Protocolo de atendimento da Síndrome Hepatorrenal | Ligas

O Protocolo de Atendimento à Síndrome Hepatorrenal foi desenvolvido na Disciplina de Emergências Clínicas do HCFMUSP. O protocolo serve como guia do hospital em questão e sintetiza as recomendações internacionais, auxiliando na tomada de decisão terapêutica. Lembrando que cada paciente é único, devendo sempre o médico tomar suas decisões embasadas nos riscos e benefícios inerentes ao paciente. Epidemiologia/Etiologia Segundo o consenso da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), a lesão renal aguda (LRA) é uma complicação comum em cerca de 20% dos pacientes com cirrose e ocorre por diversos motivos. As principais causas de LRA em pacientes cirróticos e ascíticos evidenciadas pelo Protocolo são lesão pré-renal, síndrome hepatorrenal (SHR) e necrose tubular aguda (NTA). Para diferenciar a LRA decorrente de SHR das outras causas é necessário realizar exames clínico e laboratoriais, sendo diagnóstico de exclusão das outras causas mencionadas pelo consenso da SBH seguido de sua incidência, infecções (46%), hipovolemia (32%), nefropatia parenquimatosas (9%) entre outras. Fisiopatologia A SHR ocorre devido a uma sequência de fatores relacionados a cirrose, insuficiência hepática e hipertensão portal. Sendo constituída por vasodilatação esplênica que leva a redução do volume do sangue arterial e da pressão. Como consequência há ativação do sistema nervoso simpático e do sistema renina-angiotensina-aldosterona que causam vasoconstrição renal e alteram a curva autorregulatória do rim, tornando o fluxo sanguíneo renal mais sensível a variações da pressão. Além disso, há comprometimento da função cardíaca devido a cirrose e aumento de mediadores vasoativos que alteram o fluxo sanguíneo renal, levando a LRA. Abordagem inicial O Protocolo é bem direto na conduta inicial, devendo-se excluir outros fatores de risco como uso de diuréticos, IECA, BRA, AINES, drogas nefrotóxicas e

LEM.DF

4 min há 35 dias

Resumo Anatomia do Pâncreas: localização, fornecimento sanguíneo, inervação, linfáticos, função e alguns aspetos clínicos relevantes | Colunistas

Introdução O pâncreas é não só um órgão acessório e glândula exócrina do sistema digestivo, como também uma glândula endócrina produtora de hormonas. É um órgão retroperitoneal, possuindo cinco partes e um sistema interno de ductos. O pâncreas é vascularizado pelas artérias pancreáticas que se ramificam a partir de vasos ao seu redor e é inervado pelo nervo vago (NC X), plexo celíaco e plexo mesentérico superior. Função – Digestão através da libertação de peptidases, lipases, nucleases e amilases. Regulação hormonal pela libertação de insulina (células beta), glucagon (células alfa) e somatostatina (células delta). Definição O pâncreas é uma glândula de secreção externa e interna, que está ligada ao duodeno por seus dutos excretores. Localização – O pâncreas é um órgão alongado (com aproximadamente 15 cm) que se localiza obliquamente na parede abdominal posterior, ao nível dos corpos vertebrais de L1 e L2. Pensando num contexto clínico, a sua posição oblíqua faz com que seja impossível de o visualizar, na totalidade, usando apenas uma secção transversal. O pâncreas está em contacto com várias estruturas, uma vez que atravessa as regiões abdominais epigástrica, do hipocôndrio esquerdo e uma pequena porção da região umbilical. Todo pâncreas, à exceção da cauda, está localizado no espaço retroperitoneal da cavidade abdominal. Configuração e relações Este órgão parenquimatoso está dividido em cinco partes anatómicas: a cabeça, a apófise unciforme, o colo, o corpo e a cauda. Cabeça do pâncreas – A cabeça é a parte medial dilatada do pâncreas. Ela encontra-se em contacto direto com as partes descendente e horizontal do duodeno(segunda porção do duodeno), as quais formam um C em

