Resumo de CIVD (Coagulação Intravascular Disseminada): epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

Definição Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD) é um distúrbio hemorrágico que pode ser causado por uma diversidade de transtornos graves. É um processo sistêmico que pode causar  trombose e hemorragia. Pode se manifestar através de emergência aguda ou como um processo subclínico crônico.  Identificar a CIVD e a condição que originou essa condição clínica é essencial para o tratamento adequado. Epidemiologia de CIVD A CIVD é responsável por aproximadamente 1% das admissões hospitalares. Sua incidência é maior em associação com processos infecciosos, principalmente sepse bacteriana. Outro processo infeccioso que está bem relacionado ao desenvolvimento de coagulopatia sistêmica é a infecção pelo vírus SARS-Cov2, causador da COVID-19. Além disso, há também alta incidência em pacientes com câncer. As neoplasias malignas mais envolvidas no desenvolvimento de CIVD são leucemia promielocítica aguda, câncer pancreático e outros tumores sólidos produtores de mucina, como câncer gástrico, de próstata, de mama e de ovário. Outras condições associadas a CIVD são os traumatismos, principalmente traumatismo craniano, e gestação. As complicações obstétricas mais correlacionadas são a síndrome HELLP e a embolia de líquido amniótico. Fisiopatologia A CIVD é um processo trombótico, onde o processo de coagulação e fibrinólise estão anormalmente ativados, levando à coagulação e fibrinólise contínuas. O processo trombótico é desencadeado pela entrada na circulação sanguínea de substâncias pró-coagulantes que desencadeiam a ativação do sistema de coagulação e plaquetas, levando ao depósito disseminado e formação de trombos de fibrina-plaquetas. Na maioria dos casos, esse estímulo pró-coagulante é o fator tecidual.  Na CIVD o fator tecidual, que normalmente encontra-se protegido da circulação, adentra o vaso sanguíneo pela lesão tecidual ou como produto de algumas bactérias. Componentes da

Sanar

4 min há 62 dias

Minha Experiência no Internato das Especialidades: Hematologia e Oncologia | Colunistas

Minhas experiências no internato de Hematologia e Oncologia foram marcantes nos âmbitos acadêmico e pessoal. A oportunidade de reflexão sobre a forma de enfrentamento individual de cada pessoa diante das doenças e condições de vulnerabilidade é única. A empatia é a chave para lidar com essas situações, colocar-se no lugar do paciente, diante de sua história de vida, desejos e demandas; escolher todos os dias tratar o nosso próximo com amor, sem julgamentos, e com igualdade e respeito. São experiências que enriquecem nossa formação centrada na pessoa, e não na doença, e nos colocam em confronto com crenças e tabus sobre a morte, cuidados paliativos e a nossa forma de enxergar a terminalidade da vida. A importância da Hematologia e Oncologia no internato As duas especialidades nem sempre fazem parte do plano de ensino durante o internato das faculdades de medicina no geral, mas têm grande importância na formação acadêmica, pois na atualidade temos uma grande prevalência de doenças como o câncer, além da clínica ricamente presente nesses pacientes. Após o aprendizado teórico no ciclo básico anterior ao internato, tive o privilégio de passar por essas especialidades no hospital Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Dessa forma, pude consolidar o conteúdo com as vivências práticas da enfermaria. É imperativo ao médico generalista saber quando encaminhar seus pacientes diante de quadros clínicos sugestivos de doenças hematológicas e oncológicas, além de saber sobre exames que podem ser solicitados para guiar e antecipar o diagnóstico. A conduta, geralmente, fica na responsabilidade do especialista, mas cabe a qualquer outro médico saber como acompanhar esses pacientes concomitantemente ao tratamento e seu seguimento. Considero relevante também a vivência reflexiva diante das variadas histórias com as quais nos deparamos, desenvolvendo um olhar mais humano diante

