Resumo: Sífilis na Gestação | Colunistas

As infecções sexualmente transmissíveis (IST) são consideradas um problema de saúde pública no Brasil e podem impactar diretamente a saúde reprodutiva da mulher e, consequentemente, a saúde fetal. Das doenças que podem ser transmitidas durante a gestação, da mãe para o filho, a sífilis é a que apresenta as maiores taxas de transmissão. Definição A sífilis é uma infecção sistêmica, causada pelo Treponema pallidum, uma bactéria espiralada e fina, de alta motilidade, capaz de penetrar nos tecidos do organismo do hospedeiro – diretamente nas membranas mucosas ou por feridas na pele. É uma IST curável e exclusiva do ser humano. Na gestação, é preocupante, principalmente, devido ao risco de infecção transplacentária do feto e, consequentemente, complicações severas, como abortamento, prematuridade, natimortalidade, morte do recém-nascido e manifestações congênitas. Epidemiologia da sífilis em gestantes A cada ano, dois milhões de gestações no mundo são afetadas. No Brasil, em 2019, foram notificados 61127 casos de sífilis em grávidas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), sendo observado uma taxa de detecção de 20,8 casos por mil nascidos vivos. Contudo, em relação ao ano anterior, houve uma redução de 3,3% casos notificados, sendo alcançado 21,5 casos por mil nascidos vivos em 2018. Dentre as gestantes notificadas no ano de 2019, 45,1% eram residentes no Sudeste, 21,3% no Nordeste, 15,4% no Sul, 9,9% no Norte e 8,4% no Centro-Oeste. FIGURA 1: Taxa de detecção de sífilis em gestantes de acordo com a região e o ano de diagnóstico.FONTE: Boletim Epidemiológico de Sífilis, 2020. Transmissão da sífilis na gestação A sífilis é transmitida predominantemente por via sexual e vertical, sendo diretamente relacionada à presença das

Júlia Martins

6 min há 126 dias

Amamentação e Covid-19 | Colunistas

As principais condutas e estudos sobre as gestantes suspeitas ou infectadas por coronavirus ainda são escassas e até divergentes devido à contemporaneidade da pandemia da COVID-19. No entanto, através de discussões e contextualizações levando-se em consideração as recomendações oficiais brasileiras, é possível garantir a segurança do binômio mãe e feto. Sendo assim, as recomendações não são permanentes, podendo ser modificadas à medida que novas evidências forem surgindo. Além disso, analisou-se que algumas recomendações variam de acordo com o contexto local e de acordo com as condições individuais e associadas da gestante e do lactente. Gestantes infectadas com suspeita da Covid-19 No início da pandemia, a amamentação direta não foi recomendada durante o período de infecção da mãe por alguns analistas, a qual indicaram separação de ambos por pelo menos 2 semanas, em contraste outros ressaltaram a importância do aleitamento direto, devido aos inúmeros benefícios para a mãe e o filho, desde que obedecidas devidas profilaxias. O aleitamento materno e o contato pele a pele de recém nascidos de mães suspeitas deve ser realizado só e após até que as medidas de prevenção da contaminação ao bebê sejam adotadas, o que inclui banho da puérpera, troca de máscara, touca, camisola e lençóis. A indicação de banho do recém-nascido na primeira hora de vida é uma conduta individual e varia de acordo com as condições de cada instituição.   As mães suspeitas ou infectadas pelo Covid-19 deve manter a amamentação se estiver em bom estado geral e seguir cuidados higiênicos e orientações como o uso da máscara facial, cobrindo totalmente o nariz e a boca durante as mamadas além de evitar falar ou tossir. Em casos de espirro ou tosse e a cada nova mamada substituir de imediato

Lanna Carvalho

5 min há 128 dias

Diretriz: Hipertensão Arterial na Gestação da Sociedade Brasileira de Cardiologia | Ligas

A Diretriz sobre Hipertensão Arterial na Gestação foi elaborada em 2020 pelo Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA-SBC), pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), como parte das Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Diante da atual relevância dos distúrbios hipertensivos na gestação, a diretriz aborda aspectos como epidemiologia, classificação, conceito e critérios diagnósticos, predição e prevenção, conduta, tratamento e riscos futuros. Dessa forma, busca esclarecer e auxiliar no manejo das pacientes com hipertensão arterial na gestação. Epidemiologia Ao redor do mundo, a Hipertensão Arterial (HA) na Gestação é uma das principais causas de mortalidade tanto materna quanto perinatal. A hipertensão crônica atinge algo entre 0,9 e 1,5% das grávidas, enquanto a pré-eclâmpsia (PE) provoca complicações em 2 a 8% das gestações. Especificamente no Brasil, a PE apresenta incidência de 1,5%, sendo a principal causa das intervenções de prematuridade eletiva. Já a incidência da eclâmpsia é estimada em 0,6%, de modo que a prevalência e a taxa de mortalidade materna variam de acordo com o grau de desenvolvimento das diferentes regiões do país. Classificação da Hipertensão Arterial na Gestação As definições e as classificações recomendadas são as propostas pelo comitê do American College of Obstetrician and Gynecologists (ACOG). Cabe destacar, entre as definições, o conceito de hipertensão gestacional, caracterizada por pressão arterial sistólica (PAS) ≥140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica (PAD) ≥90 mmHg, ou ambas, medidas com, pelo menos, 4 horas de intervalo. A hipertensão gestacional grave é definida pela PAS ≥160 mmHg e/ou PAD ≥110 mmHg, ou ambas, também medidas com, no mínimo, 4 horas de intervalo. Em relação à classificação, a PE é

