Resumo de Metronidazol | Ligas

Mecanismo e espectro de ação O metronidazol pertence à classe dos nitroimidazólicos, sendo utilizado como agente antiparasitário e antibiótico para organismos anaeróbios. É administrado como uma pró-droga, ou seja, precisa ser metabolizada (modificada) para conseguir agir, sendo que essa metabolização ocorre de maneira local no sítio de ação da droga (não é a metabolização que ocorre no fígado!). Esse medicamento age de forma local através do dano oxidativo ao DNA celular, que ocorre quando elétrons são doados pelos microrganismos susceptíveis para a molécula de metronidazol, havendo então a liberação de radicais livres. A droga ativa depois é metabolizada novamente na pró-droga (inativa) em um processo de reciclagem. O O2 compete como receptor de elétrons com o metronidazol e aumenta a reciclagem da droga ativa na pró-droga, o que explica a resistência dos organismos aeróbicos a esse fármaco bem como o desenvolvimento de resistência por organismos anaeróbios capazes de aumentar a concentração tecidual de oxigênio1. Tendo em mente o mecanismo de ação da droga, podemos então entender o seu espectro de ação. A tabela abaixo resume o espectro de ação do metronidazol2: Vale ainda ressaltar que o espectro de ação do metronidazol contra bacilos gram-positivos é variável e a droga não possui efeito sobre a maioria das seguintes bactérias: Actinomyces spp, Cutibacterium acne, Propionibacterium propionica e Lactobacillus3. Essa resistência dos lactobacilos à ação do metronidazol é o que torna possível seu uso para tratar infecções vaginais, que são normalmente causadas a partir do desequilíbrio entre patógenos e a microbiota vaginal, essa última formada principalmente de lactobacilos. Apresentação do Metronidazol OralIntravenosoCreme vaginalTópico Farmacocinética e Farmacodinâmica do Metronidazol

Resumo de Ceftriaxona | Ligas

Definição A ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração, da classe de antibióticos beta-lactâmicos com amplo espectro de ação, caracterizada por sua similaridade com a penicilina. Apresentações Pó para solução injetável por via intramuscular – 1g ou 500mg – uso adulto e pediátrico. Mecanismos de ação O fármaco promove a inativação de um inibidor de enzimas autolíticas da parede das células, levando à lise da mesma. Ainda atua inibindo a síntese da parede celular bacteriana, através da inibição da enzima de transpeptidação, responsável pelas ligações cruzadas das cadeias peptídicas que a compõem. Farmacocinética e Farmacodinâmica da Ceftriaxona Farmacocinética A farmacocinética da ceftriaxona não é linear e todos os parâmetros farmacocinéticos básicos, exceto a meia vida de eliminação, são dependentes da dose quando baseados nas concentrações totais do fármaco, aumentando menos do que proporcionalmente com a dose. A não linearidade se deve à saturação da ligação com as proteínas plasmáticas e é observada, portanto, para a ceftriaxona plasmática total, mas não para a ceftriaxona livre (não ligada). Absorção Após a administração intravenosa em bolus de 500 mg e de 1 g, o pico plasmático médio dos níveis de ceftriaxona é de aproximadamente 120 e 200 mg/L, respectivamente. Com infusão intravenosa de 500 mg, 1 g e 2 g, os níveis plasmáticos de ceftriaxona são de aproximadamente 80, 150 e 250 mg/L, respectivamente. Após injeção intramuscular, o pico plasmático médio dos níveis de ceftriaxona é metade do valor observado após administração intravenosa de uma dose equivalente. Distribuição O volume de distribuição da ceftriaxona é de