Ravel Silva

6 min há 38 dias

Doenças inflamatórias intestinais: tratamento e complicações | Colunistas

Introdução As doenças inflamatórias intestinais compreendem, principalmente, a Doença de Crohn (DC) e a Retocolite Ulcerativa (RCU) e são um problema de saúde pública em vários países, com incidência maior nos EUA se comparado a Ásia e América do Sul. O pico de incidência dessas doenças se dá entre os 60 e os 80 anos, com início entre os 15 e 30 anos. Não há relação com o sexo mas existe uma possível associação com determinadas síndromes genéticas. A DC pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, de forma descontínua, com inflamação transmural, podendo formar fístulas e úlceras, sendo mais comum no íleo terminal. Já a RCU gera inflamação apenas em mucosa, com lesões contínuas e ascendentes, atingindo reto e cólon. Após essa breve introdução acerca das doenças inflamatórias intestinais, veremos os tópicos mais importantes sobre tratamento e complicações. Tratamento O tratamento das DII tem duas fases: indução e remissão. O esquema terapêutico empregado depende da extensão e da gravidade da doença, dos locais acometidos, da idade do paciente, das comorbidades, da tolerância e refratariedade ao tratamento. O principal objetivo do tratamento é alcançar a manter a remissão completa a longo prazo. Tratamento da doença de Crohn Na DC, em casos de doença leve a moderada, o 5-ASA é a medicação de escolha para induzir a remissão. Caso não haja resposta após 3-4 semanas de uso, podemos utilizar metronidazol, ciprofloxacino ou rifaximina. Nos pacientes sem resposta ao 5-ASA e aos antibióticos, podemos prescrever corticoides preferencialmente a budesonida de liberação ileal; outra opção é a prednisona.  As últimas opções para aqueles que não responderem às últimas três etapas são os imunomoduladores e/ou biológicos. Após

Patrícia Ribeiro

5 min há 38 dias

Consenso Sobre Hepatite C Crônica da Sociedade Brasileira de Hepatologia | Ligas

O Consenso sobre Hepatite C Crônica visa orientar de forma adaptada a realidade brasileira quanto às melhores evidências relacionadas ao métodos de estadiamento e tratamento da hepatite causada pelo vírus C. Segundo a Sociedade Brasileira de Hepatologia, a hepatite crônica pelo vírus C acomete mais de 180 milhões de pessoas em todo o mundo e cerca de 3 milhões no Brasil. Fato este que se deve principalmente a ser uma patologia em que não existem sintomas muito específicos e por seu quadro evoluir de forma arrastada, onde a maioria dos pacientes nem tem conhecimento de sua condição. Este visa sumarizar e trazer as melhores evidencias sobre a avaliação do estadiamento, tratamento, manejo de genótipos, manifestações extra hepáticas, tratamento na infância, tratamento nas coinfecções e outras situações especiais. Avaliação do Estadiamento da Hepatite C Crônica Essa etapa tem muita importância para auxiliar nas decisões quanto ao tratamento. Por exemplo, evidências apontam que fibrose grau 2 no Metavir é um indicador de progressão da doença e necessita de tratamento. Alguns dos métodos utilizados são listados a seguir. Biópsia Hepática – É considerada padrão ouro no diagnóstico e estadiamento de hepatite C crônica. Além disso, pode evidenciar atividade da doença, concomitância de outras doenças hepáticas, processos metabólicos e monitoramento terapêutico. É considerado um método invasivo e, portanto, está acompanhado de baixos índices de letalidade (0,03%) e morbidades, que alcançam 1% a 2% dos casos, principalmente a hemorragia. A recomendação para a biopsia é que deve obter amostra superior a 1,5cm de comprimento e a largura maior que 1mm, perfazendo um total de espaços porta superior a 10. Apesar de ser padrão-ouro, não é a primeira opção e pode ser substituída por métodos não

