Intoxicação por opioides | Colunistas

A intoxicação por opioides ocorre quando há uso elevado de uma substância dessa classe, excedendo a dose pertencente à janela terapêutica medicamentosa, causando efeitos tóxicos no organismo. Essa intoxicação pode advir de sobredosagem acidental, agonismo farmacêutico, interação medicamentosa ou abuso de alguma substância da classe opioide. Para uma boa avaliação e atendimento do paciente intoxicado, é necessário conhecer o que são opioides, seus receptores, o mecanismo de ação no organismo, os fatores de risco para intoxicação, sinais e sintomas da intoxicação aguda e crônica, sinais de abstinência, fluxograma de atendimento e tratamento, procedimentos para desintoxicação e tratamento para dependência. Reconhecendo um opioide e seus receptores A morfina (primeiro opioide descoberto) teve sua estrutura determinada em 1902 e, desde então, diversos análogos foram produzidos (diamorfina, codeína, oxicodona). Em seguida, ocorreu a produção de fármacos semelhantes totalmente sintéticos (petidina, fentanila, alfentanila, sufentanila, remifentanila). O uso de opioides é realizado para analgesia (dores intensas – agudas e crônicas, que não são resolvidas com outras classes de analgésicos, principalmente em pacientes oncológicos ou em período pós-cirúrgico). O medicamento tem receptores mu (µ), Kappa (k), Delta (δ) e OLR1, que são acoplados à proteína Gi/G0 e estão amplamente distribuídos no cérebro e medula espinal. Mecanismos de ação Os mecanismos de ação são nos canais iônicos da membrana neural através da ação com a proteína G do canal, permitindo abertura de canais de potássio e inibindo canais de cálcio; reduzindo, assim, a probabilidade de geração de potenciais de ação e, portanto, liberação de transmissores. A nível bioquímico, ativam MAPK (podendo estar ligado à dependência física). Os opioides são eficazes como analgésicos se injetados em doses mínimas em núcleos cerebrais específicos. Suas ações são

Gabrielle Schneid

4 minhá 20 dias

Intoxicação por benzodiazepínicos | Colunistas

Intoxicação exógena é o conjunto de efeitos nocivos causados pela exposição do organismo a agentes biológicos ou químicos. As manifestações clínicas e laboratoriais apresentadas revelam desequilíbrio orgânico produzidos pela interação do agente tóxico em questão com o sistema biológico.  Segundo o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX), a intoxicação medicamentosa representa a maior parte dos casos de intoxicação exógena no Brasil e é um problema de saúde pública alarmante. A exposição a doses nocivas de medicamentos pode ocorrer devido a consumo inadequado, ingestão acidental ou até mesmo ocasional, como em tentativas de suicídio. Os benzodiazepínicos constituem um grupo de psicotrópicos muito comumente utilizados na prática clínica e por isso merecem atenção especial quanto aos riscos de uso indevido e intoxicação! O que são os benzodiazepínicos e como agem?             Os benzodiazepínicos são uma classe de fármacos com ação ansiolítica, hipnótica, miorrelaxante e anticonvulsivante. É uma das principais causas de intoxicação medicamentosa, mas, apesar de sua alta morbidade, possui baixa letalidade. Eles agem potencializando a resposta ao ácido gama-aminobutírico (GABA), que representa o principal neurotransmissor inibitório do Sistema Nervoso Central. Os alvos de ação são os receptores GABA tipo A (GABAA), os quais são compostos por cinco subunidades α, β e γ inseridas na membrana pós-sináptica. Para cada subunidade, existem vários subtipos e a fixação do GABA ao seu receptor inicia a abertura do canal iônico central e gera influxo do íon cloreto, o que causa hiperpolarização do neurônio, afasta o potencial pós-sináptico do valor limiar e inibe a formação dos potenciais de ação. Essa ação causa depressão generalizada dos reflexos da medula e do sistema ativador reticular e, em casos de dosagem excessiva ou exacerbação do efeito por outras substâncias depressoras

