Cirurgia Cardiovascular: Residência, áreas de atuação, rotina e mais!

As especialidades médicas de cirurgia cardiovascular, cardíaca e cardiotorácica podem ser confundidas uma com a outra, já que todas atuam no coração e nos grandes vasos — artérias aorta, pulmonar, carótidas e veias cavas e pulmonares. A diferença entre elas está no tipo de formação, que respeita as regras de cada país. No Brasil, a formação de um cirurgião cardiovascular acontece em quatro anos e pode ser via acesso direto, em centros credenciados à Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV), ou após a residência em Cirurgia Geral, em instituições que seguem o modelo do Ministério da Educação (MEC).  No Brasil, a cirurgia torácica é considerada uma especialidade diferente. Nesse contexto, alguns procedimentos como endarterectomia de carótidas, aneurismas de aorta descendente e tumores de mediastino são realizados por mais de uma especialidade. Se você está escolhendo a sua Residência Médica e pensa em se especializar em cirurgia cardiovascular, continue a leitura e saiba mais sobre as áreas de atuação, formação e conjuntura do mercado de trabalho! Áreas de atuação em cirurgia cardiovascular As patologias tratadas pelo cirurgião cardiovascular podem ser congênitas ou adquiridas. Saiba mais sobre cada uma das classificações! Patologias congênitas Algumas vezes, a cirurgia cardíaca congênita é chamada erroneamente de pediátrica — afinal, adultos também podem ter patologias congênitas. Essa especialidade cuida das patologias cianogênicas (TGA, tetralogia de Fallot, truncus arteriosus, estenose da artéria pulmonar, entre outras) e das patologias acianogênicas (comunicação interarterial, interventricular, drenagem anômala das veias pulmonares, anomalia de Ebstein, entre outras).  Esses procedimentos podem ser paliativos ou definitivos. No primeiro caso, não se corrige o defeito, mas se cria outro para haver compensação temporária.

Sanar Residência Médica

4 min23 days ago

Insuficiência cardíaca: como diagnosticar? | Colunistas

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica decorrente da incapacidade do coração em bombear o sangue adequadamente e, quando consegue, faz isso às custas de pressões de enchimento elevadas. A IC afeta cerca de 23 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo importante causa de mortalidade, inclusive no Brasil. A prevalência vai aumentando com a idade e os principais fatores de risco são hipertensão arterial sistêmica, doença arterial coronariana, doenças valvares, arritmias, miocardites, miocardiopatias e o uso de drogas, incluindo álcool. Realizar o correto diagnóstico e tratamento é fundamental para melhorar a qualidade de vida do paciente e modificar a taxa de mortalidade associada à essa patologia. Como fazer o diagnóstico? O diagnóstico da IC é clínico! Deve ser feito por meio da anamnese e exame físico, podendo ser auxiliado pelos exames complementares. Os principais critérios clínicos utilizados na prática são os de Framingham e os de Boston. Critérios de Framingham Os critérios clínicos de Framingham estão divididos em 9 maiores e 7 menores. Como forma de memorizá-los, uma dica é tentar categorizar os critérios por tipos ou locais onde ocorrem as alterações, por exemplo: pulmão, circulação (congestão), coração e outras. A imagem a seguir mostra os critérios agrupados dessa forma. Fonte: MONTERA et al. (2009) Adaptado. Para diagnóstico de IC são necessários: 2 critérios maiores OU 1 maior + 2 menores. Os critérios menores são aceitos desde que não possam ser justificados por outra causa, como hipertensão pulmonar, DPOC, cirrose, ascite e síndrome nefrótica, por exemplo. Critérios de Boston                Os critérios de Boston utilizam um sistema de pontuação e os critérios já são

