Novas diretrizes do Surviving Sepsis Campaign 2020 para o tratamento da Sepse e Choque Séptico em Pediatria | Ligas

De acordo com a Society of Critical Care Medicine, sepse consiste na presença de  síndrome inflamatória multissistêmica causada por uma infecção suspeita ou comprovada. Choque séptico é a presença de sepse com disfunção cardiovascular associada a sinais clínico laboratoriais de baixa perfusão. Segundo o protocolo da Surviving Sepsis Campaign estima-se, a nível mundial, estima-se 22 casos de sepse na infância a cada 100 mil pessoas-ano e 2.202 casos de sepse neonatal a cada 100 mil nascidos vivos, representando 1,2 milhão de casos de sepse na infância por ano. Diante do cenário, fez-se necessário cada vez mais estudos com foco na população pediátrica com vistas a melhorar condutas e manejo desses pacientes. Em 2001, a Campanha de Sobrevivência à Sepse (CSS) foi formada pela Society of Critical Care Medine (SCCM), European Society of Intensive Care Medicine (ESICM) e o Fórum Internacional de Sepse como objetivo de criar diretrizes com base em evidências e recomendações para a ressuscitação e o tratamento de pacientes com sepse. Ao longo dos anos, essas diretrizes sofreram diversas atualizações e após a edição de 2016  as associações reafirmaram seu compromisso com as diretrizes com base em evidências para todos os pacientes. Surgiu, assim, a CSS 2020 específica para a Pediatria. Etapas da Campanha de Sobrevivência da Sepse 2020 De forma didática o CSS 2020 , propôs uma série de medidas e recomendações, por meio de 10 etapas para adesão de protocolos de tratamento visando a redução da variabilidade nos cuidados para, então proporcionar melhora nos resultados na terapêutica do choque séptico na Pediatria. As 10 etapas serão listadas abaixo e em seguida explanadas, de acordo com o que foi preconizado pela diretriz atual. Protocolos para reconhecimento clínico e laboratorial Estabilização

LEM.DF

8 min há 42 dias

Diretrizes Brasileiras para o Diagnóstico, Tratamento e Prevenção da Febre Reumática | Ligas

A febre reumática (FR) e a cardiopatia reumática crônica (CRC) são complicações da faringoamigdalite causada por estreptococo beta-hemolítico do grupo A e ocorrem devido à resposta imune tardia a esta infecção. Apesar da redução da incidência dessas doenças nos últimos anos nos países desenvolvidos, a FR permanece como problema de saúde pública importante, principalmente nos países em desenvolvimento. A FR afeta especialmente adultos jovens e crianças. A cardite é a mais temível manifestação, que responde pelas sequelas crônicas em fases precoces da vida, muitas vezes incapacitantes, gerando elevado custo socioeconômico. Os gastos gerados pela assistência aos pacientes com FR e CRC no Brasil são significativamente elevados. A inexistência de um programa de prevenção no âmbito nacional contribuiu para que a FR mantivesse taxas de prevalência elevadas. Estas Diretrizes recomendam a criação de um Programa Nacional de Prevenção e Controle da Febre Reumática que, certamente, deverá envolver ações multissetoriais. Epidemiologia A faringoamigdalite e o impetigo são as infecções mais frequentemente causadas pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A (EBGA). Porém, somente a faringoamigdalite está associada ao surgimento da FR. O EBGA é o responsável por 15%-20% das faringoamigdalites e quase a totalidade daquelas de origem bacteriana. A faringoamigdalite estreptocócica acomete preferencialmente indivíduos de 5 a 18 anos. Sua incidência varia conforme os países, regiões, condições socioeconômicas, fatores ambientais e qualidade dos serviços de saúde. De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que anualmente no Brasil ocorram cerca de 10 milhões de faringoamigdalites estreptocócicas, totalizando 30.000 novos casos de FR, dos quais aproximadamente 50% poderiam evoluir com acometimento cardíaco. A FR constitui a principal causa de cardiopatia adquirida em crianças e adultos jovens nos países

