizes recomendam a criação de um Programa Nacional de Prevenção e Controle da Febre Reumática que, certamente, deverá envolver ações multissetoriais. Epidemiologia A faringoamigdalite e o impetigo são as infecções mais frequentemente causadas pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A (EBGA). Porém, somente a faringoamigdalite está associada ao surgimento da FR. O EBGA é o responsável por 15%-20% das faringoamigdalites e quase a totalidade daquelas de origem bacteriana. A faringoamigdalite estreptocócica acomete preferencialmente indivíduos de 5 a 18 anos. Sua incidência varia conforme os países, regiões, condições socioeconômicas, fatores ambientais e qualidade dos serviços de saúde. De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que anualmente no Brasil ocorram cerca de 10 milhões de faringoamigdalites estreptocócicas, totalizando 30.000 novos casos de FR, dos quais aproximadamente 50% poderiam evoluir com acometimento cardíaco. A FR constitui a principal causa de cardiopatia adquirida em crianças e adultos jovens nos países

LEM.DF

9 min há 47 dias

Diretriz: Hipertensão Arterial na Gestação da Sociedade Brasileira de Cardiologia | Ligas

A Diretriz sobre Hipertensão Arterial na Gestação foi elaborada em 2020 pelo Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA-SBC), pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), como parte das Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Diante da atual relevância dos distúrbios hipertensivos na gestação, a diretriz aborda aspectos como epidemiologia, classificação, conceito e critérios diagnósticos, predição e prevenção, conduta, tratamento e riscos futuros. Dessa forma, busca esclarecer e auxiliar no manejo das pacientes com hipertensão arterial na gestação. Epidemiologia Ao redor do mundo, a Hipertensão Arterial (HA) na Gestação é uma das principais causas de mortalidade tanto materna quanto perinatal. A hipertensão crônica atinge algo entre 0,9 e 1,5% das grávidas, enquanto a pré-eclâmpsia (PE) provoca complicações em 2 a 8% das gestações. Especificamente no Brasil, a PE apresenta incidência de 1,5%, sendo a principal causa das intervenções de prematuridade eletiva. Já a incidência da eclâmpsia é estimada em 0,6%, de modo que a prevalência e a taxa de mortalidade materna variam de acordo com o grau de desenvolvimento das diferentes regiões do país. Classificação da Hipertensão Arterial na Gestação As definições e as classificações recomendadas são as propostas pelo comitê do American College of Obstetrician and Gynecologists (ACOG). Cabe destacar, entre as definições, o conceito de hipertensão gestacional, caracterizada por pressão arterial sistólica (PAS) ≥140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica (PAD) ≥90 mmHg, ou ambas, medidas com, pelo menos, 4 horas de intervalo. A hipertensão gestacional grave é definida pela PAS ≥160 mmHg e/ou PAD ≥110 mmHg, ou ambas, também medidas com, no mínimo, 4 horas de intervalo. Em relação à classificação, a PE é

LADHAS UNIFAL-MG

4 min há 47 dias

Caso Eriksen: como a morte súbita pode ser abortada?

No último sábado (12), o mundo se chocou com as imagens da parada cardíaca seguida de morte súbita do jogador Christian Eriksen em campo, durante partida da Dinamarca contra a Finlândia pela Eurocopa. A queda mobilizou os times, equipes médicas e comissão técnica em campo. Após alguns minutos, o público foi informado de que a parada cardíaca do meio-campista de 29 anos foi abortada, e o jogo prosseguiu normalmente. Ao ter seus sinais vitais restabelecidos, boa parte do público imaginou tratar-se de algum episódio de mal estar – convulsão, desmaio, desidratação etc. Em seu Twitter, o professor José Alencar, autor dos livros Manual de ECG e Manual de Medicina Baseada em Evidências, logo chamou a atenção para o fato de que um mal súbito atingiu o jogador, e que a reversão do quadro foi possível devido à rapidez das ações, aos equipamentos disponíveis e outras condições do ambiente. Coordenador da Pós Graduação em Medicina de Emergência da Sanar, o médico cardiologista explicou o acontecimento em vídeo no nosso canal do YouTube. Assista: Professor José Alencar explica a morte súbita abortada. Assunto entrou em alta após a reversão da Morte Súbita Cardíaca (MSC) de Christian Eriksen, jogador da seleção da Dinamarca. O que é morte súbita? A Morte Súbita Cardíaca (MSC), ou parada cardíaca súbita, acontece quando há a interrupção inesperada da atividade cardíaca. A MSC é uma consequência associada a diversos fatores de saúde, e pode ou não ser precedida de determinados sintomas. Nestes casos, os sintomas se apresentam em até uma hora antes da parada cardíaca. Estudos apontam que a morte súbita acomete até 13% das pessoas no planeta; e responde por 50% das mortes por problemas do coração.

