Propriedade intelectual: ainda um obstáculo para o acesso às vacinas contra COVID-19 | Colunistas

A pandemia de Covid-19 vem demandando esforços dos sistemas de saúde ao redor do mundo. Em um curto espaço de tempo a ciência foi capaz de descobrir mais sobre o vírus que até outrora era desconhecido. A busca por fármacos eficazes e vacinas estimulou a união de empresas e grandes grupos corporativos e permitiu parcerias entre setor público e privado. Nesse contexto, a pandemia tornou mais evidente as discrepâncias entre os países, ressaltando as intervenções estatais pontuais e a concentração de conhecimento, capital e tecnologia. Isso obstaculizou o acesso integral às ferramentas de combate à pandemia, fazendo com que países com menos aporte tecnocientífico ficassem à margem desse processo. Período pré-pandemia Nos anos 90, em meio a um cenário de rápidas mudanças econômicas e comerciais, tornou-se necessário a reformulação de critérios e conceitos a respeito da proteção da propriedade intelectual. Essa reestruturação foi mediada pelo fortalecimento da indústria farmacêutica, que a partir de agora exploraria rotas de processos inovadores, capazes de produzir e comercializar novas moléculas de forma muito mais abrangente. Em 1994, durante a rodada Uruguaia, foi assinado o acordo TRIPS (Agreement on Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights). Esse tratado internacional versou sobre a estipulação de um nível mínimo de proteção dos direitos à propriedade intelectual para os países integrantes da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os países em desenvolvimento, que até o momento apresentavam níveis de proteção relativamente baixos, foram os mais afetados. No Brasil O governo brasileiro aplicou de forma imediata as cláusulas do acordo TRIPS, dispensando o prazo de adaptação para a fase de proteção dos produtos farmacêuticos. Isso causou mudanças no Complexo Industrial da Saúde brasileira, que passou a ter dispositivos que proporcionavam proteção superior às exigidas

Maria Laura Innocente

6 minhá 4 dias

Um ano após pandemia, pacientes que tiveram COVID-19 grave ainda têm anticorpos

Um estudo preliminar realizado nos Estados Unidos identificou anticorpos neutralizantes contra a COVID-19 em amostras de pacientes que contraíram COVID-19 grave há um ano. Segundo os pesquisadores, a presença de anticorpos está associada à gravidade da doença e pode ter relação com a idade do paciente. O estudo foi realizado pela Uniformed Services University of Health Sciences, com a participação de mais de 11 instituições militares de pesquisa dos Estados Unidos. E foi publicado ainda em versão pré-print no portal medRxiv. Os resultados mostraram que os anticorpos neutralizantes estavam presentes em 100% do grupo que contraiu a infecção por COVID-19 grave, com a necessidade de hospitalização. A informação é do G1. Como foi o estudo sobre COVID-19 grave Para chegar aos resultados, os pesquisadores coletaram amostras de sangue de 250 voluntários que contraíram a infecção, a maioria (192) teve COVID-19 de forma leve ou moderada, sem a necessidade de hospitalização. Os outros 58 voluntários participantes da pesquisa desenvolveram COVID-19 grave.Os participantes cederam amostras durante as três primeiras semanas da infecção. Depois desse período, foram feitas mais três coletas, ao fim do 3º, 6º e 12º mês a partir da data do diagnóstico da doença.   Ao final do período de 12 meses, 100% do grupo que havia sido hospitalizado ainda apresentava anticorpos neutralizantes no organismo. Já entre os que contraíram a forma leve ou moderada da COVID-19, esse percentual caiu para 18%. Os resultados indicam que a duração dos anticorpos pode ser maior do que a identificada em pesquisas anteriores. Em julho de 2020, um estudo publicado na revista científica Nature já havia indicado que o corpo humano poderia produzir defesas contra a COVID-19 por um longo período de tempo.  

