Resumos: manejo da fibrilação atrial | Ligas

O que é a fibrilação atrial? Fibrilação atrial (FA) é um distúrbio do sistema de condução elétrica do coração que causa um ritmo irregular e rápido. Além de ser a doença mais comum relacionada à ritmicidade cardíaca, sua incidência e prevalência aumentam de forma contínua¹. A partir do momento de seu diagnóstico, a FA requer um manejo multidisciplinar que envolve três aspectos principais: prevenção de tromboembolismo², controle de frequência e controle de ritmo³. Prevenção de Tromboembolismo A fibrilação atrial é a principal causa da formação de êmbolos de origem cardíaca, o ritmo irregular e rápido associado à FA gera uma redução do fluxo sanguíneo no Apêndice Atrial Esquerdo, caracterizando, assim uma estase sanguínea que favorece a formação de coágulos de fibrina. Adicionado a isso, lesões no miocárdio geradas por condições secundárias e o estado pró-trombótico próprio da arritmia completam os fatores formadores da tríade de Virchow. Uma vez na circulação sistêmica, esses êmbolos podem causar Acidente Vascular Encefálico (AVE) e, por isso, devem ser tomadas medidas de prevenção ao tromboembolismo por meio do uso de agentes antitrombóticos⁵. Avaliação do Risco de Tromboembolismo Apesar de ser um estado pró-trombótico, nem todos os pacientes com FA irão evoluir com eventos tromboembólicos, por isso, é importante avaliar a presença de fatores que aumentam o risco de tromboembolismo nesses pacientes, bem como fazer um balanço entre os riscos e os benefícios de optar pela terapia antitrombótica. A avaliação do risco de o paciente com FA desenvolver eventos tromboembólicos é feita por meio do escore de risco chamado de CHA2DS2-VASc⁶. Magalhães LP, Figueiredo MJO, Cintra FD, Saad EB, Kuniyishi RR, Teixeira RA, et al. II Diretrizes

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7 min40 days ago

Resumos: manejo de agressividade e agitação psicomotora no pronto socorro | Ligas

Introdução Saber manejar um paciente agressivo e/ou agitado é importante para qualquer médico, uma vez que esse quadro constitui uma emergência médica que está sujeita a se apresentar tanto em hospitais gerais, como nos serviços psiquiátricos. Na área da psiquiatria, contudo, o tema ganha destaque, visto que estudos epidemiológicos apontam para o fato que os indivíduos com diagnóstico psiquiátrico prévio têm risco aumentado para apresentar esses comportamentos, com destaque para os pacientes esquizofrênicos, bipolares e com transtorno de personalidade. Nos serviços psiquiátricos, estima-se que entre 20% e 50% dos atendimentos emergenciais são por quadros de agitação e/ou agressividade, e 10% dos pacientes podem se tornar agressivos ao longo do atendimento. É importante retomar, todavia, que os quadros de agitação e agressividade não são exclusivos da psiquiatria, podendo compor a apresentação de síndromes demenciais, traumas cranioencefálicos, Acidente Vascular Encefálico, intoxicação por substâncias e diversas outras condições médicas gerais. Desse modo, o diagnóstico diferencial é de extrema importância para garantir o manejo adequado do paciente. Definições No manejo do paciente agitado e/ou agressivo, três conceitos se destacam: a agitação, a agressividade e a violência. A agitação é marcada pela elevação das atividades motoras e/ou cognitivas e pela exacerbação de comportamentos motores/verbais improdutivos. Cursa, ainda, com inquietação, excitabilidade psíquica, resposta exagerada aos estímulos, irritabilidade e comportamento inadequado. A agressividade, por seu turno, é o ato intencional de causar dano físico ou psíquico em outra pessoa ou, por vezes direcionado a um objeto. Por fim, a violência é a concretização da agressividade, isto é, é o ato que causa propriamente o dano físico a outra pessoa, podendo ou não se associar com agressividade verbal. Avaliação do Paciente O