Ana PAula Ahid

6 min50 days ago

Resumo: sistema cardíaco + Mapa Mental | Ligas

1. Localização do coração O coração repousa sobre o diafragma, próximo da linha mediana da cavidade torácica. Encontra-se no mediastino, uma região anatômica que se estende do esterno à coluna vertebral, da primeira costela ao diafragma, e entre os pulmões. 2. Histologia A parede do coração é constituída por três camadas: o epicárdio (camada externa), o miocárdio (camada intermediária) e o endocárdio (camada interna). O epicárdio é composto por duas camadas de tecido. A mais externa, é chamada lâmina visceral do pericárdio seroso, que confere uma textura lisa e escorregadia à face mais externa do coração. Além disso, essa camada contém vasos sanguíneos, vasos linfáticos e vasos que irrigam o miocárdio.   A camada média, o miocárdio, é responsável pela ação de bombeamento do coração e é composto por tecido muscular cardíaco. Compõe aproximadamente 95% da parede do coração. Embora seja estriado como o músculo esquelético, é preciso lembrar que o músculo cardíaco é involuntário como o músculo liso. O endocárdio mais interno é uma fina camada de endotélio que recobre uma fina camada de tecido conjuntivo. Fornece um revestimento liso para as câmaras do coração e abrange as valvas cardíacas. Esse revestimento liso minimiza o atrito de superfície conforme o sangue passa através do coração. 3. Anatomia O coração tem quatro câmaras. As duas câmaras de recepção superiores são os átrios, e as duas câmaras de bombeamento inferiores são os ventrículos. O par de átrios recebe sangue dos vasos sanguíneos que retornam o sangue ao coração, as chamadas veias, enquanto os ventrículos ejetam o sangue do coração para vasos sanguíneos chamados artérias. Na superfície do coração existem vários sulcos, que contêm vasos sanguíneos coronarianos e uma quantidade variável

Covid-19 e anti-hipertensivos, suspender ou não?

Coronavírus e anti-hipertensivos Com o surgimento do novo coronavírus, o Sars-Cov-2, e da doença que ele causa, a Covid-19, o mundo da medicina têm sido atingido por diversas informações novas e atualizações quase que diárias de protocolos e condutas. Entre tantas novas questões surgiu a especulação de que medicamentos atuantes na modulação da Enzima Conversora de Angiotensina-2 (ECA2) poderiam beneficiar ou piorar o desfecho dos pacientes com Covid-19, mas isso tem sentido?  De onde a hipótese surgiu? Essa questão passou a ser abordada a partir da publicação do Drº Lei Fang no mundialmente conhecido The Lancet, o artigo discute as possíveis complicações da Covid-19 em pacientes hipertensos, o autor faz referência a dois estudos que avaliaram o perfil de morbimortalidade  nos pacientes infectados e em ambos os hipertensos despontam entre os principais grupos que sofreram agravo durante a infecção.  A partir do achado desses estudos iniciais surgiu a indagação: o que esses pacientes possuem de diferentes dos outros que propicia o aumento da mortalidade nesse grupo? O que já se sabia era que os vírus que causam a Síndrome Respiratória Aguda Grave costumam utilizar a ECA2 como substrato para replicação e que os medicamentos como os Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) e Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA) costumam um realizar feedback positivo na modulação enzimática. A conclusão a partir desses achados foi pautada na plausibilidade biológica. Suspender ou não? Não. A Sociedade Brasileira de Cardiologia e a Sociedade Brasileira de Hipertensão recomendam que o manejo do paciente hipertenso, com insuficiência cardíaca ou diabetes Mellitus permaneça o mesmo, porém com uma atenção especial devido ao fato de que esses

Murilo Jorge da Silva

1 min62 days ago

Aferição da Pressão Arterial: História e Técnica | Colunistas

Em 1896, o clínico italiano Scipione Riva-Rocci criou o primeiro aparelho utilizado para aferir a pressão arterial. Já em 1905, o cirurgião militar russo Nikolai Korotkov descreveu o método auscultatório, que necessita do esfigmomanômetro e estetoscópio para ser colocado em prática. Esses dois eventos foram marcos importantes da medicina clínica, pois permitiram que se identificasse a variação de pressão arterial em pacientes assintomáticos ou minimamente assintomáticos. Mais de 110 anos depois, ainda utilizamos as bases da mesma técnica para aferir a pressão arterial de nossos pacientes. Mas como realizar essa técnica corretamente? Métodos: Existem dois métodos de aferição da pressão arterial: o direto e o indireto. O direto fornece a pressão direta ou intra-arterial e por ser mais invasivo, é reservado a situações específicas. Já o indireto pode ser realizado através da técnica auscultatória com estetoscópio. Técnica de aferição: Para dar início a aferição da pressão arterial, o paciente deve estar em repouso por no mínimo três minutos e em um local tranquilo e preferencialmente sem ruídos. A pressão arterial pode ser aferida nas posições sentada, em pé e deitada. Nas três posições é necessário que a artéria braquial esteja na altura do coração, para isso, é importante manter o paciente posicionado de forma confortável, com o braço ligeiramente flexionado e apoiado em superfície firme, com a palma da mão voltada para cima. Numa primeira consulta, o ideal é que a pressão seja aferida nas três posições. Caso não seja possível realizar todas as posições, devemos priorizar a posição sentada, com a pressão sendo aferida no membro superior direito. Depois de cumpridas as orientações iniciais, o examinador deve localizar a pulsação da artéria braquial e posicionar o manguito 2 cm