Resumo de Doxiciclina | Ligas

Definição A doxiciclina é um antibiótico semi-sintético de amplo espectro derivado da oxitetraciclina, bem absorvido pelo organismo, e que pode ser administrado tanto por via oral quanto parenteral. Apresenta elevado grau de lipossolubilidade, o que lhe confere maior capacidade de ultrapassar a membrana celular por difusão passiva, além de ser mais ativa quando comparada a outras tetraciclinas. A doxiciclina tem pouca afinidade de ligação ao cálcio. Apresentação da Doxiciclina A Doxiciclina (α-6-deoxi-5-oxitetraciclina) é uma tetraciclina preconizada pelo Ministério da Saúde como parte do tratamento da Doença Inflamatória Pélvica. As tetraciclinas possuem diversas propriedades favoráveis, como o amplo espectro de ação, a baixa toxicidade, o baixo custo, além de poderem, na maioria dos casos, serem administradas por via oral. Apesar do aparecimento de resistência em um grupo variado de bactérias, as tetraciclinas ainda são bastante úteis na clínica médica e têm sido usadas no tratamento de diversos tipos de infecção. Mecanismos de ação A doxiciclina (α-6-deoxi-5-oxitetraciclina) tem como mecanismo de ação sua ligação com as subunidades 30S dos ribossomos bacterianos, dificultando o acesso do aminoacil-t-RNA ao sítio A do ribossomo, a adição de aminoácidos e consequentemente a inibição da síntese proteica. Possui ampla faixa de atividade contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas e, além disto, é eficaz contra alguns microrganismos resistentes a agentes que exercem seus efeitos sobre a parede celular bacteriana. É também indicada no tratamento e prevenção seletiva da cólera (Vibrio cholerae), possuindo pouca atividade contra fungos. Farmacocinética e Farmacodinâmica da Doxiciclina Farmacocinética A doxiciclina administrada por via oral é bem absorvida, sem alterações com a ingestão de determinados alimentos ou leite, como ocorre com outras tetraciclinas. Após

Endometriose: o desafio do diagnóstico e o papel da ultrassonografia | Colunistas

Antes de tudo, o que é a endometriose? A endometriose é definida como a presença de glândulas e estroma endometrial fora da cavidade uterina. Esses focos respondem às variações de estrogênio durante o ciclo menstrual, tornando-se inflamados e levando a uma diversidade de sintomas, a depender de sua localização e tamanho. A dor causada pela inflamação desses focos muitas vezes é debilitante e impossibilita a paciente de executar suas atividades usuais. Outro problema é a infertilidade, com algumas séries demonstrando que a endometriose está envolvida em até 50% dos casos de infertilidade feminina. A endometriose é uma doença muito comum? É muito difícil estabelecer a prevalência da doença, sendo o principal motivo a grande discrepância entre a gravidade das lesões e os sintomas clínicos. Além disso, temos o fato de que o diagnóstico definitivo de endometriose só pode ser realizado com a biópsia e confirmação do tecido glandular ectópico na avaliação histológica. Com propósito de sanar essa dúvida, um estudo escolheu como método realizar biópsias em eventuais pontos suspeitos de lesão em pacientes escolhidas aleatoriamente para ligadura tubária videolaparoscópica. O resultado foi que 1:7 pacientes possuíam focos da doença. Outros estudos com métodos e desenhos diferentes chegaram a taxas próximas desse valor, sendo aceita por muitos pesquisadores a prevalência de 10% na população geral. A despeito dessa enorme prevalência é assustador o atraso no diagnóstico da endometriose. A média de tempo entre o começo da manifestação dos sintomas e o diagnóstico ainda é de oito anos. A média de ginecologistas que a mulher visita antes de firmar o diagnóstico é de 5 a 6 profissionais1. Mas como uma doença tão prevalente pode ter uma taxa

