Ceratose seborreica e suas variantes | Colunistas

Realizar o exame de pele é de extrema importância não só para o médico dermatologista, mas sim para todos os clínicos, uma vez que através desse exame é possível identificar doenças próprias do tegumento, além de ser possível fazer a detecção de manifestações cutâneas de várias doenças sistêmicas. Assim, conhecer as lesões elementares dermatológicas abre espaço para uma investigação minuciosa de determinado achado ou pode afastar a realização de exames invasivos sem necessidade evidente. Em um país tropical como o Brasil, a incidência de câncer de pele é bastante alta, atigindo o percentual de 33% de todos os diagnósticos de câncer no país, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Assim, é comum a preocupação existente com relação a lesões de pele, uma vez que a manifestação dessa doença é cutânea. No entanto, como dito, conhecer algumas lesões elementares permite ao profissional sanar dúvidas comuns e tranquilizar ou alertar o paciente diante de questionamentos acerca do tema. Diante disso, o profissional deve ser capaz de distinguir uma lesão melanocítica de uma não melanocítica. Para que uma lesão pigmentada seja considerada melanocítica, ela deve apresentar pelo menos um dos seguintes critérios dermatoscópicos: rede pigmenta, estrias ramificadas, glóbulos agregados, padrão paralelo (região palmoplantar) ou áreas azuis homogêneas. Nesse sentido, caso a lesão não seja diagnosticada como melanocítica, o examinador deve procurar critérios caracteristicamente presentes em algumas condições, sendo que o presente trabalho visa tratar especialmente da ceratose seborreica, um tipo de lesão não melanocítica. Ceratose seborreica A ceratose (ou queratose), por si só, trata-se de um espessamento superficial da epiderme decorrente da proliferação exclusiva da camada córnea. É considerada um tipo de tumor benigno, que não requer tratamento e em geral as lesões

Virgínia Costa Marques

4 min há 36 dias

Síndrome de Ehlers-Danlos: a doença do contorcionista | Colunistas

A Síndrome de Ehlers-Danlos (SED) é um distúrbio hereditário raro do tecido conjuntivo caracterizado por um defeito na biossíntese do colágeno tipo. As manifestações clínicas podem repercutir na pele, articulações, vasos sanguíneos e órgãos internos. A prevalência da SED é de 1 caso a cada 5000 nascimentos, podendo sua gravidade variar de leve até um perigo para a vida. A maior parte dos casos se dá pela herança autossômica dominante. No entanto, existem casos onde o padrão hereditário é autossômico recessivo ou recessivo ligado ao sexo. O diagnóstico de SED é clínico e o tratamento é de suporte aos sintomas associadas. Existem diferentes mutações de genes que afetam a quantidade, a estrutura ou o conjunto dos diferentes colágenos, podendo existir genes que codificam o colágeno dos tipos I, III e V ou enzimas que alterem o colágeno, como por exemplo a enzima lisil hidroxilase, uma protease que atua sobre o colágeno. Além disso, existem 6 tipos principais de classificação: SED clássica, hipermobilidade articular, vascular, cifoescoliose, artrocalasia, dermatosparaxis, além de vários outros tipos raros ou de difícil classificação. Quadro clínico A doença é geralmente diagnosticada na infância ou na adolescência devidos às frequentes luxações, entorses e elasticidade exagerada que costuma chamar atenção da família. Os sinais e sintomas variam de acordo com o tipo da Síndrome de Ehler-Danlos, podendo ter hipermobilidade articular, hiperelasticidade dermal e fragilidade tecidual generalizada. Outros sintomas característicos são a formação anormal de cicatrizes e hematomas, fragilidade cutânea, cicatrizes atróficas causadas por pequenas lesões, sangramento anormal, dissecção vascular, anormalidades da caixa torácica, escoliose, problemas oculares, pele lisa hiperextensível além de luxações articulares, artrose e artrite e em casos mais extremos, ruptura espontânea de órgãos ocos. https://docs.bvsalud.org/biblioref/2016/08/1371/rdt_v21n3_118-121.pdf