Sanar

2 minhá 5 dias

Fake news: Anvisa não liberou Ivermectina nem ampliou dosagem para tratamento de COVID-19

Circula pelas redes sociais um vídeo de uma suposta médica dizendo que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não só liberou como também dobrou a dose recomendada do antiparasitário ivermectina para tratamento de COVID-19. Para mais conteúdos sobre Medicina: Inscreva-se no YouTube da Sanar Participe do canal Sanar Medicina no Telegram Siga no Instagram Curta no Facebook A informação, no entanto, é falsa, como demonstrou o trabalho de apuração do G1. A Anvisa não liberou o medicamento para uso em casos de COVID-19, como disse a médica no vídeo.O que a agência fez foi dispensar a retenção de receita para as compras da ivermectina e nitazoxanida, fato que aconteceu em setembro de 2020.  Segundo a Anvisa, a alteração foi adotada para “garantir o acesso da população ao tratamento de verminoses e parasitoses bastante conhecidas e bem significativas”. Ivermectina não é indicada para tratamento de COVID-19 A decisão para reter as receitas dos dois medicamentos havia sido tomada pela agência regulatória em julho de 2020. Isso aconteceu porque a procura pela Ivermectina foi tanta que esgotou os estoques das farmácias. Um levantamento do G1 mostrou que o antiparasitário foi um dos medicamentos que teve maior aumento de vendas desde o início da pandemia: 557% vendas a mais do que em 2019. Isso porque o medicamento integra o chamado ‘kit covid’, ao lado de Hidroxicloroquina, Cloroquina, Azitromicina. Mesmo sem evidências científicas que comprovem a eficácia para tratar ou prevenir a COVID-19, o combo é até hoje defendido por alguns grupos. É, portanto, protagonista de diversas fake news que indicam um tratamento precoce contra a doença. A droga já

Sanar

4 minhá 5 dias

Fake news: post que atribui morte de idoso à CoronaVac é enganoso

Está viralizando no Facebook uma postagem de um usuário que alega que a vacina contra a COVID-19 CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan, foi a responsável pela morte de seu pai. A postagem foi compartilhada mais de 25 mil vezes na rede social até ser removida. Ela também viralizou em grupos do WhatsApp. O trabalho de checagem de notícias do Projeto Comprova descobriu que a publicação se refere ao óbito de um idoso de 76 anos na cidade de Guaratinguetá, no interior de São Paulo.O autor do post é Samuel Abreu Batista, que, por telefone, contou ao Comprova que seu pai recebeu a primeira dose da vacina em 25 de janeiro, mas apresentou sintomas que indicavam COVID-19 e faleceu em 6 de fevereiro. Segundo ele, na certidão de óbito consta morte por choque séptico com suspeita de COVID-19. A prefeitura de Guaratinguetá confirmou ao Comprova as datas de vacinação e falecimento do idoso, mas negou a relação com a vacina. Especialistas ouvidos pela reportagem confirmaram que a CoronaVac não causa COVID-19, já que é feita com o vírus inativo. Depois de apurar o caso, o Comprova classificou a postagem que viralizou como “enganosa”, uma vez que o conteúdo “usa dados imprecisos ou que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano”. O G1 também apurou o caso e chegou ao mesmo resultado. A seguir, veja os detalhes que comprovam a fake news. Instituição onde idoso morava teve surto de COVID-19 Após a repercussão do caso, a prefeitura de Guaratinguetá se pronunciou confirmando que um exame do tipo RT-PCR coletado no dia 5 de fevereiro, um dia antes do falecimento do idoso, confirmou que o paciente estava

