Hemangioma de fígado | Colunistas

O que é? Os hemangiomas constituem os tumores benignos mais frequentes no fígado. Outros tumores benignos que podem ocorrer nesse órgão são os adenomas e hiperplasia nodular focal (HNF). Podem ser descritos como nódulos, compostos de múltiplos vasos sanguíneos revestidos por uma única camada de células endoteliais dentro de um estroma fibroso fino. São considerados mal formações vasculares ou hamartomas de origem congênita, com crescimento por ectasia vascular, e não por hiperplasia ou hipertrofia, não tendo associação maligna. Quanto à apresentação, podem ser de diferentes tamanhos, únicos ou múltiplos. As causas para desenvolvimento ainda não são bem esclarecidas. Classificação Os hemangiomas hepáticos podem ser divididos em dois grupos principais: capilares ou cavernosos. O tipo mais comum são os hemangiomas capilares, que integram o primeiro grupo. Esses tumores são mais comumente periféricos e pequenos (1 a 4 cm), podendo ser múltiplos. O segundo grupo é composto pelos hemangiomas cavernosos, mais raramente encontrados e maiores que os capilares. Antigamente, quando os cavernosos possuíam mais de 4 cm eram denominados hemangiomas gigantes, mas esse termo é atribuído atualmente para aqueles com tamanho igual ou maior do que 10 cm. Epidemiologia Aproximadamente 20% da população geral apresenta hemangiomas hepáticos. Dentre as pessoas afetadas, a maioria é do sexo feminino, podendo chegar até 80% dos casos. Com relação a faixa etária, adultos na quarta e quinta décadas de vida são os mais frequentemente acometidos. Clínica e Complicações Na maioria dos casos o indivíduo é assintomático, e o que geralmente causa sintomas é a expansão do tumor inicial. Dentre as complicações, podemos incluir dor no epigástrio ou quadrante direito, massa

Ana Lara Viana

3 minhá 19 dias

Pancreatite aguda: da suspeita ao tratamento | Colunistas

Dentre as principais causas de abdome agudo, a pancreatite aguda apresenta um espectro clínico variado, mas com diagnóstico fácil quando investigado adequadamente. Trata-se de uma doença comum nos prontos-socorros e, apesar de não haver tratamento específico, o tratamento de suporte é vital para evitar o risco de complicações e reduzir a taxa de mortalidade. Definição A pancreatite aguda é uma condição clínica na qual se observa um processo inflamatório que se inicia dentro do pâncreas e pode se alastrar para os tecidos peripancreáticos e para órgãos distantes. O evento decorre da ativação precoce das enzimas pancreáticas ainda dentro do órgão, gerando um processo de “autodigestão pancreática” e com as repercussões advindas da perda funcional do pâncreas e progressão do quadro. É uma doença comum nos prontos-socorros com incidência estimada de 20 casos para 100.000 habitantes, com mortalidade que varia de 5,19 a 30%. O suco pancreático As enzimas pancreáticas são produzidas nas chamadas células acinares e são armazenadas ainda na forma ativa dentro de vacúolos chamados de zimogênios. Quando há ingestão de alimentos sobretudo gordurosos, o organismo estimula a secreção dessas enzimas no intestino delgado, as quais encontram-se diluídas numa solução isotônica e alcalina, a qual apelidamos de suco pancreático. Dentre as enzimas pancreáticas, destacam-se a lipase e a elastase, cujas funções fisiológicas são a degradação de gorduras e elastinas, justificando o fenômeno de digestão do próprio pâncreas e dos vasos intra e peripancreáticos quando estas são ativadas dentro do órgão. Fisiopatologia O processo fisiopatológico que circunda a pancreatite aguda envolve basicamente a ativação das enzimas pancreáticas ainda dentro do órgão. Independentemente da etiologia, observa-se um aumento da pressão dentro dos ductos intra-biliares, pelos quais o suco