Resumos: tudo que você precisa saber na prática sobre osteoporose | Ligas

A osteoporose hoje tem elevada prevalência e representa importante problema de saúde pública no Brasil. Estimativas revelam, a título de exemplificação, que a população brasileira propensa a desenvolver osteoporose aumentou de 7,5 milhões, em 1980, para 15 milhões, em 2000. Visto que há uma grande mitificação desse tema nos dias de hoje, você saberia dizer se a osteoporose é uma doença silenciosa? Se seria uma doença vinculada ao sexo feminino? Se a prática de atividade física é recomendada ou contraindicada para os indivíduos já diagnosticados? Caso não tenha conseguido responder alguma dessas perguntas ou ficou na dúvida, esse texto é pra você! Hoje, você vai descobrir mais detalhes que vão te ajudar a não deixar passar esse diagnóstico na sua consulta. 1.   O que é a osteoporose? Vamos começar observando essas duas figuras abaixo. À esquerda temos um osso com metabolismo normal. Há um ciclo balanceado de reabsorção óssea, feita por osteoblastos, e formação óssea, onde os osteoclastos são os astros do palco. Esse processo é equilibrado, de forma que a cada 90 a 130 dias, há renovação do tecido ósseo. Agora, imagine que por algum motivo, a reabsorção assumiu um peso maior na balança e a formação óssea não consegue acompanhar o ritmo. Teremos uma perda da massa óssea, certo? Pois então, isso é o que aconteceu na figura à direita. Podemos perceber que essa perda óssea se manifesta com perfurações trabeculares, microfissuras, defeitos de mineralização, mudanças no tamanho do osso. Resumindo, você deve lembrar que a osteoporose é uma doença osteometabólica gradual que resulta em perda de massa óssea, com deterioração do tecido ósseo. Fonte: https://www.hong.com.br/osteoporose-muitas-vezes-silenciosa/             Você pode se perguntar “Ah, mas qualquer osso

Delirium: uma emergência que você deve saber manejar | Ligas

Definição de delirium É um transtorno neurocognitivo muito frequentee que causa confusão mental aguda ou subaguda de curso flutuante e potencialmente reversível¹. Por definição, deve existir perturbação da atenção ou da consciência, juntamente com alteração da cognição basal que não pode ser melhor explicada por nenhum outro transtorno². Epidemiologia A população mais acometida são os idosos em pós operatório ou doenças agudas ou em abstinência de certos fármacos. O transtorno chega a acometer cerca de 50% dos idosos hospitalizados e é ainda importante causa de emergência geriátrica por ser causa de altas taxas de mortalidade e de institucionalização nessa população4. Cerca de 80% dos pacientes terminais podem apresentar delirium antes de falecer¹. Dessa forma, é imprescindível que todo médico generalista saiba identificar e manejar esse quadro rapidamente. Fatores de Risco O delirium tem causa multifatorial – genética, iatrogênica, ambiental e fisiológicas -, mas pode ser desencadeada por fatores isolados². Além disso, os efeitos dos diversos fatores de risco parecem ser cumulativos, mas geralmente resolução de um desses fatores é suficiente para o controle do quadro³. O que você não pode esquecer é que o delirium tem relação direta com: Idade avançada – maior fator de risco;Tempo de internamento – intimamente ligado à imobilidade do paciente;Déficit cognitivo prévio, como demência;Desidratação;Gravidade da doença;Comorbidades, como perda visual e auditiva, infecção e fratura.   Sinais e sintomas O delírio envolve diversas funções cognitivas, como descritas abaixo¹: Estado mental: tipicamente se modifica em horas ou dias apresentando curso flutuante, fazendo importante diagnóstico diferencial com demências, mas nessa última a modificação é progressiva ao longo de meses. Portanto, saber o nível cognitivo prévio

