Reino Unido permite infecção de voluntários com coronavírus | Colunistas

Histórico da pesquisa Em fevereiro de 2021 o Reino Unido foi o primeiro país do mundo que permitiu que voluntários saudáveis sejam deliberadamente infectados com a COVID-19. Essa permissão ocorreu para permitir um estudo que almeja melhorar a compreensão sobre a pandemia e de como os vírus afetam as pessoas, além da busca por vacinas melhores. Esta pesquisa será conduzida por várias instituições, nas quais estão inclusas a força tarefa de vacinas do governo, o Imperial College London, a fundação Royal Free London NHS Foundation e a empresa hVIVO. O estudo é conhecido como “Desafio Humano” e contará com a participação de 90 voluntários de 18 a 30 anos e serão espontaneamente contaminados por coronavírus em um ambiente seguro e controlado. Foi escolhido essa faixa etária por que é a que apresenta o menor risco de complicações, ou formas mais graves, resultantes da infecção por coronavírus. E como a participação de voluntários é vital para este estudo, haverá uma compensação, para os voluntários, pelo tempo despendido no estudo. Curiosamente, ou não, não faltaram inscritos para servirem como voluntários nesse estudo, pessoas de todo o Reino Unido e também de outras regiões do mundo se ofereceram para participar. Essa modalidade de estudo, de desafios humanos, já desempenharam papéis de grande relevância no desenvolvimento de tratamento para doenças como por exemplo: malária, febre tifoide, cólera, norovírus e gripe. Então por mais que seja uma forma mais “agressiva” de pesquisa, ela já foi utilizada em outras ocasiões. É importante ressaltar que será usada a versão “padrão” do vírus, aquela que circula a mais tempo no Reino Unido, desde março de 2020, e não as variantes que surgiram ao redor do mundo. Além disso

Benjamin Coêlho Lustosa

4 min há 110 dias

Diretrizes brasileiras para o tratamento farmacológico da fibrose pulmonar idiopática | Ligas

A fibrose pulmonar idiopática é uma forma de pneumopatia intersticial crônica fibrosante, de causa desconhecida, restrita aos pulmões, que acomete preferencialmente homens idosos, com história atual ou pregressa de tabagismo. Do ponto de vista histológico, a FPI se caracteriza pelo padrão de pneumonia intersticial usual. Nas últimas décadas, diversas modalidades terapêuticas farmacológicas, com variados mecanismos de ação, foram investigadas para o tratamento dessa doença, com um número substancial de estudos resultando em desfechos negativos.  Apesar disso, novos fármacos têm mostrado benefícios para o tratamento da FPI e alguns deles já estão disponíveis no mercado para essa indicação. Vale ressaltar que, até o momento, não existe nenhum estudo brasileiro publicado que tenha utilizado metodologia semelhante à empregada aqui sobre o assunto. Metodologia Pneumologistas familiarizados com o cuidado de pacientes com FPI, atuantes em diversas regiões do Brasil, foram convidados a integrar o comitê de especialistas. Todos os envolvidos no processo assinaram formulários declarando seus conflitos de interesses.Em reunião presencial, realizada em setembro de 2017 na cidade de São Paulo (SP), foram definidos os objetivos do projeto e optou-se pelo emprego da metodologia GRADE e por priorizar perguntas relacionadas apenas ao tratamento farmacológico da FPI. Os especialistas formularam perguntas relacionadas ao tratamento farmacológico de pacientes portadores de FPI no formato PICO (acrônimo baseado em perguntas referentes aos Pacientes de interesse, Intervenção a ser estudada, Comparação da intervenção e Outcome [desfecho] de interesse). Por meio de um processo de votação on-line do grau de importância, sete perguntas e seus respectivos desfechos mais pontuados foram selecionados. PERGUNTA 1: DEVEMOS RECOMENDAR O USO DE NINTEDANIBE PARA PACIENTES COM FPI? O fármaco nintedanibe foi inicialmente desenvolvido como um inibidor dos receptores de VEGF