Víctor Miranda Lucas

5 minhá 20 dias

Resumo: Síndrome Metabólica na Infância | Ligas

De acordo com a Segunda Diretriz de Síndrome Metabólica de 2005, a obesidade abdominal em associação com a resistência à insulina é definida como Síndrome Metabólica (SM). Essa alteração no metabolismo causa um aumento significativo para o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e de diabetes melito tipo 2, salientando a necessidade do diagnóstico precoce. Etiologia A etiologia da Síndrome Metabólica é múltipla estando marcada pela interação entre fatores genéticos e ambientais. Entretanto, vale destacar que apenas 10% dos casos de síndrome metabólica em crianças são fundamentados em fatores genéticos, enquanto atribui-se a prevalência dessa patologia na infância, principalmente, a fatores ambientais, tais como o sedentarismo e os hábitos alimentares.  Além disso, a restrição de crescimento intrauterino, baixo peso ao nascer e ganho excessivo de peso nos primeiros 6 meses de vida, segundo o tratado de pediatria, também apresenta uma relevância na patogênese da síndrome metabólica, pois pode levar o indivíduo a resistência à insulina, diabetes melito tipo 2, obesidade, hipertensão arterial em fases posteriores da vida. Incidência e Prevalência A incidência da Síndrome Metabólica vem crescendo, e estudos apontam que esta doença vem se expandindo de forma importante entre crianças e adolescentes, apresentado na Pesquisa Orçamento Familiar (2008 – 2009), na qual mostrou que existe obesidade em 14,3% nas crianças de 5 a 9 anos e 4,9% em adolescentes, portanto, contribuindo para um aumento da prevalência de obesidade, diabetes mellitus tipo 2 e risco cardiovascular nessa faixa etária. Consequentemente, o aumento da prevalência de Síndrome Metabólica na faixa etária mais baixa é preocupante, pois indica um agravamento da saúde pública nas próximas décadas. Posto isso, as complicações da síndrome metabólica resultam em diversas patologias com graves impactos na qualidade de vida, em

LAINTER

4 minhá 23 dias

Técnica de Sistrunk: método de escolha para remoção do cisto tireoglosso | Colunistas

O cisto do ducto tireoglosso (ou cisto tireoglosso) é a massa em linha média cervical anterior mais comum nos pacientes pediátricos na idade pré-escolar (sendo a maioria dos casos verificados aos 5 anos de idade), embora possa aparecer em adultos (principalmente após uma infecção de vias aéreas superiores). O cisto pode ser formado em qualquer lugar ao longo do trajeto do ducto tireoglosso remanescente. Seu tratamento é cirúrgico, principalmente para evitar o surgimento de complicações. A operação preconizada permanece a mesma desde que foi descrita por Sistrunk, em 1928. A técnica de Sistrunk consiste na retirada do cisto e de seu trato epitelial até a base da língua, e também na ressecção da porção mediana anterior do osso hioide. O que é o ducto tireoglosso? A primeira glândula endócrina a se desenvolver no embrião é a tireoide. Conforme essa glândula em desenvolvimento cresce, ela desce pelo pescoço, cruzando ventralmente o osso hioide e as cartilagens laríngeas em formação. Nesse período, a tireoide encontra-se conectada ao forame cego da língua por um tubo, o ducto tireoglosso. Geralmente, o ducto se atrofia e desaparece no momento em que a glândula já está localizada em seu espaço definitivo no pescoço. Porém, há casos em que ele persiste, podendo ser preenchido por secreção salivar (visto que apresenta conexão com o forame cego), tornando-se assim um cisto, revestido por epitélio. O cisto comumente se forma na língua ou na parte anterior do pescoço (imediatamente inferior ao osso hioide), se apresentando como massa indolor (salvo se for infectada) na região mediana do pescoço. Pode ocorrer o aumento gradativo da lesão com o tempo ou após quadros de infecções virais do trato respiratório superior. No exame físico, a sua visualização é facilitada com hiperextensão do pescoço

