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Conteúdo médico sobre gastroenterologia

Pancreatite aguda: da suspeita ao tratamento | Colunistas

Dentre as principais causas de abdome agudo, a pancreatite aguda apresenta um espectro clínico variado, mas com diagnóstico fácil quando investigado adequadamente. Trata-se de uma doença comum nos prontos-socorros e, apesar de não haver tratamento específico, o tratamento de suporte é vital para evitar o risco de complicações e reduzir a taxa de mortalidade. Definição A pancreatite aguda é uma condição clínica na qual se observa um processo inflamatório que se inicia dentro do pâncreas e pode se alastrar para os tecidos peripancreáticos e para órgãos distantes. O evento decorre da ativação precoce das enzimas pancreáticas ainda dentro do órgão, gerando um processo de “autodigestão pancreática” e com as repercussões advindas da perda funcional do pâncreas e progressão do quadro. É uma doença comum nos prontos-socorros com incidência estimada de 20 casos para 100.000 habitantes, com mortalidade que varia de 5,19 a 30%. O suco pancreático As enzimas pancreáticas são produzidas nas chamadas células acinares e são armazenadas ainda na forma ativa dentro de vacúolos chamados de zimogênios. Quando há ingestão de alimentos sobretudo gordurosos, o organismo estimula a secreção dessas enzimas no intestino delgado, as quais encontram-se diluídas numa solução isotônica e alcalina, a qual apelidamos de suco pancreático. Dentre as enzimas pancreáticas, destacam-se a lipase e a elastase, cujas funções fisiológicas são a degradação de gorduras e elastinas, justificando o fenômeno de digestão do próprio pâncreas e dos vasos intra e peripancreáticos quando estas são ativadas dentro do órgão. Fisiopatologia O processo fisiopatológico que circunda a pancreatite aguda envolve basicamente a ativação das enzimas pancreáticas ainda dentro do órgão. Independentemente da etiologia, observa-se um aumento da pressão dentro dos ductos intra-biliares, pelos quais o suco

Víctor Miranda Lucas

5 minhá 14 dias

Resumo: Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) | Ligas

Também conhecida como DRGE, a doença do refluxo gastroesofágico é uma patologia digestiva crônica resultante do retorno do conteúdo estomacal ou gastroduodenal para o esôfago e/ou outros órgãos, ocasionando quadro sintomatológico característico, principalmente, de episódios de pirose e regurgitação, embora também possa apresentar sintomas extra esofágicos. A lesão da mucosa esofágica não ocorre em todos os pacientes, mas quando achado na endoscopia digestiva alta, se apresenta como erosões (extensões com depósito de fibrina). A ausência e a presença dessas erosões, permite categorizar a DRGE como não erosiva e erosiva, respectivamente. Epidemiologia A DRGE tem uma prevalência mundial estimada de 8 a 33%, afetando cerca de 12% a 20% dos brasileiros. Desse modo, a DRGE é uma afecção que precisa de atenção por estar comumente presente nos consultórios gastroenterológicos e por ser um motivo de impacto na qualidade de vida de muitos pacientes. Alguns fatores de risco já foram evidenciados, entre eles estão inclusos o  tabagismo, ingestão de comidas ácidas e gordurosas, sedentarismo, determinados fármacos, obesidade e infecção por H. Pylori. Apesar de acometer todas as faixas etárias, foi visto que o índice de complicações aumenta conforme a idade. Além disso, ainda que não tenha uma relação esclarecida na literatura, estudos mostram que quase  metade das mulheres apresentam DRGE na América do Sul e no Oriente Médio em relação aos homens. Fisiopatologia Em condições habituais, o refluxo gastroesofágico é um processo fisiológico, de curta duração que acontece, sobretudo, no período prandial e, diferentemente da DRGE, não leva a um quadro sintomático. Esse cenário, no entanto, só é possível por conta  do funcionamento adequado dos mecanismos de defesa esofagianos, contrabalanceando os  efeitos de agressão a sua mucosa tecidual. Quando