Novas diretrizes do Surviving Sepsis Campaign 2020 para o tratamento da Sepse e Choque Séptico em Pediatria | Ligas

De acordo com a Society of Critical Care Medicine, sepse consiste na presença de  síndrome inflamatória multissistêmica causada por uma infecção suspeita ou comprovada. Choque séptico é a presença de sepse com disfunção cardiovascular associada a sinais clínico laboratoriais de baixa perfusão. Segundo o protocolo da Surviving Sepsis Campaign estima-se, a nível mundial, estima-se 22 casos de sepse na infância a cada 100 mil pessoas-ano e 2.202 casos de sepse neonatal a cada 100 mil nascidos vivos, representando 1,2 milhão de casos de sepse na infância por ano. Diante do cenário, fez-se necessário cada vez mais estudos com foco na população pediátrica com vistas a melhorar condutas e manejo desses pacientes. Em 2001, a Campanha de Sobrevivência à Sepse (CSS) foi formada pela Society of Critical Care Medine (SCCM), European Society of Intensive Care Medicine (ESICM) e o Fórum Internacional de Sepse como objetivo de criar diretrizes com base em evidências e recomendações para a ressuscitação e o tratamento de pacientes com sepse. Ao longo dos anos, essas diretrizes sofreram diversas atualizações e após a edição de 2016  as associações reafirmaram seu compromisso com as diretrizes com base em evidências para todos os pacientes. Surgiu, assim, a CSS 2020 específica para a Pediatria. Etapas da Campanha de Sobrevivência da Sepse 2020 De forma didática o CSS 2020 , propôs uma série de medidas e recomendações, por meio de 10 etapas para adesão de protocolos de tratamento visando a redução da variabilidade nos cuidados para, então proporcionar melhora nos resultados na terapêutica do choque séptico na Pediatria. As 10 etapas serão listadas abaixo e em seguida explanadas, de acordo com o que foi preconizado pela diretriz atual. Protocolos para reconhecimento clínico e laboratorial Estabilização

LEM.DF

8 min há 129 dias

Diretrizes Brasileiras para o Diagnóstico, Tratamento e Prevenção da Febre Reumática | Ligas

A febre reumática (FR) e a cardiopatia reumática crônica (CRC) são complicações da faringoamigdalite causada por estreptococo beta-hemolítico do grupo A e ocorrem devido à resposta imune tardia a esta infecção. Apesar da redução da incidência dessas doenças nos últimos anos nos países desenvolvidos, a FR permanece como problema de saúde pública importante, principalmente nos países em desenvolvimento. A FR afeta especialmente adultos jovens e crianças. A cardite é a mais temível manifestação, que responde pelas sequelas crônicas em fases precoces da vida, muitas vezes incapacitantes, gerando elevado custo socioeconômico. Os gastos gerados pela assistência aos pacientes com FR e CRC no Brasil são significativamente elevados. A inexistência de um programa de prevenção no âmbito nacional contribuiu para que a FR mantivesse taxas de prevalência elevadas. Estas Diretrizes recomendam a criação de um Programa Nacional de Prevenção e Controle da Febre Reumática que, certamente, deverá envolver ações multissetoriais. Epidemiologia A faringoamigdalite e o impetigo são as infecções mais frequentemente causadas pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A (EBGA). Porém, somente a faringoamigdalite está associada ao surgimento da FR. O EBGA é o responsável por 15%-20% das faringoamigdalites e quase a totalidade daquelas de origem bacteriana. A faringoamigdalite estreptocócica acomete preferencialmente indivíduos de 5 a 18 anos. Sua incidência varia conforme os países, regiões, condições socioeconômicas, fatores ambientais e qualidade dos serviços de saúde. De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que anualmente no Brasil ocorram cerca de 10 milhões de faringoamigdalites estreptocócicas, totalizando 30.000 novos casos de FR, dos quais aproximadamente 50% poderiam evoluir com acometimento cardíaco. A FR constitui a principal causa de cardiopatia adquirida em crianças e adultos jovens nos países

