De cara nova: o que a variante B.1.1.7 tem a ver com o aumento da mortalidade por COVID-19? | Colunistas

No decorrer dos últimos meses, inúmeras variantes emergentes foram descobertas nos “quatro cantos” do mundo; entretanto, uma em específico vem chamando atenção de pesquisadores e profissionais da área da saúde: a variante SARS-CoV-2 B.1.1.7, do Reino Unido. Engana-se quem pensa que essa nova roupagem do vírus é um alívio para a população aflita! Muito pelo contrário! A variante britânica, descoberta em meados de setembro/outubro de 2020 no sudeste da Inglaterra, vem sendo a maior protagonista quando se trata de mortalidade relacionada à infecção por coronavírus, já que possui uma letalidade cerca de 55% maior que as outras cepas já conhecidas. Como e quando descobriram a linhagem B.1.1.7? Pesquisadores ingleses realizaram em setembro de 2020 o sequenciamento genômico da nova linhagem do coronavírus. Não passou muito tempo e, logo em dezembro, a Public Health England, uma agência do departamento de saúde britânico, já identificou a variante como sendo um potencial perigo para toda a humanidade. Tal teoria foi surpreendentemente confirmada ainda em dezembro, uma vez que a variante se espalhou com uma rapidez absurda para grande parte do continente europeu, fazendo morada até mesmo nos Estados Unidos. Sabe-se que essa mutação viral tem relação com o receptor da proteína S, provocando deleções de nucleotídeos que muitas vezes impossibilitam o diagnóstico da infecção, já que a nova variante impede a ligação dos sítios de ativos aos amplicons. Dessa forma, os pesquisadores utilizaram do sistema de testagem Thermo TaqPath para identificar os outros alvos do PCR, já que os falsos negativos estavam muito recorrentes devido à falha do alvo do gene S. Portanto, a falha do gene S foi a bússola que norteou os pesquisadores a rastrearem a evolução e atuação da nova

Taiane Ferraz

5 minhá 15 dias

Variantes do coronavírus nos EUA: o que se sabe até agora? | Colunistas

Introdução O crescimento alarmante das infecções pela COVID-19 está associado à carência de medidas restritivas, de isolamento social e à pouca aderência populacional ao uso de máscaras, entretanto, outro fator tem influenciado fortemente a evolução da pandemia: as novas variantes do coronavírus. O aparecimento de mutações é um evento natural e esperado dentro do processo evolutivo dos vírus, e evidências de sequenciamento genético do Sars-CoV-2 revelam que as cepas em circulação atualmente são biologicamente distintas das identificadas no início da pandemia. Algumas dessas mutações podem não gerar um impacto clínico-epidemiológico relevante, mas outras podem ser responsáveis por tornar o potencial de transmissibilidade do vírus maior, além de causar uma redução do efeito neutralizante do vírus pelos anticorpos, que gera por consequência casos de reinfecção em indivíduos previamente imunizados. Hierarquia genética: grupos, linhagens e variantes O estudo do genoma inicial do Sars-CoV-2 divide o vírus em diferentes grupos genéticos. Mutações específicas dentro desses grupos podem gerar novas linhagens, e estas podem sofrer processos de microevolução e seleção que podem gerar outras mutações e caracterizar uma nova variante do vírus. Quando essas mutações ocasionam alterações relevantes, que forneçam vantagens ao vírus, como maior gravidade e maior potencial de infectividade, essa variante é classificada como uma variante de atenção (VOC, variant of concern). Variantes nos EUA Nos EUA, já foram identificados casos das 3 variantes de atenção atuais em vigilância: VOC B.1.1.7 – Reino Unido;VOC B.1.351 – África do Sul;VOC B.1.1.28.1 ou P.1 – Brasil. Além das VOCs, temos outras variantes nos EUA originadas da Califórnia e da cidade de Nova Iorque. A variante denominada B.1.526, detectada pela primeira vez em Manhattan, parece ter uma elevada taxa

