Oftalmologia: Erros de Refração | Colunistas

Quantas pessoas você conhece que possuem ametropias? Se você ainda não está familiarizado com o termo, vou perguntar de outra maneira: quantas pessoas você conhece que usam óculos? Imagino que sejam muitas, visto que erros de refração são extremamente comuns na nossa população. As ametropias ou erros de refração, na oftalmologia, são defeitos ópticos que impedem que feixes de luz paralelos sejam focalizados na retina de maneira adequada. Os principais vícios de refração são hipermetropia, miopia, astigmatismo e presbiopia. A principal repercussão dessas condições é a diminuição da acuidade visual. Vamos conversar sobre cada um deles? FISIOLOGIA DA REFRAÇÃO DA LUZ Compreender a fisiopatologia dos erros de refração é muito mais fácil quando nós entendemos o que ocorre fisiologicamente. Dessa forma, um olho emítrope é aquele em que há correlação adequada entre o eixo de seu comprimento e seu poder refrativo (ou seja, é um olho sem ametropias!). Mas refração não era aquilo que aprendemos em Física no ensino médio? Bom, caro colega, no olho humano também ocorre um processo refrativo. Por definição, refração é a mudança de velocidade de uma onda ao atravessar a fronteira entre dois meios com diferentes índices de refração. Figura 1. A luz proveniente do lápis, ao passar de um meio com menor índice refrativo (ar) para outro com maior índice (água), sofre um deslocamento. Isso ocorre porque, na água, a luz se propaga de maneira mais lenta. Nesse exemplo, diz-se que a imagem do lápis sofreu uma refração. Fonte: Oftalmologia – Ciências Básicas, 3ª edição. A quantidade de refração é definida pelo comprimento de onda dos raios luminosos, por seus ângulos de incidência, pelos seus comprimentos de onda e pela diferença

Larissa Melo

8 min há 16 dias

Diretriz Terapêutica de Degeneração Macular relacionada com a Idade | Ligas

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma doença degenerativa e progressiva que acomete a área central da retina (mácula), levando invariavelmente à perda da visão central. Pode ser classificada como seca, responsável pela maior parte dos casos (85%-90%), ou exsudativa, também denominada neovascular ou úmida (10%-15%). Na DMRI seca, ocorre a formação de drusas e alterações no epitélio pigmentar da retina (EPR), podendo evoluir para um estágio final denominado atrofia geográfica. Na DMRI exsudativa ocorre a formação de membrana neovascular (MNV), sendo responsável pela maior parte (90%) dos casos de cegueira (acuidade visual – AV igual ou inferior a 20/200). O aumento da permeabilidade do complexo neovascular causa extravasamento do conteúdo do plasma para diferentes camadas da retina, gerando dano nas células neurais e formação de cicatriz sub-retiniana. Diante disso, considerando a necessidade de se estabelecerem parâmetros sobre a degeneração macular relacionada com a idade (forma neovascular) no Brasil e que os protocolos clínicos embasados em conhecimentos técnicos-científicos resultam em melhor atendimento e resultado de tratamento, foi-se criado o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Degeneração Macular relacionada com a Idade. Os primeiros sintomas da doença são uma distorção da visão central, ou seja, somente o centro da imagem observada fica borrado. Com a evolução da doença, esse borramento passa a ser perda da visão central. Epidemiologia/Fatores de Risco A DMRI é a principal causa de cegueira irreversível em indivíduos com mais de 50 anos nos países desenvolvidos. Estudos internacionais apontam para incidência e prevalência crescentes após essa faixa etária, com cerca de 30% da população com mais de 75 anos apresentando algum estágio dessa doença. No Brasil, estudos epidemiológicos são escassos, mas em meta-análise, com base em dados de outros

Diretrizes Terapêuticas de Glaucoma | Ligas

O Glaucoma é uma doença neurodegenerativa multifatorial, onde há lesão progressiva do nervo óptico e cujo principal fator de risco é o aumento da pressão intraocular (PIO). É a segunda causa mais comum de perda de visão e a primeira causa de cegueira irreversível no mundo. É mais prevalente após os 40 anos de idade, sendo geralmente silenciosa. Em geral, no inicio da doença o paciente é assintomático e não percebe a redução do campo visual, e progressivamente há perda da visão periférica até a formação de um campo de visão tubular. O Glaucoma pode ser classificado como primário (pode ser congênito, de ângulo aberto ou ângulo fechado) ou secundário (por trauma, inflamação, uso de drogas etc). Diante disso, a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), por meio de diretrizes, fornece recomendações baseadas na literatura e nos principais consensos disponíveis para um adequado seguimento clínico, no qual o exame oftalmológico completo e indicação consciente dos exames complementares disponíveis são muito importantes para um diagnóstico precoce e detecção da progressão em doentes, objetivando estabilizar a doença e evitar maiores danos. Epidemiologia/Fatores de Risco O glaucoma afeta mais de 67 milhões de pessoas no mundo, das quais 10% são cegas. Depois da catarata, o glaucoma é a segunda causa de cegueira, sendo a principal causa de cegueira irreversível. Os estudos mostram prevalência de 2-3% na população brasileira acima de 40 anos, com aumento da prevalência conforme o aumento da idade. Estima-se que apenas 50% das pessoas que tem glaucoma saibam da sua condição, devido aos poucos sintomas apresentados nas fases iniciais da doença.  Vários fatores de risco, além da PIO aumentada, já foram identificados: idade acima de 40 anos, escavação do nervo óptico aumentada, etnia (negra