Sanar

4 minhá 5 dias

Conhecendo o inimigo: patógenos que representam risco de pandemia | Colunistas

            Cientistas do mundo todo buscam antever quais patógenos poderiam representar risco de novas pandemias no futuro. Esta busca é importante pois estimula pesquisas na área, que podem diminuir os danos trazidos pelas novas doenças. Além disso, alertam que o cenário encontrado hoje no mundo é extremamente propício para o desenvolvimento de pandemias. Introdução             Em dezembro de 2019, na província de Wuhan, China, foram relatados casos de pneumonia de origem desconhecida. Posteriormente, seria identificado um vírus até então desconhecido como causador desta doença: o SARS-CoV-2. Com alta virulência, este patógeno foi responsável pela disseminação mundial da doença em poucos meses, e hoje, quase um ano e meio após os primeiros casos chineses, as consequências mundiais são catastróficas: mais de 143 milhões de casos confirmados e de 3 milhões de mortes, com os números crescendo a velocidades assustadoras; colapsos nos sistemas de saúde ao redor do mundo; e consequências sociais e econômicas imensuráveis. Início da pandemia do coronavírus, na China, tem sido investigado pela OMS (https://www.nsctotal.com.br/noticias/um-ano-inicio-pandemia-coronavirus-origem-e-futuro-da-doenca – acesso em 22/04/2021)             A sensação é a de que ninguém poderia ter previsto tal cenário. E, de fato, as consequências superaram as piores expectativas da população. No entanto, ainda em 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia alertado para os riscos de uma emergência na saúde pública derivada da SARS (síndrome respiratória aguda severa). Além disso, já se previa a possibilidade de uma doença que poderia provocar uma grave epidemia internacional, causada por um patógeno atualmente desconhecido. Lista “blueprint” de doenças prioritárias             Em fevereiro de 2018, a OMS publicou uma revisão de sua lista de agentes patogênicos prioritários. Essa lista elenca os principais patógenos que podem vir a causar

Isabelle Stapf

4 minhá 5 dias

COMO A PLASTICIDADE DO VÍRUS SARS-COV-2 PREOCUPA NA DOENÇA COVID-19? | Colunistas

A etimologia da palavra plasticidade vem da união de: plástico + idade. Esse termo se refere à capacidade de adaptação às condições ambientes, assim como algo plástico é algo possível de ser moldado. Nesse sentido entenderemos a preocupação da marcante plasticidade do genoma do coronavírus para a COVID-19 como um possível sinal de resistência e uma propensão do SARS-COV-2 para trocar de hospedeiro. Nesse contexto, você já deve ter ouvido e visto notícias durante o curso da pandemia de síndrome respiratória aguda grave do coronavírus 2 (SARS-CoV-2) sobre as novas variantes genéticas virais, em que as comunidades clínicas, científicas e de saúde pública lidaram em um contexto totalmente atípico e desconhecido até então. Embora vários cientistas tenham desacreditado, no início, sobre a importância de alteração genéticas virais, como a do D614G, após o surgimento da nova “variante do Reino Unido” – a linhagem B.1.1.7 –, houve uma preocupação generalizada. Mas, antes, você sabe a origem biológica do coronavírus? Coronavírus pertence à família Coronaviridae, que compreende duas subfamílias, cinco gêneros, 26 subgêneros e 46 espécies de vírus. SARS-CoV-2 pertence ao gênero Betacoronavírus, subgênero Sarbecovírus, uma espécie de coronavírus relacionada à síndrome respiratória aguda. Sua classificação, realizada pelo International Committee on Taxonomy of Viruses (ICTV), foi feita principalmente pelas características moleculares e filogenéticas e não pelas reais doenças que causa. Estima-se que o morcego-ferradura (Rhinolophus sinicus) é o seu hospedeiro principal e que o pangolim malaio (Manis javanica) é o hospedeiro secundário. SARS-CoV-2 é um envelope viral, aproximadamente esférico e seus vírions têm diâmetros médios de 80-120 nm. Tem um tamanho grande de RNA não segmentado, cujo genoma codifica quatro principais proteínas: pico (S), envelope (E), membrana (M) e nucleoproteína (N). E quanto à alteração

Jéssica N. Borba

4 minhá 5 dias
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