LAGEH

7 minhá 16 dias

Gastroparesia diabética: o que é importante saber? Colunistas

Definição A gastroparesia diabética é uma complicação da diabetes mellitus mal controlada, resultante de disfunções dos sistemas nervoso autônomo e entérico. Essas condições causam retardo no esvaziamento gástrico, podendo desenvolver a presença de sintomas gastrointestinais superiores, destacando-se: saciedade precoce, vômitos, náuseas, anorexia e perda de peso, além de distensão e dor abdominais. Vale salientar que alguns pacientes apresentam sintomas gastrointestinais associados a um esvaziamento gástrico normal, enquanto outros possuem sintomas leves ou ausentes mesmo que haja esvaziamento gástrico anormal. Etiologia Essa patologia afeta de 20% a 50% dos pacientes diabéticos, sobretudo aqueles diagnosticados com diabetes mellitus tipo 1 ou aqueles com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 há mais de 10 anos. Nesses casos, o esvaziamento gástrico retardado pode ocorrer em até 65% dos pacientes com DM tipo 1 em relação aos 30% dos pacientes com DM tipo 2. Com relação à prevalência, observa-se proporcionalidade de acordo com o aumento da idade. Além disso, a maioria dos estudos demonstra uma prevalência maior em mulheres do que em homens. Fisiopatologia A fisiopatologia infere que a hiperglicemia ou a ineficiente captação de glicose, favorecem danos neuronais que promovem anormalidade na neurotransmissão mioentérica, prejuízo na função neuronal inibitória e disfunção nas células lisas e nas células intersticiais de Cajal. Esses conjuntos disfuncionais causam menor contração antral, desordem nas contrações antro-duodenais, além de espasmos do piloro, consequentemente favorecendo o retardo no esvaziamento gástrico. Portanto, essa lentificação no esvaziamento causa uma maior absorção de carboidratos, favorecendo níveis maiores de glicose. Quais os impactos na qualidade de vida? A qualidade de vida é bastante prejudicada, principalmente nos pacientes que apresentam sintomas como dor abdominal, náuseas e vômitos. Dessa forma, muitos pacientes desenvolvem transtornos

Gabriela Carvalho

6 minhá 19 dias

Sonda de Sengstaken-Blakemore: o que é e quando usar? | Colunistas

Se você é estudante de medicina, enfermagem, ou já é formado em uma dessas áreas, provavelmente já estudou, ou vai estudar, hemorragia digestiva alta (HDA) durante sua trajetória. Cerca de 20% dos casos de HDA são causados por ruptura de varizes esofagogástricas (VEG) que, por provocarem um sangramento expressivo, possuem altas taxas de morbimortalidade. O mecanismo que leva ao surgimento das varizes é a hipertensão portal, pressão acima de 10mmHg no sistema porta, que ocorre principalmente devido a hepatopatias crônicas (cirrose) e esquistossomose hepatoesplênica. O sangramento por ruptura de VEG é uma emergência médica e necessita de manejo adequado em unidade de terapia intensiva. No fluxograma proposto pelo Serviço de Cirurgia do Fígado e Hipertensão Portal do Hospital das Clínicas da FMUSP, o balão de Sengstaken-Blakemore (BSB), estrela do nosso texto de hoje, é colocado como uma alternativa quando há falha na estabilização hemodinâmica do paciente com hemorragia varicosa. Porém, o uso desse balão necessita alguns conhecimentos técnicos e teóricos que vamos te explicar agora!  Afinal, o que é o balão de Sengstaken-Blakemore? É uma sonda que possui um cateter de três lúmens e dois balonetes. Um dos balonetes será insuflado no lúmen do estômago fazendo pressão sobre a cárdia e outro será insuflado no lúmen do esôfago para pressionar as varizes. O terceiro lúmen serve para fazer a irrigação e drenagem do estômago. Como a sonda de Sengstaken-Blakemore não possui 4 lúmens, onde o quarto lúmen seria para aspiração de secreções esofágicas, é necessário então que juntamente se coloque uma sonda nasogástrica para que assim haja aspiração de conteúdo esofágico. Imagem: Sonda Sengstaken-Blakemore (1) Porta do balão esofágico, (2) Porta do balão gástrico, (3) Porta de aspiração gástrica, (4) Balão esofágico (inflado),

