Nervo acessório: o esquecido | Colunistas

O nervo acessório, também conhecido como XI par dos nervos cranianos, é uma das partes que gosto de chamar de injustiçadas da neuroanatomia. Ficamos tão preocupados com outras estruturas “mais nobres”, que este pobre nervo acaba passando despercebido. Então hoje resolvi vestir minha capa e defendê-lo, mostrando que deve sim ser lembrado, pois, além de interessante – diria, inclusive, polêmico –, tem relevâncias clínicas. Localização da origem do nervo acessório Imagem disponível em: https://www.tuasaude.com/nervo-vago/ Recordando sua anatomia             Para me auxiliar nesta tarefa, resolvi desempoeirar o grande Machado (não o de Assis, mas sim da neuroanatomia) para me ajudar. Ele nos revela que o nervo acessório é composto por duas raízes: uma craniana (ou bulbar) e uma espinhal.             A raiz espinhal surge da face lateral dos cinco ou seis primeiros segmentos cervicais da medula, que se juntam e penetram o crânio pelo forame magno, para se juntarem à raiz bulbar, que, por sua vez, emerge do sulco lateral posterior do bulbo, formando um único tronco.             Este tronco comum atravessa o forame jugular na companhia dos nervos glossofaríngeo e vago (as “primas blogueiras” do acessório), e se dividirá novamente em dois ramos: o externo, que contém as fibras da raiz espinhal e inerva os músculos trapézio e esternocleidomastóideo, e o interno, que contém fibras da raiz bulbar, que se une ao vago e distribui-se com ele.             O ramo interno possui dois tipos de fibras: as eferentes viscerais especiais, responsáveis pela inervação dos músculos da laringe através do nosso conhecidíssimo nervo laríngeo recorrente, e as eferentes viscerais gerais, que inervam vísceras torácicas com as fibras do nervo vago (e você aí creditando tudo ao vago, não é?!).

Bárbara Galardino

4 minhá 89 dias

Correlações Anatomoclínicas do Trigêmeo | Colunistas

Nesse artigo você irá aprender mais sobre um dos mais importantes nervos cranianos do sistema nervoso periférico, o grande nervo trigêmeo. Aproveite o conteúdo ao máximo! Introdução O nervo trigêmeo é o quinto par (V) dos doze pares de nervos cranianos. Estabelece conexõesdiretas com o tronco encefálico, sendo responsável por parte da inervação da cabeça e do pescoço (figura 1). Possui tanto um componente aferente, que conduz impulsos dos receptores periféricos para o sistema nervoso central relacionados à sensibilidade somática da face; quanto eferente, que transporta os impulsos motores dos comandos centrais para a musculatura esquelética oriunda do primeiro arco faríngeo. Outra subdivisão funcional pode ser aplicada em suas aferências, denominadas aferências somáticas, pois conduzem estímulos sensitivos de dor, temperatura, pressão, tato e propriocepção, captados pelos receptores gerais presentes principalmente na região da face. Já seu componente eferente, por inervar a musculatura oriunda dos arcos branquiais, recebe uma nomenclatura especial, pois os músculos branquioméricos, apesar de estriados esqueléticos, são considerados embriologicamente formações viscerais, sendo classificados como fibras eferentes viscerais especiais. Essas fibras inervam os músculos da mastigação. Por apresentar as características motoras e sensitivas, o nervo trigêmeo é considerado um nervo misto, possui, assim, uma raiz sensitiva e uma raiz motora. Figura 1: ilustra os componentes sensitivos e motores dos 12 pares de nervos cranianos, dando ênfase no nervo trigêmeo. Fonte: MOORE, K. L.; DALEY II, A. F. Anatomia orientada para a clínica. 7a. edição. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2014. Trajeto e divisões do nervo trigêmeo O nome “trigêmeo” foi dado a esse nervo porque ele tem três divisões de seus ramos principais: divisão oftálmica (V1), divisão maxilar (V2) e