Kathleen Emerick

3 min há 70 dias

Consenso sobre Anemia Ferropriva: mais que uma doença, uma urgência médica! | Ligas

O Consenso sobre Anemia Ferropriva apresenta uma enorme relevância social, visto que os índices dessa doença continuam muito altos. Nos países em desenvolvimento, a busca por projetos de intervenção é constante e envolve, por exemplo, a suplementação de sachês à base de vitaminas e minerais, a qual demonstra resultados satisfatórios para populações de alto risco, mas não para o uso individual. Uma vez que a faixa etária de maior risco engloba os lactentes, a intervenção relacionada a fortificação alimentar – especialmente a da farinha – não traz impactos para esta população que é mais vulnerável a adquirir a doença.  Por causa disso, é necessário aprimorar a orientação nutricional prescrita pelo pediatra, visando divulgar orientações que considerem o contexto socioeconômico ao qual o lactente está inserido. A Sociedade Brasileira de Pediatria buscou, em conjunto com outras instituições, atualizar as normas sobre a anemia ferropriva, com o intuito de incentivar o diagnóstico precoce, a profilaxia e o tratamento efetivo dessa emergência pediátrica. O que mudou na diretriz de anemia ferropriva em relação à anterior DIRETRIZ ANTIGA (2007)DIRETRIZ ATUAL (2018)A fortificação de alimento consistia em uso obrigatório de compostos de ferro e ácido fólico nas farinhas de milho e trigo (100g do produto contêm 4,2mg de ferro e 150 µg de ácido fólico).A política nacional de alimentos foi atualizada pela ANVISA, prevendo atualmente a fortificação das farinhas de trigo e milho com fumarato ferroso e sulfato ferroso (de boa disponibilidade) em 4 a 9 mg para cada 100g de farinha.Lactentes nascidos a termo, de peso adequado para a idade gestacional, em aleitamento materno exclusivo até 6 meses de idade: não era recomendado suplementação medicamentosa de ferro.Atualmente, a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta a suplementação profilática com dose de 1mg

Diretriz sobre Mieloma Múltiplo e idade limite para a realização do transplante autólogo de células tronco hematopoéticas | Ligas

A diretriz “Mieloma Múltiplo – Qual a idade limite para a realização de transplante autólogo de células tronco hematopoéticas” foi elaborada em setembro de 2020 pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. Possuindo como objetivo identificar a idade limite para realização do transplante autólogo de células tronco hematopoéticas, definindo os benefícios e danos para as idades analisadas. Sabe-se que no transplante autólogo as células provêm do próprio indivíduo transplantado e aumentam a sobrevida dele, por isso é necessária a realização de diversos estudos aprofundando quais pacientes são elegíveis ao transplante citado. Metodologia Foi realizada uma revisão sistemática, com os seguintes elementos de elegibilidade dos estudos:     1- Pacientes adultos com diagnóstico de Mieloma Múltiplo;     2- Comparação entre grupos: idosos (mínimo de 60 anos) e não idosos (menor que 60 anos);     3- Uso monoterápico de Melfalano (100-280 mg/m) como regime de condicionamento;     4- Sem limite de período;     5- Sem limite de idioma;     6- Texto completo disponível para acesso;     7- Transplante autólogo ou alogênico Tandem foram excluídos. Durante a busca foram recuperados 3.271 e 2.766 trabalhos nas bases Medline e EMBASE respectivamente. Após a eliminação das duplicatas e atendendo aos critérios de elegibilidade foram selecionados 21, dos quais foram excluídos 17, restando 4 estudos para sustentar as recomendações. Os principais motivos de exclusão dos 17 estudos foram: ausência de dados de sobrevida global, livre de progressão, resposta ou toxicidade; ausência de comparação entre idosos e não idosos; séries de casos; revisão sistemática ou não. Tabela 1: Descrição dos estudos incluídos (Fonte: Associação Brasileira

