A consulta ginecológica da criança e da adolescente | Colunistas

A consulta ginecológica nas diferentes faixas etárias é dotada de semelhanças e diferenças. É essencial, portanto, entender as particularidades de cada grupo para que o atendimento possa ocorrer da forma mais humanizada e resolutiva possível. Inicialmente, a consulta da criança, que vem sempre acompanhada de algum responsável, geralmente decorre de uma queixa específica e encaminhada do pediatra. Nessa idade, as principais queixas trazidas ao ginecologista são: Corrimento vaginal;Irritação e prurido nos órgãos genitais externos;Dor abdominal;Sinéquias de pequenos lábios;Distúrbios do desenvolvimento puberal;Dúvidas acerca da anatomia dos órgãos genitais externos;Traumatismos;Suspeita de violência sexual. A adolescente, por sua vez, tem na consulta ginecológica um espaço de diálogo acerca das mudanças que a puberdade e o início da vida sexual causam, mas esse contato pode ser prejudicado por questões familiares, por exemplo. Neste grupo, os principais motivos pelos quais a paciente vem ao consultório são: Dúvidas ou anomalias do desenvolvimento da puberdade;Distúrbios do ciclo menstrual;Corrimento;Vulvovaginites;Contracepção. No caso das adolescentes, o desenvolvimento do vínculo entre paciente e médico deve ser trabalhado a partir do diálogo com a paciente e os responsáveis, onde devem ser explicitadas as vantagens do atendimento privado, em que apenas a paciente permanece no consultório durante parte ou totalidade da consulta. Ademais, o sigilo médico deve ser enfatizado, assim como as situações em que ele pode ser quebrado para o bem da adolescente, além da importância do envolvimento dos pais nas questões de saúde por parte da própria jovem. A anamnese A seguir, serão descritos os pontos a serem abordados durante a anamnese, assim como alguns detalhes pertinentes sobre os mesmos. Identificação da paciente e dos responsáveis, além do contato;Idade, visto sua importância para interpretar dados

Aliscia Wendt

6 min há 46 dias

Os diferentes tipos de parto | Colunistas

Parto vaginal • A criança nasce naturalmente pelo canal vaginal. • O parto é conduzido, monitorizado e registrado pelo médico. A mulher será submetida à vários toques vaginais, a qual será avaliado á consistência e o esmaecimento do colo uterino e a dilatação. Tudo será  registrado no partograma, tais como o toque, o padrão de contração, a altura da cabeça do bebê, sendo este preenchido de hora em hora e objetiva anotar tudo o que ocorre.  • O médico se torna o agente ativo no período expulsivo do parto, auxiliando na extração fetal. • Pode ser feito com anestesia ou não. • Uso de ocitocina para indução, evolução e períodos clínicos do parto. • Quando o espaço para o bebê passar for insuficiente, é realizada uma episiotomia (corte cirúrgico feito na região perineal) auxiliando a expulsão do bebê e evita a  ruptura dos tecidos perineais. Vantagens • Permite o contato mais rápido entre a mãe e o filho. • Oportunidade da criança sugar no peito nos primeiros momentos de vida e reduz as doenças respiratórias nas crianças, uma vez que a força exigida no nascimento faz o bebê expelir o líquido presente no pulmão. • O estresse do trabalho de parto, permite a liberação de cortisol, a qual é muito importante para sensibilizar o miométrio, faz com que a ocitocina endógena seja produzida, promove as contrações uterinas, prevenindo quadros de atonia uterina pós parto e maturação pulmonar fetal. Além do cortisol, a liberação de prolactina é significativa, e contribui muito para a lactação. • Os bebês são introduzidos a uma microbiota vaginal normal, ou seja

Lanna Carvalho

21 min há 58 dias

Preparos que antecedem a reanimação em recém-nascidos com mais de 34 semanas | Colunistas

