Prolapso de Órgãos Pélvicos (POP) | Colunistas

Introdução Prolapso de órgãos pélvicos (POP) é termo utilizado para designar a herniação de órgãos pélvicos através da vagina. É uma condição frequente de baixa morbimortalidade, mas que compromete o funcionamento normal desses órgãos e redução da qualidade de vida por prejudicar as atividades diárias, a função sexual e o exercício. Epidemiologia A prevalência exata dos POP é difícil de determinar, uma vez que algumas mulheres podem ser assintomáticas e, por muitas vezes se sentirem constrangidas, muitas não procuram assistência médica. Nos EUA, a prevalência de mulheres com prolapso sintomático é em torno de 2,9 a 5,7% da população; ou seja, considerando as mulheres nas quais essa condição é assintomática, a prevalência torna-se bem maior. Etiologia e Fatores de Risco A etiologia do prolapso de órgãos pélvicos é multifatorial, podendo se desenvolver ao longo de anos. Existem alguns fatores predisponentes para POP. Parto O aumento da paridade pode causar lesões nos músculos do assoalho pélvico, principalmente músculo levantador do ânus ou nervos locais (principalmente o nervo pudendo) durante o parto. Outros fatores relacionados ao parto, como o alto peso do bebê ao nascer, período expulsivo prolongado, uso de fórceps, e idade materna menor que 25 anos no primeiro podem favorecer o POP. Idade avançada Acredita-se que a cada 10 anos adicionais de idade, o risco de prolapso aumenta em 40%. Isso se deve à senescência, na qual é esperado a perda do tônus e da função da musculatura esquelética. Isso leva a alterações no músculo levantador do ânus, contribuindo para a falha no suporte dos órgãos pélvicos. Obesidade Mulheres com Índice de Massa Corpórea

Quadro Clínico e Tratamento dos Distúrbios Pré-Menstruais

1.  O que é a síndrome pré-menstrual (SPM)?  Os distúrbios pré-menstruais compõe uma síndrome crônica, e possui uma ampla apresentação de sintomas desde psicológicos e comportamentais a físicos. Esse diagnóstico foi incluído no DSM-V. 2.  Apresentação clínica A paciente pode ter queixas emocionais, físicas e comportamentais. Entre os sintomas mais relacionados por essas mulheres temos: Distensão abdominal;Retenção hídrica;Mastalgia;Cólicas;Ansiedade;Náuseas;Aumento do consumo de álcool;Modificações no libido; Essa sintomatologia vai se apresentar de forma cíclica, e ocorrer no período do ciclo menstrual denominado fase lútea. Os sintomas costumam aparecer cerca de seis dias antes da menstruação e vai se resolver após o início do fluxo menstrual. 3.  Qual a fisiopatologia dos distúrbios pré-menstruais? A causa exata de como se dá os distúrbios pré-menstruais ainda não está esclarecida. Todavia, temos algumas teorias  bem aceitas. A primeira é que esses distúrbios está relacionado com os esteróides sexuais ovarianos, neurotransmissores e prostaglandinas; a segunda teoria afirma que está correlacionada com predisposição familiar e por último temos a teoria mais bem aceita que afirma que esse quadro clínico está relacionada com a ciclicidade ovariana. Um fato interessante é que a SPM não está relacionada com a menstruação; mulheres que são histerectomizadas também podem apresentar o distúrbio. Quando falamos nos sintomas psicológicos e emocionais presentes nessas pacientes , podemos explicá-los entendendo que os esteróides sexuais feminino, ou seja, estrogênio e progesterona podem interagir com neurotransmissores, como serotonina, noradrenalina e GABA. O estrogênio atua como um estimulante a esses neurotransmissores e a progesterona vai agir inibindo o sistema  nervoso central.  Na fase lútea, do ciclo menstrual, há uma redução da atividade serotoninérgica, devido essa relação com os esteróides sexuais, e

Exame de papanicolau em pacientes histerectomizadas | Colunistas

Exame Papanicolau, Histerectomia, Câncer uterino O exame citopatológico (exame de papanicolau) consiste em um método simples, indolor, rápido e de baixo custo capaz de detectar alterações da cérvice uterina, a partir da descamação de células do epitélio. É o método mais adequado para o rastreamento do câncer uterino. A histerectomia é a segunda cirurgia de maior prevalência entre as mulheres em idade reprodutiva, sendo superada apenas pela cesárea. Levando em consideração a importância destes procedimentos, o objetivo do texto é levar a você, leitor, o conhecimento sobre a realização do exame preventivo em mulheres histerectomizadas! O colo do útero O útero é um órgão do aparelho reprodutor feminino. Anatomicamente está localizado no abdome inferior, por trás da bexiga e na frente do reto e é dividido em corpo e colo. Sendo o colo a porção inferior do útero, localizado dentro do canal vaginal. O colo do útero apresenta uma parte interna, o canal cervical ou endocérvice, que é revestido por uma camada única de células cilíndricas produtoras de muco – epitélio colunar simples. A ectocérvice, parte externa que possui contato com a vagina, é revestida por um tecido de várias camadas de células planas – epitélio escamoso e estratificado. Figura 1. Anatomia do Aparelho Reprodutor FemininoFonte: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/cab13.pdf Câncer do colo do útero O câncer do colo do útero é caracterizado pela replicação desordenada do epitélio de revestimento do órgão, comprometendo o tecido subjacente e podendo invadir estruturas e órgãos contíguos ou a distância. As duas principais categorias de carcinomas invasores do colo do útero dependem da origem do epitélio comprometido. Sendo elas, o carcinoma epidermoide, que acomete o

