A infância em tempos de covid-19 | Colunistas

A doença associada ao SARS-CoV-2 é um grave problema de saúde pública atual, tendo sido estabelecido uma pandemia em 11 de março de 2020. Nesta ocasião, foram definidas várias medidas de isolamento social e mesmo preservando o funcionamento dos serviços essenciais, meninas e meninos foram afastados do convívio social e mantidos em isolamento devido ao fechamento das escolas e das atividades ao ar livre, por exemplo. Tais medidas se fazem necessárias para a diminuição da transmissibilidade. Mas ainda não é de comum conhecimento os impactos do Coronavírus nos menores, que embora sejam menos contaminados na forma sintomática e grave da doença, podem ser mais afetados no âmbito do desenvolvimento psicológico. De forma inquestionável, a infância em tempos de covid-19 precisa de atenção. Manifestações do COVID-19 na pediatria A forma mais importante de transmissão do vírus é por meio de secreções respiratórias (gotículas e aerossóis contendo vírus), liberadas através da tosse, espirros, respiração e fala. Estudos indicam, que os doentes são os principais contaminantes, porém pessoas assintomáticas ou que ainda estão dentro do período de incubação também podem potencialmente difundir o vírus. Dessa forma, apesar das crianças apresentarem quadro mais brando que em adultos, são também possíveis contaminantes e fontes de propagação da doença, pela natureza de contaminação do vírus e pela dificuldade de aderirem completamente à etiqueta respiratória. Outra forma de contaminação é o contato direto com as secreções levadas a boca, nariz ou olhos por mãos contaminadas que tiveram contato com superfícies contendo vírus; é de comum conhecimento que a infância pode ser resumida em aprender: aprender sobre o tato e paladar, por exemplo, experimentando tocar em algum objeto e levar a boca (atitude comum a toda criança), resultando em menores contaminados. Entre os sintomáticos deve-se destacar que o sinal mais

Taynara Mariah

8 min há 6 dias

Relação entre a pré-eclâmpsia e a covid-19 durante a gestação | Colunistas

Durante a pandemia da síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2), declarada em 11 de março de 2020 pela Organização das Nações Unidas (OMS), foi observado um aumento dos casos de pré-eclâmpsia (PE) entre gestantes com a COVID-19 em comparação com as gestantes em geral. Sabe-se que as características clínicas da PE são uma consequência do dano endotelial originado pelo estresse oxidativo e estado antiangiogênico, que leva ao aparecimento de hipertensão e proteinúria, enzimas hepáticas elevadas, insuficiência renal ou trombocitopenia , entre outros. Já o SARS-CoV-2, acredita-se que ele usa como receptor de entrada da célula hospedeira a enzima conversora de angiotensina tipo 2 (ECA-2), componente do sistema renina-angiotensina(SRA) e importante regulador da pressão arterial, causando uma disfunção nesse sistema e, consequentemente, uma vasoconstrição. Em decorrência disso, a COVID-19 causa efeitos como hipertensão, doença renal, trombocitopenia e lesão hepática. O fato é que a pré-eclâmpsia e a infecção por SARS-CoV-2 apresentam características clínicas sobrepostas, o que pode induzir um diagnóstico clínico incorreto e fez com que os pesquisadores do Hospital Universitari Vall d’Hebron, na Espanha, desconfiem de uma síndrome semelhante à pré-eclâmpsia. O que é a ECA-2? Existem duas enzimas conversoras de angiotensina que fazem parte do SRA: a enzima conversora de angiotensina (ECA) e a enzima conversora de angiotensina tipo 2 (ECA-2). Estruturalmente, elas são semelhantes, porém, de modo funcional, as duas se contrapõem.  A ECA converte a angiotensina 1 em angiotensina 2 e provoca efeitos deletérios, como o aumento da atividade simpática, reabsorção de sal e água, vasoconstrição, inflamação, liberação de aldosterona e vasopressina, contribuindo para fibrose tecidual, disfunção do endotélio e hipertensão arterial. Já a ECA-2 decompõe a angiotensina 2 e ativa receptores vasodilatadores, podendo ser um

