Acne da mulher adulta | Colunistas

A acne é uma dermatose inflamatória que se desenvolve nos folículos pilossebáceos e geralmente é mais frequente na adolescência. No entanto, o quadro acneico também tem sido relatado com maior frequência na população adulta, em especial nas mulheres. Assim, quando na mulher a acne persiste após os 25 anos ou quando se manifesta pela primeira vez nesse período, recebe o nome de acne da mulher adulta (AMA). Etiopatogenia Em geral, o quadro não está associado a uma doença de base, mas evidências apontam que sua principal etiologia é o hiperandrogenismo, caracterizado por seborreia, alopecia, hirsutismo, distúrbios menstruais e disfunção ovulatória. Nesse ponto, é importante ressaltar que 70% das mulheres com síndrome do ovário policístico, condição em que há excesso de androgênio, apresentam acne. Além disso, a acne na mulher muitas vezes também é associada a ansiedade, depressão, má qualidade de vida, estresse e tabagismo. Clinicamente, a paciente apresenta lesões predominantemente inflamatórias – pápulas e pústulas – na região do mento, na linha da mandíbula e no pescoço, constituindo a zona descrita como zona U. Também podem estar presentes lesões nodulares no terço inferior da face, além de comedões fechados, com aspecto de microcistos. Essa dermatose tem a tendência de se tornar crônica, com períodos de exacerbação e de melhora. Demais disso, em razão do perfil inflamatório, o quadro pode evoluir com cicatrizes e hipercromia, aumentando a interferência negativa na autoimagem e autoestima da paciente. Por tal razão, é de extrema importância que o profissional médico conheça as diversas formas de tratamento existentes, ainda mais diante do fato de que a acne da mulher adulta também é caracterizada por elevados índices de falha terapêutica. Formas de tratamento Para

Virgínia Costa Marques

6 minhá 22 dias

SINAL DE AUSPITZ (DO ORVALHO SANGRANTE)

Você já estudou sobre psoríase? Pois bem, o sinal de Auspitz, caracterizado por pequenos pontos hemorrágicos após remoção de escamas das lesões eritemato descamativas (curetagem metódica de Broqc), é característico dessa doença. Compreenda, então, um pouco mais sobre os aspectos relacionados a ela abaixo. Entendendo a psoríase CARACTERÍSTICAS GERAIS (caracterização e epidemiologia) A psoríase é uma doença sistêmica inflamatória, não contagiosa, crônica e incurável. Suas manifestações clínicas são, sobretudo, cutâneas, ungueais e, às vezes, articulares. Vale ressaltar que as lesões provenientes da doença podem ser incapacitantes, tanto por afetar a autoestima do enferno (em relação aos estigmas impostos na sociedade quanto às lesões e pelo fato da pele, além de possuir funções fisiológicas como ser a barreira natural contra microrganismos, ser um dos componentes externos mais importantes atribuídos ao ser humano, dando a ele particularidades que expressam etnia, vivências e preferências – como tatuagens e maquiagem), quanto pelo acometimento articular (no caso de artrite psoriática).   As lesões têm como característica escamas branco-prateadas, secas e aderidas, eritemato-escamosas, bem delimitadas e ocorrem preferencialmente em membros, sacro e couro cabeludo.   Em relação à sua epidemiologia, sabe-se que a psoríase ocorre mundialmente, afetando homens e mulheres em todas as idades, com maior prevalência entre pessoas de 30-40 anos, sem predileção à etnia, ocorrendo em todos os países. Sua prevalência mundial varia entre 0,09% a 11,4%, enquanto no Brasil ela seja estimada em cerca de 1,3%. Seu pico de incidência se encontra na faixa etária de 22 a 23 anos, e a idade média de início é aos 8 anos, sendo que, quanto mais precoce o início, a doença tende a ser mais grave.   Quanto a suas causas, sabe-se que, predominantemente, a

Nicoly Garrett

5 minhá 33 dias

“O Jeca não é assim: está assim”: falando um pouco sobre a doença de Jeca Tatu, a Ancilostomose | Colunistas