Resumo: Sífilis na Gestação | Colunistas

As infecções sexualmente transmissíveis (IST) são consideradas um problema de saúde pública no Brasil e podem impactar diretamente a saúde reprodutiva da mulher e, consequentemente, a saúde fetal. Das doenças que podem ser transmitidas durante a gestação, da mãe para o filho, a sífilis é a que apresenta as maiores taxas de transmissão. Definição A sífilis é uma infecção sistêmica, causada pelo Treponema pallidum, uma bactéria espiralada e fina, de alta motilidade, capaz de penetrar nos tecidos do organismo do hospedeiro – diretamente nas membranas mucosas ou por feridas na pele. É uma IST curável e exclusiva do ser humano. Na gestação, é preocupante, principalmente, devido ao risco de infecção transplacentária do feto e, consequentemente, complicações severas, como abortamento, prematuridade, natimortalidade, morte do recém-nascido e manifestações congênitas. Epidemiologia da sífilis em gestantes A cada ano, dois milhões de gestações no mundo são afetadas. No Brasil, em 2019, foram notificados 61127 casos de sífilis em grávidas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), sendo observado uma taxa de detecção de 20,8 casos por mil nascidos vivos. Contudo, em relação ao ano anterior, houve uma redução de 3,3% casos notificados, sendo alcançado 21,5 casos por mil nascidos vivos em 2018. Dentre as gestantes notificadas no ano de 2019, 45,1% eram residentes no Sudeste, 21,3% no Nordeste, 15,4% no Sul, 9,9% no Norte e 8,4% no Centro-Oeste. FIGURA 1: Taxa de detecção de sífilis em gestantes de acordo com a região e o ano de diagnóstico.FONTE: Boletim Epidemiológico de Sífilis, 2020. Transmissão da sífilis na gestação A sífilis é transmitida predominantemente por via sexual e vertical, sendo diretamente relacionada à presença das

Diagnóstico e Tratamento de Úlceras Genitais

1. A relação entre as ISTS e as úlceras genitais As úlceras genitais representam uma síndrome clínica, sendo muitas vezes causadas por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), e se manifestam como lesões ulcerativas erosivas, precedidas ou não por pústulas e/ou vesículas, acompanhadas ou não de dor, ardor, prurido, drenagem de material mucopurulento, sangramento e linfadenopatia regional. 2. Agentes etiológicos mais comuns em úlceras genitais São lesões localizadas principalmente em região de vulva, vagina ou colo uterino. Os principais agentes etiológicos são: Treponema pallidum (sífilis);  HSV-1 e HSV-2 (herpes perioral e genital, respectivamente);  Haemophilus ducreyi (cancróide); Chlamydia trachomatis, sorotipos L1, L2 e L3 (LGV);  Klebsiella granulomatis (donovanose).   3. Sífilis  3.1 Apresentação clínica da sífilis A sífilis na sua apresentação clínica  primária, é também conhecida como “cancro duro”, ela vai surgir depois que houver contato sexual com um indivíduo que está infectado. Logo como a  primeira manifestação clínica temos uma lesão, a  úlcera. Essa úlcera tem como características: ela é única, vai surgir no local de entrada da bactéria, ou seja  , locais como pênis, vulva, vagina; ela é indolor, tem uma base endurecida e possui um fundo limpo. Uma semana depois do surgimento da úlcera irá se desenvolver uma linfadenopatia regional, unilateral, múltipla, indolor, sem supuração, e sem sinais inflamatórios. Imagem 1: Lesão genital na sífilis primária . Fonte: sifilis-primaris-3-e1448121102264.jpg (613×250) (amazonaws.com) 3.2 Tratamento da sífilis O tratamento tanto das formas primária, secundária e latente é o mesmo. Utiliza-se a Penicilina G Benzatina com a posologia de  2,4 milhões UI, intramuscular (1,2 milhões em cada nádega), em dose única. Na sífilis terciária ou latente tardia/indeterminada a posologia

A consulta ginecológica da criança e da adolescente | Colunistas

A consulta ginecológica nas diferentes faixas etárias é dotada de semelhanças e diferenças. É essencial, portanto, entender as particularidades de cada grupo para que o atendimento possa ocorrer da forma mais humanizada e resolutiva possível. Inicialmente, a consulta da criança, que vem sempre acompanhada de algum responsável, geralmente decorre de uma queixa específica e encaminhada do pediatra. Nessa idade, as principais queixas trazidas ao ginecologista são: Corrimento vaginal;Irritação e prurido nos órgãos genitais externos;Dor abdominal;Sinéquias de pequenos lábios;Distúrbios do desenvolvimento puberal;Dúvidas acerca da anatomia dos órgãos genitais externos;Traumatismos;Suspeita de violência sexual. A adolescente, por sua vez, tem na consulta ginecológica um espaço de diálogo acerca das mudanças que a puberdade e o início da vida sexual causam, mas esse contato pode ser prejudicado por questões familiares, por exemplo. Neste grupo, os principais motivos pelos quais a paciente vem ao consultório são: Dúvidas ou anomalias do desenvolvimento da puberdade;Distúrbios do ciclo menstrual;Corrimento;Vulvovaginites;Contracepção. No caso das adolescentes, o desenvolvimento do vínculo entre paciente e médico deve ser trabalhado a partir do diálogo com a paciente e os responsáveis, onde devem ser explicitadas as vantagens do atendimento privado, em que apenas a paciente permanece no consultório durante parte ou totalidade da consulta. Ademais, o sigilo médico deve ser enfatizado, assim como as situações em que ele pode ser quebrado para o bem da adolescente, além da importância do envolvimento dos pais nas questões de saúde por parte da própria jovem. A anamnese A seguir, serão descritos os pontos a serem abordados durante a anamnese, assim como alguns detalhes pertinentes sobre os mesmos. Identificação da paciente e dos responsáveis, além do contato;Idade, visto sua importância para interpretar dados
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