LEM.DF

9 min há 129 dias

Infecções do grupo T.O.R.C.H e seus impactos no curso da gestação | Colunistas

O que é T.O.R.C.H? O acrônimo T.O.R.C.H foi criado com o intuito de unir as infecções congênitas que possuem quadro clínico similar. São elas: Toxoplasmose: causada pelo protozoário Toxoplasma gondii;Rubéola: causada pelo Vírus da Rubéola, pertencente à família Togaviridae;Citomegalovírus: de agente etiológico Citomegalovírus;Herpes simples: de agente etiológico Vírus da Herpes Simples, o qual faz parte da família Herpesviridae. Toxoplasmose Sendo considerada como uma das infecções congênitas que faz parte do grupo T.O.R.C.H, a toxoplasmose é considerada uma zoonose que possui grande variação quando se diz respeito à epidemiologia, com sua prevalência se destacando, principalmente, nos países tropicais. Ainda, é importante pontuar que essa patologia possui três estágios evolutivos, os quais são denominados: taquizoíto (forma infectante que possui alta taxa de multiplicação, relacionando-se com a fase aguda da doença), bradizoíto (possui o cisto tecidual como característica importante e apresenta baixa taxa de multiplicação, fator que se relaciona com a fase latente da doença) e esporozoíto (estando intimamente ligado com sua eliminação através das fezes dos felinos, as quais são infectantes). Transmissão A transmissão da toxoplasmose pode ocorrer de diferentes formas, como por exemplo: por ingestão dos oocistos através de água ou alimento contaminado, bem como por contato direto com as fezes do felino. Além disso, pode haver transmissão vertical, isto é, quando a mulher adquire a infecção durante a gestação e, mais comumente na fase aguda, por via transplacentária, passa ao feto. De maneira menos frequente, caso a gestante já tenha tido toxoplasmose, pode ocorrer reativação da doença no organismo materno e, consequentemente, também resultar na transmissão vertical. Risco para o feto Quanto menor for a idade gestacional, ou seja, quanto mais prévio for esse

Maria Eduarda Laginestra

9 min há 131 dias

Anticorpos monoclonais contra Covid-19 aprovados para uso emergencial | Colunistas

A Anvisa aprovou recentemente o uso de duas combinações de anticorpos monoclonais contra o vírus da covid-19, em caráter emergencial. Primeiramente foi aprovado o uso dos anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe, administrados em conjunto. Pouco tempo depois, também foi autorizado o uso da associação bamlanivimabe e etesevimabe. A agência também já havia permitido o uso do antiviral remdesivir, em março de 2021. As duas associações têm mecanismo e indicações clínicas semelhantes, além de algumas limitações. Mesmo tendo uso restrito, é importante conhecê-las e aprofundar o conhecimento nessa classe de medicamentos que têm crescido nos últimos anos. O que são anticorpos monoclonais? Os anticorpos monoclonais ou mabs (monoclonal antibody), como são conhecidos, são proteínas derivadas de um mesmo clone de linfócito B, projetadas para reconhecer e se ligar a um antígeno específico. A geração de mabs pode ocorrer por vários métodos, inclusive, a partir de indivíduos vacinados. Essa tecnologia tem sido utilizada em terapias inovadoras de alguns tipos de câncer. Os anticorpos projetados têm alta especificidade com poucos efeitos colaterais. Portanto, é uma modalidade de tratamento promissora, porém ainda de alto custo. Anticorpos monoclonais neutralizantes Os anticorpos monoclonais direcionados para SARS-CoV-2, têm sido denominados neutralizantes, porque agem impedindo a replicação do material genético viral no interior da célula humana. A Figura 1 esquematiza a produção dos anticorpos contra o coronavírus. Nesse caso, os mabs foram derivados de pacientes convalescentes ou camundongos humanizados expostos a antígenos do vírus. Figura 1 Identificação, seleção e produção de anticorpos monoclonais neutralizantes. RBD, domínio de ligação ao receptor. Taylor, et al. Nature, 2021. Casirivimabe e imdevimabe A primeira combinação de mabs autorizada pela Anvisa foi o

Rebeca Cäsar

4 min há 139 dias
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