Como escolher a sua especialidade? | Colunistas

Você porventura já se pegou em dúvida entre cirurgia e clínica médica? Essa é uma pedra de tropeço na vida de muitos estudantes de medicina. Durante toda nossa vida, somos condicionados a realizar escolhas, algumas mais simples, outras mais complexas; o tempo vai passando, e a complexidade das escolhas vão aumentando gradativamente. Vejo na adolescência o momento de uma das grandes escolhas da vida. Principalmente quando estamos no terceiro ano do ensino médio, pois a maioria de nós ouve aquela clássica pergunta: “vai fazer vestibular para quê?”. Não sei quanto a vocês, mas, apesar de na maior parte da vida ter pensado em ser médico, quando cheguei no meu último ano de colégio me vi perguntando se era isso que eu realmente deveria fazer. Algumas pessoas me estimularam, outras fizeram o contrário. Eu gostava de muitas coisas, mas via na medicina não somente um sonho, uma profissão, mas um estilo de vida que nos mais diversos aspectos se adequava ao que sonhava. Mal ingressamos na universidade e a família e pessoas ao redor passam automaticamente de um tapinha nas costas e um “parabéns” para as impertinentes perguntas sobre qual especialidade iremos escolher. Apesar de ter noção de algumas especialidades, não fazia ideia do que eu seria no futuro e estava aberto a experimentar de um tudo para depois decidir. Mas a velha pergunta volta e meia se repetia por parte de colegas e até mesmo pacientes, ecoando com maior frequência no sexto ano da faculdade. Na minha cabeça aquele seria o ano, sim, pois estava tão perto de receber meu CRM e fazendo os preparativos para a formatura. Minha mente divagava entre ser aprovado no internato de cirurgia (o terror de muitos na minha faculdade), estudar para a prova de residência e, o mais

Cleison Brito

6 minhá 11 horas

Você conhece o transtorno de estresse pós-traumático? | Colunistas

Todos os dias, somos expostos a situações estressantes que podem ou não mexer com o nosso psicológico. Com o tempo, algumas acabam esquecidas, sendo superadas. No entanto, quando o acontecimento é intenso e fica vívido em nossa mente por um longo período, provocando uma série de reações negativas, podemos estar de frente com o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), que é confirmado após avaliação de um profissional. Você já ouviu falar em TEPT? Introdução Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (5ª edição, American Psychiatric Association, 2013), o Transtorno de Estresse Pós-Traumático é o aparecimento de sintomas que perduram por mais de quatro semanas e que surgem após “exposição a episódio concreto ou ameaça de morte, lesão grave ou violência sexual”. Situações como acidentes de trânsito, assassinatos, guerras, desastres ambientais, abuso sexual, ataques terroristas, são outros exemplos incluídos nas possíveis causas desse distúrbio. Pessoas que têm um conhecido que passe por uma dessas situações também podem desenvolver o TEPT, sendo somente excluídos aqueles casos em que o conhecimento do trauma foi obtido por meio da mídia. A saber, os sintomas são Sintomas Intrusivos ou reexperiência traumática: estão envolvidos   com a mente do indivíduo, sendo pensamentos, pesadelos e/ou flashbacks involuntários com a temática do acidente. Pacientes relatam que é como se voltassem no tempo e vivessem novamente o que aconteceu.Esquiva e/ ou isolamento social: o enfermo passa a evitar qualquer elemento que possa recordar o dia do trauma. Pessoas, locais, objetos, lembranças, passam a ser alvo de gasto energético do indivíduo com o objetivo de não recordar o dia do acidente.Alterações negativas de humor e excitação: amnesia dissociativa, pensamentos distorcidos e aflições quanto a si mesmo ou ao próximo causam alterações no comportamento. Surtos de

Fernanda Caldeira

4 minhá 13 dias

Cuidados Paliativos: o que a graduação ensina sobre o “paliar”? | Colunistas

Conforme definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), os cuidados paliativos consistem na “assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, por meio de identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais”. Todavia, durante a formação do médico generalista tal conceito é visto de uma forma simplória e sem aprofundamento, o que permite que, com o fim da sua graduação, o médico diga para um paciente considerado terminal “agora, que não há nada a ser feito, vou lhe encaminhar para os cuidados paliativos!”. Mas será que é só isso que as escolas médicas ensinam sobre o verdadeiro significado do paliar?! Uma das primeiras tentativas para a publicação de um currículo voltado para o ensino de Cuidados Paliativos na graduação partiu das escolas médicas canadenses em 1993. No Brasil, a Universidade Federal de São Paulo foi a primeira escola médica a disponibilizar cursos de Cuidados Paliativos em caráter eletivo a alunos da graduação em Medicina de 1994 a 2008.  Historicamente, estudantes aprendem sobre cuidados paliativos por meio de leituras e conteúdos de cursos, tendo em vista que as escolas médicas apontam tempo insuficiente, falta de especialização do corpo docente, associado com cansativas demandas de múltiplos interesses. Mas esses conteúdos adquiridos de forma ativa pelos acadêmicos são mais bem ensinados através da experiência prática. Embora seja desafiador incorporar mais exposição clínica e aprendizagem presencial com outras profissões em currículos lotados. Entretanto, pesquisas destacam as dificuldades de implementação dessas propostas num país marcado por uma forte divisão uniprofissional do trabalho nos serviços de saúde e com

