Benefícios da Posição Prona no Paciente em Ventilação Mecânica | Colunistas

A posição prona é uma manobra utilizada para combater a hipoxemia nos pacientes com síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). Os mecanismos fisiológicos que levam à melhora da função respiratória nos pacientes nos quais a manobra é realizada ainda não estão completamente esclarecidos. Mas para entender sua importância, precisamos compreender o que é Insuficiência Respiratória Aguda e a Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo. Insuficiência Respiratória Aguda A insuficiência respiratória aguda (IRpA) é uma síndrome potencialmente grave que, independentemente da doença de base, se caracteriza por uma deficiência nas trocas gasosas. A insuficiência respiratória aguda (IRpA) é definida como a incapacidade aguda do sistema respiratório em promover adequadamente as trocas gasosas. Isso consiste em falha da oxigenação e da eliminação de gás carbônico (CO2). Do ponto de vista de parâmetros gasométricos, a IRpA pode ser  definida em dois tipos: Tipo I: hipoxemia, com a diferença alvéolo-arterial de O2 alterada.PaO2 <55-60 mmHgPaO2/FiO2 < 300D (A-a)O2 aumentada ( >20)Tipo II: hipoxemia associada a hipercapnia e diferença alvéolo-arterial normal.PaCO2 > 45-50mmHgpH <7,35D (A-a)02 normal (5 a 20) A causa mais comum para o tipo I é um distúrbio V/Q, ou seja, ventilação X perfusão, que são causadas ou por áreas mal ventilada e perfundidas adequadamente (shunt) ou áreas mal perfundidas, porém bem ventiladas (espaço morto). As etiologias em que isso ocorre são: pneumonias, edema agudo, SDRA e hemorragia alveolar. Denomina-se shunt quando a obstrução alveolar é total e efeito shunt quando é parcial. O espaço morto ocorre pode ser considerado anatômico ou fisiológico. No espaço morto anatômico, não há hematose porque não existe epitélio especializado nessa função naquela porção da via aérea (por exemplo: brônquios e bronquíolos). O espaço morto fisiológico ocorre quando o ar entra nos

Illana Machado Braga

5 min há 17 dias

Generalidades da Diabetes Mellitus | Colunistas

Fonte:(https://pontosdevista.pt/2020/05/19/sete-dez-pessoas-diabetes-morrem-doencas-cardiovasculares/). O diabetes é uma doença crônica, cuja etiologia ainda não é claramente conhecida, caracterizada por uma predisposição genética recessiva, e que consiste essencialmente em uma alteração global do metabolismo, especialmente demonstrável ao nível do metabolismo dos carboidratos, principalmente devido a uma deficiência relativa de insulina. O diabetes é caracterizado basicamente pela existência de hiperglicemia e glicosúria, e em sua evolução também causa alterações importantes no metabolismo de proteínas, lipídios e eletrólitos, causando uma enorme alteração no sistema hormonal e podendo colaborar no desenvolvimento de outras doenças, como a aterosclerose. Glicose Para entendermos sobre a doença, devemos conhecer e analisar termos que estão inteiramente relacionados com ela, iniciando pela glicose, que é uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento da mesma. A glicose é a principal fonte de energia para o metabolismo celular. É obtido por meio dos alimentos e é armazenado principalmente no fígado, que desempenha um papel fundamental na manutenção dos níveis de glicose no sangue (glicemia). Para que esses níveis sejam mantidos e tenha um armazenamento adequado no fígado, é necessária a ajuda da insulina, substância produzida pelo pâncreas. A glicose é um açúcar que é utilizado pelos tecidos como forma de energia quando combinado com o oxigênio da respiração, ao comermos, a glicose ingerida deve adentrar à célula, para isso existe um hormônio regulador que é a insulina produzida pelo pâncreas, nas células beta das ilhotas pancreáticas. Esse hormônio faz com que a glicose do sangue entre nos tecidos e seja usada na forma de glicogênio, aminoácidos e ácidos graxos. Quando a glicose no sangue está muito baixa, outro hormônio chamado glucagon é secretado, que faz o oposto e mantém os níveis de glicose no sangue. A glicose é o