LEM.DF

9 min há 42 dias

Infecções do grupo T.O.R.C.H e seus impactos no curso da gestação | Colunistas

O que é T.O.R.C.H? O acrônimo T.O.R.C.H foi criado com o intuito de unir as infecções congênitas que possuem quadro clínico similar. São elas: Toxoplasmose: causada pelo protozoário Toxoplasma gondii;Rubéola: causada pelo Vírus da Rubéola, pertencente à família Togaviridae;Citomegalovírus: de agente etiológico Citomegalovírus;Herpes simples: de agente etiológico Vírus da Herpes Simples, o qual faz parte da família Herpesviridae. Toxoplasmose Sendo considerada como uma das infecções congênitas que faz parte do grupo T.O.R.C.H, a toxoplasmose é considerada uma zoonose que possui grande variação quando se diz respeito à epidemiologia, com sua prevalência se destacando, principalmente, nos países tropicais. Ainda, é importante pontuar que essa patologia possui três estágios evolutivos, os quais são denominados: taquizoíto (forma infectante que possui alta taxa de multiplicação, relacionando-se com a fase aguda da doença), bradizoíto (possui o cisto tecidual como característica importante e apresenta baixa taxa de multiplicação, fator que se relaciona com a fase latente da doença) e esporozoíto (estando intimamente ligado com sua eliminação através das fezes dos felinos, as quais são infectantes). Transmissão A transmissão da toxoplasmose pode ocorrer de diferentes formas, como por exemplo: por ingestão dos oocistos através de água ou alimento contaminado, bem como por contato direto com as fezes do felino. Além disso, pode haver transmissão vertical, isto é, quando a mulher adquire a infecção durante a gestação e, mais comumente na fase aguda, por via transplacentária, passa ao feto. De maneira menos frequente, caso a gestante já tenha tido toxoplasmose, pode ocorrer reativação da doença no organismo materno e, consequentemente, também resultar na transmissão vertical. Risco para o feto Quanto menor for a idade gestacional, ou seja, quanto mais prévio for esse

Maria Eduarda Laginestra

9 min há 43 dias

Anticorpos monoclonais contra Covid-19 aprovados para uso emergencial | Colunistas

A Anvisa aprovou recentemente o uso de duas combinações de anticorpos monoclonais contra o vírus da covid-19, em caráter emergencial. Primeiramente foi aprovado o uso dos anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe, administrados em conjunto. Pouco tempo depois, também foi autorizado o uso da associação bamlanivimabe e etesevimabe. A agência também já havia permitido o uso do antiviral remdesivir, em março de 2021. As duas associações têm mecanismo e indicações clínicas semelhantes, além de algumas limitações. Mesmo tendo uso restrito, é importante conhecê-las e aprofundar o conhecimento nessa classe de medicamentos que têm crescido nos últimos anos. O que são anticorpos monoclonais? Os anticorpos monoclonais ou mabs (monoclonal antibody), como são conhecidos, são proteínas derivadas de um mesmo clone de linfócito B, projetadas para reconhecer e se ligar a um antígeno específico. A geração de mabs pode ocorrer por vários métodos, inclusive, a partir de indivíduos vacinados. Essa tecnologia tem sido utilizada em terapias inovadoras de alguns tipos de câncer. Os anticorpos projetados têm alta especificidade com poucos efeitos colaterais. Portanto, é uma modalidade de tratamento promissora, porém ainda de alto custo. Anticorpos monoclonais neutralizantes Os anticorpos monoclonais direcionados para SARS-CoV-2, têm sido denominados neutralizantes, porque agem impedindo a replicação do material genético viral no interior da célula humana. A Figura 1 esquematiza a produção dos anticorpos contra o coronavírus. Nesse caso, os mabs foram derivados de pacientes convalescentes ou camundongos humanizados expostos a antígenos do vírus. Figura 1 Identificação, seleção e produção de anticorpos monoclonais neutralizantes. RBD, domínio de ligação ao receptor. Taylor, et al. Nature, 2021. Casirivimabe e imdevimabe A primeira combinação de mabs autorizada pela Anvisa foi o