Stephanie Seif

5 minhá 36 dias

Tudo que você precisa saber sobre a vitamina K: fontes, importância e deficiência | Colunistas

Você sabia que vitamina K é o nome genérico dado a um grupo de compostos que atuam como coenzima? Está por dentro de que sua importância vai muito além da coagulação sanguínea? Conhece as causas e os grupos mais vulneráveis a esta deficiência vitamínica? Os próximos tópicos te auxiliam a entender tudo isso, vamos lá! Fontes e estruturas moleculares da vitamina K Primeiramente, é importante entender que não existe “uma vitamina K”, mas sim um grupo de compostos, os quais são sintetizados por diferentes organismos e possuem diversas – porém parecidas – estruturas moleculares.  O que os caracteriza como vitamina K é atuarem como coenzima na síntese pós-translacional (modificação que ocorre após a tradução da proteína) de ácido y-carboxiglutâmico (Gla). A vitamina K sintetizada pelos vegetais é denominada vitamina K1 ou filoquinona. Está presente em alimentos como óleo de soja e hortaliças verde-escuro (couve e espinafre, por exemplo) e é armazenada preferencialmente no fígado. Já a menaquinona ou K2 é sintetizada pela microbiota intestinal, sendo, após a absorção, armazenada majoritariamente no tecido adiposo periférico.  Existe, também, a dihidrofiloquinona (dK), a qual é sintetizada industrialmente na hidrogenação de óleos vegetais (produção de margarina) e a vitamina K sintética, utilizada como suplemento e denominada K3 ou menadiona.    Há estudos que apontem que a fonte de vitamina K influencia a eficiência da absorção e a atividade biológica, porém ainda faltam evidências sobre o assunto, principalmente em relação à menaquinona. Lipossolubilidade e os distúrbios vitamínicos (hipervitaminose, hipovitaminose) A vitamina K é uma das quatro vitaminas lipossolúveis do organismo – as outras são a A, D e E –, de modo que ela é absorvida com as micelas lipídicas no intestino

Maria Gabriela Gouvea

7 minhá 36 dias

Resumo: Amoxicilina + Clavulanato | Ligas

Definição A Amoxicilina é um antibiótico semissintético da família das penicilinas e que possui em sua estrutura o anel ẞ-lactâmico, sendo assim considerado um beta lactâmico. Algumas bactérias produzem enzimas chamadas de beta-lactamases que podem destruir o anel ẞ-lactâmico, assim desorganizando a estrutura do antibiótico e tornando-o ineficaz. O Clavulanato de potássio (ou ácido clavulônico) é um fármaco inibidor destas enzimas, o que justifica seu uso conjugado com a Amoxicilina. Apresentação da Amoxicilina + Clavulanato Há apresentações em comprimidos e suspensão (usadas em crianças e em pacientes com dificuldade em engolir os comprimidos). Comprimidos: 250 mg de amoxicilina + 62,5 mg de clavulanato de potássio.500 mg de amoxicilina + 125 mg de clavulanato de potássio.875 mg de amoxicilina + 125 mg de clavulanato de potássio. Suspensão (Adulto): 125 mg + 31,25 mg/5mL (25 mg/mL de amoxicilina + 6,25 mg/mL de clavulanato de potássio).250 mg + 62,5 mg/5mL (50mg/mL de amoxicilina + 12,5 mg/mL de clavulanato de potássio 400 mg + 57 mg/5mL (80mg/mL de amoxicilina + 11,4 mg/mL de clavulanato de potássio). Suspensão (Crianças < 40kg): 125 mg/31,25 mg/5ml ou 250 mg/62,5 mg/5ml:20 mg/5 mg a 60 mg/15 mg por cada kg de peso corporal por dia, administrados em três doses separadas (8/8 horas).400 mg/57 mg/5 ml:25 mg/3,6 mg a 45 mg/6,4 mg por cada kg de peso corporal por dia, administrados em duas doses separadas (12/12 horas). Em adultos, a posologia usualmente aplicada para a amoxicilina + clavulanato é 500 + 125 mg de 8/8 horas ou 875 + 125 mg de 12/12 horas e em casos mais graves a dose pode