Sanar

5 min há 51 dias

Diretriz: Equipe Multiprofissional no Controle da Hipertensão Arterial – Sociedade Brasileira de Cardiologia | Ligas

A Hipertensão Arterial (HA) descontrolada é um fator de risco cardiovascular prevalente no mundo inteiro, devendo ser tratada com o intuito de diminuir a morbidade e a mortalidade cardiovascular. Diversos estudos demonstram que os pacientes com HA têm mais sucesso no controle da pressão arterial (PA) e aderem melhor ao tratamento quando são acompanhados por uma equipe multiprofissional. A equipe multiprofissional que atua no tratamento dos pacientes com HA geralmente é formada por médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e profissionais de educação física e todas as decisões acerca do paciente são tomadas de maneira compartilhada.        Atuação dos membros Médico: Generalista na atenção primária e especialistas nos demais níveis (cardiologistas e nefrologistas). É o agente responsável por realizar a consulta médica, diagnosticar a HA, estratificar o risco e orientar o tratamento. Além disso, é a referência e a contrarreferência dentro do sistema de saúde. Enfermeiro: É o agente responsável por acolher, identificar e promover o autocuidado dos pacientes, além de planejar estratégias para que a adesão deles ao tratamento seja maximizada e realizar as visitas domiciliares. Os enfermeiros são responsáveis também por outras ações específicas na atenção básica, como realizar a consulta de enfermagem e supervisionar as ações dos técnicos/auxiliares de enfermagem e dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Nutricionista: É o agente responsável por realizar a anamnese alimentar, avaliar a antropometria, prescrever a dieta com base no diagnóstico médico e exames laboratoriais, acompanhar a mudança dietética do paciente e sua evolução antropométrica. Profissional de Educação Física: É o agente responsável por diminuir o comportamento sedentário na população, incentivar a prática de atividades físicas, programar, ministrar e supervisionar os programas de exercícios físicos.

LADHAS UNIFAL-MG

2 min há 52 dias

Diretriz: Estratificação de Risco Cardiovascular em Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia | Ligas

A relação de entre o aumento da pressão arterial (PA) e o risco de doença cardiovascular (DCV) é inegável, se apresentando tanto no sexo masculino quanto no feminino, independentemente da idade e do grupo ético. A partir disso, entende-se que a DCV é uma condição multifatorial que é influenciada por diversos fatores de risco (FR), sendo um deles o aumento da PA, isto é, quanto maior o número de FR, maior será o risco de DCV. Com isso, avaliar a chance de um indivíduo hipertenso desenvolver DCV em um determinado período de tempo a partir dos FR é um processo essencial para estabelecer estratégias de prevenção e tratamento.  Além disso, ao se identificar um FR potencialmente modificável, deve-se informar o paciente hipertenso para aumentar a eficácia da implementação de medidas não farmacológicas e farmacológicas. A estimativa de risco de DCV não é feita simplesmente pela soma dos FR presentes, mas sim por equações ou algoritmos que incluam a complexidade e a multifatorialidade desses fatores. Além do mais, a avaliação do risco cardiovascular (CV) é feita por meio de estudos populacionais incluídos em diversas diretrizes do mundo. No entanto, é importante ressaltar que há uma decadência de dados populacionais brasileiros, o que torna esses métodos multifatoriais um pouco menos precisos quando utilizados no país. Dentro dessa ideia, com objetivo de diminuir essa imprecisão na avaliação do risco de CV, pode-se utilizar outros marcadores, sendo denominados fatores de modificadores de risco, o que evita subdiagnóstico de pacientes em altos risco e reclassifica o risco em indivíduos de risco moderado. A classificação do risco CV é dependente dos níveis da PA, dos fatores de risco cardiovascular (FRCV) associados e da presença de lesões em órgãos-alvo (LOA), isto é, lesões funcionais e/ou estruturais originadas da hipertensão

LADHAS UNIFAL-MG

7 min há 52 dias
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