Stephanie Seif

4 minhá 20 dias

2021, uma linha de chegada? Reflexões sobre uma pandemia. | Colunistas

A cada dia, observa-se um número cada vez maior de novos casos e óbitos por COVID no Brasil e no mundo. E, junto a isso, a demanda pela imunização se torna cada vez mais necessária e urgente. Pfizer, Oxford, Coronavac, Sputnik, o mercado de vacinas está aberto, com o nome que for da sua preferência, porém, a ponte de acesso entre a população mundial e essas vacinas ainda está em lenta construção. Pela ótica brasileira, sabe-se que a pandemia está gerando graves problemas por aqui. Vê-se os sistemas de saúde público e privado saturados, mas ainda se mantendo como único recurso entre a vida e a morte dos brasileiros. Entretanto, observa-se que o real problema se prende às intermináveis discussões sobre quais medidas emergenciais devem ser tomadas acerca da estabilidade econômica do país, em detrimento da preservação da saúde das pessoas. Atualmente, o mundo se divide em dois grupos: o dos países que dispõem de recursos tecnológicos e científicos, com plenas condições de produzirem suas vacinas, e outro grupo empenhado em adquirir imunizantes, a fim de diminuir o número de óbitos causados pelo vírus. Portanto, como fazer com que esses dois grupos se tornem um só e trabalhem em conjunto para vencer essa pandemia? VALE A PENA CONFIAR EM VACINAR A POPULAÇÃO? Um recente estudo publicado no New England Journal of Medicine relata os resultados da vacinação em massa ocorrida em Israel no período entre 20 de dezembro de 2020 e 20 de fevereiro de 2021. A vacina avaliada e comprada pelo governo israelense foi a mRNA BNT162b2 da farmacêutica Pfizer. O estudo realizado com 1.193.236 pessoas avaliou a evolução de seus quadros após a aplicação da 1ª e depois da 2ª dose da vacina. Os

Gabriella de Oliveira Lorenzoni

5 minhá 24 dias

COVID-net: a rede neural artificial desenvolvida para diagnosticar COVID-19 a partir de radiografias de tórax. | Colunistas

A pandemia do COVID-19, por necessidade, acelerou o processo de inovação tecnológica no meio médico. As vacinas são um marco importante dessa tendência, mas não são o único. A DarwinAI e a Red Hat, companhias voltadas ao desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial, em linha com essa tendência se uniram com o propósito de catalisar a implementação do COVID-Net: uma rede neural artificial que potencialmente pode dar ou excluir um diagnóstico de COVID-19 a partir de radiografias de tórax. Apesar desse exame de imagem ter baixa sensibilidade em relação ao diagnóstico de COVID-19 (variando 30 -69%)1 a possível aplicabilidade da tecnologia por trás dessa iniciativa faz com que o COVID-Net mereça nossa atenção. A radiografia de tórax na pandemia do COVID-19             A radiografia, apesar das suas limitações, apresenta certas vantagens em relação a outros exames, especialmente, durante a pandemia. A instantaneidade da radiografia de tórax, por exemplo, é útil em situações nas quais não se pode aguardar pelo resultado de um PCR. A portabilidade e o fácil acesso do equipamento radiológico também são características que, no atual contexto, tornam-se extremamente vantajosas, uma vez que não há necessidade de transportar um paciente contagioso que pode estar instável para realizar o exame. É, entretanto, um impecílio que em prol de uma avaliação mais precisa é necessário um radiologista profissional qualificado. Surge a partir daí a oportunidade para uma ferramenta de auxílio automatizada que acelera esse processo sem perder a precisão do médico especialista. O que é e como funciona uma rede neural artificial? A COVID-Net nasce, portanto, a partir dessa oportunidade. A Covid-net é uma rede neural artificial que foi desenvolvida para a detecção de casos de COVID-19 a partir de radiografias de tórax que têm seu