Giovanna di Cola

4 minhá 28 dias

ATUALIZAÇÃO SOBRE COVID-19: ASSOCIAÇÃO COM DOENÇAS TIREOIDIANAS | Colunistas

Introdução Ao final de 2019, a doença altamente contagiosa causada pelo severe acute respiratory syndrome coronavirus-2 (SARS-COV-2), a COVID-19, começou a se alastrar pelo mundo, afetando, primariamente, o trato respiratório, em alguns pacientes, um estado de síndrome respiratória aguda grave, caracterizada por um rápido declínio da função pulmonar, principalmente em pacientes mais idosos com alguma comorbidade (em se tratando da variante inicial). Além disso, pode se apresentar em grande parte dos casos como assintomática ou ainda como pneumonias de diferentes graus. Os achados clínicos costumam ser inespecíficos, como febre, tosse, mialgia, fadiga, cefaleia, acompanhados por sinais mais direcionados, como tosse produtiva, hemoptise, diarreia, ageusia e anosmia (perda do paladar e do olfato). Conforme acontece a evolução cronológica da doença, pode haver sinais de alerta, como febre alta, taquipneia, dispneia no repouso ou ao esforço. Embora essa seja a consequência principal do SARS-COV-2, cada vez mais tem-se publicado a respeito de manifestações extrapulmonares da COVID-19, dentre as quais podemos citar: distúrbios neurológicos, urológicos, hematológicas, gastrointestinais, cutâneos, hepáticos e, ainda, endócrinos. E a respeito do último ponto citado acima, o presente artigo se detém a relatar, em especial, distúrbios endócrinos tireoidianos relacionados ao COVID-19. Fisiopatologia implicada na disfunção tireoidiana por COVID-19             A relação entre doença tireoidiana e COVID-19 parece residir na fisiopatologia implicada pelo SARS-COV-2: a resposta ao vírus é extremamente variada. Em alguns pacientes, há apenas a produção de citocinas necessárias para o combate do patógeno. Em outras, há um evento desordenado chamado “tempestade de citocinas” no qual são produzidas quantidades altamente anormais de IL-6, TNF-α, GM-CSF, G-CSF e outras interleucinas como IL-2, IL-7 e IL-10. Estudos recentes sobre doença tireoidiana e COVID-19            

Francisco Matheus

3 minhá 29 dias

Cirurgia de Partington-Rochelle | Colunistas

Introdução A pancreatite crônica (PC) é uma desordem inflamatória do pâncreas que ocasiona mudanças histológicas e anatômicas, muitas vezes irreversíveis. Estas modificações podem estar associadas a perda permanente da função endócrina, exócrina e a dor crônica incapacitante. Tais lesões são, em geral, progressivas, mesmo com a retirada do fator causal. O procedimento de Puestow, também chamado pancreaticojejunostomia lateral, tem sido a base da terapia cirúrgica para pancreatite crônica do canal dilatado durante décadas porque conseguiu combinar a eficácia no controle da dor das operações de ressecção com as baixas taxas de mortalidade e morbidade das derivativas. Pancreatite crônica A PC definitiva é caracterizada por uma história típica e pelo menos um dos seguintes critérios: histologia típica em uma amostra adequada, alterações ductais moderadas ou acentuadas, calcificação pancreática, insuficiência exócrina avançada, definida como estea­torreia normalizada ou bastante reduzida por reposição de enzimas. O caráter e a intensidade dos sintomas e sinais, assim como a evolução da doença, variam amplamente. Entretanto, é importante observar se o paciente apresenta dor abdominal na região epigástrica, que por vezes irradia para as costas, pois é o sintoma mais frequente. Esta dor pode ou não estar ligada a refeições e tende a durar pelo menos várias horas. A doença é bastante encontrada no Brasil, sobretudo porque o consumo de álcool é muito elevado, especialmente da cachaça, bebida de preço insignificante e alto teor alcoólico. Tratamento PC O objetivo do tratamento do paciente portador de PC é o alívio da dor para que ela não interfira nas atividades laborais e na vida familiar. Via de regra, o controle deve seguir abordagem sequencial e escalonada, começando com dieta hipolipídica, eliminação de fatores

Ana Zorek

5 minhá 32 dias
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