Ysa Souza

5 min há 17 dias

O impacto de videogames em pessoas com transtorno do espectro autista | Colunistas

Os videogames foram uma das criações humanas que mais impactaram a sociedade da era digital. Trouxe mudanças significativas na forma de lazer de crianças e adultos, mudando inclusive as relações sociais. Como esse instrumento pode ser utilizado em crianças e adolescentes autistas? Existem reais benefícios para eles? O transtorno do espectro autista (TEA) Foi descrito pela primeira vez em 1943, por Leo Kanner. Porém, até 1980, era comum que as crianças com sintomas do espectro autista fossem diagnosticadas erroneamente como esquizofrênicas ou retardadas mentalmente. Atualmente, segundo o DSM-V, o diagnóstico depende de “déficits na interação social’ e em “padrões de comportamento restritos e repetitivos”. Ela é diagnosticada quatro vezes mais em meninos do que em meninas, com estimativas de que atinge 1% da população dos Estados Unidos. O uso de videogames e a interação social É importante destacar que os estudos ainda são poucos e que, obviamente, o transtorno do espectro autista tem uma variedade muito grande quanto a gravidade dos sintomas, logo esses estudos não se aplicam a todos os casos, somente aos que conseguem manter interações sociais. Em um estudo realizado com 10 jovens portadores de autismo, sendo 9 deles caracterizados como Asperger, ficou evidente a importância dos videogames em suas vidas. O tempo que passavam jogando por semana variou de 7 até 53 horas, com média de 26,8 horas por semana. O grande ponto desse estudo foi mostrar que, embora com déficits de interação social, 8 deles preferiam jogar com outras pessoas, enquanto somente 2 preferiam jogar sozinhos. Foi relatado por eles que os videogames proporcionaram conhecer novas pessoas e a criarem boas amizades. Um deles ainda disse que se não fosse pelos jogos, ele não teria

Lucas Infante

4 min há 17 dias

Perspicácia reprodutiva viral acumulou mais de 30 mutações na paciente hiv positivo: consequências, aprendizados e previsões de um futuro melhor | Colunistas

Além das dificuldades científicas com o vírus da AIDS, o comportamento do coronavírus em humanos, ainda é uma das grandes dificuldades científicas atuais. Entretanto, uma recente pesquisa sul-africana fez descobertas importantes sobre uma paciente HIV positivo que contraiu a COVID-19 e seus possíveis viesses. O caso relatado é de uma infecção que se manteve ativa, na paciente de 36 anos, por 216 dias e acumulou mais de 30 mutações. O relato foi publicado na plataforma medRxiv, segundo autores ele é classificado como preprint, ou seja, ainda não foi revisado por outros cientistas. Embora grande parte das pessoas elimine efetivamente o SARS-CoV-2, existem diversos relatos de infecções prolongadas em pacientes imunossuprimidos. Sendo assim, no relato proposto, o paciente teve uma infecção de alto risco prolongado por mais de 6 meses e é HIV positivo, com uma significativa falha no tratamento antirretroviral. A partir desse caso, foi sequenciado o genoma completo para demonstrar as mutações e substituições encontradas na variante. Assim, faz-se necessário analisar o relato, suas vertentes e eficiências para fortalecimento e controle da infecção. Pacientes Críticos com HIV/AIDS: Fatores associados às complicações O HIV afeta e destrói células específicas do sistema imunológico e torna o organismo incapaz de combater infecções e doenças. Quando esse quadro se instala, a infecção por HIV leva à síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). A AIDS atinge as células do sistema imunológico – responsáveis por defender o organismo – e as mais conhecidas são os linfócitos TCD4 +. A alteração do DNA dessas células faz com que o HIV as copie. Depois disso, multiplicam-se e rompem os linfócitos, procurando outros para continuar a infecção. Com essa exposição, considera-se que o principal viés para o HIV/AIDS está relacionado às doenças infecciosas oportunistas que atacam principalmente o