Barbara Andrade

2 min76 days ago

Aferição da pressão arterial: você domina as técnicas? | Colunistas

1.    INTRODUÇÃO    Aferir a pressão arterial de uma pessoa é medir os valores da pressão sistólica e da pressão diastólica tendo como finalidade identificar se estes níveis estão dentro dos parâmetros normais ou possuem alguma alteração, sendo utilizados como base para o diagnóstico de doenças como a hipertensão arterial sistêmica (HAS), além de permitir condutas terapêuticas específicas, bem como acompanhar prevalências populacionais.    A aferição de pressão arterial está inserida no cotidiano de Unidades Básicas de Saúde, ambulatórios, acadêmicos e profissionais da área da saúde, como enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos. No entanto, muitos deles não conhecem as diretrizes para uma correta aferição de pressão arterial e acabam fazendo-a de forma errada ou ineficiente, o que prejudica o atendimento ao paciente, assim como o seu tratamento. Segundo o Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo (CRM-SP), em 2018, 69% dos médicos recém-formados não sabiam aferir corretamente a pressão arterial, o que demonstra a importância de um estudo ou revisão desse tema.    Dessa maneira, é necessário que todos os acadêmicos e profissionais de saúde tenham conhecimento das técnicas adequadas, visando um melhor atendimento e conforto para o paciente. E você, sabe todas as técnicas? 2.    COMO AFERIR A PRESSÃO ARTERIAL?       Conforme as diretrizes da American Heart Association (AHA), para uma correta aferição de pressão alguns fatores devem ser levados em consideração, tais como: ingestão de cafeína, nicotina ou outro estimulante, atividade física há menos de 10 minutos, calibragem correta e recente dos aparelhos, bexiga do paciente cheia, pernas cruzadas e falar enquanto a aferição está sendo feita. A aferição manual, que é a mais utilizada, geralmente é feita com o estetoscópio e o esfigmomanômetro.

Alysson Alves

4 min77 days ago

Caso Clínico: Síncope | Ligas

Apresentação do caso clínico Identificação: Mulher, 75 anos, casada, aposentada (costureira), natural e procedente de Santa Fé. Queixa Principal: Síncope História da Doença Atual: Paciente refere episódio de síncope enquanto assistia televisão. O acompanhante relata que a paciente estava em repouso no sofá e teve perda súbita dos sentidos sem movimentos involuntários. A síncope teve duração de cerca de 5 minutos e após a paciente retomar os sentidos ficou confusa por aproximadamente 3 minutos. Há cerca de 3 meses, refere “canseira e faltar de ar” durante a realização de atividades físicas leves. Medicamentos em uso: Paciente relata uso de acetaminofen devido osteoartrose no joelho esquerdo. Nega uso de outros medicamentos. História Média Pregressa: Nega tabagismo, etilismo e uso de drogas. Nega doenças cardíacas (nega endocardite prévia, nega doença de chagas), pulmonares, neurológicas, metabólicas, endocrinológicas, reumatológicas (colagenoses) História Familiar: Paciente refere não lembrar a causa de óbito dos pais. Nega doenças familiares. Refere ter 5 filhos hígidos. Revisão de Sistemas:    Paciente nega febre, nega perda de peso, nega astenia. Nega episódios de palpitações, dor torácica, tonteira, hipotensão postural, nega síncope associada a movimentação da cabeça, nega tonteira/síncope associada a movimentação dos membros. Nega alterações de força, fala, visão, coordenação. Exame Físico: Paciente em bom estado geral, eutrófica, lúcida, orienta e coerente. Mucosas coradas e úmidas, anictérica, acianótica. Ausência de linfonodomegalias Sinais Vitais: PA: 120/75mmHg FC: 34bpm FR: 12rpm Tax: 36,5°C Exame cardiovascular: Ritmo irregular com bulhas normofonéticas e sem sopros. Pulso venoso com ondas A em bala