LACMED

4 min há 82 dias

Hipernatremia: o aumento da concentração de sódio no sangue | Colunistas

A hipernatremia caracteriza-se pelo aumento da concentração sérica de sódio acima do intervalo de referência de 133 a 146 mmol/L. Por que a hipernatremia acontece A hipernatremia é um distúrbio eletrolítico, que acontece, principalmente, devido ao aumento de perdas de água ou aumento da ingestão de sódio. http://www.learningaboutelectronics.com/Artigos/Solucao-isotonica-hipertonica-hipotonica.php Perda de água A perda de água pode ocorrer tanto pela baixa ingestão de água pelo indivíduo, quanto por perdas renais e extrarrenais excessivas. É observada uma maior incidência de hipernatremia entre idosos que param de comer e beber voluntariamente e entre pacientes inconscientes. A diabetes insipidus pode causar hipernatremia devido à perda excessiva de água, isso acontece por falha da secreção ou a ação da arginina-vasopressina (AVP), um hormônio antidiurético. A perda de água e sódio pode resultar em hipernatremia se a perda de água exceder a perda de sódio. Esse fenômeno pode ocorrer durante a diurese osmótica, por exemplo, no diabetes melito mal controlado, ou devido à sudorese excessiva ou diarreia, especialmente em crianças. Ganho de sódio A hipernatremia devida ao ganho de sódio é muito menos comum do que a perda de água e pode ocorrer em diferentes contextos clínicos. Esse ganho pode ocorrer devido a vários fatores: administração de bicarbonato de sódio para corrigir uma acidose com risco de vida;quase afogamento em água do mar, que pode resultar na ingestão de quantidades significativas de água salgada, cuja concentração de sódio é muito maior do que a fisiológica;Bebês que recebem acidentalmente ou de propósito alimentos ricos em sódio. Por exemplo, a administração de uma colher de sopa de NaCl a um recém-nascido pode aumentar

Laura Clara Ferro

4 min há 87 dias

Reação Hemolítica e suas reações transfusionais | Colunistas

Sabemos que doar sangue salva vidas através do processo de transfusão sanguínea, porém, atualmente existem muitos estudos relacionando o risco/benefício desse procedimento. A hemotransfusão de sangue e de seus componentes possui riscos, assim como qualquer outra intervenção. Infecção, reação hemolítica e sobrecarga volêmica são alguns desses exemplos. Compatibilidade Os testes devem ser realizados tanto para doadores quanto para receptores, seguindo testes de anticorpos específicos para em seguida serem realizados a prova cruzada entre ambos. A compatibilidade de hemácias se inicia a partir de sua classificação ABO e fator RH, além de inspeção dos anticorpos IgG contra outros antígenos. A hemólise intravascular necessita de testes de hemácias ABO compatíveis para que ela não ocorra. Além disso, é de extrema importância que ocorra testes para detectar a presença de anticorpos ABO, RhD e outros para confirmar a compatibilidade entre receptor e doador. Mesmo após todos os testes de compatibilidade, é necessário que ocorra um processo rigoroso para a manutenção, armazenamento e identificação das bolsas que serão transfundidas, para que não ocorram erros durante o processo que possam causar prejuízos à saúde e à vida do paciente. Classificações da RHT A reação hemolítica transfusional (RHT) é classificada de acordo com a sua manifestação temporal, sendo ela aguda (ocorre nas primeiras 24 horas após a transfusão) ou tardia (variando de 2 a 21 dias após a transfusão). Além dessa, são classificadas de acordo com a sua gravidade, podendo ser leve, moderada e grave.  No caso da RHT aguda, o principal mecanismo desencadeador da reação é a incompatibilidade do sistema ABO, sendo a classe de imunoglobulina M (IgM) o anticorpo envolvido no processo, causando hemólise intra ou extravascular. A troca de bolsa ou erro na

Sabrina Girardi

3 min há 90 dias
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