PADRÃO DE BRUGADA

A síndrome de Brugada é uma doença congênita, com padrão autossômico dominante, descrita em 1992, podendo ter como desfecho a síncope e a morte súbita cardíaca, por ocasionar taquicardia ventricular polimórfica e fibrilação ventricular. É uma síndrome rara e com maior prevalência em adultos jovens do sexo masculino e de origem asiática. Ela é caracterizada pela presença de um bloqueio de ramo direito (BRD) completo ou incompleto do feixe de His, associado à elevação convexa (supradesnivelamento) do segmento ST em V1, V2 e V3 e a um supra de ST côncavo. Várias mutações estão envolvidas para o desenvolvimento dessa síndrome, sendo que a maioria (18-30%) está relacionada ao gene SCN5A, responsável por codificar a subunidade alfa do canal de sódio dependente de voltagem no coração.  Essa mutação pode acarretar perda de função da corrente de sódio no potencial de ação cardíaco, seja pelo déficit de expressão quantitativa ou qualitativa do canal. Normalmente, a sintomatologia ocorre no período noturno e é precipitada por febre ou fármacos (bloqueadores do canal de sódio, lítio, betabloqueadores, cocaína, antidepressivos tricíclicos). O diagnóstico é feito através do exame de eletrocardiografia (ECG) e pela análise da história clínica e exame físico. Durante a anamnese devemos questionar casos de parada cardíaca inexplicada ou síncope. ELETROCARDIOGRAMA O eletrocardiograma (ECG) é uma forma de registro gráfico da atividade elétrica do coração. Ele é composto por 12 derivações, podendo ser unipolares (atividade elétrica em relação a um ponto teórico zero) ou bipolares (atividade elétrica com diferença de potencial entre dois pontos), que servem para explorar a atividade elétrica em 360°. Esse estímulo é transmitido célula a célula, pelo mecanismo de despolarização, e cada momento será representado no ECG por uma onda:

BEATRIZ YUKI MARUYAMA

4 minhá 20 dias

Fibrilação atrial isolada: arritmia em jovens | Colunistas

A fibrilação atrial (FA) é uma arritmia supraventricular caracterizada por um ritmo irregular e rápido dos átrios. Ela é a arritmia cardíaca mais comum em todo o mundo e ocorre em cerca de 1 a 2% de toda a população mundial. A FA pode ser assintomática ou poder ter sintomas significativos que comprometem o estilo de vida do paciente. Além disso, o risco de se ter uma FA aumenta de acordo com a idade, acontecendo mais em pessoas com idade superior aos 80 anos. Entretanto, a FA pode aparecer em pacientes com menos de 60 anos de idade, sem qualquer doença cardiovascular estrutural, hipertensão arterial sistêmica ou doenças pulmonares, formando um subgrupo de 10 a 20% de pacientes, conhecido como fibrilação atrial isolada. A FA isolada foi estudada em 1953 por William Evans e Peter Swann, quando analisaram 20 pacientes e concluíram que a arritmia provavelmente não era encontrada em mulheres, pois todos os pacientes que foram estudados naquela época eram do sexo masculino, e que, apesar de ser mais comum em idosos, era encontrada em indivíduos jovens. O que é fibrilação atrial isolada? A FA isolada também recebe os nomes de FA idiopática (sem relação com outra doença) ou FA solitária (do inglês “lone atrial fibrillation”, quando ocorre na ausência de alguma cardiopatia), pois surge na ausência de fatores etiológicos que são documentados na história clínica, e pelos exames complementares, tais como o ecocardiograma (ECO) normal. A FA isolada surgiu para definir pacientes mais jovens que tiveram casos de FA sem evidências de qualquer doença cardíaca. Pacientes com FA isolada têm um menor risco de complicações tromboembólicas, anulando a necessidade da anticoagulação. Ela promove mudanças eletrofisiológicas, conhecidas como remodelamento elétrico, que facilitam a sua recorrência e manutenção.