Medicina Legal: Introdução à Traumatologia Forense | Ligas

Introdução: A Traumatologia ou, também chamada de, Lesonologia Médico-legal estuda as lesões e condições patológicas, imediatas ou tardias, geradas por violência sobre o corpo humano, nos seus aspectos do diagnóstico, do prognóstico e das suas consequências legais e socioeconômicas. É considerado um dos capítulos mais extensos e relevantes da Medicina Legal, constituindo cerca da metade das perícias realizadas nas instituições especializadas, sendo o maior interesse dessa área voltada, sobretudo para as causas penais, trabalhistas e civis. Além de tudo que já fora abordado, é válido ressaltar que a Traumatologia Forense trata-se também do estudo das diversas modalidades de energias causadoras desses danos. Ora, o contato com meio ambiental pode provocar ao homem as mais diferentes formas de lesões geradas por diversos tipos de energias. Essas energias são dividas em: Energias de ordem mecânica;Energias de ordem física;Energias de ordem química;Energias de ordem biodinâmica; OBS: Em alguns livros, existem mais tipos de energia que são um combinação entre essas 4 principais energias. (Quadro 1) Por ser apenas uma introdução, iremos focar apenas nas 3 primeiras energias por enquanto (energias de ordem mecânica, física, e química) através de textos e tabelas que apresentarão um apanhado geral desses agentes. Quadro 1: Tipos de energia Agentes mecânicos: Os meios mecânicos geradores do dano são: Arma propriamente dita: (punhais,revólveres, soqueiras)Armas eventuais: (faca, navalha, foice, facão, machado)Armas naturais: (punhos, pés, dentes)Diversos meios imagináveis: (máquinas, animais, veículos, quedas,explosões, precipitações). As lesões provocadas por ação mecânica no ser humano podem ter seus resultados externa ou internamente. Podem ter como repercussão

Resumo: Atendimento pré-hospitalar | Ligas

Acidentes não têm dia e nem hora para acontecerem. Por isso, estar preparado para realizar um bom atendimento pré-hospitalar em um paciente politraumatizado é a melhor maneira de garantir maiores chances de sobrevida a ele. Com isso, manter-se atualizado nas diretrizes do atendimento pré-hospitalar permite que você esteja por dentro das novidades a cerca do assunto. Dessa forma, vamos esclarecer todos os pontos principais do atendimento pré-hospitalar. O atendimento pré-hospitalar essencialmente diz respeito a procedimentos que devem ser realizados na cena do acidente ou a caminho do hospital. Porém, muitos esquecem que o atendimento pré-hospitalar também inclui: a segurança de cena, a cinemática do trauma, o acionamento do serviço de emergência e, por fim, o XABCDE. O primeiro passo para um bom atendimento pré-hospitalar é garantir a segurança de cena. Tal ação é importante, para estabelecer um ambiente seguro para você, para sua equipe e também para seu paciente. Primeiramente, é necessário atentar-se a elementos externos à cena do trauma, como tráfego de veículos, fios elétricos soltos e desencapados, andaimes, máquinas funcionando e vazamento de gás. Além de todas essas situações, é valido ressaltar a importância de afastar curiosos e pessoas que estejam física e psicologicamente abalados com a cena, uma vez que eles podem distrair os socorristas e, com isso, prejudicar o atendimento do paciente.  O segundo passo para o atendimento consiste em avaliar a cinemática do trauma. Essa etapa é importante, já que permite o entendimento de como ocorreu o acidente e, a partir disso, raciocinar sobre os principais achados que poderão ser encontrados naquele paciente. Por exemplo, no caso de um acidente automobilístico envolvendo dois carros, o socorrista deve questionar as testemunhas do acidente sobre como

Atendimento Inicial ao Politraumatizado no contexto intra-hospitalar | Ligas

O trauma nos países ocidentais é a terceira causa morte, depois de doenças cardiovasculares e cânceres, sendo naqueles abaixo de 45 anos de idade, a primeira causa de morte. Tal fatalidade acomete principalmente a população economicamente ativa, com conseqüências sociais de elevado custo. Portanto, o atendimento ao paciente politraumatizado deve seguir uma abordagem multidisciplinar pela possibilidade de múltiplas lesões associadas. Veja a seguir as características do paciente, os níveis de trauma e a conduta específica para cada situação. Características do paciente Politraumatizado Antes de saber cada etapa do atendimento em si, você precisa entender o que é um paciente politraumatizado. Um paciente politraumatizado é considerado aquele que apresenta lesões em dois ou mais sistemas, sendo necessário que pelo menos uma, ou uma combinação dessas lesões, represente um risco vital para o doente. Os três picos do trauma As mortes por trauma costumam ocorrer em três picos distintos. O primeiro pico corresponde as mortes que acontecem nos segundos ou minutos iniciais após o trauma. As lesões nesses pacientes são tão graves, que dificilmente eles podem ser salvos. O segundo pico corresponde as mortes que acontecem algumas horas após o trauma. O atendimento pós-trauma nesses pacientes interfere significativamente na probabilidade de sobrevivência da vítima. Esse momento, portanto, é chamado de “Golden Hour”. Por fim, o terceiro pico corresponde as mortes que acontecem mais tardiamente, até algumas semanas após o trauma. A taxa de mortalidade desse grupo tem grande associação com os cuidados prestados nas fases anteriores.