David Jordão

11 minhá 104 dias

Um olhar sobre o Sistema Nervoso | Colunistas

O sistema nervoso é o responsável por comandar as diversas ações realizadas pelo corpo humano. Através das fibras nervosas aferentes, os estímulos ambientais são assimilados e transmitidos ao sistema nervoso central, onde, em sua grande maioria, são processados e resultam na geração de um sinal que caminha por fibras eferentes até a região alvo, local em que irá ocorrer a ação pré-estabelecida. Além disso, as informações adquiridas pelo sistema nervoso no cotidiano que apresentam importância significativa, acabam convertidas em memória, o que vai auxiliar o indivíduo na sua vivência diária e a forma como ele lida com os estímulos ambientais que lhe rodeiam. Como está organizado? Anatomicamente, o sistema nervoso está subdividido em central e periférico. O primeiro compreende o encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) e medula espinal, enquanto o segundo se refere aos nervos cranianos (12 pares), nervos espinais (31 pares) e gânglios. O encéfalo está organizado em telencéfalo (hemisférios cerebrais direito e esquerdo, conectados pelo corpo caloso) e diencéfalo (região mais interna, onde se localiza o tálamo, subtálamo, hipotálamo e epitálamo). O cerebelo, estrutura importante para o equilíbrio, está conectada ao tronco encefálico por meio dos pedúnculos superior, médio e inferior. Já o tronco encefálico está subdividido em mesencéfalo, ponte e bulbo. Os nervos cranianos, com exceção do primeiro e segundo par, emergem do tronco encefálico, enquanto os nervos espinais possuem origem na medula espinal. O cérebro e o seu papel central Todas as respostas advindas de estímulo sensorial e que necessitam ser processadas para a geração de um estímulo motor consciente, por exemplo, necessariamente tem de passar pelo encéfalo. O cérebro está dividido em lobos (que possui giros), sendo eles o lobo frontal, os lobos parietais, os lobos temporais e o lobo

Cristovão Pereira

3 minhá 119 dias

Nervo trigêmeo: anatomia e aspectos clínicos | Colunistas

Sabe aquele momento que você morde uma maçã? Ou aquela sensação boa de toque carinhoso no rosto ou de dor ao espremer um cravo? Tudo isso é possível graças ao nervo trigêmeo, um par de nervos cranianos muito importante para nossas funções cotidianas. 1.     Anatomia O nervo trigêmeo é o quinto (V) par craniano, composto por fibras sensitivas e motoras, sendo assim, classificado como nervo misto. É um dos maiores nervos cranianos. Sua origem aparente no encéfalo se localiza entre a região lateral da ponte e o pedúnculo cerebelar médio, com uma grande raiz sensitiva e uma pequena raiz motora. Ele possui uma grande função sensitiva da cabeça e motora na mastigação. Figura 1. Origem do nervo trigêmeo. Fonte: Moore et al., 2014. 1.1 Raiz sensitiva É a principal fonte sensitiva somática geral na cabeça, visto que recebe fibras de neurônios sensitivos vindos da face, boca, cavidade nasal, dos dentes, além da dura-máter craniana. São conduzidos impulsos proprioceptivos originados na articulação temporomandibular e nos músculos mastigadores e, também, impulsos exteroceptivos, como o tato, dor, pressão e temperatura. Os corpos dos neurônios desta raiz se localizam no gânglio trigeminal, que repousa sobre a impressão do gânglio na região petrosa do osso temporal. Mais distalmente, os prolongamentos dos neurônios formam três ramos principais: o nervo oftálmico (V1), nervo maxilar (V2) e o nervo mandibular (V3). Figura 2. Esquema da distribuição sensorial dos ramos do nervo trigêmeo (V). Fonte: Porto, 2014. 1.2 Raiz motora Constitui uma porção menor do nervo trigêmeo que inerva os músculos da mastigação: masseter, pterigoideo medial e lateral, temporal e parte ventral do músculo

