Consenso Brasileiro de Fragilidade em Idosos: Conceitos, Epidemiologia e Instrumentos de Avaliação | Ligas

O Consenso Brasileiro de Fragilidade em Idosos (CBFI) tem por objetivo definir conceitos e situações comuns acerca da síndrome de fragilidade, além de estimar e adaptar pontos de corte de escalas de avaliação funcional para essa população. A fragilidade no idoso é um processo de vulnerabilidade fisiológica, no qual o risco aumentado de eventos danosos à saúde (como dependência, quedas e doenças agudas) torna-se uma preocupação crescente para a geriatria e gerontologia. No contexto brasileiro, com o rápido aumento demográfico, faz-se necessário investimentos e criação de políticas de saúde dirigidas à população idosa, sobretudo, ao indivíduo frágil.  Desse modo, o CBFI busca determinar indicadores epidemiológicos quanto à fragilidade e padronizar instrumentos de avaliação, a fim de orientar ações assistenciais geriátricas. Link | Portal da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia: https://sbgg.org.br/ Definições e Epidemiologia A síndrome de fragilidade pode ser explicada a partir de um modelo, já que tal condição não pode ser mensurada diretamente. Dentre os modelos, um é mais coerente, esclarecendo que a diminuição da reserva funcional dos vários sistemas orgânicos pode ser a responsável pela fragilidade. Logo, espera-se encontrar, em um indivíduo frágil, distúrbios nos domínios físico, cognitivo, sensorial, nutricional, resultado desse declínio progressivo. Da revisão de estudos para consolidação do CBFI, diversos eram os cenários em que a síndrome de fragilidade era observada, como: instituições de longa permanência, hospitais, ambulatórios e comunidade. Ademais, a prevalência dessa condição variou entre 6.7% e 74.1% entre as pesquisas analisadas. Contudo, a discrepância dessa variação é explicada devido aos diferentes instrumentos empregados na classificação de idosos como frágeis. Como identificar um idoso frágil – Critérios operacionais A identificação de idosos frágeis fundamenta-se na observação

Diretriz sobre o Manejo de Quedas em Idosos | Ligas

Quedas e as consequentes lesões resultantes constituem um problema de saúde pública e de grande impacto social enfrentado hoje por todos os países em que ocorre expressivo envelhecimento populacional. As quedas ocorrem devido à perda de equilíbrio postural e tanto podem ser decorrentes de problemas primários do sistema osteoarticular e/ou neurológico quanto de uma condição clínica adversa que afete secundariamente os mecanismos do equilíbrio e estabilidade. Por isso, a queda pode ser um evento sentinela, sinalizador do início do declínio da capacidade funcional, ou sintoma de uma nova doença. O envelhecimento populacional e o aumento da ocorrência de doenças crônico-degenerativas provocam a necessidade da preparação e adequação dos serviços de saúde, incluindo a formação e capacitação de profissionais para o atendimento desta nova demanda. Nesta perspectiva, as quedas de idosos são atualmente uma das preocupações, pela frequência e pelas consequências em relação à qualidade de vida. A prevenção é importante no sentido de minimizar problemas secundários decorrente de quedas. O que mudou em relação à anterior Em relação à diretriz anterior (2001), foram adicionados como fatores de risco intrínsecos: História prévia de quedas, Idade, Sexo feminino, Medicamentos, Condição clínica, Distúrbio de marcha e equilíbrio, Sedentarismo, Estado psicológico, Deficiência nutricional, Declínio cognitivo, Deficiência visual, Doenças ortopédicas, Estado funcional. Diretriz de 2001 – Fatores de Risco intrínsecosDiretriz de 2008 – Fatores de Risco intrínsecosAlterações fisiológicas do processo de envelhecimentoHistória prévia de quedasPatologias específicasIdadeMedicamentosSexo Feminino Medicamentos Condição Clínica Distúrbio de marcha e equilíbrio Sedentarismo Estado psicológico Deficiência nutricional Declínio cognitivo Deficiência visual Doenças ortopédicas Estado funcionalTabela 1: Comparação entre as mudanças nas diretrizes de 2001 e 2008 Epidemiologia/Etiologia A queda é o mais sério e frequente acidente doméstico que ocorre com os idosos e a principal etiologia de morte acidental