Clara Faria

4 minhá 20 dias

Farmacocinética: descomplicando conceitos da farmacologia | Colunistas

Introdução A farmacocinética é uma parte essencial para o estudo da farmacologia, já que ajuda na compreensão da atuação de tais fármacos no organismo. A farmacocinética estuda o caminho do fármaco no organismo, desde a sua administração, absorção, distribuição e metabolismo, até a sua excreção. Cada uma dessas etapas pode afetar positiva ou negativamente a ação do fármaco, dependendo da forma como for aproveitada – por exemplo, a absorção de fármacos como o omeprazol se dá de forma mais eficiente quando se está de jejum. Farmacocinética O estudo da farmacocinética é essencial para determinar a efetividade clínica de um medicamento, já que é a partir dela que saberemos os caminhos dos fármacos no organismo, se ele foi bem-sucedido em ultrapassar barreiras fisiológicas e em sua distribuição nos órgãos-alvo. A farmacocinética, dessa forma, compreende o estudo do caminho do fármaco no corpo humano, desde a sua administração até a sua metabolização ou excreção, passando por várias etapas, como a absorção, a distribuição e a metabolização. Durante esse estudo, adquire-se conhecimento sobre o que pode facilitar ou dificultar a absorção de um determinado fármaco, o que pode ser feito para melhorar sua distribuição, e, também muito importante, é possível determinar interações medicamentosas que podem ocorrer em diferentes fases, como na metabolização dos fármacos no fígado. A farmacocinética se divide em absorção, distribuição, metabolização e excreção. Na absorção, é importante aprender sobre os diferentes locais em que ela pode ocorrer e as barreiras fisiológicas que dificultam o processo absortivo; já na distribuição, estuda-se os caminhos dos medicamentos até chegarem ao órgão-alvo, seja pela corrente sanguínea ou linfática; no metabolismo dos fármacos, vê-se que eles podem ser transformados em metabólitos inativos, prontos para excreção, ou até mesmo

Stephanie Liberatori

7 minhá 21 dias

Descomplicando a úlcera péptica | Colunistas

Introdução Antes de adentrarmos nos aspectos clínicos da úlcera péptica, precisamos compreender o que seria essa doença e qual o motivo de sua ocorrência. De uma forma simplificada, ela pode ser entendida como uma lesão em que há uma perda de integridade da mucosa estomacal ou duodenal, caracterizada por uma escavação com mais de 5 mm da parede.  Em termos epidemiológicos, tende a acometer mais homens tabagistas e tem íntima correlação com a infecção pela Helicobacter pylori e com o uso irracional dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). Fisiopatologia Agora que definimos o que é a úlcera péptica, podemos buscar compreender quais são os fatores que desencadeiam a doença. Já comentamos que a infeção pela H. pylori e o uso dos AINEs compreendem dois fatores de risco importantes, mas será que só eles têm influência na patogênese? Claramente não. De uma forma geral, a fim de facilitar o entendimento, é necessário saber que existem outras condições que influenciam no desenvolvimento das úlceras. No entanto, por mais diversas que sejam as causas, o que ocorre é um desbalanço entre forças protetivas e lesivas da mucosa gastrointestinal. Mas como assim? Nosso trato gastrointestinal é revestido por um muco formador de uma camada que protege o tecido da acidez produzida no estômago. Dessa forma, temos um “dualismo” fisiológico resumido pelo “muco contra o ácido”. Dessa forma, alguns fatores atuam no sentido de favorecer a ação ácida e outros no sentido de proteger os tecidos dessa acidez, como a produção de muco. Dessa forma, uma perda do equilíbrio dessa relação se torna uma condição favorável a doença ulcerosa. Além disso, no sentido de proteção, ainda temos a secreção de bicabornato, a ação das prostaglandinas, o aporte sanguíneo adequado

Lucas Diniz

6 minhá 21 dias
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