Beatriz Feitoza da Silva

5 min há 48 dias

Tecido Epitelial: classificações| Colunistas

A constituição dos tecidos se dá por células e matriz extracelular (MEC); o tecido epitelial é formado por células que revestem superfícies e secretam moléculas, com pouca matriz extracelular. A matriz extracelular é capaz de fornecer apoio mecânico às células e também transportar nutrientes a elas, além de levar produtos de secreção e catabólitos. Acreditava-se que a matriz extracelular era uma unidade independente, mas o progresso da pesquisa biomédica trouxe a informação de que as células que produzem a MEC controlam sua composição e, ao mesmo tempo, são influenciadas por moléculas desta matriz, revelando, então, a existência de uma imensa interação entre células e MEC, com continuidade física, funcionamento conjunto e resposta coordenada ao organismo. O organismo humano é constituído basicamente por quatro tipos de tecido, que são classificados a partir de características estruturais, funcionais e embriológicas, e são eles: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso. Hoje aprenderemos sobre o tecido epitelial e suas peculiaridades. As células são as menores unidades funcionais e estruturais dos seres humanos, e a partir delas temos a formação de tecidos que, ao se agruparem, dão origem aos órgãos. O anatomista holandês Ruysch, no século XVIII, foi pioneiro à introdução do termo “tecido epitelial”. Epitélio vem do grego epi (sobre) e theleo (papila), que se justifica pela localização do tecido epitelial sobre o tecido conjuntivo, tecido conjuntivo este que é comum ter projeções chamadas papilas. O tecido epitelial apresenta células justapostas, ou seja, bem aderidas umas às outras, e ausência ou pouca substância intercelular. É um dos poucos tecidos de característica avascular do corpo humano e desempenha funções de revestimento, proteção, secreção, absorção e sensorial. FUNÇÕES Os epitélios são classificados quanto à sua função em: epitélio de revestimento e

Larissa Pauka

11 min há 48 dias

Acne: o resumo que todo estudante de medicina deveria saber | Colunistas

Definição: A acne é uma doença genético-hormonal, autolimitada, de localização pilossebácea com formação de comedões, pápulas, pústulas e lesões nodulocísticas que podem surgir durante a evolução, e que, dependendo da intensidade, o processo inflamatório leva à abcessos e cistos intercomunicantes, com frequente êxito cicatricial. Epidemiologia: É uma patologia típica dos adolescentes, com elevada frequência (em alguns estudos acometendo 60% das mulheres e 70% dos homens na puberdade), sendo, em geral, mais precoce e mais persistente (o que pode ser explicado pela alta frequência de distúrbios endócrinos, como a Síndrome dos Ovários Policísticos) nas meninas, porém mais intensas nos meninos. Em geral é autolimitada, resolvendo espontaneamente após os 20 anos. É de distribuição universal e não parece poupar nenhuma raça, porém acomete mais a população caucasiana em comparação aos negros e amarelos. É descrita, por alguns altores, como a principal causa de consultas dermatológicas em consultórios particulares dos grandes centros urbanos. Etiopatogenia: A fisiopatologia da doença está relacionada a quatro pilares fundamentais, a saber: Aumento da secreção sebácea, secundária à hiperplasia das glândulas sebáceas. Geralmente é a primeira etapa e ocorre por efeito de hormônios, como os andrógenos e os estrógenos;Ceratose do canal folicular com consequente obstrução e retenção do sebo (processo conhecido como comedogênese);Colonização bacteriana pelo Propionibacterium acnes (um difteroide anaeróbico Gram-positivo), propiciada pela obstrução e retenção do sebo;Inflamação, secundária ao processo infeccioso e a produção de moléculas pro-infamatórias como a Interleucina 1 (IL-1). Não podemos esquecer também da importância de fatores ambientais e emocionais, que muitas vezes desencadeiam ou pioram a acne, o que pode ser explicado pela liberação do neuropeptídeo substância P. Formas de apresentação clínica:

Rúther Pacheco

5 min há 60 dias

EXPLORANDO A SEMIOLOGIA DERMATOLÓGICA:SINAL DO ORVALHO SANGRANTE | Colunistas

O sinal do Orvalho Sangrante, também chamado de Sinal de Aupstz, é um sinal semiológico representado pelo sangramento puntiforme que surge durante a Curetagem de Brocq, uma manobra realizada na identificação de lesões psoriásicas. CURETAGEM DE BROCQ: Figura 1 Lesão apresentando placas argênticas, características de Psoríase Vulgar. FONTE: Azulay Essa manobra é realizada da seguinte forma: Como uma cureta, faz-se atrito com a superfície da lesão eritematoescamosa de forma lenta e pouco agressiva;Haverá o destacamento de escamas micáceas esbranquiçadas como cera de vela, sendo isso chamado de Sinal da Vela;Seguindo com o mesmo movimento, haverá a elevação de uma película que, ao ser retirada, haverá a exposição dos ápices papilares, chamados de Membrana de Duncan.Ainda executando o movimento na lesão, ocorrerá o ferimento desses ápices e daí brotará o orvalho sangrento: Sinal de Aupstz. O surgimento desse sinal é devido ao fato de a Psoríase ser uma doença que apresenta papilomatose e dilatação dos vasos sanguíneos no topo das lesões. Apesar do atrito, manobra não gera dor na lesão. A PSORÍASE   Azulay define a Psoríase como uma doença imunoinflamatória crônica, com acometimento cutâneo-articular. É caracterizada pela hiperplasia epidérmica, decorrente do ciclo evolutivo acelerado dos queratinócitos e da ativação imunológica inadequada. Apresenta uma prevalência de 1 a 3% na população, porém é rara em pessoas negras. A incidência da doença ocorre entre a faixa etária dos 20 aos 30 anos e após os 50 anos de idade, porém pode acometer indivíduos de todas as faixas etárias. Além disso, ambos os sexos possuem as mesmas chances de acometimento. Não possui uma causa realmente definida, porém fatores hereditários e ambientais apresentam grande influência na

Gabriella de Oliveira Lorenzoni

9 min há 70 dias

Resumo de reações de hipersensibilidade: O que não podemos esquecer | Colunistas

Definição Por definição, uma reação de hipersensibilidade é caracterizada por um distúrbio causado por uma resposta imune excessiva ou inapropriada. Os antígenos podem ser exógenos, tendo uma resposta imune descontrolada contra determinado antígeno. Ou a reação de hipersensibilidade pode ser contra as próprias estruturas, caracterizando um quadro autoimunidade. Tipos de reações de hipersensibilidade Tipo I Os principais componentes celulares envolvidos são: células TH2, anticorpos IgE, mastócitos e eosinófilos. Entendendo o que acontece Considerando que um indivíduo seja alérgico a frutos do mar, à exemplo o camarão, porém nunca teve o primeiro contato. Ao se fazer o contato o tempo para o indivíduo apresentar os primeiros sintomas será maior, entretanto, apenas neste primeiro contato. Devido que o indivíduo não está sensibilizado para tal componente alérgico (camarão). Entretanto, após a sensibilização, essa reação é exacerbada, pois já existem anticorpos IgE que se ligam aos mastócitos. Envolve células TH2, que produzem IL-4, Il-5, IL-10, Interferon Gama. A IL-4 faz a troca de classe para IgE, IL-5 ativa eosinófilo. A resposta TH2 também está envolvida em infecções por helmintos. Mastócitos estão presentes em vários tecidos. Já os eosinófilos consistem em um tipo celular envolvido contra parasitas helmintos, mas também em reações de hipersensibilidade. O mastócito tem receptores para região FC de IgE. O alérgeno interage com esse anticorpo, isto dá uma sinalização para o receptor FC, que estimula esse mastócito e, com isso, ele vai degranular. O mastócito pode liberar histamina, que causa vasoconstrição, broncoconstrição e prurido. Existem formas de inibir a degranulação de mastócito para tratamento. Alguns exemplos de síndromes clínicas relacionadas com hipersensibilidade tipo I: rinite alérgica, anafilaxia, alergias alimentares, constrição brônquica. 

Patrick Silva

5 min há 80 dias
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