O personagem de monteiro lobato Em Urupês (1918), Monteiro Lobato escreveria sobre um dos seus personagens mais icônicos, o Jeca Tatu. Rotulado na época como um personagem sonolento, tinha em sua criação algo muito mais objetivo: uma crítica grave à política sanitária do nosso país. O personagem em si foi muito criticado na época e era visto por outros escritores como um mau símbolo literário, Rui Barbosa, por exemplo, descrevia-o como um “símbolo de preguiça e fatalismo”. Figura 1: Almanaque do Biotônico, 1935 Fonte: Google imagens Após mais de um século, a mesma doença atinge 500 milhões de pessoas em todo o mundo e é considerado pela OMS como uma doença tropical negligenciada. Uma descrição mais que apropriada! Caro leitor, reconheço que o artigo é extenso, recomendo a leitura específica do tópico “Profilaxia”, caso não queira lê-lo por completo! O QUE É A ANCILOSTOMOSE? A Ancilostomíase, ancilostomose ou também chamada de amarelão é uma infecção provocada por duas espécies: Ancylostoma duodenale e Necator americanus. A primeira é encontrada no Oriente Médio, no norte da África e no Sul da Europa, enquanto a segunda predomina nas Américas e na Austrália. CLASSIFICAÇÃO E MORFOLOGIA A classificação completa desse verme é: Reino: Animalia;Filo: Nematoda;Classe: Chromadorea;Ordem: Rhabditida;Família: Ancylostomidae;Gênero: Ancilostoma e Necator;Espécies (algumas):Ancylostoma duodenale, Necator americanus, Ancylostoma braziliense e Ancylostoma caninum; Dentre essas espécies, possuímos duas doenças principais: o Amarelão e a Larva Migrans Cutânea, não sendo o foco do artigo, essa é provocada pelas duas últimas espécies citadas, sendo esses parasitas de cães e gatos, o último verme gera, inclusive, o “bicho geográfico”, responsável por gerar, literalmente, um “mapa”.

Lavínia Prado

9 minhá 38 dias

Resumo: anatomia da pele (epiderme, derme e hipoderme) | Colunistas

Introdução A pele, maior órgão do corpo, é formada por um epitélio estratificado de origem ectodérmica em contato com uma derme de tecido conjuntivo de origem mesenquimal. As suas principais funções são: Proteção: rigidez (espessura) e melanina (UV).Termorregulação: eliminação do suor e refrigeração.Resposta imune: primeira linha de defesa.Impermeabilidade: barreira à perda de água e substâncias.Sensação: tato.Excreção: glândulas écrinas (suor) excretam H2o, eletrólitos, HCO3, ureia, etc.Endocrinometabólica: produção de vitamina D, testosterona, estronas, diidrotestosterona. A pele possui três camadas que serão conceituadas abaixo: epiderme, derme e hipoderme. Epiderme É a camada mais superficial da pele, constituída de epitélio pavimentoso estratificado queratinizado (queratinócitos) e possui 5 camadas: camada basal, camada espinhosa, camada granulosa, camada lúcida e camada córnea. Camada basal É a camada mais interna, próxima ao tecido conjuntivo (derme), e é composta por uma única camada de células cúbicas (ou prismáticas), basófilas e de núcleo grande. Essa camada possui uma menor quantidade de citoplasma e é rica em células-tronco, característica que faz com que também seja conhecida como camada germinativa. Como consequência desta característica celular, essa camada possui uma alta atividade mitótica que garante a renovação celular da pele. Além disso, a quantidade de queratina aumenta à medida em que os queranócitos migram para a superfície celular. Camada espinhosa Também chamada de camada de Malpighi, ela possui algumas camadas de células bem coesas, unidas através dos desmossomos, que a conferem uma aparência de espinhos. Além disso, ela possui tonofilamentos, feixes de filamentos de queratina. A constituição dessa camada permite que a epiderme seja resistente a atritos. Camada granulosa Possui cerca de 5 fileiras