Caso Clínico: Retinopatia hipertensiva | Ligas

Apresentação do caso clínico R.M.C, 44 anos, sexo feminino, parda, professora, residente da cidade do Rio de Janeiro – RJ, hipertensa. Procurou atendimento ambulatorial de oftalmologia com queixa de redução da acuidade visual, de início há 6 meses. Sem outras queixas no momento. Relatou que é hipertensa há 10 anos, mas seu tratamento é irregular. Nega outras comorbidades. Ao realizar o exame de fundo de olho da paciente, o médico encontrou os seguintes achados: disco óptico normal, arcadas vasculares com desproporção arteriovenosa de 1:4, com estreitamento arteriolar difuso e cruzamentos patológicos esparsos. Hipóteses diagnósticas Catarata senilRetinopatia hipertensivaPresbiopia Exames complementares Para essa paciente, é importante acompanhamento não só com oftalmologista, mas também com o cardiologista e nefrologista pois a hipertensão arterial é uma doença que atinge principalmente olhos, coração e rins. Além disso, é interessante para melhor avaliação do quadro a retinografia, angiografia fluoresceínica e tomografia de coerência óptica. Diagnóstico e Tratamento A primeira linha de tratamento para retinopatia hipertensiva é normalização gradual e progressiva da pressão arterial. Em caso de edema macular ou neovascularização pode-se realizar o processo de fotocoagulação retiniana.  Outra opção de tratamento farmacológico para o edema macular é a triancianolona intra-vítrea ou anti-angiogênico intra-vítreo. Questões para orientar a discussão Qual é uma possível complicação relacionada ao cruzamento arteriovenoso patológico?Por que a normalização da pressão arterial deve ser feita de forma gradual e progressiva?Qual a importância da angiografia fluoresceínica para o caso em questão? Respostas 1. Qual é uma possível complicação relacionada ao cruzamento arteriovenoso patológico? Oclusão de ramos venosos, isquemia e hemorragia. 2.

Cegueira infantil: importância do diagnóstico e tratamento preventivo | Colunistas

A Classificação Internacional de Doenças (CID – 10) estabelece quatro níveis de função visual: visão normal, deficiência visual moderada, deficiência visual grave e cegueira. Os parâmetros utilizados para a análise de deficiências na visão são as escalas de acuidade visual (capacidade de identificar os objetos a uma certa distância) e de campo visual (o quanto de uma área o olho consegue ver quando focado em um ponto central). A definição atual de cegueira engloba os indivíduos que apresentam incapacidade total de visão, como também os de baixa visão que manifestam prejuízos nas atividades diárias, em níveis incapacitantes. A prevalência e as causas de cegueira variam conforme a região, as condições geográficas e socioeconômicas. Com base nos dados da Agência Internacional de Prevenção à Cegueira (IAPB), em 2020, no Brasil, estima-se que a quantidade de indivíduos com perda de visão era de 29 milhões. Destes, cerca de 1,8 milhões apresentam incapacidade total de visão. A IAPB também estipula que em média de 26 mil crianças brasileiras desenvolveram cegueiras por doenças oculares que poderiam ter sido preveníveis e tratáveis precocemente. Desse modo, é perceptível a necessidade de conhecer as causas da perda visual na infância como requisito para a prevenção à estados conducentes à cegueira e promoção da saúde ocular. Principais causas por etiologia Hereditária: catarata, distrofia retiniana, albinismo. Infância: trauma, sarampo, deficiência de vitamina A, meningite. Perinatal: retinopatia da prematuridade, alteração cortical, oftalmia neonatal. Intrauterina: rubéola, toxoplasmose, álcool. Desconhecida: anomalias, início desconhecido. Causas mais frequentes Catarata A catarata pediátrica é uma das principais causas tratáveis ou preveníveis de cegueira na infância. É caracterizada pela perda de transparência do cristalino

Fávilla Pinto

4 min há 68 dias

Diretriz Brasileira acerca da periodicidade do exame oftalmológico nas crianças saudáveis na primeira infância | Ligas

O objetivo da periodicidade do exame oftalmológico nas crianças saudáveis na primeira infância visa mostrar a importância das consultas regulares para prevenção de doenças e acometimentos oculares. Assim, é possível fazer diagnósticos precoces afim de obter uma melhor conduta acerca dos possíveis acometimentos oculares, já que não é comum crianças relatarem queixas. Com isso, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) com o apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) visa promover cuidados e prevenção na saúde ocular infantil, promovendo, assim, uma melhor qualidade para a saúde das crianças.    Logo, com o objetivo da Diretriz em orientar a frequência, importância e componentes do exame oftalmológico em crianças saudáveis de 0 a 5 anos, sempre é importante lembrar que não se deve adotar as mesmas orientações e condutas para todos os pacientes.  Fonte: www.bbc.com/portuguese/geral-42504594 Epidemiologia/Etiologia Os erros refrativos não corrigidos compõem as principais doenças diagnosticadas pelos exames. Na infância, são responsáveis por até 69% dos problemas visuais, podendo causar deficiência visual. Na América Latina, de acordo com a Organização Mundial da Saúde e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, cerca de 23 milhões de crianças têm problemas de visão relacionados a erros de refração não corrigidos que podem afetar seu desenvolvimento, escolaridade e desempenho social. Geralmente é tratável se diagnosticada precocemente; no entanto, devido à dificuldade em detectar essas doenças, centenas de milhares de crianças norte americanas e milhões em todo o mundo sofrem perda de visão desnecessária e permanente a cada ano. Em segundo lugar, temos a ambliopia. Corresponde a segunda doença ocular mais tratável, acometendo cerca de 2 a 4% da população pediátrica. Geralmente é tratável se diagnosticada precocemente; no
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