Diretriz Terapêutica de Degeneração Macular relacionada com a Idade | Ligas

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma doença degenerativa e progressiva que acomete a área central da retina (mácula), levando invariavelmente à perda da visão central. Pode ser classificada como seca, responsável pela maior parte dos casos (85%-90%), ou exsudativa, também denominada neovascular ou úmida (10%-15%). Na DMRI seca, ocorre a formação de drusas e alterações no epitélio pigmentar da retina (EPR), podendo evoluir para um estágio final denominado atrofia geográfica. Na DMRI exsudativa ocorre a formação de membrana neovascular (MNV), sendo responsável pela maior parte (90%) dos casos de cegueira (acuidade visual – AV igual ou inferior a 20/200). O aumento da permeabilidade do complexo neovascular causa extravasamento do conteúdo do plasma para diferentes camadas da retina, gerando dano nas células neurais e formação de cicatriz sub-retiniana. Diante disso, considerando a necessidade de se estabelecerem parâmetros sobre a degeneração macular relacionada com a idade (forma neovascular) no Brasil e que os protocolos clínicos embasados em conhecimentos técnicos-científicos resultam em melhor atendimento e resultado de tratamento, foi-se criado o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Degeneração Macular relacionada com a Idade. Os primeiros sintomas da doença são uma distorção da visão central, ou seja, somente o centro da imagem observada fica borrado. Com a evolução da doença, esse borramento passa a ser perda da visão central. Epidemiologia/Fatores de Risco A DMRI é a principal causa de cegueira irreversível em indivíduos com mais de 50 anos nos países desenvolvidos. Estudos internacionais apontam para incidência e prevalência crescentes após essa faixa etária, com cerca de 30% da população com mais de 75 anos apresentando algum estágio dessa doença. No Brasil, estudos epidemiológicos são escassos, mas em meta-análise, com base em dados de outros

Conhecendo as Grandes Síndromes Geriátricas | Colunistas

As Grandes Síndromes Geriátricas englobam o grupo de doenças de grande recorrência nos consultórios geriátricos e está entre os maiores motivos de encaminhamentos dessa população. As Síndromes causam importante redução da qualidade de vida dos pacientes e devem ser investigadas ativamente durante uma consulta em idosos. Quem são e por quê são assim chamadas? As Grandes Síndromes Geriátricas (ou também conhecidas como “Os Grandes “I’s” da Geriatria”) contemplam condições clínicas frequentes nos idosos, capazes de reduzir consideravelmente a qualidade de vida destes pacientes. Conceitua-se que o surgimento de uma das Síndromes acontece após a perda da autonomia e/ou da independência dos idosos. A autonomia refere-se à capacidade do idoso em tomar decisões por conta própria, sendo ela dependente do humor e da cognição. Por outro lado, a independência se refere à capacidade de realizar suas próprias atividades sem ajuda de outrem, esta depende do pleno funcionamento da mobilidade e da capacidade comunicativa dessa população (Imagem 1). As Grandes Síndromes Geriátricas são: incapacidade comunicativa, insuficiência familiar, incapacidade cognitiva, instabilidade postural, imobilidade, incontinência esfincteriana e a iatrogenia; O campo da geriatria é bastante rico em testes e questionários bastante reconhecidos e consolidados na medicina. Diversos deles são utilizados na investigação ativa das Síndromes Geriátricas e constituem papel fundamental durante a avaliação médica. Imagem 1. Grandes Domínios da Saúde do Idoso. Adaptado de Moraes, Marino e Santos (2010). Incapacidade comunicativa A população idosa é frequentemente acometida por condições que comprometem a comunicação, seja na audição, na fala ou na compreensão. Estas seriam as principais condicionantes relacionadas à incapacidade comunicativa. Quando a incapacidade comunicativa se instaura, a tendência é de que o idoso se isole socialmente, por encontrar dificuldade em interagir