Victoria Cristina

4 min há 7 dias

Covid-19 afeta homens e mulheres de maneiras diferentes? | Colunistas

No presente texto serão abordados os diversos fatores associados às divergências na maneira que o SARS-CoV-2 age de acordo com o gênero do indivíduo afetado, expondo de maneira clara e eficaz as explicações necessárias para o bom entendimento a respeito do tema em questão. Esclarecendo como o sistema imune, as questões socioculturais e as doenças prévias podem influenciar o modo como o sexo do indivíduo é crucial na determinação de como o novo coronavírus atinge o organismo. Como o sistema imune pode ser influenciado pelos hormônios de cada gênero?   Em homens e mulheres existe uma certa diferença quanto aos hormônios que predominam em cada gênero, nos homens há uma maior quantidade de testosterona, enquanto que nas mulheres observa-se uma predominância de estrogênio. Diante da evidente diferença hormonal, gera-se uma distinção em como a imunidade de cada gênero atua diante de infecções diversas, sendo de grande importância citar a principal diferença nesse quesito, no caso, a quantidade de estrogênio de cada sexo, dada a sua importância positiva para o sistema imunológico do organismo.   Estrogênio    O hormônio estrogênio possui como uma de suas características um grande potencial de modulação do sistema imune, além de atuar como anti-inflamatório, regulando tanto células do sistema inato quanto do adaptativo, regulação essa realizada pelos receptores de estrogênio. Esses receptores são capazes de produzir interações com o DNA, de maneira que passam a ser reguladores de genes, o que pode ser usado na intervenção diante de doenças que o organismo venha a adquirir.   De maneira mais específica, esse tipo de hormônio está relacionado com a produção de interferon do tipo 1, o qual pode controlar algumas partes do sistema imunológico e as citocinas,

Priscila Araújo

4 min há 7 dias

Como a covid-19 impactou as doenças tropicais negligenciadas? | Colunistas

Uma abordagem inicial sobre as doenças tropicais negligenciadas Se você nunca ouviu falar destas doenças, não fique surpreso. É exatamente por isso que elas são chamadas assim, são negligenciadas por muitos. Aproximadamente, 1 bilhão de pessoas ao redor do muito inteiro são vítimas das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN). São exemplos bem conhecidos que compõem este grupo: a Doença de Chagas ou tripanossomíase, e a leishmaniose ou Úlcera de Bauru. Apesar de parecer um assunto novo, o termo (DTN) foi cunhado desde a década de 1970, na Fundação Rockfeller. E com o passar do tempo, organizações importantes como Médico Sem Fronteiras (MSF) e a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) assumiram este grupo e destacaram parte de sua atenção na abordagem delas. Há inúmeras patologias que categorizam este grupo, como as provocadas por protozoários como as leishmanioses, a doença de Chagas e a doença do sono. Bem como as infecções provocadas por amebas e helmintíases que são propagadas através do solo contaminado com ovos ou larvas de vermes. Além também as por pulgas, piolhos e carrapatos, que recebem a denominação de infestação. As conhecidas viroses, como a dengue e febre amarela, também fazem parte. E por fim, as infecções bacterianas e fúngicas. Estas doenças já não ocupam tanto o cenário de importância, mas como será que elas foram impactadas após a chegada da doença mais falada de todos os tempos, a COVID-19? Um problema financeiro e de fármacos A infecção da COVID-19 não só prejudica o desenvolvimento socioeconômico diretamente, como também tem se mostrado como uma das principais responsáveis pela interrupção dos programas de controle às DTNs, com enfoque especial àquelas que são relacionadas à produção escalonada de medicamentos.