Merlyken Glenda

5 minhá 21 dias

Síndrome de Brugada | Colunistas

Descrita em 1992 pelos irmãos Brugada, trata-se de uma síndrome genética caracterizada por episódios de síncope e morte súbita em indivíduos com morfologia cardíaca normal. Definição Síndrome de Brugada é uma doença genética que altera a eletrofisiologia cardíaca levando ao aumento do risco de síncope e morte súbita, sendo a principal responsável por esse tipo de morte em pessoas sem alterações cardíacas estruturais (12% dos casos). Genética Com modo de transmissão autossômica dominante, com penetração incompleta, essa doença causada por mutação no gene SCN5A provoca uma alteração estrutural dos canais de sódio cardíacos, causando uma diminuição ou perda do potencial de ação no epicárdio do ventrículo direito, mas não no endocárdio, gerando um gradiente que se espalha de voltagem, responsável pela elevação do segmento ST em precordiais direitas e pela eventual fibrilação ventricular. Em alguns pacientes a síndrome não apresenta expressão clínica, porém, naquelas que a apresentam, essa doença pode provocar síncope ou morte súbita cardíaca por taquicardia ventricular polimórfica e fibrilação ventricular. Quando considerar essa síndrome como diagnóstico? Deve ser considerado o diagnóstico para síndrome de Brugada em pacientes com parada cardíaca inexplicada, síncope ou histórico familiar. Quais são os critérios diagnósticos? Critérios do ECG: rSR’ (padrão de BRD completo ou incompleto);Elevação de segmento ST de pelo menos 2 mm em duas derivações de V1-V3 (descendente rápida de R’ em precordiais direitas): alteração esta que se intensifica com manobra vagal, exercício, febre, bradicardia e drogas; e diminui com exercício, estimulação adrenérgica e taquicardia;Supra de ST côncavo: começa no topo do R’, inclina-se inferiormente e termina em uma onda T invertida. Critérios “clínicos”:

Gabriella Di Cunto Munhoz

4 minhá 22 dias

Síndrome do coração partido | Colunistas

Introdução A síndrome do coração partido é um importante diagnóstico diferencial de síndrome coronariana aguda (SCA). Além disso, com a COVID-19, os casos desta síndrome têm aumentado, isso porque, como o próprio nome diz, esta doença acontece quando há um estresse emocional ou até mesmo físico que libera catecolaminas que podem alterar o bombeamento cardíaco (isso será melhor discutido na parte de fisiopatologia). Essa síndrome também é conhecida como cardiomiopatia de takotsubo, devido à forma que o coração fica. Em japonês, takotsubo significa armadilha de polvo, e o miocárdio, quando observado no ecocardiograma, fica com um formato semelhante ao de um takotsubo na sua forma aguda. https://www.revportcardiol.org/pt-miocardiopatia-takotsubo-num-servico-cardiologia-articulo-S0870255112001540#imagen-1 Por ser um importante diagnóstico diferencial de SCA e por sua prevalência estar crescendo devido à pandemia, resolvi escrever este texto explicando um pouco sobre esta doença. Epidemiologia Em 90% dos casos da cardiomiopatia de takotsubo, a doença acontece em mulheres na pós-menopausa (> 60 anos de idade). Existem teorias que defendem que o motivo dessa maior ocorrência nesta faixa etária é por causa de um suposto fator protetivo do estrogênio. Além disso, 43% das pacientes têm hipertensão arterial sistêmica, 25% têm dislipidemia, 23% são tabagistas, 12% têm história familiar de doença cardíaca e 11% eram diabéticas. Outros estudos ainda mostram que, quanto à hipertensão, não são 43%, mas 76%! Vale ressaltar também que a mortalidade segundo alguns estudos é de 3,2%. Fisiopatologia A fisiopatologia da cardiomiopatia de takotsubo ainda não está definida, sendo que atualmente há várias teorias, como um espasmo miocárdio vascular, devido a uma isquemia do miocárdio, e como também uma ação de catecolaminas. Hoje a teoria mais