A reanimação neonatal diminui morbimortalidade dos neonatos. As principais etiologias de mortalidade neonatal no mundo são atribuídas em forma decrescente para complicações daprematuridade, eventos relacionados ao parto e infecções, sendo que a prevenção e o tratamento da última é um dos principais responsáveis pela redução no número de mortes em crianças menores que 5 anos. Além disso, é estimado que cerca de 300.000 recém-nascidos brasileiros todo ano precisem de ajuda para iniciar e manter a respiração ao nascer. Dessa forma, ressalta-se a importância de conhecimento adequado do tema pelos pediatras e profissionais. Antes do nascimento: material e condições que necessitem de reanimação Antes de abordar as técnicas é imprescindível destacar a relevância da equipe, a qual realiza a anamnese materna e prepara o material para utilização imediata na sala de parto. Algumas situações da história devem chamar atenção para a possibilidade do recém-nato necessitar de reanimação, são elas: Condições antenatais:Idade < 16 anos ou > 35 anosIdade gestacional < 39 ou > 41 semanasDiabetesSíndromes hipertensivasDoenças maternasInfecção maternaAloimunização ou anemia fetalUso de medicaçõesUso de drogas ilícitasÓbito fetal ou neonatal anteriorAusência de cuidado pré-natalGestação múltiplaRotura prematura das membranasPolidrâmnio ou oligoâmnioDiminuição da atividade fetalSangramento no 2º ou 3º trimestreDiscrepância de idade gestacional e pesoHidropsia fetalMalformação fetalCondições relacionados ao parto:Parto cesáreoUso de fórcipe ou extração a vácuoApresentação não cefálicaTrabalho de parto prematuroParto taquitócicoCorioamnioniteRotura de membranas > 18 horasTrabalho de parto > 24 horasSegundo estágio do parto > 2 horasPadrão anormal de frequência cardíaca fetalAnestesia geralHipertonia uterinaLíquido amniótico meconialProlapso ou rotura de cordãoUso de opioides 4 horas antes ao partoDescolamento prematuro da placentaPlacenta préviaSangramento intraparto significante Antes do nascimento, é fundamental ter em mãos todo o material necessário já testado para a avaliação do recém-nascido, manutenção da temperatura, aspiração de vias

Amanda Wilceki

6 min há 58 dias

Atenção à saúde das mulheres no climatério e menopausa | Colunistas

Introdução O climatério é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma fase biológica, não sendo um processo patológico, sendo estabelecido como limite etário para o climatério o período entre 40 e 65 anos de idade. Esse período é entendido como a transição do período reprodutivo (menacme) e o não reprodutivo da vida da mulher (senectude (senescência ou senilidade). Esse período é dividido pela Sociedade Internacional de Menopausa em pré-menopausa, perimenopausa e pós-menopausa. A primeira inicia-se por volta dos 40 anos, com a diminuição da fertilidade em mulheres, mas mantendo os ciclos menstruais; a perimenopausa é marcada por alterações endócrinas dura três anos, iniciando dois anos antes da última menstruação e dura mais um ano após esse evento, e por último a pós-menopausa. É fundamental que, nessa fase da vida, exista um acompanhamento visando à promoção da saúde, a prevenção de danos, o diagnóstico precoce e o tratamento, mesmo que seja uma fase do ciclo de vida natural da mulher em que várias não apresentem queixas ou necessidade de medicamentos. É necessário compreender a individualidade nesse processo, haja vista que outras têm sintomas que variam na sua diversidade e intensidade. A individualidade no climatério Como o declínio funcional ovariano é progressivo, a interrupção abrupta das menstruações é rara. Dessa maneira, o quadro clínico do climatério envolve a diminuição do ciclo menstrual, de forma gradativa, menorragias e hipermenorreias, decorrentes das variadas alterações na estrutura e na função ovariana, com diminuição da produção estrogênica. Esse quadro pode envolver modificações físicas e psíquicas características, sendo o hipoestrogenismo é o principal responsável. A intensidade dessas modificações é influenciada pelo grau de privação estrogênica, mas também por questões externas, a saber, o ambiente sociocultural, as condições de vida da mulher, sua história de vida pessoal e familiar, seus