LIBAHM

16 min há 39 dias

Atresia de esôfago: Uma visão geral | Colunistas

A atresia de esôfago (AE) é uma malformação congênita que leva à interrupção da luz esofágica, podendo ou não estar associada a uma comunicação com a traqueia, a saber, a fístula traqueoesofágica. É um tema com grande relevância na cirurgia pediátrica, afinal a atresia de esôfago apresenta uma incidência de 1 para 1500 a 3000. Aproximadamente 60% dos casos apresentam associação com outras malformações que conhecemos pelo acrônimo VATERL (vertebral, anorretal, traqueal, esofágica, renal e “limbs” – membros). Para obter um melhor entendimento dessa patologia, é necessário ter um conhecimento básico da embriologia e anatomia do esôfago e estruturas relacionadas. Embriologia No desenvolvimento embriológico, o sistema gastrointestinal e o sistema respiratório compartilham sua origem. Ambos serão originados a partir da formação de um tubo endodérmico que surge por volta do 21º dia no assoalho do intestino anterior, onde há a formação de um sulco laringotraqueal que se desenvolve no sentido cranial. Concomitantemente, ocorre uma septação lateral que separa a porção ventral ou traqueobrônquica da porção dorsal ou esofágica. Ocorre também uma proliferação epitelial com obliteração da luz que é em seguida recanalizada pela disposição de vacúolos. Nesse processo pode haver uma falha que explicaria a origem da atresia esofágica. Ela pode ocorrer tanto pelo aumento da pressão intraembriônica (aumento da área cardíaca, aumento da subclávia. Acúmulo de líquido no processo pneumoentérico e cavidade pericárdica), pela oclusão epitelial, pela falha na recanalização, pelo desequilíbrio no crescimento diferencial entre os esboços esofágicos e traqueal ou por uma insuficiência vascular. Anatomia O esôfago é uma estrutura tubular situada posterior à traqueia. É seguinte à faringe e termina ao nível da cárdia no estômago.  Pode ser dividido em 3 porções: cervical,

Marcela Facina

4 min há 49 dias

A medicina e suas caixinhas: abordando questões psiquiátricas e sociais no ambulatório de gastroenterologia | Colunistas

Ambulatório de gastroenterologia do CHC-UFPR. Paciente J, 56 anos, queixa-se de dor abdominal crônica, de forte intensidade. Paciente chega na consulta referindo piora do quadro desde a última consulta (há 4 meses), sem fatores de melhora. Dando sequência ao atendimento, fazemos todas aquelas perguntas sobre as especificidades de cada sintoma, para entender um pouco mais da doença, o que ela ainda tem causado no paciente e para saber de que forma vamos ajudá-lo. Logo na sequência questionamos: – Seu J, aqui temos uma lista de 5 medicamentos que foram recomendados para o senhor na última consulta, tem conseguido tomar todos eles? Sentiu alguma melhora com esses medicamentos? – perguntamos. – Olha, eu só tô tomando esses 3 aqui, os outros 2 eu não consegui comprar. Não sobrou dinheiro esse mês, sabe, doutor?! A situação tá difícil, cuido sozinho da minha mãe que tem 92 anos, e ela passou mal esses dias – diz ele, já com os olhos cheio de lágrimas. – Enfim, não dá nem vontade de viver. Tá difícil pra mim.  Ficamos todos em silêncio. Na minha cabeça já desenhava o quadro psicológico do paciente, listando novas perguntas para investigar um transtorno depressivo. Queremos ajudar, mas vamos ter calma. Hoje estamos no ambulatório de Gastroenterologia, Psiquiatria é em outro dia. Ainda está difícil colocar os pacientes em caixinhas de especialidades. Queríamos poder resolver todas as queixas de todas as especialidades, em 30 minutos. – Tem uma fila ali fora de outros pacientes com suas queixas gastrointestinais e temos que aproveitar os especialistas que estão aqui para auxiliar nesses casos, e eles são gastroenterologistas – penso alto, convencendo a mim mesmo. – E se fizermos essas perguntas sobre a saúde mental,

Lucas Matos

3 min há 54 dias
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