Caso Clínico: prevenção da morte súbita em atletas | Ligas

Apresentação do caso clínico M.F.S, 51 anos, masculino, negro, natural de Belo Horizonte – Minas Gerais, professor, casado. Procura atendimento médico para avaliação cardiovascular (APP – avaliação pré-participação esportiva). Possui um longo histórico de treinamento para corridas de longa distância, realizando de 10 a 30 Km/dia, 6 dias por semana, com intensidade moderada e vigorosa. À anamnese, paciente negou desconforto respiratório, dispneia, dor torácica, palpitações e outros sintomas de doença cardiovascular. Relata história familiar para morte súbita prematura (mãe e pai). Ao exame físico geral, encontrava-se em bom estado geral, lúcido e orientado no tempo e espaço, afebril (36,5ºC), acianótico, anictérico, hidratado, eupneico (frequência respiratória = 14 irp), frequência cardíaca = 82 bpm e P.A.: 110 x 80 mmHg. Foi realizado eletrocardiograma de 12 derivações que revelou ritmo sinusal, bloqueio de ramo direito com bloqueio divisional anterior esquerdo associado com batimentos ectópicos ventriculares e supraventriculares prematuros. A ecocardiografia mostrou dilatação ventricular moderada com aumento das dimensões ventriculares internas direita (50 mm) e esquerda (60 mm) e diminuição da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE, 30%). Tendo em vista as alterações do ECG e o fato do paciente ser natural do estado de Minas Gerais, região endêmica para Doença de Chagas, foi realizado um teste sorológico que confirmou a doença de Chagas. Por possuir miocardiopatia hipertrófica, fator de risco para morte súbita cardíaca associada a atividade física, o atleta teve de ser desqualificado para competições e iniciou terapia medicamentosa com inibidor de ECA, betabloqueador e diuréticos, além de diminuir a intensidade dos seus treinos, realizando principalmente caminhadas, de modo a tentar evitar um evento cardiovascular. Questões para orientar a discussão    

Caso Clínico: parada cardiorrespiratória | Ligas

Apresentação do caso clínico Identificação: Paciente do sexo masculino, 45 anos, negro, casado, marceneiro, natural e procedente de Santa Fé. Queixa Principal: Perda de Consciência História da Doença Atual: Paciente estava em uma competição de atletismo (10km) e após o término da prova apresentou perda de consciência súbita. O atendimento do local constatou parada cardiorrespiratória em Fibrilação Ventricular (FV). O atendimento envolveu compressões torácica e a utilização de um desfibrilador externo automático (DEA). Após o retorno da função cardíaca, o paciente foi conduzido a emergência, onde apresentou nova parada e foi reanimado com sucesso após 15 minutos. Paciente evoluiu com hipotensão e posteriormente com novos episódios de fibrilação ventricular (FV). História Médica Pregressa: Paciente tabagista dos 20-40 anos com cerca de 40 maços-ano, hipertenso desde os 40 anos, diagnóstico de Diabetes Mellitus há 5 anos. Nega etilismo, uso de drogas. Nega doenças cardíacas prévias, nega doenças pulmonares, nega doenças renais. História Familiar: Pai morreu de infarto aos 55 anos de idade. Mãe de 75 anos apresenta Hipertensão Arterial Sistêmica e hipotireoidismo. Nega outras doenças na família Exame físico da chegada: Frequência Cardíaca: 110 bpm Pressão Arterial: 95x 55 mmHg Saturação de 02: 90% Ausculta cardíaca com quarta bulha. Exames complementares: O eletrocardiograma apresenta supradesnivelamento de STde V1 a V6, DI e aVL. Conclusão: Paciente apresenta quadro de paracardiorrrespiratória com ritmo chocável potencialmente de causa isquêmica. O eletrocardiograma indica infarto anterior extenso. Paciente será encaminhado para cineangiocoronariografia. A Cineangiocoronariografia demonstrou obstrução em terço médio da artéria descedente anterior (DEA). A partir disso, foi realizada angioplastia da
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