Pinça DeBakey: história e aplicações | Colunistas

Introdução A intervenção cirúrgica pode ser definida como um conjunto de gestos manuais ou instrumentais que o médico cirurgião executa para a realização de um ato com finalidade terapêutica, estética ou diagnóstica. As cirurgias são constituídas por tempos cirúrgicos, considerados procedimentos simples e denominados diérese, hemostasia e síntese, que associados permitem a realização de operações complexas. Dentre os diversos instrumentos cirúrgicos, as pinças são fundamentais no processo de hemostasia e preensão, destacando a pinça de DeBakey devido a sua larga utilização. Diérese É uma manobra cirúrgica destinada a criar uma via de acesso aos tecidos. Pode ser classificada como mecânica ou física. A diérese mecânica é realizada com o auxílio de instrumentos cortantes para realização de punção, secção, divulsão ou dilatação. A diérese física é realizada com o auxílio de recursos especiais como o bisturi elétrico, o nitrogênio líquido e o uso do laser. Os requisitos fundamentais para uma via de acesso são: ter uma extensão suficiente para uma boa visibilidade; apresentar bordas nítidas, o que favorece a cicatrização; atravessar os tecidos respeitando a anatomia regional e um plano de cada vez; por fim, não deve comprometer grandes vasos e nervos. Hemostasia A palavra grega hemo significa sangue e stasis significa interrupção, logo a hemostasia consiste no processo de prevenir, diminuir ou deter o sangramento, garantindo uma boa visibilidade do campo operatório e melhor condição técnica. É classificada em relação ao tempo (temporária ou definitiva) ou por finalidade (preventiva ou corretiva). A hemostasia temporária pode ser realizada no campo operatório ou a distância com o objetivo de interrupção momentânea do sangramento. Já a hemostasia definitiva interrompe para sempre a circulação do vaso. Quando é feita antecipadamente, é considerada preventiva e, se realizada após

Katty Lêdo

4 minhá 32 dias

Sonda de Crawford: desobstrução das vias lacrimais | Colunistas

A sonda de Crawford é um instrumento utilizado para realização de sondagem das vias lacrimais quando ocorre das mesmas estarem obstruídas. É um procedimento à integridade anatômica e funcional da via lacrimal.             Esse mecanismo foi criado e realizado pela primeira vez por J.S Crawford em 1977, e é utilizado quando apenas massagem não resolve para desobstruir as vias lacrimais. Figura 1. Sonda de Crawford. Fonte: https://www.jedmed.com/collections/crawford-system/products/crawford-mono-canalicular-set Introdução A intubação é realizada com uma sonda fina de metal, que contém um tubo de silicone, pela via lacrimal com a ajuda de um gancho, onde o cirurgião segue apenas com seu conhecimento anatômico, pois não há como ver as vias. O tubo de silicone permanecerá na via de 2 a 6 meses, porém, a manutenção deve ocorrer em 60 dias. Essa sonda passada pelo ponto lacrimal dilatado, canalículo, saco lacrimal, ducto lácrimo-nasal e meato inferior. O objetivo é reestabelecer a funcionalidade (drenagem permanente) da via lacrimal, seja esta causada por trauma, fibrose das vias, infecções graves ou por má formação anatômica. Indicação cirúrgica: Dacriocistorrinostomia (DCR). Figura 2. Sonda de Crawford. Fonte: https://www.medicalcenterbr.com.br/sonda%20de%20crawford Características São dois fios de aço inoxidável, onde em uma extremidade apresenta oliva e na outra extremidade, um tubo de silicone. Essa ponta em formato de oliva serve para facilitar tanto para pender (com o auxílio do gancho de Crawford), quanto na hora da remoção do fio. Esse processo de sondagem é de tipo bicanalicular (tanto a bicanalicular quanto a monocanilicular se mostram efetivas, porém, a bicanalicular apresenta valor mais acessível). Figura 3. Sonda de Crawford. http://visionlinebrasil.com.br/categoria/sondas-de-crawford/ Formatos A sonda de Crawford está disponível