Comunidade Sanarmed

6 min17 days ago

Rastreamento oncológico: o que é preciso saber? | Colunistas

Introdução Para demonstrar o impacto do coronavírus na Oncologia, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) lançou a campanha #ContraOCâncerESemCovid, apontando que 9 em cada 10 oncologistas não conseguiram adotar medidas eficazes para contornar as dificuldades impostas na pandemia e, dentre esses, 28,57% tiveram corte salarial1. Não bastasse o cenário anterior, outro estudo indica que 50 a 90 mil casos de câncer no Brasil ficaram sem diagnóstico nos dois primeiros meses de quarentena2; todos esses casos dependem crucialmente do diagnóstico precoce e do rastreamento oncológico para serem efetivamente combatidos e, quando o assunto é esse, não há como não mencionar os níveis de prevenção em saúde. Figura 1: Campanha SBOC Portal Contexto. Campanha da SBOC luta contra o câncer e sem covid-19. Disponível em:< https://portalcontexto.com.br/campanha-da-sboc-luta-contra-o-cancer-e-sem-covid-19/>. Acesso 14, setembro, 2020. Níveis de prevenção da saúde Baseando-se no conceito apresentado pelo Departamento de Atenção Básica3, tem-se: Prevenção primária: inclui ações para impedir a ocorrência de doenças antes que essas se desenvolvam no organismo dos pacientes, ou seja, a profilaxia (exemplo: imunização);Prevenção secundária: inclui ações com a doença já instaurada, com manifestação de sintomas que possibilitem o seu diagnóstico, configurando o que é chamado de doença subclínica. Essa fase é subdivida em diagnóstico precoce, rastreio oportunístico (encontra-se o problema ao acaso), rastreio organizado populacional (através de campanhas públicas) e cuidados personalizados (realizados em populações de alto risco); Prevenção terciária: o quadro patológico já está evoluído, nessa etapa tem-se como foco principal a reabilitação;Prevenção quaternária: detecção de indivíduos em risco de intervenções diagnósticas e/ou terapêuticas excessivas, a fim de proteger de intervenções médicas desnecessárias. Quais as principais doenças investigadas no rastreio oncológico? No

Lavínia Prado

7 min17 days ago

Você conhece os métodos contraceptivos? | Colunistas

Os métodos contraceptivos são utilizados com o intuito de impedir a gravidez. Em 1996, um projeto de lei que regulamenta o planejamento familiar foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pela Presidência da República. O planeja­mento familiar corresponde ao recur­so que permite ao casal a decisão do número de filhos e intervalo entre as gestações que desejam, de manei­ra programada e consciente. Acre­dita-se que, no Brasil, cerca de 55% das gestações não são planejadas. Na atualidade, existe uma variedade de métodos contraceptivos disponíveis, possibilitando ao casal escolher o que mais atende as suas necessidades. A maioria desses mé­todos são oferecidos pelo Sistema Úni­co de Saúde (SUS), difundindo, assim, o emprego do planejamento familiar. Os métodos anticoncepcionais podem ser classificados em dois grupos: Os reversíveis, que são: comportamentais, de barreira, dispositivos intrauterinos, hormonais e os de emergências;Os definitivos, que são os cirúrgicos: esterilização cirúrgica feminina e esterilização cirúrgica masculina. 1.    Métodos anticoncepcional comportamentais Busca verificar o período fértil através da observação de sinais e sintomas para que as relações sexuais sejam evitadas durante esse período. Esses métodos possuem alguns benefícios por serem bara­tos, naturais, sem efeitos adversos. Porém, possuem altas taxas de falhas, pois requerem lon­gos períodos de abstinência sexual e estão susceptíveis à irregularidade menstrual. Além disso, esses méto­dos não protegem contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O período fértil da mulher pode ser identificado por meio da observação da curva de temperatura corporal, das características do muco cervical e du­ração e fisiologia do ciclo menstrual. Os princi­pais métodos comportamentais são tabelinha (método de Ogino-Knaus), temperatura basal, muco cervical (método de Billings), sintotérmico, coito interrompido e lactação. A tabelinha ou método de Ogino-Knaus Para ser usado,

Suzana Vasconcelos

7 min20 days ago
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