Víctor Miranda Lucas

6 min há 56 dias

Escalas para a avaliação da capacidade funcional do idoso | Colunistas

A capacidade funcional consiste na capacidade do indivíduo em desempenhar atividades cotidianas que lhe permita cuidar de si mesmo e ter uma vida independente em seu meio. A funcionalidade do idoso é determinada pelo seu grau de autonomia e independência, sendo avaliada por instrumentos específicos. Dessa maneira, a perda da capacidade funcional traz implicações para o idoso, a família e a comunidade. Além de aumentar o risco de morte, ela gera maior chance de hospitalização e de gastos para o Sistema Único de Saúde e para as famílias. Atividades Básicas de Vida Diária Temos as atividades básicas de vida diária (ABVD) que são aquelas relacionadas ao autocuidado, ou seja, são as atividades fundamentais necessárias para na vida como: tomar banho, se vestir, executar sua própria higiene, conseguir se transferir da cama para a cadeira e vice-versa, ter continência, capacidade de se alimentar e andar. A incapacidade de realizar essas atividades identifica alto grau de dependência. As escalas das ABVD que se baseiam em informações dos pacientes e dos cuidadores e devem ser simples e de rápida avaliação, podendo ser utilizadas por todos os membros da equipe interdisciplinar. As escalas mais utilizadas para avaliação as ABVD no nosso meio são a Escala de Katz e o Índice de Barthel. A Escala de Katz foi proposta em 1963 para avaliar pacientes internados e depois foi adaptada para a comunidade, tem a grande limitação de não avaliar o item deambulação e no Brasil possui uma adaptação transcultural facilitando seu uso de forma adequada em nosso meio. Dessa forma, essa escala aborda que a perda funcional segue um padrão igual de declínio, isto porque, primeiro se perde a capacidade de se banhar, seguida pela incapacidade de se vestir, se transferir

Suzana Vasconcelos

5 min há 56 dias

Estudo de caso: Surto de Covid em Lares de Idosos | Colunistas

INTRODUÇÃO O Coronavírus (CoVs) constituem uma família de vírus de RNA que têm potencial de causar, normalmente, doenças respiratórias leves em humanos. Em janeiro de 2020, a comissão municipal de saúde de Wuhan, na China, alertou sobre um surto de uma nova forma de pneumonia viral causada pelo “Wuhan coronavírus n-Cov”, a qual ficou conhecida como Covid-19 e pode evoluir com Síndrome Respiratória Aguda Severa. Este novo vírus é o sétimo coronavírus conhecido com capacidade para infectar seres humanos, sendo nomeado como Sars-Cov-2. O surto se expandiu rapidamente, configurando uma pandemia e as instituições de saúde, vigilância epidemiológica, universidades, associações médicas e editoriais de revistas científicas ao redor do mundo estão trabalhando intensamente para definir precisamente as características clínicas e epidemiológicas do SARS-CoV-2. Estudo de Casos Surto de Covid-19 em Lares de Idosos No Brasil não é diferente, pois desde as instituições nacionais e públicas, como o Ministério da Saúde, até as privadas e locais, como as instituições de lares para idosos, estão empenhadas em proteger a população do vírus. As medidas que são requeridas para o “achatamento da curva” de transmissão da Covid-19 como o isolamento, o distanciamento social e a quarentena da população também apresentam “efeitos colaterais”, como por exemplo, o anseio e a angústia dos familiares que têm seus entes queridos residindo em Lares para Idosos, os quais encontram-se sob risco de vivenciarem um surto pela COVID-19. Um exemplo disso é um surto de COVID-19 que houve em um Residencial de Longa Permanência para Idosas na cidade de Canela, em 08/02/2021, onde foram registrados quatro óbitos, sendo que três deles foram em decorrência da COVID-19. Diante disso, funcionários do Oásis foram afastados das atividades devido à suspeita de terem contraído o Coronavírus, sendo

Mariane Ramalho

4 min há 62 dias
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