Pedro H Nakada

3 minhá 25 dias

PADRÃO DE BRUGADA | Colunistas

A Síndrome de Brugada é uma doença com padrão autossômico dominante, descrita em 1992, podendo ter como desfecho a síncope e a morte súbita cardíaca por ocasionar taquicardia ventricular polimórfica e fibrilação ventricular. É uma síndrome rara e com maior prevalência em adultos jovens do sexo masculino e de origem asiática. Ela é caracterizada pela presença de um bloqueio de ramo direito (BRD) completo ou incompleto, associado à elevação convexa do segmento ST em V1, V2 e V3 e a um supra de ST côncavo. Várias mutações estão envolvidas para o desenvolvimento dessa síndrome, sendo que a maioria está relacionada ao gene SCN5A, responsável por codificar a subunidade alfa do canal de sódio dependente de voltagem no coração. A sintomatologia normalmente ocorre no período noturno e normalmente é precipitado por febre, fármacos (bloqueadores do canal de sódio, lítio, betabloqueadores, cocaína, antidepressivos tricíclicos) ou febre. O diagnóstico é feito através do exame de eletrocardiografia (ECG) e pela análise da história clínica e exame físico. Durante a anamnese devemos questionar casos de parada cardíaca inexplicada ou síncope. ELETROCARDIOGRAMA O eletrocardiograma (ECG) é uma forma de registro gráfico da atividade elétrica do coração. Ele é composto por 12 derivações, podendo ser unipolares (atividade elétrica em relação a um ponto teórico zero) ou bipolares (atividade elétrica com diferença de potencial entre dois pontos), que servem para explorar a atividade elétrica em 360°. Esse estímulo é transmitido célula a célula pelo mecanismo de despolarização e cada momento será representado no ECG por uma onda: onda P (despolarização dos átrios), intervalo QRS (despolarização dos ventrículos), onda T (repolarização dos ventrículos.). As derivações podem ser divididas em periféricas ou centrais. As seis periféricas são

BEATRIZ YUKI MARUYAMA

3 minhá 25 dias

Síndrome de Brugada: aspectos gerais de uma condição pouco conhecida | Colunistas

A Síndrome de Brugada (SB) é um acometimento cardiológico genético autonômico recessivo, evidenciado pelo supradesnivelamento do segmento ST em derivações precordiais direitas (V1-V3) no eletrocardiograma (ECG), em conjunto com outras alterações clínicas. Trata-se de uma doença rara e com maior prevalência em homens, estando associadas a eventos súbitos. Devido a isso, ela deve ser obrigatoriamente diagnosticada, estratificada e tratada. Em meio à pandemia de COVID-19, infecção viral causada pelo Sars-Cov-2, algumas literaturas evidenciaram o desencadeamento da SB associado ao quadro infeccioso. Esse tipo de achado evidencia a importância de conhecer mais sobre a doença em questão, que ainda é alvo de estudos mais detalhados. Histórico A SB foi descrita inicialmente em 1992 pelos irmãos Brugada, que descreveram em um estudo 8 pacientes com histórico de parada cardíaca e alterações eletrocardiográficas similares que caracterizam a forma clássica da síndrome (padrão Brugada tipo 1): supradesnivelamento do segmento ST nas derivações precordias direitas. Esses achados, entretanto, não estavam associados ao aumento do intervalo QT ou a uma patologia cardíaca estrutural. Em meio a esse estudo, especulou-se que a doença fosse hereditária devido à suspeita de história familiar em 4 pacientes. Antes mesmo desse estudo, uma síndrome similar foi descrita por Osher e colaboradores em 1953, caracterizada pela presença de supradesnivelamento do segmento ST nas derivações precordiais direitas, sem associação a eventos isquêmicos, patologias cardíacas estruturais ou alterações eletrolíticas. O estudo dos irmãos Brugada se sobressaiu em relação a esse pois as alterações no ECG foram associadas a um risco de morte súbita eminente. Etiologia e fisiopatologia Sabe-se que esta síndrome é hereditária, com transmissão autonômica dominante. As mutações associadas à doença predispõem os portadores ao desenvolvimento das

Danilo Moreira

5 minhá 26 dias
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