Mariana Oliveira

4 minhá 47 dias

Alopecia Areata: uma visão atual | Colunistas

Definição e história A alopecia areata ganhou atenção da mídia nos últimos dias, devido ao participante do Reality show Big Brother Brasil 21, Lucas Penteado, possivelmente ser portador da doença. As falhas em seu couro cabeludo chamaram a atenção e renderam várias matérias e entrevistas com dermatologistas. Alopecia vem do grego[Pacheco1]  e significa “ausência de pelos”. Areata vem do latim e significa “localizada”, “em uma só área”. É uma doença conhecida e documentada há séculos, inclusive foram propostas muitas teorias sobre sua causa. Porém, somente com o avanço da medicina foi possível entender sua origem e fisiopatologia. Apesar de ter ganhado foco na mídia recentemente, a alopecia areata é uma doença mais comum do que se imagina. Alguns trabalhos científicos apontam que aproximadamente 1,7% da população mundial terá pelo menos um episódio de alopecia areata durante a vida. Epidemiologia Aparentemente, a alopecia areata é uma doença de epidemiologia ampla, acometendo desde crianças até idosos, ambos os gêneros e variadas etnias. Contudo, alguns estudos apontam para uma incidência importante entre crianças de poucos meses de idade e também outro pico de incidência entre indivíduos de 20 a 50 anos. Quanto ao gênero, os estudos variam muito (depende do país onde o estudo foi realizado e do público que aquele centro atendia com mais frequência), mas vários trabalhos apontam para uma discreta prevalência feminina. Porém, na pesquisa feita pela USP, no Brasil, 63% dos acometidos eram homens. Causas e fisiopatologia Como já citado anteriormente, foram apontadas diversas causas para explicar a doença. Entretanto, hoje, com auxílio da Histopatologia e da imunologia, a alopecia areata foi entendida como uma doença autoimune com componentes genéticos. Prova disso é que, na análise histológica dos locais

Gabriela Sartori

6 minhá 47 dias

COVID-19: Segredos Criptografados na Pele | Colunistas

Desde o surgimento da pandemia da COVID-19, o comportamento, a evolução e o padrão clínico do vírus infectante, o SARS-CoV-2, persistem com muitos segredos a serem desvendados pela comunidade científica. Com inúmeros órgãos do corpo humano sendo acometidos, o maior deles, a pele, não passou ileso; inúmeros são os relatos e registros das manifestações cutâneas em decorrência da infecção viral, do tratamento medicamentoso e, também, secundários ao uso dos equipamentos de proteção individual.  Por que a pele? A pele, assim como o tecido adiposo, tem a capacidade de expressar a enzima conversora de angiotensina 2 – do inglês Angiotensin Converting Enzyme 2 (ACE2) – que atua como um receptor funcional para as proteínas spikes do SARS-Cov-2. Isso significa que a interação ACE2 da pele e proteínas spikes permite a entrada do vírus e sua ação direta sobre as células mucocutâneas cursando, mais comumente, com erupções maculopapulares e urticariformes. Além disso, é preciso levar em consideração que os indivíduos infectados podem apresentar um estado de Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD), traduzido por manifestações cutâneas como a acro isquemia e a grangrena seca. Figura 1 – Diferentes tipos de erupções associadas à COVID-19: (A) Máculas eritematosas com envolvimento do tronco e predomínio flexural; (B) Lesões urticariformes distribuídas majoritariamente pelo tronco. (RELVAS, M. et al, 2021.) Categorização das manifestações cutâneas quanto à sua etiologia Diretamente relacionadas ao vírus Análises estatísticas sugerem que a incidência registrada de lesões cutâneas decorrentes da infecção pelo SARS-Cov-2 varia entre 0,2% e 20,4% e, por vezes, são consideradas como a primeira e única manifestação clínica. Devido à sua inespecificidade e semelhança com lesões presentes em outras doenças infecciosas, como a dengue, a COVID-19 passou a ser um importante diagnóstico

Lara Brito

4 minhá 47 dias
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