Ana Carolina Carvalho

10 min há 17 dias

Intoxicação por chumbo | Colunistas

Introdução O chumbo (Pb) é um metal pesado, o que significa que ele tem baixa energia de ionização e uma densidade superior à média de outros elementos da tabela periódica. Além disso, esses metais pesados podem passar pelo processo de bioacumulação no organismo. A intoxicação por chumbo ocorre principalmente em trabalhadores industriais que trabalham com baterias elétricas ou materiais de construção. Devido a políticas públicas, ocorreu diminuição gradual do uso de chumbo na gasolina, tintas e soldas, mas deve-se estar atento as principais fontes de contaminação, como uso caseiro de baterias de automóvel e encanamentos. Fisiopatologia O chumbo tem meia vida de 30 dias em determinados tecidos e sua absorção pode ocorrer pela pele, inalação ou ingestão e a eliminação ocorre principalmente pela via urinária. Na corrente sanguínea ele se associa com os eritrócitos, porém no plasma sua associação ocorre principalmente com a albumina e posteriormente pode ocorrer deposição nos ossos. As alterações mais relevantes ocorrem em nível hematológico, em que podemos encontrar uma anemia hipocrômica e microcítica com pontilhados basofílicos. O chumbo é um cátion divalente e tem forte interação com os grupos sulfidril das proteínas.   Devido a sua alta afinidade com o eritrócito ele pode atuar modificando a sua membrana por meio de danos oxidativos, o que faz com eles tenham um menor tempo de vida. Além do mais, ele pode afetar a fosforilação oxidativa das mitocôndrias, entrando nessas organelas como substrato do transportador de cálcio. A eritropoetina é um hormônio glicoproteico produzido nos rins e que tem grande influência no crescimento e desenvolvimento das hemácias. Devido a atuação inibitória do chumbo nos rins, pode ocorrer diminuição desse fator de crescimento.

Gabriel Moreira Fonseca

4 min há 21 dias

Resumo hipocalemia: fisiopatologia, epidemiologia, diagnóstico e tratamento

INTRODUÇÃO O potássio é o cátion intracelular mais abundante e influencia vários processos metabólicos. A função neuromuscular e os potenciais de membrana dependem de maneira crítica da relação entre sua concentração intracelular e extracelular. Embora sua concentração no líquido extracelular seja reduzida, quando comparada com a concentração intracelular, a variação é pequena (3,5-5,0mEq/L), e a responsável por manter essa diferença entre os espaços é a bomba iônica sódio-potássio-ATPase, que transporta o K para dentro e o Na para fora das células. As repercussões clínicas de pequenas variações na concentração extracelular de potássio são, entretando, dramáticas. O potássio total do corpo está em torno de 55mEq/kg, sendo pelo menos 90% intracelular e 10% extracelular (Figura 1). Porém, apenas 2% do potássio extracelular encontra-se no plasma e fluido intersticial; o restante encontra-se no tecido ósseo, onde pode ser mobilizado lentamente. DEFINIÇÃO A hipocalemia é um distúrbio hidroeletrolítico comum e potencialmente fatal quando grave, e caracterizada por uma concentração sérica de potássio <3,5mEq/L. A classificação quanto à gravidade se da por: leve, quando a concentração de K+ plasmático está entre 3,5-3mEq/L, moderada entre 3-2,5mEq/L e grave <2,5mEq/L. EPIDEMIOLOGIA Na clínica médica, um dos distúrbios eletrolíticos mais frequentes é a hipocalemia. A ocorrência estimada é de 20% nos pacientes hospitalizados, nos ambulatoriais, a utilização de diuréticos tiazídicos é associada em 10-40% dos casos. FISIOPATOLOGIA E ETIOLOGIA Estão implicados na distribuição do potássio três principais hormônios: insulina, catecolaminas b-adrenérginas e aldosterona. A insulina e as catecolaminas aumentam a captação de potássio celular por estimulação da Na/K+ATPase na membrana celular. Para a insulina há sistema de feedback, no qual hipercalemia estimula e, hipocalemia inibe sua secreção. Para a estimulação

Sophia Benatti

10 min há 23 dias
Filtrar conteúdos
Filtrar conteúdos
Áreas
Ciclos da medicina
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.