Anna Clara Cândido

4 minhá 32 dias

Curso de Radiologia | Colunistas

O que é radiologia A radiologia é a especialidade médica que utiliza a radiação para realizar diagnósticos e até mesmo o tratamento de algumas doenças. O que é radiografia O exame de raios X ou radiografia é um exame de imagem não invasivo muito popular, que ajuda no diagnóstico de fraturas e doenças com o uso de radiação que atravessa órgãos e tecidos e cria imagens da região de interesse. Os tecidos do corpo humano têm diferentes densidades que irão determinar a imagem da radiografia. Os raios X não conseguem atravessar os ossos, então eles aparecem brancos na imagem. Já estruturas moles e preenchidas por ar como os pulmões, que os raios X conseguem atravessar, aparecem pretos.  O raio X também é útil para investigar suspeitas de câncer. A mamografia, inclusive, não deixa de ser uma radiografia, pois também usa os raios X de forma específica para diagnosticar distúrbios da mama, principalmente o câncer de mama. Como é feito exame de Raio X Posicionamento Alguns RX como o do tórax, coluna cervical e ombro são sempre que possível realizados em pé. Os exames à bacia e ao membro inferior como fêmur, joelho, perna, tornozelo, pé são frequentemente realizados com o paciente deitado. Já o estudo do membro superior como o cotovelo, antebraço, punho e mão são habitualmente realizados com o paciente sentado. O RX do abdômen, da coluna dorsal e lombar são realizados de pé ou deitado de acordo com a suspeita clínica. Respiração Uma grande parte dos exames exige que o doente não respire no momento do disparo. Outros como o RX do tórax requerem inspiração profunda ou até expiração. Independentemente do exame, o

Rainara Lúcia D'Ávila

6 minhá 38 dias

Medicina Genômica: quais as promessas e perspectivas | Colunistas

O que é genômica A genômica é um campo da ciência que estuda os genomas, avaliando a interação entre os genes e o meio ambiente. Por ser multidisciplinar, tenta abordar tanto suafunção quanto estrutura. Todas nossas características físicas, intelectuais e comportamentais são determinadas tanto pelo nosso genoma como por nossa história de vida. Surge assim o paradigma genômico da saúde, como equilíbrio harmônico entre genoma e ambiente. As doenças representam a desarmonia, que, na maioria das vezes, emerge da confluência de “gatilhos” ambientais agindo sobre predisposições genômicas. Com os avanços da tecnologia, podemos aprender cada dia mais sobre o nosso genoma e seu funcionamento. Estas informações estão sendo rapidamente incorporadas na nossa rotina do dia a dia, se tornando uma arma forte para a prevenção e tratamento direcionado aos pacientes que ainda se apresentam assintomáticos ou sem sinais e sintomas específicos de doença. A medicina genômica A medicina genômica está se tornando uma importante ferramenta para auxiliar a tomada de decisões pelo profissional de saúde, semelhante ao papel que a medicina baseada em imagens desempenha hoje. O importante envolvimento do ambiente na etiologia dessas doenças comuns abre perspectivas preventivas personalizadas, a partir de modificações do estilo de vida e da dieta, da introdução ou suspensão de medicamentos e do aumento da frequência de exames clínicos, laboratoriais ou de imagem. Além da personalização, isto é, o conhecimento das características genômicas altamente individuais de cada pessoa, a medicina genômica pode ser lembrada por outras características, que fazem dela “a medicina dos cinco P’s”: – Personalizada: porque é baseada no conhecimento das características genômicas altamente individuais de cada pessoa. – Preditiva: porque usa mapas genômicos de suscetibilidade a doenças para