Qual a diferença entre Intolerância à lactose e Síndrome do Intestino Irritável? | Ligas

O que é Intolerância à lactose?   Epidemiologia De acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein, a Intolerância á Lactose é uma patologia bastante comum, reunindo mais de 2 milhões de casos por ano, no Brasil. Fisiopatologia A intolerância à lactose é uma condição que afeta indivíduos com reduzida ou nenhuma produção da enzima lactase, que por sua vez é responsável por tornar a lactose (um tipo de açúcar presente no leite e também em seus derivado) um açúcar menor e de mais fácil absorção pelo organimo. Assim, com tal deficiência, a lactose chega ao intestino grosso sem ser devidamente digerida e as bactérias presentes acabam por transformá-la em ácido lático e gases. Deste modo, logo após a ingestão de leite, queijos, iogurtes ou outros alimentos que contenham a lactose, a pessoa começa a apresentar os sintomas provenientes desta fermentação bacteriana. Existem diferentes formas de intolerância à lactose que devem ser diagnosticadas através de uma boa história com o paciente, além de exames complementares, como o teste de tolerância à lactose. O que é Síndrome do Intestino Irritável? Epidemiologia A síndrome do intestino irritável (SII) é uma condição crônica, ainda sem tratamento curativo, que afeta cerca de 10% da população mundial e é descrita como uma síndrome de causa funcional, haja vista que não existem fatores orgânicos que justifiquem a sintomatologia da SII. Desta forma, exames laboratoriais ou de imagem não demonstram alteração. Geralmente os sinais e sintomas aparecem no início da vida adulta e são mais comuns em mulheres numa faixa etária média de 30-50 anos ou

Qual a diferença entre tireotoxicose e hipertireoidismo? | Ligas

O que é Tireotoxicose? A tireotoxicose é a síndrome clínica decorrente do excesso de hormônios tireoidianos circulantes, secundário ao hipertireoidismo ou não. Ela pode ocorre por diversas causas, inclusive não associada à hiperfunção tireoidiana. Tireotoxicose acontece pela ingestão excessiva de hormônios tireoidianos, seja iatrogênica ou na tentativa de perda de peso, caracterizando a tireotoxicose factícia; produção excessiva de hormônios tireoidianos por tecido tireoidiano ectópico, a exemplo de metástase funcionante de carcinoma folicular; inflamação subaguda da tireóide, em que ocorre destruição da glândula com liberação de hormônios pré-formados; bem como pode ser secundária a drogas como o iodo e a amiodarona. O que é Hipertireoidismo? Diferentemente da tireotoxicose, o hipertireoidismo é caracterizado pelo aumento da síntese e liberação dos hormônios tireoidianos pela própria glândula tireoide e se não tratado pode levar a outros problemas de saúde. A hiperfunção tireoidiana manifesta-se, principalmente, como Doença de Graves (em cerca de 80% dos casos), tumor trofoblástico (mola hidatiforme, coriocarcinoma) e adenoma hipofisário produtor de TSH. A ocorrência de hipertireoidismo é 20 vezes mais frequente em mulheres do que em homens. O diagnóstico clínico do hipertireoidismo, geralmente, não oferece dificuldade e a confirmação diagnóstica deverá ser feita com as dosagens das concentrações séricas de TSH e hormônios tireoidianos. Diferenciando os sintomas Sintomas da Tireotoxicose Sinais oculares como retração palpebral, olhar fixo ou assustado e sinal de lid-lag são decorrentes da hiperatividade adrenérgica e podem ser observados em qualquer quadro de tireotoxicose. São também achados frequentes: Pele quente e úmidaTaquicardia sinusalHipertensão arterial sistólicaFibrilação atrial (mais em idosos)Tremor fino de extremidadesFraqueza muscular proximalHiperreflexiaArritmia, ICC, anginaBócio As manifestações cardíacas (arritmia, ICC, angina) podem predominar nos idosos com tireotoxicose. Bócio pode

LIEMS

3 min233 days ago
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