Lorhainne Bastos

4 minhá 119 dias

Aprenda plexos de uma vez por todas: anatomia por método mnemônico e de agrupamento | Colunistas

Plexo cervical (C1 – C5) Para aprender os nervos desse plexo, o mnemônico é: Ócio, Auxiliar Cerebral Super Frequente, Sumiu. Assim, aprende-se os seis: N. occipital menor (C2, 3);N. auricular magno (C2, 3);N. cervical transverso (C2, 3);N. supraclavicular (C3, 4);N. frênico (C3-5);N. supraescapular (C5, 6). Plexo braquial (C5 – T1) Continuando com os nossos mnemônicos, temos aqui: Axila Muito Radioativa, Meu Ultimato. Essa devia estar bem cheirosa! Por isso, aprendemos os cinco: N. axilar;N. musculocutâneo;N. radial;N. mediano;N. ulnar. Plexo lombar (L1 – L4) O plexo mais temido também merece um mnemônico: Ilícito! Ilíada, Genitália Culta, Fez Observações da Treta. Por Ilíada, entender o poema de Homero; por treta, entender a Guerra de Troia. Por isso, vem os sete: N. ílio-hipogástrico (L1);N. ilioinguinal (L1);N. genitofemoral (L1, 2);N. cutâneo femoral lateral (L2, 3);N. femoral (L2-4);N. obturatório (L2-4);Tronco lombossacral (L4-5). Plexo sacral (L4 – S4) Por último, mas não menos importante, o mnemônico do sacral: Glúten, glúten! Islandês, cuidado no pudim… É, esse moço da Islândia provavelmente sofria com intolerância ao glúten. Finalizamos assim com os cinco: N. glúteo superior (L4-S1);N. glúteo inferior (L5-S2);N. isquiático* (N. fibular comum + N. tibial) (L4-S3);N. cutâneo femoral posterior (S1-3);N. pudendo (S2-4). *Vide ciatalgia, a dor do nervo isquiático. Nervos motores e sensitivos da região cervical lateral

Bianca de Araújo Sobral

6 minhá 164 dias

Paraparesia espástica tropical: um diagnóstico esquecido | Colunistas

A paraparesia espástica tropical (PET) é uma mielopatia associada ao vírus linfotrópico de células T tipo 1 (HTLV-1). É uma doença viral e imunomediada que costuma acometer a medula vertebral e que cursa com fraqueza e espasticidade de membros inferiores junto à incontinência urinária – sinais e sintomas típicos de acometimento medular. Considerada um diagnóstico de exclusão, essa doença é rara – cerca de 1% dos infectados – e de prevalência subestimada, uma vez que a maioria dos indivíduos infectados pelo HTLV-1 é assintomática e nem todos os infectados evoluem para PET. Descrita inicialmente na Jamaica do século XIX e considerada pelos profissionais durante vários anos como uma doença causada por deficiência nutricional ou toxinas, essa mielopatia só teve sua etiologia definida nos anos 1980. O agente etiológico pode ser transmitido via contato sexual, amamentação e transfusões sanguíneas. É difícil diagnosticar a infecção no início, pois o indivíduo pode permanecer assintomático por décadas. Ainda assim, é importante a suspeita de PET na exclusão de outras causas e a realização de exames como sorologia, PCR e RM de medula para realizar o diagnóstico corretamente. Figura 1 – Prevalência de indivíduos infectados por HTLV-1 em áreas endêmicas. Disponível em: https://doi.org/10.1038/nrdp.2015.12 Quais os fatores de risco? Em se tratando da infecção por HTLV-1, temos que os fatores de risco são condizentes com as vias de transmissão. Assim, indivíduos que têm um ou múltiplos parceiros e que não utilizam proteção estão mais propensos a serem infectados. Transfusões sanguíneas com indivíduos previamente infectados, embora raras, também contribuem para a transmissão, bem como gravidez sem o devido acompanhamento. Falando da PET, o principal fator de risco é a carga viral. Ela é

David Augusto Batista

6 minhá 169 dias
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