Lorena Viana

4 min há 58 dias

Anticoncepção nos extremos reprodutivos: adolescência e perimenopausa | Colunistas

A adolescência é definida pela Organização Mundial da Saúde como o período de vida entre os 10 e 19 anos. Esse período, que marca a transição entre a infância e a idade adulta, é o momento também em que ocorrem a puberdade e o início da vida sexual. Portanto, e também devido aos altos índices de gravidez na adolescência, a anticoncepção nessa idade deve ser discutida e encorajada. Por sua vez, a perimenopausa é o período que antecede a menopausa, sendo marcado por características específicas. O início da perimenopausa ocorre quando os ciclos menstruais tornam-se irregulares, e seu final ocorre um mês após a menopausa. Nesse período, apesar da queda das taxas de fertilidade, a mulher ainda é capaz de engravidar, e as chances de malformações fetais e complicações obstétricas são maiores. Devido a isso, é importante discutir os melhores meios de anticoncepção nessa fase da vida. Anticoncepção na adolescência O anticoncepcional oral (ACO) é o método mais utilizado por adolescentes no Brasil. Devido a sua ampla disponibilização pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pode ser facilmente acessado em unidades de saúde. Entretanto, o ACO tem sua taxa de falha aumentada de 0,01% quando em uso ideal para cerca de 8% em mulheres adultas, o que ocorre por consequências de esquecimentos e outras formas de uso incorretas. Na adolescência, por conta desses fatores, o índice de falha pode chegar a até 25%. Nesse contexto, a utilização de métodos cujo resultado dependa menos da usuária é essencial. Exemplos desses métodos são o dispositivo intrauterino (DIU) e o implante subdérmico. Nesse texto, serão apresentados os métodos anticoncepcionais didaticamente divididos em dois grupos: os métodos de curta e de longa duração. São métodos anticoncepcionais de curta

Aliscia Wendt

6 min há 63 dias

Abordagem sobre o fim do ciclo reprodutor feminino | Colunistas

Conceitos importantes para a compreensão do climatério: • Menopausa: menstruação final do ciclo reprodutivo feminino.  Trata-se de um processo ovariano ocasionado pela perda da ação folicular e atresia fisiológica dos folículos primordiais.  • Perimenopausa: período que marca o fim da vida reprodutiva da mulher e antecede a menopausa.  Evento de natureza endócrino que favorece as alterações menstruais, reduz acentuadamente a aptidão reprodutiva em muitos anos.  Os principais declínios vistos são: a insuficiência ovariana gametogênica refletida pela redução do hormônio antimulleriano (HAM), da inibina B e da contagem de folículos antrais e elevação do hormônio folículo estimulante (FSH). O encurtamento da fase folicular do ciclo menstrual, resulta em períodos mais extensos e a elevação nos níveis séricos circulantes de FSH. O aumento nas “pausas” dos ciclos menstruais que começa de 2 a 8 anos antes da menopausa se relaciona com a redução dos níveis séricos de inibina B (inibidor não esteroidal) da secreção do FSH hipofisário, em razão da queda de sua produção pelo folículo antral.  • Pós-menopausa: é definido como o tempo decorrido após à última menstruação e têm início 12 meses posteriores da amenorreia espontânea.  Os níveis de estradiona estão  bruscamente reduzidos, consequência da perda de produção folicular com a menopausa. A estrona, aromatizada pela androstenediona de fontes não foliculares é o principal hormônio estrogênico circulante nesse período.  • O climatério: faz menção a toda mudança do estado reprodutivo para o não reprodutivo. Inclui os estados da pré, pós e perimenopausa.  Idade biológica x Idade endócrina A idade cronológica não é um parâmetro confiável.  Diretrizes foram criadas objetivando impor uma classificação cronológica entre a

Lanna Carvalho

8 min há 65 dias
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