Paulo Florêncio

2 minhá 13 dias

Síndrome de Burnout na pandemia | Colunistas

Síndrome de Burnout, um esgotamento emocional na pandemia. Como funciona, causas, sintomas, prevenção e um pouco mais. “Foto- Jonathan Borba.” Ei, você mesmo aí. Já ouviu falar sobre a síndrome de Burnout? Sabia que ela causa um esgotamento físico e mental nos profissionais, quando expostos a uma alta carga horária de trabalho? Isso mesmo, é o que muitos dos nossos profissionais de saúde brasileiros estão passando neste momento tão difícil da COVID-19. A primeira vez que esse termo foi usado, ocorreu em 1599, quando Shakespeare escreveu a obra “The Passionate Pilgrim”, e vieram muitos outros famosos na literatura que usufruíram desse vocábulo, no qual o sentido é o mesmo, desgaste profissional. Mas, como ocorre? Vamos imaginar que somos forçados a vermos coisas que não queremos ver ou fazer, e ficamos sob constante pressão. Automaticamente, isso vai nos gerar uma ansiedade e um nervosismo insistente. Conforme o tempo vai passando, esse ciclo vai piorando até que a bomba explode e você precisa se afastar do que te faz mal e se recuperar. Onde o cérebro é afetado? O estresse afeta principalmente o hipocampo do cérebro, onde há o processo de geração de novos neurônios, e, posteriormente, afeta a memória e a atenção. A preocupação libera adrenalina(epinefrina) e cortisol, que interferem no funcionamento do cérebro e coração, como também diminui a imunidade. A adrenalina é de extrema importância para nós, pois é uma substância produzida na glândula adrenal. Ela é liberada através de estímulos no sistema simpático por fibras impulsionadas pela noradrenalina. Então, a adrenalina é captada pelo EMT (Transportador extra neural de monoaminas e metabolizada pelas

Fernanda Silveira Vieira

5 minhá 13 dias

Dreno Pigtail | Colunistas

O que é um dreno? Antes de conceituar o que é um dreno pigtail, precisamos estabelecer alguns conceitos que inicialmente podem parecer confusos. Quando dizemos que um determinado instrumental cirúrgico é uma sonda, um dreno ou um cateter, você sabe exatamente o que isso significa? Vamos lá. Uma sonda é um instrumento que introduzimos através de um orifício natural, podendo ser maleável ou rígida. Ela terá a função de extração ou inserção de um determinado conteúdo. Por exemplo, a sonda vesical tem a finalidade de extrair a urina em casos de retenção ou incapacidade de urinar espontaneamente, sendo introduzida através da uretra. A sonda nasoenteral, por outro lado, é introduzida a partir da cavidade nasal até a porção proximal do intestino, e tem como uma de suas funções suprir uma via alimentar alternativa para pacientes que não podem se alimentar por via oral. Figuras 1 e 2 – Sonda vesical (acima) e sonda nasoenteral (abaixo). Cateteres são tubos que podem tanto ter a função de retirada quanto de infusão de fluidos (soro, sangue, medicamentos), e também podem ser usados em hemodiálise e quimioterapia. Para isso, eles são introduzidos em vasos sanguíneos ou dutos, de forma geral. Drenos são tubos com a finalidade de drenagem de fluidos, sendo conectados, em sua maioria, de uma cavidade para um sistema de coleta localizado exteriormente. Podem ter finalidade terapêutica, como iremos abordar a seguir, ou de monitorização de possíveis complicações do pós-operatório, como infecções e sangramentos. O que é o dreno pigtail? Veja só, agora que conceituamos esses termos, podemos falar propriamente do pigtail. Aqui, iremos abordá-lo como um dreno, com as características que citamos anteriormente. No

BMS

5 minhá 13 dias

Abscesso Anorretal | Colunistas

O que é? Os abscessos, na maioria dos casos, surgem a partir da obstrução de uma cripta anal e sua glândula, ocorrendo acúmulo de pus no tecido subcutâneo ao redor da cripta. Outra frequência ocorre devido a material estranho. Os abcessos são tipicamente polimicrobianos com bactérias aeróbias e anaeróbicas, como exemplo, temos Staphylococcus aureus, Streptococcus e Enterococcus, Escherichia coli, Proteus e Bacteroides; pode progredir envolvendo o espaço isquiorretal, interesfíncter ou do músculo elevador do ânus, pois são espaços normalmente preenchidos com tecido areolar gorduroso com pouca resistência à progressão de infecções. Os abscessos[Pacheco1]  apresentam uma complicação muito frequente, que são as fístulas que ocorrem em cerca da metade dos pacientes, este ocorre frequentemente como resultado de um abscesso que se formou nesta região. O pus contido dentro do abscesso é eliminado, naturalmente ou com ajuda de drenagem, dando lugar à formação de uma fístula anal. A fístula comunica a região interna do canal anal ou reto até a pele da região externa do períneo ou nádegas. Não é uma complicação do tratamento e sim uma evolução natural da condição. É um problema que exige avaliação e tratamento especializado para sua cura. Etiologia Doença inflamatória intestinal, como doença de Crohn ou retocolite ulcerativa;Hidradenite supurativa;Infecções do reto, como amebíase, linfogranuloma venéreo, tuberculose ou esquistossomose retal;Fissura anal;Câncer anorretal;Imunidade comprometida;Ter passado por uma cirurgia da região anorretal, como hemorroidectomia, episiotomia ou prostatectomia, por exemplo. Causas menos comuns: ato de deglutir (engolir) alimentos sem mastigar, podendo levar fragmentos de ossos ou espinhas de peixe até o canal anal. Estes fragmentos não são digeridos e passam pelo canal anal podendo gerar uma escoriação, perfuração, que provoca um abscesso. Classificação  Submucoso: Imediatamente abaixo da

Matheus Neres

3 minhá 14 dias
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