Marco Aurélio Ferreira

4 min há 8 dias

A oms recomenda bloqueadores do receptor de interleucina-6 que salvam vidas para covid-19 | Colunistas

Recentemente a OMS atualizou as diretrizes de atendimento ao paciente viítima de COVID-19 para incluir a recomendação de medicações da classe dos bloqueadores de interleucina-6, após estudos demonstrarem sua eficácia para pacientes de maior gravidade. Inúmeros esforços têm sido feitos paralelamente à corrida vacinal em prol da descoberta de tratamentos eficazes para cura e redução da morbidade por COVID-19. Desde setembro de 2020, quando a OMS trouxe a recomendação do uso de corticosteroides, os inibidores de IL-6 foram as únicas drogas a ter eficácia comprovada.    O papel das citocinas inflamatórias na patogênese da COVID-19 A elevação das citocinas inflamatórias tem papel central na gênese da doença provocada pelo SARS-CoV-2. Acredita-se que o retardo provocado na resposta do Interferon-1 favoreça a replicação viral que ocorre nos pulmões, esse evento é seguido de acentuada resposta imune que provoca uma tempestade de citocinas pró-inflamatórias. O SARS-CoV-2 é conhecido por induzir resposta que conta majoritariamente com produção de citocinas do tipo 2, dentre elas IL-4, IL-9, IL-10, TGFβ e IL-13, além dessas tem se estudado a relação do agravamento da doença com a IL-1, IL-2, IL-6, fator estimulador de colônias de granulócitos e macrófagos [GM-CSF], Interferon [IFN] γ e fator de necrose tumoral [TNF], bem como sua interação com os sistemas complemento e de coagulação sanguínea. Busca-se de fato os mecanismos que levam a tempestade de citocinas a provocar quadros como coagulação intravascular disseminada [ CIVD], síndrome do desconforto respiratório agudo [ SDRA] e insuficiência de múltiplos órgãos, todos envolvidos na severidade da COVID-19. Figura 1:. Fisiopatologia da tempestade de citocinas. Fonte: Mangalmurti, N& Hunter, C.A. (2020) Cytokine Storms: Understanding COVID-19. Immunity. https://www.cell.com/immunity/fulltext/S1074-7613(20)30272-7?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS1074761320302727%3Fshowall%3Dtrue A interleucina 6[IL-6] e o estado pró-inflamatório

Carolina Correia Menezes

5 min há 9 dias

O uso da imunoterapia baseada em mrna e a vacina curevac |Colunistas

   No presente texto serão abordados os diversos impasses associados a vacinas com tecnologia baseada em mRNA, em especial a vacina CureVac, desenvolvida pelo laboratório CureVac na Alemanha, trazendo, de maneira clara e eficaz, explicações sobre como ela age no organismo no que se refere a infecção pelo SARS-CoV-2, especificando como o uso de RNA pode ser associado à produção de proteínas desejadas para determinada pesquisa, o que vem revolucionando a produção de imunizantes atualmente, por suas vantagens em relação a outras tecnologias de produção. Imunoterapia com mRNA     Inicialmente é pertinente discorrer sobre o processo terapêutico baseado no uso do RNA mensageiro sintético, o qual se baseia na produção de proteínas ativas, usando como referência o mRNA natural, sofrendo ação dos mesmos mecanismos de regulação. Esse material sintético deve obedecer exigências de estrutura para que ocorra uma produção efetiva, são elas: extremidade 5’, sequência poli A, codão de iniciação com uma região 5’ e outra 3’ e uma estrutura de leitura aberta para a codificação da proteína desejada.   Vacinas produzidas com RNAm    As vacinas de mRNA são produzidas com base na seleção de neo-antígenos para a indução de uma resposta de células T, sendo essa produção dividida em dois modelos: uma utiliza o mRNA encapsulado, injetado diretamente, e a outra é composta por células dendríticas tratadas com mRNA fora do organismo, sofrendo impulsos elétricos posteriormente (electroporação). A primeira, por ser injetada diretamente, está exposta a várias barreiras celulares, enzimáticas e teciduais, como empecilhos na assimilação de mRNA nas células alvo e a degradação de RNA pelas RNases, o que dificulta seu uso direto, por isso essas vacinas geralmente são administradas por meio da transferência de células dendríticas, como já foi

Priscila Araújo

4 min há 10 dias
Filtrar conteúdos
Filtrar conteúdos
Áreas
Ciclos da medicina
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.