Lídia Tatekawa

4 minhá 38 dias

Retalho nasogeniano: você sabe do que se trata? | Colunistas

Que atire a primeira gaze aquele que nunca ficou encarando o próprio nariz no espelho! Tem gente que foi contemplado com um nariz simétrico, harmônico e proporcional, e estes eu apelidei carinhosamente de abençoados, os que nunca cogitaram a ideia de fazer uma rinoplastia, enquanto existem também aquelas pessoas que não são tão fãs assim do formato do seu órgão respiratório. E está tudo bem, desde que esta insatisfação não progrida para um quadro psiquiátrico de dismorfismo corporal, é aceitável que nós, meros mortais, sejamos vaidosos e preocupados com a aparência. Porém, o que aconteceria se em uma dessas miradas no espelho nos depararmos com uma lesão neoplásica cutânea? O nariz é acometido com grande frequência por neoplasias cutâneas. O que torna importante sua reconstrução estética e funcional. Em defeitos nasais extensos, que acometem principalmente a asa do nariz, é utilizado o retalho nasogeniano. O retalho nasogeniano é centrado no sulco nasogeniano, em forma de elipse e pode ser feito bilateralmente.É utilizado nas reconstruções de defeitos do lábio superior, pavimento das fossas nasais, junção naso-labial e columela.  Esse retalho é capaz de restaurar a anatomia e a função nasal sem distorcer subunidades anatômicas adjacentes. Os detalhes dessa cirurgia você verá a seguir, mas antes, um pouquinho de história. História A reconstrução do nariz é uma prioridade desde a antiguidade. Os primeiros registros são datados em 3000 a.C, no Papiro Cirúrgico de Edwin Smith, no antigo Egito, pois apenas aqueles sem desfiguração poderiam entrar no templo de Osíris. Posteriormente, em 600 a.C, foi descrito um retalho cutâneo para a pirâmide nasal no Sushruta Samhita, um dos livros sagrados hindus. Naquele período, a mutilação ou amputação eram uma prática

Alice Nunes Lopes

4 minhá 51 dias

Reabilitação pós COVID-19 | Colunistas

A reabilitação tem como objetivo ajudar os pacientes a se recuperarem e a manterem a funcionalidade normal tanto fisicamente quanto psicossocialmente. Em um momento de recuperação global da pandemia, a reabilitação pós COVID-19 ganha um destaque muito importante quando se trata de medidas públicas e privadas na atenção à saúde, principalmente em nível de prevenção terciária. Equipes de reabilitação multidisciplinares têm se empenhado em lidar com as sequelas do COVID-19, sejam elas físicas ou psicossociais, preferencialmente de maneira telepresencial,porém não exclusivamente. Independentemente do método escolhido para a reabilitação, a segurança e os cuidados devem seguir recomendações de diretrizes elaboradas especificamente para o Covid-19, como uso de EPIs e entre outras. Equipe Multidisciplinar  Figura 1 – Equipe multidisciplinar de reabilitação pós covid. ( https://cutt.ly/5kYcaGN ) Um dos princípios amplamente adotados pelo  SUS, tanto na atenção à saúde pública quanto na privada, é a integralidade, contemplando o paciente como um ser biopsicossocial. É necessária uma equipe multiprofissional onde o paciente será investigado com especialidades e percepções diferentes, elevando o tratamento para além de uma assistência meramente curativa, mas estabelecendo uma reabilitação consistente e contínua ao paciente. Essa equipe é constituída pelos seguintes profissionais: médico, enfermeiro de reabilitação, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, nutricionista (dependendo da instituição), fonoaudiólogos e psicólogos. Indicação e avaliação A reabilitação é indicada a todo paciente que evoluiu com dificuldades ou limitações cognitivas, psíquicas ou físicas após a fase aguda do Covid-19, independentemente da idade do paciente. A avaliação é feita pelo médico juntamente com a  equipe multiprofissional de reabilitação, havendo a possibilidade de tirar dúvidas sobre essa fase com os profissionais através de teleconsultas. Nessa etapa, são investigadas as capacidades funcionais e outros aspectos como: condições nutricionais,

Matheus Carvalho

5 minhá 56 dias
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