Rebeca Cäsar

4 min há 52 dias

Consenso: I Campanha sobre uso de antibióticos em infecções de vias aéreas superiores | Ligas

A resistência de infecções a antibióticos é um fato crescente nos últimos anos e que vem se tornando um grave problema de saúde pública. Em virtude da dificuldade de se tratar tais bactérias resistentes, a presença de resistência antimicrobiana prolonga o tempo de internação, eleva os custos de tratamento e, ainda mais grave, aumenta consideravelmente a mortalidade relacionada às doenças infecciosas. Além do risco de lidarmos em um futuro breve com infecções de difícil controle, que outrora eram triviais, o uso inadequado de antibióticos está associado a outros problemas, como o risco de efeitos colaterais e o aumento considerável de custo de tratamento ao sistema de saúde, seja público ou privado. Diante dessa problemática e dos números alarmantes, é necessária uma ampla revisão das indicações e formas de uso de antibióticos para as mais diversas condições infecciosas, com ações coletivas com base em evidências. Assim, essa diretriz é o reflexo da preocupação da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) em orientar adequadamente os médicos sobre a prescrição adequada de antibióticos nas otites médias, rinossinusites e faringotonsilites agudas, oferecendo uma atualizada orientação de conduta nessas três afecções. Otite Média Aguda  A otite media aguda é uma doença comum na primeira infância, com pico de incidência entre 6 meses e 2 anos, que também afeta crianças maiores e, menos comumente, adolescentes e adultos. A maioria dos casos de OMA é diagnosticada e tratada por médicos pediatras ou médicos generalistas. Para o diagnóstico, deve-se levar em conta que a hiperemia, a diminuição de translucidez da membrana timpânica ou a presença de líquido retro timpânico isoladamente, sem abaulamento ou otorreia, não são sinais que distinguem OMA.  Isoladamente, abaulamento da membrana timpânica é

Propriedades Gerais dos Vírus e sua Patogênese | Colunistas

Características gerais Os vírus são os menores agentes infecciosos existentes e são parasitos intracelulares obrigatórios. Seu tamanho pode variar de 20 a 1000 nm, sendo possível ser visualizado à microscopia eletrônica. As principais propriedades dos vírus se refere ao genoma viral que contém um único tipo de ácido nucleico, sendo RNA ou DNA, com exceção do Minivírus, ao revestimento proteico que envolve o ácido nucleico, o fato deles serem parasitos intracelulares e se multiplicarem no interior de células vivas utilizando a maquinaria dessas células e induzirem a síntese de estruturas especializadas que podem transferir o ácido nucleico viral para as demais células.  Os vírus apresentam propriedades físico-químicas que fazem com que eles infectam as células através de receptores de membranas, eles apresentam um tropismo celular que os diferenciam o tipo de doença causada, e o que vão afetar. Estrutura viral As estruturas dos vírus são constituídas por dois componentes principais que são o ácido nucleico, podendo ser DNA ou RNA e o capsídeo, que é uma capa proteica. Quando finaliza a replicação a progênie viral tem partículas incompletas e partículas completas. Os vírions são partículas virais infecciosas completas, é a forma que o vírus se encontra fora da célula e infecta outras células. Ácido nucleico Nos vírus o ácido nucleico pode ser DNA ou RNA de fita simples ou dupla. Podendo então apresentar DNA de dupla-fita, DNA de fita simples, RNA de dupla-fita e RNA de fita simples. Podem ser fitas negativas e positivas. E podem ser lineares, circular ou segmentado. Capsídeo O capsídeo é um revestimento proteico que protege o ácido nucleico. Ele é composto por subunidades proteicas que são

Rafaella Almeida Oliveira

6 min há 56 dias
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