Cafeína vista além da xícara de café | Colunistas

A cafeína é a mais conhecida do grupo de drogas das metilxantinas, substâncias alcaloides com grande efeito no sistema nervoso central. Além dela, fazem parte do grupo também a teofilina e a teobromina. Tais substâncias são encontradas em diversas plantas, sendo a maioria utilizada para o preparo de alimentos, bebidas ou medicamentos. Assim, ela é uma droga recreativa legal e o seu consumo o é o mais alto dentre as drogas usadas para automedicação. Cafeína na história e sociedade             A Lenda de Kaldi, no ano de 575, é a primeira referência do café. Nesta, um pastor de cabras na Etiópia observou que seu rebanho ficava sobre efeito estimulante após ingerir folhas e frutos de determinada planta. Em 1820, a cafeína foi descoberta a partir do café por Ferdinand Runge, que teve o interesse por café estimulado pelo amigo e escritor Wolfgang von Goethe. Hoje a cafeína é adicionada em refrigerantes, energéticos, analgésicos e pílulas estimulantes por exemplo. Naturalmente, ela é encontrada em diversas plantas, as quais são utilizadas para o preparo de café, chás e chocolate. O café é a bebida mais amplamente consumida e conhecida dentre as que apresentam naturalmente cafeína. O grão de café é originário da Etiópia e teve seu uso difundido pelo norte da África até que chegou à Europa. O hábito de tomar café socialmente surgiu na cultura árabe e veio ao encontro do islamismo, já que a religião não permite o consumo de bebidas alcoólicas. Estudiosos ingleses acreditavam, na época, que o café seria uma boa alternativa às bebidas alcoólicas e poderia ser a cura para alcoólatras. Já houve um tempo no qual o café superou o consumo de bebidas alcoólicas na Inglaterra devido à popularidade dele e ao

Larissa Faria

9 minhá 57 dias

Uso Medicinal do Canabidiol | Colunistas

1. Introdução O canabidiol (CBD) é um componente não psicotrópico derivado do Cannabis sativa L., que possui alto potencial terapêutico e vem fornecendo diversos benefícios e alívio de sintomas aos pacientes ao longo dos séculos. Os primeiros registros do uso do cannabis para fins medicinais apontam para o Império Chinês nos anos 3.000 a.C., que o utilizava para o tratamento de dores reumáticas, tuberculose, malária, e outras doenças. Dessa maneira, a substância ganhou notoriedade e teve seu uso medicinal expandido pela Ásia, Europa, Oriente Médio e África, sendo prescrito por médicos como intervenção para diversas enfermidades, como inflamações, dores articulares, neuropáticas, insônia, ansiedade, epilepsia e até desordens mentais. Houve um ressurgimento do interesse nos compostos e diversos estudos contemporâneos vêm apresentando resultados clínicos relevantes quanto ao uso do canabidiol (CBD) na medicina, especialmente no tratamento de patologias como epilepsia, doença de Parkinson, autismo, doenças inflamatórias e esclerose múltipla. No entanto, apesar das evidências científicas de que o composto possui grande potencial terapêutico, em diversos países, incluindo o Brasil, o uso clínico dos medicamentos que atuam no sistema canabinoide ainda se mantém controverso, e os pacientes têm dificuldades para acessar os tratamentos com a substância. 2. Mecanismo de ação O cannabis possui diversas substâncias na sua composição, entre eles os canabinoides, que atuam no nosso cérebro. Entre os canabinoides exógenos extraídos da cannabis, destacam-se o canabidiol (CBD), que não possui efeitos psicoativos – não atuam sobre a atividade psíquica ou comportamental – e o Delta-9-Tetrahidrocanabinol (Δ⁹-THC), que possui efeitos psicoativos, ambos atuando em receptores do nosso organismo. Já os canabinoides endógenos são produzidos no neurônio a partir do ácido araquidônico, destacando-se o 2-araquidonoil glicerol (2-AG) e N-araquidonoil etanolamina

João Pedro Franco

5 minhá 57 dias
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