LADHAS UNIFAL-MG

4 min há 131 dias

Infecções do grupo T.O.R.C.H e seus impactos no curso da gestação | Colunistas

O que é T.O.R.C.H? O acrônimo T.O.R.C.H foi criado com o intuito de unir as infecções congênitas que possuem quadro clínico similar. São elas: Toxoplasmose: causada pelo protozoário Toxoplasma gondii;Rubéola: causada pelo Vírus da Rubéola, pertencente à família Togaviridae;Citomegalovírus: de agente etiológico Citomegalovírus;Herpes simples: de agente etiológico Vírus da Herpes Simples, o qual faz parte da família Herpesviridae. Toxoplasmose Sendo considerada como uma das infecções congênitas que faz parte do grupo T.O.R.C.H, a toxoplasmose é considerada uma zoonose que possui grande variação quando se diz respeito à epidemiologia, com sua prevalência se destacando, principalmente, nos países tropicais. Ainda, é importante pontuar que essa patologia possui três estágios evolutivos, os quais são denominados: taquizoíto (forma infectante que possui alta taxa de multiplicação, relacionando-se com a fase aguda da doença), bradizoíto (possui o cisto tecidual como característica importante e apresenta baixa taxa de multiplicação, fator que se relaciona com a fase latente da doença) e esporozoíto (estando intimamente ligado com sua eliminação através das fezes dos felinos, as quais são infectantes). Transmissão A transmissão da toxoplasmose pode ocorrer de diferentes formas, como por exemplo: por ingestão dos oocistos através de água ou alimento contaminado, bem como por contato direto com as fezes do felino. Além disso, pode haver transmissão vertical, isto é, quando a mulher adquire a infecção durante a gestação e, mais comumente na fase aguda, por via transplacentária, passa ao feto. De maneira menos frequente, caso a gestante já tenha tido toxoplasmose, pode ocorrer reativação da doença no organismo materno e, consequentemente, também resultar na transmissão vertical. Risco para o feto Quanto menor for a idade gestacional, ou seja, quanto mais prévio for esse

Maria Eduarda Laginestra

9 min há 133 dias

Por que a sorologia para rubéola não faz mais parte da rotina de exames pré-natais? | Colunistas

A rubéola é uma infecção viral, que nas últimas décadas, teve a incidência e a prevalência diminuídas drasticamente no Brasil. A recomendação do Ministério da Saúde, desde 2015, é de que não realize mais a sorologia para rubéola durante a rotina do pré-natal; já que é uma doença considerada extinta nas Américas. O que é a rubéola? A rubéola é uma infecção viral. A transmissão ocorre por secreções respiratórias. O período de incubação dura cerca de 2 semanas e pode ser transmissível por 7 dias após a instalação dos sintomas. As manifestações clínicas se iniciam com um quadro inespecífico de febra, linfadenopatia, artralgia e queixas respiratórias. Evolui com um rash cutâneo que se inicia na face a avança para tronco e extremidades. As complicações são encefalite, neurites, trombocitopenia hemorrágica e conjuntivite. Qual o problema da rubéola na gestação? A rubéola é uma doença com poucas repercussões clínicas importantes fora da gestação. Entretanto, quando a infecção ocorre na primeira metade da gestação, os efeitos teratogênicos são graves. Apesar de o vírus ser teratogênico, em alguns casos não ocorre transmissão vertical para o feto, logo, alguns recém-nascidos não terão malformações ou sequelas relacionadas à infecção. Como é o acometimento fetal na infecção por rubéola? O acometimento fetal pela infecção por rubéola resulta na rubéola congênita. A rubéola congênita tem uma tríade clássica, composta por malformação cardíaca, catarata e surdez.  As malformações cardíacas incluem defeito do septo interventricular, ducto arterioso patente, estenose pulmonar e coarctação de aorta. Outras alterações são do esqueleto, meningoencefalite, microcefalia, trombocitopenia, hepatoesplenomegalia, icterícia obstrutiva. Como acontecia o rastreio da rubéola no pré-natal? O rastreio para a rubéola no pré-natal era realizado com os

Caroline Silva

3 min há 145 dias

Os diferentes tipos de parto | Colunistas

Parto vaginal • A criança nasce naturalmente pelo canal vaginal. • O parto é conduzido, monitorizado e registrado pelo médico. A mulher será submetida à vários toques vaginais, a qual será avaliado á consistência e o esmaecimento do colo uterino e a dilatação. Tudo será  registrado no partograma, tais como o toque, o padrão de contração, a altura da cabeça do bebê, sendo este preenchido de hora em hora e objetiva anotar tudo o que ocorre.  • O médico se torna o agente ativo no período expulsivo do parto, auxiliando na extração fetal. • Pode ser feito com anestesia ou não. • Uso de ocitocina para indução, evolução e períodos clínicos do parto. • Quando o espaço para o bebê passar for insuficiente, é realizada uma episiotomia (corte cirúrgico feito na região perineal) auxiliando a expulsão do bebê e evita a  ruptura dos tecidos perineais. Vantagens • Permite o contato mais rápido entre a mãe e o filho. • Oportunidade da criança sugar no peito nos primeiros momentos de vida e reduz as doenças respiratórias nas crianças, uma vez que a força exigida no nascimento faz o bebê expelir o líquido presente no pulmão. • O estresse do trabalho de parto, permite a liberação de cortisol, a qual é muito importante para sensibilizar o miométrio, faz com que a ocitocina endógena seja produzida, promove as contrações uterinas, prevenindo quadros de atonia uterina pós parto e maturação pulmonar fetal. Além do cortisol, a liberação de prolactina é significativa, e contribui muito para a lactação. • Os bebês são introduzidos a uma microbiota vaginal normal, ou seja

Lanna Carvalho

21 min há 145 dias
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