Matheus Scalzilli

4 minhá 27 dias

O vírus que causa o COVID-19 pode se tornar endêmico | Colunistas

Tecnicamente, endemia é descrita como a incidência de uma doença de forma relativamente constante, com possíveis variações sazonais no comportamento esperado para o seu agravo. Sobre COVID-19, leia também: Todas as novidades para médicos e profissionais sobre o coronavírus Confira as fake news sobre a Covid-19 Linha do tempo do Coronavírus no Brasil Coronavírus: o que você precisa saber após 1 ano de pandemia no Brasil Pode ser entendida também como um episódio de um agravamento dentro de um período baseado na sua ocorrência em anos anteriores, sendo esses não epidêmicos. Nesse contexto e de acordo com o panorama atual de casos por infecções de Covid-19, há grandes chances de advirmos de um período epidêmico para um endêmico, passando a conviver com o vírus todos os anos. Isso acontece quando uma patologia se torna presente e circulante na sociedade, porém em níveis mais baixos e controlados, como nos casos da dengue, malária, leishmaniose, hanseníase e outras doenças já endêmicas no Brasil. Um breve histórico do coronavírus no Brasil e no mundo                 Os relatos iniciais de infecção por coronavírus em humanos datam da década de 60 do século XX, porém obtiveram atenção mundial apenas entre os anos de 2002 e 2003 com o agravamento de infecções pelo vírus denominado SARS-CoV (Severe Acute Respiratory Syndrome – Coronavirus), na China. Um vírus semelhante foi identificado na Arábia Saudita no ano de 2012, sendo designado como MERS-Cov (Middle East Respiratory Syndrome – Coronavirus).                 No final do ano de 2019, casos de pacientes com uma patologia respiratória desconhecida surgiram na cidade de Wuhan, na China e todos eles, coincidentemente, tiveram

Bruno Fernando de Oliveira

6 minhá 27 dias

COVID-longo e a persistência de sintomas pós-infecção | Colunistas

Diferentemente de outras infecções comuns, como a da influenza, a COVID-19 vem intrigando pesquisadores e médicos em virtude dos efeitos que causa pós-infecção em seres humanos. Esperava-se, como as demais, que sua sintomatologia desaparecesse com o decorrer da melhora do quadro de saúde dos indivíduos afetados. No entanto, embora muitos recuperados aparentem não ter tido quaisquer sequelas da contaminação, outros sentem sintomas posteriores ao contágio, de modo persistente, que causam danos físicos e emocionais a esses indivíduos, fazendo surgir uma denominação para esse tipo de contaminação com danos pós-infecção: COVID-longo (tradução livre do termo em inglês “long COVID”). Sintomas persistentes Com o decorrer dos estudos iniciais sobre a infecção pela SARS-CoV-2, muitos sintomas foram identificados como sugestivos de contaminação, como febre, dispneia, cansaço, tosse seca, dor de cabeça, comprometimento cognitivo, erupções cutâneas, entre outros. Não obstante, mediante observação cuidadosa dos indivíduos recuperados, foi nítido o surgimento de sintomatologias pós-contágio, como anosmia (redução ou eliminação da capacidade de distinguir odores), disgeusia (alteração da capacidade de sentir sabores) e sensação contínua de fadiga, sendo essa última sintomatologia bem evidente em um estudo publicado na British Medical Journal. Em uma Brief Communication publicada nesse periódico, tendo por base um pequeno estudo realizado com 384 indivíduos que foram submetidos a cuidados hospitalares por conta da infecção por coronavírus, constatou-se que mais da metade desses permaneceu com quadros de dificuldade respiratória, relatando uma incessante falta de fôlego, em um acompanhamento de até 2 meses após o início da avaliação, com quadros de tosse (34% dos pacientes analisados) e fadiga (69% dos indivíduos estudados). Além dessas manifestações mais visíveis, estudos identificaram lesões que comprometiam o funcionamento de diversos órgãos, diminuindo as capacidades cardíaca e pulmonar em mais de 30% dos indivíduos analisados, chegando a afetar

Felipe Dias Gonçalves

4 minhá 27 dias
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